sexta-feira, 22 de julho de 2016

Projeto 21 Dias - Finalizando e reflexões

Oi, pessoal! Acabei de me dar conta, em meio a tantas outras coisas que estou fazendo, que não postei nada sobre as artes finais do Desafio 21 Dias! Bom, vamos corrigir isso, e ainda fazer algumas considerações sobre a experiência toda.

A 20ª arte do desafio foi uma releitura de uma das pinturas do monstro Norman Rockwell, "O fugitivo". 
Mestre pintor e ilustrador norte-americano, sua arte mostra uma doçura verdadeira da vida do americano... É uma visão quase ingÊnua, poética de pessoas comuns nas pequenas cidades dos EUA, nos anos 40, 50... É bem mágico, na verdade. O nível de realismo que ele empregava misturado a um tipo sutil de estilização e caricatura fazem tudo ser muito acessível. . É muito realista e sempre me deixa impressionado. Mas o que mais gosto é da atuação das figuras. Expressões faciais e corporais no seu melhor. E sempre tem algo interessante no cenário e nos detalhes que ajudam as imagens a serem sempre muito ricas, seja na narrativa ou na técnica.



A 21ª arte foi uma homenagem à Mônica, do Mauricio de Sousa. Porque né, quem nunca leu Turma da Mônica? A grande maioria dos quadrinistas brasileiros (bom, de todo mundo) tem no trabalho e legado do Mauricio uma inspiração e um incentivo. Es é minha singela homenagem a tudo que o Mauricio representou e representa para mim e para todos os quadrinistas e artistas brasileiros.



E aproveito a deixa para postar também este desenho do meu queridão Homem-Aranha. Fiz este para comemorar os 2.000 seguidores no Instagram. A série dos 21 Dias foi importante para chegar a esse número, e sou muito grato por todo mundo que me segue e gosta do meu trabalho.


Agora, algumas reflexões sobre o desafio como um todo...

Me perdi entre os dias por causa de aulas, eventos, projetos paralelos e claro, a vida pessoal), e não consegui honrar a regrinha de desenhar TODOS os dias. O desafio tem como meta uma sequência de 21 dias direto com desenhos. e é muito importante tentar ao máximo manter a disciplina.

Achei que o tema escolhido (releituras de obras que me influenciam) seria bom por ser bem amplo, mas é interessante que, mesmo amplo, ainda te limita. Eu não queria desenhar certas coisas que são. sim, influências do meu trabalho. Talvez por já ter desenhado algo similar há pouco tempo, como no caso do trabalho do Bá e do Moon... Talvez por achar que, naquele momento, não ia conseguir fazer um bom trabalho (como na ideia de desenhar algo da Capela Sistina)...

Limitei um pouco a técnica usada, mas gostaria de ter tido mais tempo e organização para testar coisas diferentes.

Em 21 dias, teoricamente, você consegue se aprofundar bastante no assunto escolhido. Isso é verdade, pois eu precisei revisitar muita coisa e reconsiderar outras. Muita gente que eu não lembrava direito foi relida, muita gente que eu curto demais não foi usada. E é sempre bom buscar novas referências e influências. Quem fica muito focado só nos mesmos poucos estilos se limita.

O feedback do pessoal, especialmente no Instagram e no Facebook foi crucial. Ter esse retorno ajuda a manter o foco, dá vontade de sempre se superar. É uma cobrança, sim, uma pressão, mas é uma boa coisa. Agradeço a todos que curtiram e acompanharam esse desafio... E quem sabe em breve eu faço outro!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Eventos - Banca de Quadrinistas - Itaú Cultural

Na próxima quarta, 20 de julho,m participarei do Banca de Quadrinistas, um evento de autores organizado pelo Itaú Cultural, juntamente à Ocupação Glauco e debates. Terei meus livros e prints, e claro, muita conversa boa.

Release:
Os dias 20 e 27 de julho no Itaú Cultural serão dias de feira: das 14h30 às 19h30, o instituto realiza a Banca de Quadrinistas, um espaço em que o público descobre novas publicações em contato direto com artistas, coletivos, selos ou instituições relacionadas às HQs. Serão 15 expositores em cada dia – cinco convidados e dez escolhidos por meio de uma seleção aberta. Para visitar, não será preciso retirar ingresso. O evento é uma programação paralela da Ocupação Glauco.
Alguns quadrinistas que participam de outros eventos do instituto já são nomes confirmados entre os expositores convidados: os debatedores do ciclo Caminhos da HQ – outra atividade paralela à Ocupação Glauco – Marcatti, Carol Rossetti, Klebs Junior (Instituto dos Quadrinhos), Daniel Esteves (Zapata Edições) e Marcelo D’Salete (editora Veneta); além de Gus Morais, que oferece a oficina Brincando de Montar Quadrinhos no Fim de Semana em Família nos dias 9 e 10 de julho




AUTORES SELECIONADOS:20/7: 
Balão EditorialCarlos Henrique GuabirasFlávio LuizGilmar MachadoGiulia Bettini CalistroMarcio R. GotlandMariana Aiex JorgeMario CauRenata RinaldiTalessa KuguimiyaUgra Press

27/7:Allan AlbuquerqueBruno Soares Freire de CarvalhoCristina Eiko YamamotoEditora Gato Preto/Selo GarabatoFlavio Francisco Soares BrandãoGermana VianaLuciana ForaciepeMário César dos Santos OliveiraRenato Machado GonçalvesRodrigo Motta/Motta Press

BANCA DE QUADRINISTAS

Quartas 20 27 de julho
Das 14h30 às 19h30

ITAÚ CULTURAL:
Sala Multiúso (piso 2)
Avenida Paulista 149 
São Paulo SP 01311 000 
[Estação Brigadeiro do metrô]
fone 11 2168 1777 fax 11 2168 1775
Entrada gratuita


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Projeto 21 Dias - 3ª e 4ª Semanas

A esta altura, não funciona mais catalogar os trabalhos do Desafio em semanas... Tanta coisa aconteceu nesse meio tempo que me fez desviar o foco. Claro,como eu sempre digo, a vida acontece. A gente não tem como frear a vida, muito menos impedi-la de acabar... Bom, o importante é que, mesmo com os buracos na estrada, a gente continua em frente. Mesmo com os desvios de foco, eu farei 21 desenhos dentro deste desafio.

Entre os compromissos que me tomaram as semanas anteriores está o Fest Comix, evento bacanudo em São Paulo. Não foi possível desenhar o Desafio enquanto estava lá, infelizmente, mas o evento foi gratificante de qualquer forma. Também palestrei na Pandora, tive a quinta-feira cheia de aulas e por aí vai. A princípio, eu poderia usar meu próprio argumento de que você simplesmente tem que arranjar um tempo, disciplinar a produção e fazer acontecer. Eu sei, eu sei. Casa de ferreiro...

Vamos ver como ficaram os mais recentes?

Disparado o maior sucesso dentre os desenhos do Desafio, a minha releitura de Calvin e Haroldo gerou mais likes do que eu jamais tinha tido no Instagram. No Facebook, foi sucesso também. Fiquei feliz de ver grandes fãs do Calvin se manifestando. Parte desse sucesso se deve, acredito, ao bom uso das hashtages. Lembrem disso quando forem divulgar seus trabalhos. As hashtags são bem interessantes.

Enfim, Calvin e Haroldo são meus personagens favoritos de tira. Fazia tempo que eu queria dar minha visão destes personagens, e o desenho simplesmente fluiu. Gostei demais do resultado. Admiro o Watterson pela obra toda, pelo senso de humor, pela maturidade, pelo traço... Traço esse que é espetacular, coisa linda. Umas linhas expressivas, pesadas e leves. Perceba como ele desenha cenários, dinossauros, planetas, aliens... Tudo é feito com maestria.




Fiz uma versão colorida que virou print limitado no Fest Comix. Pode ser que ele reapareça em eventos futuros.

Depois veio a Enriqueta e o Fellini, personagens do Liniers, da tira Macanudo. Sei que a proposta do Desafio era reler autores que me influenciam, e com certeza o traço do Liniers não é aparente no meu trabalho, mas posso dizer que o senso de humor é muito influente para mim. Existe uma doçura, uma sensibilidade... E uma coisa de nonsense que sempre me agradam. Liniers tem um jeito só dele de fazer humor. Deveria ter colorido este, mas não rolou no dia e acabei deixando quieto. Este foi um dos desenhos que gostei de fazer por ser uma releitura de um estilo totalmente diferente, mas algo no processo não casou direito, e achoque não gostei tanto do resultado. Acho que foi algo parecido com o desenho dos X-Men, algo não clicou.





Entrando numa vibe mais soturna e melancólica, desenhei a capa de "Sleepwalk", graphic novel de Adrian Tomine. Seu estilo é sóbrio sem grandes frescuras ou experimentações, mas as histórias são pesadas, tristes, intensas. Me dá um incômodo, quase a vontade de entrar na HQ e ajudar os personagens, conversar com eles. Tomine também foi uma baita influência do meu trabalho na fase Pieces. Eu nunca lembro de citá-lo como influência, mas aí está, enfim, minha homenagem ao cara.






Então veio o dia de desenhar Van Gogh. Escolhi essa pintura, "At eternity's gate (sorrowing man)" porque ela destoa da produção do Van Gogh um pouco. Geralmente as obras dele são coloridas e cheias de vida, mas esta é uma ode ao sofrimento. Eu costumava ter o desenho dela (a gravura que deu origem à pintura) colada na parede na frente da minha prancheta lá em 2006, 2007. Era um tipo de incentivador, uma forma de mostrar que existe beleza na tristeza. Era isso que alimentou meu trabalho por um tempo, especialmente nas HQs da Pieces. Gosto das linhas vigorosas, mas especialmente gosto da expressão corporal do velho. Me corta o coração toda vez.





E então vieram os dias mais complicados, e fiquei sem desenhar um tempo. Parece coincidência que o desenho do Van Gogh foi feito na noite anterior à notícia de um falecimento na nossa família. Parecia um prenúncio. E o desenho seguinte, feito alguns dias depois, parece a ressaca disso.

Na retomada do Desafio, escolhi uma pintura de Edward Hopper para reler. Gosto muito das cores fortes, quase chapadas. Fico com vontade de desenhar tudo em preto e branco, evidenciando as fortes luzes com fortes sombras, mas optei por colorir o desenho com marcadores, dar mais ênfase à luz com cores do que com preto.

Essa pintura se chama "Sol da Manhã". Durante a produção me lembrei de um desenho que fiz numa aula de pintura da faculdade, em 2007, que tinha uma garota sentada no parapeito de uma janela grande, vendo uma cidade imensa de cima. A sensação de solidão, do espaço interno sendo enorme, mas ainda assim, ínfimo perto do espaço externo eram o que conduziam a minha ideia, e acabei redescobrindo isso no Hopper. Ele traz uma melancolia e uma solidão imensas ao pintar o cotidiano. Isso nos anos 50. Imagina como seria sua visão de mundo hoje?




Por fim, veio o Tintim. Heroi da minha juventude, o desenho animado era meu programa favorito das tardes na TV Cultura. Assisti todos inúmeras vezes, tenho tudo em DVD. Não completei a coleção das graphic novels ainda (olha aí, dica de presente!), mas um dia eu chego lá. O traço super limpo e preciso do Hergé e seu estúdio sempre me impressionaram. Fica a minha homenagem a eles.




Ok, agora faltam apenas dois desenhos. Essa semana já está terminando e não sei se consigo fazê-los. Hoje e amanhã nos preparamos para eventos (minha esposa em São Paulo, eu em Sorocaba), mas se conseguir, postarei como sempre primeiro no Instagram, com repost automático no Facebook, Twitter e Tumblr.






segunda-feira, 27 de junho de 2016

Evento - Ilustradoria em Sorocaba

No dia 3 de julho acontece em Sorocaba a primeira edição do Ilustradoria Comic Fest, um evento dedicado À ilustração, quadrinhos e cultura pop/geek em geral.



Estarei lá com meus queridos colegas e amigos Eduardo Ferigato (QUAD), Caio Yo (Mortalha), Pri Wi (Tarsila) e Laudo Ferreira (Yeshua). Faremos bate-papos e palestras e também teremos nosso trabalhos à venda.



Acompanhe os novidades da programação pela página do evento no Facebook, e pela página do Ilustradoria.

A Ilustradoria é uma iniciativa muito bacana que leva artistas de várias áreas para Sorocaba, em um encontro divertido de desenho no SESC da cidade. Já estive lá em 2013 e foi muito legal, espero ir mais vezes. Para quem é da cidade e região, é uma baita oportunidade de conhecer o trabalho desses artistas e se inteirar do mercado.

Evento - Ilustradoria em Sorocaba

No dia 3 de julho acontece em Sorocaba a primeira edição do Ilustradoria Comic Fest, um evento dedicado À ilustração, quadrinhos e cultura pop/geek em geral.



Estarei lá com meus queridos colegas e amigos Eduardo Ferigato (QUAD), Caio Yo (Mortalha), Pri Wi (Tarsila) e Laudo Ferreira (Yeshua). Faremos bate-papos e palestras e também teremos nosso trabalhos à venda.



Acompanhe os novidades da programação pela página do evento no Facebook, e pela página do Ilustradoria.

A Ilustradoria é uma iniciativa muito bacana que leva artistas de várias áreas para Sorocaba, em um encontro divertido de desenho no SESC da cidade. Já estive lá em 2013 e foi muito legal, espero ir mais vezes. Para quem é da cidade e região, é uma baita oportunidade de conhecer o trabalho desses artistas e se inteirar do mercado.

Evento - Ilustradoria em Sorocaba

No dia 3 de julho acontece em Sorocaba a primeira edição do Ilustradoria Comic Fest, um evento dedicado À ilustração, quadrinhos e cultura pop/geek em geral.



Estarei lá com meus queridos colegas e amigos Eduardo Ferigato (QUAD), Caio Yo (Mortalha), Pri Wi (Tarsila) e Laudo Ferreira (Yeshua). Faremos bate-papos e palestras e também teremos nosso trabalhos à venda.



Acompanhe os novidades da programação pela página do evento no Facebook, e pela página do Ilustradoria.

A Ilustradoria é uma iniciativa muito bacana que leva artistas de várias áreas para Sorocaba, em um encontro divertido de desenho no SESC da cidade. Já estive lá em 2013 e foi muito legal, espero ir mais vezes. Para quem é da cidade e região, é uma baita oportunidade de conhecer o trabalho desses artistas e se inteirar do mercado.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Vídeo - Fest Comix

No último final de semana estive em São Paulo para mais uma edição do Fest Comix, evento organizado pela loja Comix Book Shop, que chegou a sua 22ª edição em 2016.



Frequento o evento desde 2004, se não me engano, quando ia apenas para comprar quadrinhos. E lembro bem do dia em que conheci o pessoal do zine O Contínuo, que abriu minha cabeça para a possibilidade de produzir quadrinhos independentes de qualidade. Depois daquele encontro, na fila do evento, comprando uma de suas edições, me aprofundei no assunto. Em pouco tempo, já estava por dentro de muita coisa e começaria a publicar brevemente.



Tenho um carinho grande pelo Fest Comix. Fui como membro do Quarto Mundo, como membro do Petisco, como artista solo, como leitor, como professor, como fã.

Na última edição, dividi a mesa com os grandes Caio Yo e Vencys Lao, e foi divertidíssimo. Senti o evento mais fraco, em todos os aspectos, e acredito que a impressão dos artistas foi a mesa, especialmente em relação às vendas. Mas são muitos fatores interligados e isso não vem ao caso agora.

Na sexta, quando cheguei, já fui correndo falar com a SPTV para uma breve entrevista sobre meu trabalho com Dom Casmurro. Vejam o resultado clicando neste link!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Projeto 21 Dias - 2ª Semana

Oi, pessoal! Estou de volta com mais um resumo da semana no Desafio dos 21 Dias. Para saber mais sobre este projeto, clique AQUI.

Confesso que manter-se fiel ao desafio é uma coisa difícil. Mesmo sendo um desenho por dia, quando você já tem a agenda cheia e os horários de lazer preenchidos, praticamente não sobra tempo para fazê-lo. Nesta semana passada, a segunda do desafio, tive alguns problemas com horários, e em alguns casos, simplesmente precisei ficar acordado até tarde para cumprir a meta.

Vamos ver como ficaram?

Na segunda, dia 6 de junho, começa a semana e recomeça o desafio. Fiquei um tempo pensando no quê exatamente desenhar. Minha proposta de fazer releituras de artistas que me influenciaram de alguma forma é bem ampla. E mesmo assim, alguns artistas que já me influenciaram no passado hoje já não ressoam tanto na minha cabeça. Enquanto isso, alguns outros parecem muito bacanas e ainda mexem comigo, mas é preciso estar na vibe certa para desenhar algo deles.

Enfim, escolhi o Terry Moore e sua obra Estranhos no Paraíso, uma das HQs mais interessantes que lida com cotidiano, drama, pessoas reais. Escolhi a capa do primeiro volume de "Sonho com Você", que foi publicado no Brasil pela Via Lettera. Infelizmente, EnP nunca foi publicado inteiro, e três editoras já tentaram. Ainda torço pelo dia em que vou poder ler essa série inteira, sem interrupções, bem editada.

Gosto demais da simplicidade dessa capa. Ela traz muita atitude na expressão da personagem Katchu, usando pouca informação.




Na terça, dia 7, foi a vez do mestre absoluto Will Eisner. Dono de um estilo inconfundível de desenho, narrativa e escrita, ele foi - e ainda é - uma influência imensa no meu trabalho. Até hoje fiuco encantado pela composição de páginas que ele criava. Tudo flui magistralmente, nada é excessivamente fora da caixa, mas nada é raso demais. Se você curte quadrinhos, e especialmente se você FAZ ou QUER FAZER quadrinhos, você PRECISA conhecer a obra de Will Eisner, especialmente seus livros teóricos: "Quadrinhos e Arte Sequencial" e "Narrativas Gráficas".

Foi este desenho que me manteve acordado até tarde. Naquela noite, fui pegar no sono bem depois da 1h da manhã...

O primeiro livro dele que li foi "Pequenos Milagres" (editado no Brasil pela Devir), onde está uma das HQs dele que mais gosto: "Mágica de Rua", onde dois primos conseguem se livrar de uma surra dos valentões, sendo muito mais espertos que eles. Essa cena é a abertura da história, mas acreditem: não encontrei ainda essa imagem na internet pra ilustrar o post, e emprestei o livro semana passada, então não posso escanear. Hahaha. Bom, de qualquer forma, aí está:



Na quarta-feira foi a fez,enfim, do Jim Lee. Eu estava namorando a ideia de desenhar algo dele desde o começo do desafio, mas sempre acabava deixando de lado. Não que ele não tenha sido uma influência de fato, é que depois de um tempo, desenhar super-heróis a partir de referências dos anos 90 é um tanto... meh. Lee continua ainda hoje a ser um desenhista muito competente, com um estilo bacana e um dinamismo particular. Ainda gosto de ver o traço dele, mas é uma coisa que fazia MUITO mais sentido pra mim quando eu lia os X-Men dele, lá por 1993, 94, 95... E os Wild CATS, uns anos depois.

Ainda acho super-heróis um gênero divertido, mas cansei um pouco de acompanhar. A maioria das coisas parece sem graça pra mim hoje, e prefiro outros tipos de histórias. Confesso que esse foi o desenho mais difícil de fazer até agora. Não por uma questão técnica. O desenho saiu, sim, mas tive que me empurrar para concluí-lo. Até as caneta de arte-final estavam de má vontade. Eu estava cansado e não estava muito afim de fazer, mas não queria deixar o dia passar sem um desenho. Esse foi o resultado, e é o meu menos favorito de todos até agora.



Quinta foi um dia cheio de aula, bem cansativo. Não consegui desenhar o desafio mais uma vez. Na sexta, idem. Acabei retomando só no sábado à tarde, numa janela entre almoço e compromissos familiares à tarde. Naquele dia, meu aluno Wellington tinha devolvido o "Moving Pictures", uma graphic novel desenhada pelo Stuart Immonen. E decidi desenhar algo dele. Esse cara merece um parágrafo ou dois.

Immonen é um dos quadrinistas mais versáteis da atualidade. Seu estilo varia do mais realista ao mais cartum com uma maestria, um domínio, que eu vi poucas vezes por aí. Praticamente tudo que ele faz é um deleite visual, a narrativa flui perfeitamente, as cenas são poderosas, suas escolhas são excelentes e o traço é sempre o que a HQ precisa. Desde que comecei a prestar atenção emseu trabalho, nunca me senti desapontado.

A capa de "Moving Pictures" é de um design precioso. O traço é estilizado e beira o minimalismo. A composição é incrível, e a escolha da paleta de cores, também. Esse tipo de domínio estilístico é bem difícil de alcançar, oque mostra que ele é, acima de tudo, um pesquisador, um desenhista curioso e um profissional de ponta.




Com o desenho acima, terminei meu último sketchbook. E comecei um novo. No domingo fiquei sem desenhar mais uma vez. Tivemos um aniversário e muito, muito frio. Sério, o frio que fez essa última semana, e especialmente nesses últimos dias, praticamente me derrubou...

Na segunda, compensei o atraso com dois desenhos. Os compromissos me tiram do rumo mas preciso entregar os 21 desenhos! Dessa vez, fiz duas releituras de um dos pintores mais bacanas: René Magritte, um surrealista do começo do ´seculo XX. Seu trabalho é cheio de metáforas, analogias, brincadeiras visuais, questionamentos. Não á pra assumir nada de literal nas suas pinturas: tudo quer dizer algo diferente, algo inusitado. Há uma poética particular, um tipo de silêncio absoluto, incômodo e questionador.

O primeiro foi "Reprodução Proibida", genial.



A segunda foi "Filho do Homem". Com essa maçã verde na cara do homem.



E aí, o que estão achando? Deixem seus comentários!





Eventos - Fest Comix 2016


Estarei na edição 2016 do Fest Comix neste próximo fim de semana!

Estarei numa mesa do Artist Alley com meus irmãos Caio Yo e Vencys Lao, e teremos nossas graphic novels e HQs, nossos prints e artes originais, além de um bom papo e um abraço pra quem quiser. :)

Além disso, estarei no estande da Zarabatana Books no domingo às 14h, onde autografarei meus trabalhos e converso com os leitores que passarem por lá. Ah, claro, todo mundo que for lá ganha um rascunho personalizado!

Em 2016, a Fest Comix ocorrerá nos  dias 17, 18 e 19 de junho no São Paulo Expo, localizado na Rodovia dos Imigrantes KM 1,5, próximo ao metrô Jabaquara. Contando com o espaço inicialmente programado para 5 mil metros quadrados.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Projeto 21 Dias - 1ª Semana

Oi, pessoal! Este é um relato sobre a primeira semana do projeto do Desafio dos 21 Dias. Este projeto consiste, basicamente, em estabelecer uma rotina de estudos diários com um motivo específico. Todo dia, durante pelo menos uma hora, você precisa focar nesse estudo, e, de preferência, postar os resultados.

Decidi entrar no desafio por causa do Rafael Vasconcellos, o Abel, um grande artista que admiro demais (tenho, inclusive, três originais dele em casa, hehe), e também um amigo querido dos eventos de Quadrinhos desde 2009. A ideia do Desafio veio do Noah Bradley (veja aqui como ele elabora o desafio, entenda as regras básicas e faça também!).

Então, qual é meu objetivo nesse Desafio dos 21 Dias? Estabeleci uma meta de estudo um pouco complicada, mas funcional. A coisa precisa ser interessante o suficiente para você QUERER FAZER. Eu sei o quanto a PREGUIÇA, a DISTRAÇÃO e a INÉRCIA são fatores poderosos quando falamos de estudar arte (e prometo um texto sobre isso para breve). Então, meu tema/meta/objetivo teria que ser algo que me fisgasse e me fizesse sair da zona de conforto.

Escolhi o (modesto) tema: releituras de obras de artistas que me influenciaram, não necessariamente com a mesma técnica.

Comecei na segunda, dia 30 de maio, com uma releitura de um desenho do Mike Mignola (Hellboy), o qual tenho estampado numa camiseta. A ideia é respeitar a composição, o gesto do personagem, ângulos, e neste caso, paleta de cores. Usei caneta pincel e marcadores, no meu traço. O mais interessante, ao meu ver, é o quanto a obrado Mignola funciona pela síntese. Tudo é angular, esteticamente sucinto mas ainda assim, com uma pegada pesada, gótica. Eu amo a síntese que ele atinge, mas sei bem que meu estilo tradicional não é assim. Adaptar à minha linguagem fez com que o personagem perdesse muito do seu charme... E me fez evidenciar quão ímpar é o estilo do Mignola (não que eu já não soubesse...)




Na terça, dia 31 de maio, fiz uma releitura de uma pintura do Henri de Toulouse-Lautrec, chamado "A Lavadeira". É uma pintura linda, bem melancólica. Eu gosto de diversos trabalhos dele, mas esse me fisgou mais naquele dia. Usei apenas caneta, 0.3, 0.5 e 0.8. Foi bem interessante fazer uma releiturade um trabalho esteticamente diferente do meu, mas tematicamente alinhado. Optei pelas hachuras para conseguir lidar melhor com as sombras do cenário. A ideia era usar marcadores pra moça, mas achei melhor nivelar o acabamento.



Quarta tive um pouco menos de tempo, mas usei isso a meu favor, estabelecendo um desafio um pouco maior... ou menor. Escolhi uma foto do Henri Cartier-Bresson para adaptar. Goste demais da temática e da proposta dele, ao registrar momentos cotidianos que só são visíveis ao olhar dos atentos e pacientes. E a beleza desses momentos só aparece, também, para quem consegue poetizar, interpretar e dar significado às coisas. Nunca é só o que você vê (mesmo que isso, por si só, já seria bem legal). Sempre pode ter algo a mais, alguma coisa que se sente a partir da imagem. O desafio neste caso foi fazer a arte menor. Enquanto nas anteriores tive um espaço um pouco maior que o A4 para trabalhar, desta vez escolhi um formato bem menor: fiz uma moldura de cerca de 10x16cm e optei por usar marcadores, sem contornos. Isso ajudou a perder uma pouco da definição das formas, ganhar mais na mancha e na sugestão do que no detalhamento.



Quinta-feira é o dia em que mais dou aulas. Das 9h às 21h30 estou comprometido com a Pandora, e não consegui usar nenhum intervalo para o desafio. Cheguei em casa cansadão e decidi não desenhar.

Na sexta-feira, dia 3 de maio, fiz uma releitura da capa de uma edição americana de Retalhos, do Craig Thompson. Uma das minhas graphic novels favorita de todos os tempos, conversa muito com o meu trabalho de começo de carreira, a série Pieces e o momento em que comecei a usar e entender melhor o pincel e nanquim. Quando li Retalhos já vinha produzindo as HQs iniciais da Pieces, e o contato com a poética sublime do cotidiano pelos olhos do Craig me deu uma inspiração maior ainda. Até hoje revisito essa obra e admiro seu trabalho. Como nossos traços têm semelhanças, parece que fui mais pro lado de emular o estilo dele... mas na verdade, desenhei como eu desenho. Tive o prazer de conhecer o Craig no meu primeiro FIQ, em 2009, ano do lançamento de Retalhos no Brasil.



Sábado foi a vez de desenhar uma releitura de Bone, do Jeff Smith. Bone é uma das HQs mais bacanas que já li, e é uma pena imensa que não seja publicado decentemente no Brasil. Duas editoras já tentaram. A atual está ainda no começo, mas como não aproveitou a vinda do Jeff pro Brasil (ano passado, no FIQ) para lançar o volume 2, e até hoje não o fez, pode ser que leve um booom tempo pra vermos Bone completo. Que pena. Usei caneta pincel e canetas de nanquim descartável. A imagem que escolhi foi a capa do Volume 2 da Via Lettera. Não gosto das cores, mas o desenho é bacana e cabia dentro da minha janela de tempo. Desenhar o Bone é divertido pois ele é um bonequinho sem muitos detalhes, mas como no caso do Mignola, o desafio é adequar o personagem ao seu próprio traço e fazê-lo ainda funcionar sem perder a essência do design original.



Domingo, após um dia merecido de descanso, passeio, boa comida e excelente companhia, tomei um chá e decidi tirar definitivamente o atraso da produção que aconteceu na quinta. Estava dando uma estudada na obra de Egon Schiele. Não o considero uma influência tão grande nos anos anteriores, mas desde que comecei a prestar atenção nele (valeu, Flávia!) fico encantado com os desenhos e a síntese do traço fluido, que simplesmente dança e passeia no papel sem medo de distorcer as formas. Ele não e importa com a anatomia correta, e sim com algum tipo de expressividade e registro de outras sensações... Gosto muito da simplicidade e do estranhamento causado pelo Mímico e sua pele branca e mãos grotescas. Essa foi a primeira releitura de Schiele. Usei caneta nanquim e marcadores da Tombow.



Depois, relendo o mesmo artista, fiz a Mulher com Joelho Dobrado. Essa já é uma pintura, e pensei em fazê-la no meu estilo mesmo, arte-final com caneta pincel e tudo mais. Talvez colorir com marcadores. Mas enquanto rascunhava com o lápis e ia percebendo como ele também rascunhava, comecei a gostar cada vez mais das linhas fluidas no papel. Peguei um lápis mais escuro pra começar a reforçar algumas formas, e como a coisa foi ficando cada vez mais interessante, decidi finalizar com um lápis integral 6B. Achei o resultado bem legal e desisti do nanquim.



Bom, pessoal, é isso. Esse é o resultado da primeira semana do Desafio dos 21 Dias para se tornar um artista melhor. Vocês fizeram o desafio Estão fazendo? Deixem links pros resultados nos comentários! Agradeço demais pelos likes, comentários e carinho tanto no Facebook quanto no Instagram, onde estou postando tudo isso primeiro. Esse feedback de vocês é muito importante!

Abraços e ótima semana a todos!