sexta-feira, 20 de julho de 2018

Resenha - Monstruário no Tapioca Mecânica

Saiu uma resenha do primeiro volume do Monstruário, assinada pelo querido Presto Gaudio.  Obrigado, meu brother!



Está lá no Tapioca Mecânica, clique aqui para ler e conheça o site todo.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Reflexões - Sobre aprender

Bom dia, meus queridos! Compartilho aqui no Blog'n'Roll uma mensagem que postei no grupo dos meus alunos no Facebook.

"É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer."

Começando a semana com uma frase do Aristóteles (sim, estamos super cultos citando filósofos gregos). Ouvi essa frase no podcast do Mario Sérgio Cortella da CBN. Recomendo, aliás, são programas diários com pensamentos interessantes.

Agora, sobre essa citação, é incrível como ela pode ampliar nossa reflexão sobre aprender e produzir arte. Mesmo dando aulas há mais de 14 anos, ainda estou aprendendo, a cada dia, conforme vou produzindo. Estamos vivendo uma época onde todos querem resultados rápidos, mil likes e fama.

Mas veja, arte não é uma corrida, arte é algo que leva uma vida pra se desenvolver. O que não pode te impedir de simplesmente produzir, correr atrás, fazer aulas, etc. Você aprende, pratica, evoluiu e com isso, aprende mais, para praticar mais... E assim a coisa continua andando.

Bora pensar nisso? Bora fazer, produzir, curtir a jornada? Não existem fórmulas definitivas ou resultados imediatos.

Boa semana pra todos vocês!

PS.: Falei das minhas aulas e, para quem não sabe, eu sou professor da Pandora Escola de Arte desde 2007. Meus cursos são HQ, Ilustração, Quadrinização, Ilustração de Mercado e Projeto Pessoal. Para ter mais informações dos cursos, é só acessar o site da escola (link aí acima). Tenho um grupo secreto no Feicebuque para todos meus alunos e ex-alunos poderem trocar ideias, referências, inspirações e postar seus trabalhos e estudos.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Palestra - ProAC: tire sua ideia do papel!

Oi, pessoal! Tudo bem?

Você já pensou se aquela sua ideia de HQ, livro ilustrado, ou até mesmo exposição tivesse uma verba de financiamento que proporcionasse uma produção de alto nível? Seria massa, né? Pois então, o Brasil é cheio de editais culturais e artísticos, sejam do governo ou de entidades privadas. O objetivo deles é fomentar a produção artística e cultural dos artistas brazucas, pois todos sabemos (e sabemos bem) que uma das coisas mais complicadas para conseguir viabilizar nossas ideias é grana. Sim, dinheiro é complicado. De onde tirar? E, tendo ele, como melhor empregá-lo?



Um dos editais mais bacanas é o ProAC, Programa de Ação Cultural, da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Eles vêm há mais de 10 anos incentivando a produção artística, especialmente voltada para os autores mais jovens e independentes, em várias áreas. Uma delas é a de Histórias em Quadrinhos. A mesma na qual fui contemplado em 2012 com Dom Casmurro e em 2016 com Monstruário. E digo sem medo que, sem esse edital, os livros iam sair de alguma forma mas levando muito mais tempo e com menos recursos pra bancar a empreitada.



Enfim, o que acontece é que o ProAC abre inscrições todo ano, por volta de junho ou julho (estão aberta agora, até dia 5 de julho), e muitos alunos e leitores, além de colegas autores, me perguntam sobre o edital pois têm muitas dúvidas e inseguranças. Por isso, eu e a Pandora vamos fazer um bate-papo sobre o edital, para tira todas as dúvidas. Vai ser na próxima segunda, dia 18, das 19h às 21h. A entrada é gratuita, mas eu recomendo entrar em contato pra reservar uma vaga (www.escolapandora.com.br).




Na palestra vamos analisar pontos importantes do edital, destrinchar o regulamento e vou mostrar um pouco do meu processo de produção do Monstruário, mais focado na parte de gerência do projeto e finanças do que na produção da HQ de fato.

Recomendamos ler o edital completo antes da palestra. E, mesmo que você não possa ver apalestra, segue o link para ler mesmo assim. A maioria das respostas pras suas dúvidas estará lá de qualquer forma.

PS: Pode ser que consigamos colocar a palestra no YouTube, aí divulgo aqui e nas minhas redes.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Evento - Caixa Aberta VI


Está chegando a sexta edição do Caixa Aberta, o maior evento de artes visuais de Campinas e região!

O evento é organizado e sediado pela Pandora Escola de Arte e traz todos os anos exposições, workshops, palestras, demonstrações de materiais e técnicas, live painting, feira de artes, artist alley, venda de materiais artísticos de marcas especialíssimas, música, food truck e mais!

A exposição desse ano tem como tema "O que tem dentro da sua caixa?", com trabalhos de alunos, professores e convidados explorando seu âmago para ilustrar o que, de mais quero do, está guardado em sua caixinha de Pandora.

Eu faei uma demonstração e workshop de desenho gestual com carvão, no domingo, às 13h30.

Várias marcas estarão presentes, como Copic, Derwent, Canson, Tilibra, Posca... Tem feira de artes com originais, gravuras, prints e quadrinhos... Tem Artist Alley, com vários autores de quadrinhos conversando com o público e vendendo seus trabalhos... Tem até food truck!

Confira a programação abaixo, confira o vídeo de divulgação e para saber mais ainda, clique AQUI para ver o site do evento!


Programação de sábado

Programação de domingo





Nos vemos lá!

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Opinião - Propostas absurdas

O que chamamos de "mercado de trabalho para desenhistas, ilustradores, designer, quadrinistas e afins" (chamaremos só de "mercado" pra facilitar, mas já adianto que esse termo vai render uma outra coluna mais pra frente) é um tanto peculiar. Entre projetos incríveis, oportunidades imperdíveis e a infinidade da internet para mostrar e consumir, sempre existem as propostas absurdas, clientes mal-informados (e, às vezes, mal-intencionados mesmo) e armadilhas. É comum entre nós, nas conversas e aulas, compartilharmos essas histórias. Acho inclusive importante, não como combustível de mimimi entre gente rancorosa, mas sim como um tipo de alerta bem-humorado (o desabafo está implícito, sempre) que pode render conselhos e soluções interessantes dos colegas. E, mais importante, pode render aprendizado e autoconhecimento como profissional para saber lidar com essas situações ao longo do trajeto (porque, você sabe, elas vão continuar acontecendo).

Feita essa introdução meio longa, vamos ao fato que me levou a escrever mais esta coluna. Essa semana, minha amiga Mariana Guerra me marcou em um post da página "Vagas Arrombadas" do Facebook. Fui lá, curioso para ver, e encontrei a imagem abaixo:


A incrível proposta em pauta.

Hmm.

O nome de quem fez essa postagem foi apagado pela própria página, obviamente. Mas esse é um tipo de proposta que encontramos e encontraremos pelo nosso trajeto como artistas. Nesse caso, mais especificamente e foco do meu texto, quadrinistas (e aí vale todo mundo no processo criativo, desde o roteirista até o editor). Nada muito novo, mas como a coisa foi recente e eu compartilhei, gerando uma interação bacana com meus amigos e alimentando o post original, vale a reflexão.

A proposta já chega com uma sinopse pronta, e vou supor aqui, que o artista "contratado" não teria muito o que contribuir nessa etapa. O autor proponente parece já ter "tudo resolvido", e precisa de um artista mais como "mão-de-obra" pra produzir as páginas do que como coautor. Se fosse assim, com um pagamento acertado, justo e coerente, e o artista topasse, manda ver. Mas eu sou, sempre fui, muito a favor da coautoria. Isso é, criar junto, elaborar tudo do começo para que o projeto seja não só de uma pessoa, mas de uma equipe toda. Quanto mais definida estiver a ideia e o roteiro originais, e também quanto menos maleável for o projeto, menos espaço um artista tem para se colocar. A ideia da coautoria cai por terra, fazendo do artista "apenas" um tipo de "mão-de-obra contratada".

A proposta também deixa claro que o artista não será pago. Isso acontecerá quando - e se - o projeto gerar lucro. 50% para cada autor (considerando que seriam só roteirista e artista) não é tão absurdo assim, se formos pensar justamente, tanto na esfera financeira quanto artística - a autoria de fato. Agora, qual é a vantagem disso para qualquer artista? Sinceramente, já produzi muito quadrinho nos meus mais de 10 anos de carreira. Já fiz projetos solo, em parceria, como contratado. Em todas eu sempre tentei fazer junto, de forma horizontal. A ideia de mergulhar num projeto de outras pessoas envolve um comprometimento grande... E o que há em troca?

Quero dividir esse pensamento em duas frentes: o trabalho em si, e o pagamento por ele.

Primeiramente (fora Temer), a produção. Roteiro também é difícil, leva tempo e exige criativamente. A gente pode pensar que, para sentar e escrever um texto no Word ou num caderno, é coisa simples. E comparar com o desenho e todas suas etapas, material e tempo, faria parecer que ilustrar é muito mais trabalhoso - e portanto, merece mais pagamento - que o texto. Isso não é bem verdade, pois depende de diversos fatores. Não quero entrar no mérito de comparar essas duas etapas, e estou considerando que o artista nessa proposta fará o desenho, cores e balões. Durante a produção de Terapia, eu cuidei sozinho de toda a produção visual: lápis, nanquim, cores, balões; e também dos posts no site e a maioria dos textos de apoio nos posts. A partir do capítulo 8, eu comecei a ajudar mais ativamente no roteiro. Isso tudo leva um tempo considerável, ainda mais se pensarmos que produzir Terapia nunca rendeu nenhum ganho financeiro (exceto, obviamente, os livros que vendo nos eventos, mas isso fica pra outro texto).

Nunca devemos desmerecer o trabalho do roteirista pela parte mecânica da coisa (escrever de fato), pois há processos intelectuais imensos por trás de tudo isso. E considerar o tempo dedicado como fator de comparação de valor é injusto, visto que tem gente que, para produzir textos, leva dias e dias enquanto existem desenhistas que, em 2 horas, resolvem uma página inteira. Tudo é relativo, e, se no final das contas, os autores (veja, AUTORES e não AUTOR E DESENHISTA QUE TOPOU O ROLÊ) decidem que 50% dos ganhos para cada um é justo, então é justo para eles e ponto final. O que não podemos fazer é decidir de forma injusta para a equipe presumindo valores equivocados para as etapas de produção.

Além disso, pode-se refletir sobre as vantagens artísticas do projeto. Uma ideia de benefício mútuo, evolução artística e profissional, pode fazer com que uma equipe se amigos ou mesmo de desconhecidos se una para gerar um projeto bacana. A ideia é crescer juntos, criar juntos. Todas as etapas têm seu valor no projeto, artisticamente falando. Se o projeto não te parece tão interessante, se não te puxa pelo coração, não te instiga tecnicamente... Enfim, oque tem de realmente relevante para que você se envolva, dadas as circunstâncias (não só nessa proposta em pauta,quando em qualquer outra)?



Segundo, agora sobre pagamento. Tempo é dinheiro. Ponto final. Quem TRABALHA com arte em geral o faz por gostar disso, muito provavelmente, mas porque é um trabalho que gera dinheiro que é usado para pagar contas, como qualquer outro trabalho. A proposta sugere que não haverá pagamento nenhum pro artista. No texto original, consta a pérola: "Você, quadrinista, trabalhará de graça até que a obra seja publicada". E fecha com outra: "Terá que ter disponibilidade para fazer uma página por dia". Ai, ai. Olha, veja bem, eu já fiz MUITO quadrinho de graça. Em certos casos, eu até "paguei para fazer quadrinho", no sentido de que além de não ganhar dinheiro, eu ainda gastei dinheiro (com material, reuniões, contas da casa, compra de exemplares, etc.). Fazer um projeto de quadrinhos sem ser pago por isso é, na real, muito mais comum que o contrário, especialmente no Brasil. Não temos um mercado sólido e gigante que permita esse tipo de trabalho nos moldes dos mercados internacionais. Então, quem faz está realmente dedicando seu tempo e talento para produzir algo no que acredita de verdade. Não critico isso. A minha crítica maior nessa proposta é justamente COMO se propôs o trabalho. A construção da frase  "Você, quadrinista, trabalhará de graça até que a obra seja publicada" beira a arrogância. Não é assim que se busca um parceiro para um projeto autoral sem garantias. Talvez, se a frase fosse melhor construída, não gerasse tanto incômodo.

A ideia de produzir uma página por dia também é um pouco complicada. Isso depende de muitos fatores. Sei que existem roteiristas com exigências imensas em relação à arte, seja em questão de realismo ou estilização, de referências, de detalhezinhos. Quanto mais a produção da página for atender minuciosamente todos os desejos mirabolantes do roteirista (supondo que seja assim), mais tempo leva pra finalizar. E tempo, jovens, é dinheiro. Tempo é a única coisa que você nunca vai conseguir ganhar ou comprar de volta. E nem todo artista consegue, de fato, produzir uma página por dia: ou seu método é elaborado, ou desenha devagar, ou tem afazeres diversos (estudar, cuidar da casa, trabalhar em algo que realmente pague as contas, etc). A questão é de prioridades, também, pois nem todo artist pode ou vai dar prioridade para um projeto destes. Na balança, pesa sempre o que vai pagar contas ou é mais relevante pro artista.

Usando o exemplo de Terapia mais uma vez: no começo, publicávamos uma página por semana, toda quarta-feira. Essa página era feita na mesma semana e costumava levar um dia de trabalho (do layout à publicação, sem contar o roteiro que já estava pronto). Enquanto eu produzia semanalmente Terapia, eu também dava aulas, fazia freelas e produzia o Dom Casmurro. Terapia não dava dinheiro, mas eu tinha como me dar o luxo de focar um dia nesse projeto. Com o passar do tempo, não só eu como Rob e Marina passamos a ter muitos outros projetos, compromissos e problemas, o que fez com que Terapia virasse quinzenal. Houveram vários atrasos na publicação das páginas, o que me comia por dentro. Mas era o que dava para fazer: nunca paramos de produzir, mas desaceleramos. E n~]ao tinha como um exigir do outro mais foco se aquilo não era a prioridade financeira, e em certos momentos, nem artística. Hoje, estou desenhando o segundo volume de Monstruário, totalmente sem financiamento. Ou seja, faço porque quero, mas principalmente porque é um projeto meu (e do Lucas, claro) no qual acredito muito e pelo qual eu sou um dos responsáveis. Enfim, o nível de dedicação exigido não é compatível com a proposta de pagamento, mesmo considerando que possa gerar lucro com vendas mais pra frente.

No caso, o meu conselho é simples: fazer parceria em projetos de quadrinhos (visto que a maioria não envolve dinheiro garantido e/ou rápido), envolve afinidade, comprometimento e crescimento mútuo. Não é para não fazer. É para, se for fazer, entrar sabendo das condições e com pé no chão.

Esse nível de exigência da proposta pode até mostrar que o autor (e, provavelmente, o projeto inteiro), não são profissionais, e sim a coisa toda é um projeto de início de carreira, uma aposta, um sonho. E não dá pra exigir do parceiro de trabalho prioridade e dedicação total em troca "de nada - ou pouco". E é muito provável que os artistas que se interessem pela proposta tenham, de fato, tempo e vontade de se dedicar, mas é provável também que sejam artistas iniciantes, sem muita vivência (note que isso não tem a ver com a qualidade do trabalho). Veja só, pela proposta, eu imagino que o roteirista não aceitaria fácil um artista novato com trabalho ainda cru; e artistas, profissionais ou não, com um trabalho bem desenvolvido e vivência na área, dificilmente embarcariam num projeto com essa proposta. Temos aí, então, um problema.

Vamos comentar rapidamente o tipo de "venda" desse projeto, proposto pelo autor: Amazon, Social Comics e, quem sabe, editora tradicional". Talvez o autor que fez a proposta não conheça direito o mercado de quadrinhos brasileiro. Talvez conheça muito bem. Eu não faço ideia, não sei quem é a pessoa. Mas deduzo que não conheça bem, pela proposta. Enfim, vendas de e-books na Amazon são muito, muito pequenas. Ainda temos a cultura do impresso muito forte, e muitos leitores preferem pagar mais pelo liro do que menos pelo e-book. Sucessos de vendas em e-books são, invariavelmente, produções de muito apelo popular, e nem sabemos como isso seria no caso da proposta em pauta.

Social Comics é complicado, não sei dizer se tem sido lucrativo para os autores. Para mim, não é muito. Mas é bom ter seu material lá. Segue a mesma lógica da Amazon, misturada ao Netflix. Se for muito, muito lido, rende mais dinheiro. Para ser muito lido, precisa ser muito popular e/ou muito bom, e precisa de usuários na plataforma para ler. Uma vez que os usuários que se interessam pelo seu título já o leram, dificilmente vão ler de novo. Então, se não há qualidade suficiente e aumento constante de leitores na plataforma, não adianta que não vai render muito dinheiro.



E sobre editoras, a conversa é longa, mas resumindo: a editora precisa ter interesse na obra, porque vai produzir um produto que precisa ser vendido. Pra vender, tem que ser popular e muito bom,e quase sempre, feito por autores que já têm uma experiência e um nome mais ou menos formado. Nada garante que seu projeto vai ser interessante o suficiente para uma editora publicar, e se o fizer, vai lidar com tiragens provavelmente muito pequenas, que vendem a longo prazo, e que rendem aos autores cerca de 10% do preço de capa (para dividir entre eles, não para cada um). Ou seja, tem que vender muito, muito mesmo para gerar muito dinheiro. E o ciclo continua.

(Em tempo: eu não sou contra publicar por editoras, mas é preciso conhecer o mercado e como isso funciona para não criar ilusões de um mundo ideal, não compatível com nossa realidade. Gostei muito de trabalhar com a Balão e a Jupati, por exemplo).

Enfim, não quero que esse texto seja totalmente definitivo, e não estou dizendo que os quadrinistas não devem entrar em projetos (como este, principalmente, não deveriam, mas cada um sabe o que faz). O mais importante é não se envolver com armadilhas ou projetos que não te considerem como coautor, e vão usar o que você produz de forma injusta. No final das contas, o que você decidir deve ser bom para você. Na dúvida entre um projeto maluco, com cliente/parceiro exigente demais e sem possibilidade de criar junto, e um projeto pessoal, prefira sempre o segundo.

O post original, com muitos comentários (a maioria criticando a proposta, ainda bem), está no Facebook. Clique aqui pra ir direto lá.

Espero ter sido útil! Apesar disso ser totalmente old school, podem deixar comentários aqui, e agradeço demais se compartilharem esse conteúdo pelas redes com seus amigos, desde que, claro, coloquem os créditos do texto e o link pro post original. Abração procêis.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Entrevista - Zine Múltiplo

Saiu a 18ª edição do zine Múltiplo, editado elo André Carim, que traz uma entrevista bem bacana comigo! Falei de Terapia, Monstruário, minhas influências e carreira em geral. A capa foi feita exclusivamente para eles, e traz nossa querida Lucia, protagonista do Monstruário. Fazia um tempo que eu não desenhava ela!


A capa do zine Múltiplo 18

Agradeço o André pelo convite e pelo espaço. É sempre um prazer falar sobre minha trajetória,e espero que os leitores do Múltiplo curtam e se interessem pelos meus trabalhos. Além disso, sempre, espero que possa ter ajudado de alguma forma a quem tem interesse em trabalhar com quadrinhos, ilustração e afins.

Você pode ler a edição completa online, pelo Scribd, ou baixar a versão digital por lá mesmo.

Além disso, você também pode adquirir a versão impressa pelo Clube de Autores. Acesse aqui!

Para conhecer e acompanhar o zine Múltiplo, é só seguir pelo Blog, neste link.

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Release da publicação:
MÚLTIPLO 18 chegando com uma super entrevista com Mario Cau, a segunda parte da HQ da Agente Laranja e o Caçador do Mal e o Prólogo de Gaia, para Epopeia... e tem muito mais para todos os gostos..

Entrevistado desta edição: Mario Cau (Capa e Contracapa)
Participam da edição: João Carlos Magiero, May SantosEstevão MoraesAlanzim EmmanuelClodoaldo CruzElenilton FreitasEduardo SouzaSerj D'lima PlacidoLeonardo LainoLuiz IorioDécio RamírezJhonas Vieira Art, Mauricio Rosélli Augusto, Julio Shimamoto.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Exposição - 100+1 Spirits

Hoje, em Campinas, teremos a bertura da exposição "110+1 Spirits", uma homenagem ao mestre das Artes Sequenciais Will Eisner e seu personagem célebre, o Spirit!

A exposição reúne releituras de capa das HQs do Spirit, assinadas por um equipe incrível de artistas. Eu participei ilustrando uma das artes, que você confere logo abaixo.

Eisner é, indiscutivelmente, um gênio e uma das minhas maiores influências. Foi uma honra participar!


Com curadoria de Vilmar Rossi Jr, Bira Dantas e Márcio José de Andrade Silva, a exposição ficará na Biblioteca Municipal de Campinas, com entrada gratuita. No dia da abertura (hoje!) teremos participação do jornalista DJota Carvalho e do pesquisador e colecionador João Buhrer. 

Cartaz da exposição

Minha ilustração de Spirit

Mais informações nesta notícia.

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Release:
EXPOSIÇÃO 100+1 SPIRITS
Comemorando os 101 anos de Will Eisner, a Biblioteca Pública Municipal "Professor Ernesto Manoel Zink" abriga no mês de maio próximo a Exposição "100+1 Spirits - homenagem a Will Eisner". Participam da iniciativa vários artistas que realizaram releituras das capas que trazem o nome do principal personagem criado por Will Eisner, The Spirit.
De origem judaica, Will Eisner nasceu em 1917, em Nova York, no Brooklin, bairro que serviu de inspiração para grande parte de sua obra. The Spirit, criado nos anos de 1940, tornou-se seu principal personagem, foi publicado até 1952. Suas republicações, no entanto, vão até os dias de hoje. Will Eisner é referência obrigatória para os estudiosos da nona arte. No Brasil, Will Eisner ganhou 5 troféus HQMix, um dos mais tradicionais troféus dos quadrinhos brasileiros, criados por João Gualberto Costa e Jal José Alberto Lovetro.
O evento em Campinas contará na abertura com a presença dos professores e historiadores de HQ, Dario DJ Carvalho e João Antônio Bührer. E também uma exposição de obras e fotos das coleções do Maurício de Sousa, Derossy Araújo da Silva e Luis Henrique Martins Pinto.
Local: Biblioteca Pública Municipal "Prof. Ernesto Manoel Zink" - Rua Benjamin Constant, 1633 - centro - Campinas/SP
Abertura: 04/05 (sexta-feira) 19h. com Dario DJota Carvalho e João Antonio Buhrer
Visitação: maio/2018


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Opinião - Sobre a vida de artista...

Um tempo atrás, recebi um email do Rodrigo, me perguntando sobre vários aspectos da vida de quadrinista, professor, artista, ilustrador... Enfim, tudo o que eu faço, meu trabalho.

Não é a primeira vez (e, com certeza, não será a última) que alguém me pergunta sobre isso, e as respostas são sempre tão longas e precisam de tanta elaboração, são tão relativas, que a cada vez que respondo penso que deveria ter salvo tudo aquilo para disponibilizar aqui no Blog. Isso pode ser útil de verdade para alguém, que como o Rodrigo, tem interesse em se aprofundar nas áreas em que eu atuo, assim como para novatos que têm interesse no funcionamento do nosso mercado (esse termo é meio complicado, mas vamos deixar a discussão sobre existir ou não um "mercado" pra próximos textos...).

Seguindo o conselho da minha esposa, vou começar a reunir essas respostas aqui no Blog, com a esperança de que elas possam ser úteis a mais pessoas. Meu tempo é cada vez mais escasso para poder me dedicar a falar por um longo tempo sobre isso para uma pessoa de cada vez. E tem muitas informações que são específicas para cada caso, mas também tem muita coisa que serve pra muita gente. Pretendo, em breve, fazer mais compilados desse tipo de informação.

Abaixo, segue um resumo, editado, da pergunta do Rodrigo, e a minha resposta na íntegra. Ah, em tempo, o Rodrigo me autorizou a publicar a resposta. Valeu, Rodrigo! Espero que tenha sido útil de verdade.

P: Conversei com você na Comic Con, do ano retrasado. Falei que tinha lido suas histórias, uma que falava que você tinha aprendido muita coisa sobre arte na Unicamp, mas de uma outra maneira.(...)
Temos afinidades, gosto do seu trabalho, e acho que é proveitoso trocar experiências com você.
Num fórum que você participa, voce comentava sobre como viver dos quadrinhos, ou da arte de desenhar. 
Bem, queria saber sobre isso com você. Como você faz para viver dessa arte, do desenho? Você disse que dava aulas também. Onde? Que sugestão dá para alguém que queira viver do desenho? (...)
Tenho tentado viver do design gráfico. Estudei Artes Visuais e atualmente faço Produção Editoria, mas é um mercado difícil. Queria saber que sugestão daria? (...)

R: Oi, Rodrigo. Tudo bem?

Bom, cara, vou começar sendo bem sincero: muito do que você está me pedindo só daria pra te ensinar/passar/instruir em um curso ou num longo papo, e eu infelizmente não posso fazer isso via e-mail. Eu já conversei com muuuitas pessoas pela internet (e ao vivo também) e sempre fico com a impressão de que não consegui passar tudo oque é preciso, tudo que apessoa quer... E isso é porque não tem como, mesmo, hehe. Não por email, chat, etc.

Tem muito conteúdo  importante que um artista precisa ter para ser um bom profissional. Não é só técnica de desenho, tem todo um lance de gerenciar o próprio trabalho e projetos, negociar, saber lidar com clientes, saber o valor do seu trabalho... Você já tem uma graduação boa, tá fazendo mais um curso, e nosso lance é estar em constante evolução. A gente nunca está pronto, porque nunca deveria deixar de buscar novas soluções, aprender técnicas e estudar referências. Enquanto estiver vivo e curioso você vai evoluir como artista, designer, editor... 

De qualquer forma, veja só, eu me formei em Artes Visuais. Nada na minha graduação foi direcionado para HQ ou ilustração. (Nem minhas aulas na faculdade de educação e pedagogia foram realmente decisivas pra meu trabalho como professor.) Mas, no que diz respeito a ser artista, a graduação me forneceu uma experiência incrível e eu evoluí muito como artista, mas porque estava disposto a conhecer mais, a explorar mais. Antes da faculdade, fiz uns 4 anos de curso de desenho com dois professores. Um deles é um gênio, um artista múltiplo e que ensinou muuuuito, mas que não tinha conteúdo para HQ, não do jeito que eu buscava. O segundo era um veterano datado e que não entendia o mercado atual, mas que me ensinou bastante mesmo assim. Fiz outros vários cursos livres, workshops, palestras, etc. Estava sempre em busca de mais, queria conhecer mais, me inteirar melhor, estar no meio, no mercado, inserido. Participei e participo de coletivos, grupos de autores, listas de discussão. 

Mas além de tudo que eu estudei ao longo da vida, o que mais me fez evoluir como artista profissional foi produzir. Produzir muuuito. Outra coisa que ajudou foram as parcerias que fiz com outros autores que assim como eu estavam começando, e não ganhei nisso só experiência e contatos, mas tbm fiz grandes amigos. Não importa se oque vc fizer vai dar grana ou prêmios ou fama. Isso não importa. O que importa é vc investir no que ama.

Mas tem a parte financeira que é um dilema. Bom, eu ganho a vida e pago minhas contas, ainda que sem imensos luxos, com arte. Já fui professor de ensino médio e fundamental, de Artes, em colégios. Hoje dou aulas de desenho, HQ, ilustração, cartum, etc, na Pandora Escola de Artes, em Campinas, onde moro. Dar aula de desenho (ou outras coisas que vc domina) é mto bom pq te faz sempre revisitar as raízes e os fundamentos, e claro, colaborar com o crescimento de novos artistas. Mas, pra dar aulas, vc não precisa de graduação necessariamente, depende do lugar. O que importa mais é ser um bom desenhista, um bom professor e um cara bacana, hehe

Além de dar aulas, eu faço freelas de ilustração e HQ para diversos clientes, grandes e pequenos, através de agências, produtoras, editoras, etc. Tudo que veio de trabalho nesse sentido foi por indicação de outros artistas e profissionais, por ter protfolios online em diversas plataformas e por ter corrido atrás de conexões e networking.

Quadrinhos é o que eu mais amo mas é o que menos dá dinheiro. Eu faço e sempre fiz por amor e como investimento na minha carreira, no meu trabalho, no mercado nacional, etc. Eu vendo os livros, produzo material independente, estou nos eventos, mas não posso nunca contar só com o que vem do meu trabalho em HQs pra sobreviver.

Meu conselho seria vc buscar  empregos fixos e que te paguem de forma justa nas áreas que vc domina e gosta. E gradualmente ir fazendo seu nome, criando um bom portfolio, fazendo contatos, evoluindo. Se vc tiver como pagar suas contas e ainda assim se dedicar a arte, seja em projetos pessoais ou freelas, isso é maravilhoso. Tira um peso grande das costas, hehe. E vc produz com mais tesão.

Seu trabalho é legal, vi seu portfolio. Gostei mais, na verdade, do que vc faz em diagramação,desigm, tipografia. Os desenhos e pinturas digitais são legais mas ainda precisam de muito estudo em anatomia, perspectiva, luz e sombra, estilização... Ou seja, vc precisa estudar mto mto mto desenho. São os fundamentos, aquelas coisas meio chatas e repetitivas, mas que vão solidificar seu estilo e te encher de repertório, técnicas e soluções pra que seu trabalho fique cada vez melhor e mais seu. Tem potencial, sempre, mas precisa evoluir mais e mais pra que o mercado te veja como o profissional que vc almeja ser.

Bom, empolguei e escrevi muito mas espero ter ajudado. Não é fácil, cara, ser atista e viver disso. Mas tbm não é impossível. Depende muito das escolhas que vc faz e de como vc entende o mercado, e do que espera dele. Mas lembre que não é sobre ser famoso, rico e fodão. É sobre fazer o que ama, conseguir pagar as contas de forma honesta e ser eternamente curioso e focado em melhorar. 

Abração e boa sorte!

terça-feira, 1 de maio de 2018

Opinião - O fim da Gibiteria

A Gibiteria, uma das lojas de quadrinhos mais charmosa, vai fechar. Já rolou uma promoção de descontos para liquidar o estoque, comemoração em presença de vários autores, jornalistas, leitores.. Infelizmente, não pude ir. Mas fica aquela dorzinha no coração de saber que essa loja, que foi capitaneada pelo Sr. Otávio, um grande cara, e sua filha Aninha e também o Guilherme, É, pessoal, isso é muito triste. Como não só leitor, mas autor de quadrinhos, sinto muita tristeza de ver uma das maiores e melhores lojas de HQs fechando assim, "de repente". 

Claro que existem todos os problemas que tantos outros já citaram... É uma época muito estranha em vários sentidos. Economia, educação, cultura, interesses, preconceitos, inércia, etc. Temos grandes eventos e interesse maior na produção de quadrinhos, e também uma produção incrível e efervescente... e, mesmo assim, a Gibteria fechou. 

Por não morar em São Paulo, era sempre difícil ir até lá. Mas sempre que tive o prazer de ir, era muito bem atendido. Você podia pedir indicações, opiniões, debater os temas e nerdices, a níveis superficiais e profundos. Dava pra sair de lá e ir comer alguma coisa por perto, tomar uma cerveja com amigo, curtir a vida toda que tinha lá na praça Benedito Calixto, especialmente quando tinha a feirinha... Para mim, era sempre um evento ir lá. Era delicioso, mesmo se fosse só pra bater papo. Sempre teve muito carinho e paixão na Gibiteria.

E esse carinho e essa paixão abria portas para os autores, de todos os estilos e níveis. Tive o privilégio de ter meus títulos lá, disponíveis, mas mais ainda, de ter feito eventos de autógrafos, lançamentos e debates. Encontrar os leitores já amigos, e conhecer mais gente nova que foi lá pela curiosidade e acabou conhecendo meu trabalho por acaso... Apesar da rede social,da internet e toda essa (aparente e potencialmente inútil) divulgação que ela proporciona, a loja era o lugar no mundo real onde as coisas aconteciam. 

Você pode, inclusive, ir lá até dia 5 de maio e aproveitar os descontos de bota-fora.

Muito foi falado sobre esse fechamento da Gibiteria. Tem texto do Ramon Vitral (Vitralizado), do Carlos Neto (Papo Zine), do Gabriel Bá, e de muitos outros profissionais da área. É uma perda real, pro mercado e de nível emocional, também. Todo mundo está falando sobre, mas gostaria de reforçar algumas considerações.

Fala-se que a onde de filmes, seriados, video games e etc baseados em HQs aumenta a procura por elas e, portanto, alimenta as lojas. Não é porque os filmes baseados em quadrinhos levam muita gente aos cinemas que isso reflete no interesse por ler quadrinhos. Na maioria das vezes, esses filmes são baseados em grandes franquias com décadas de história e pro leitor comprar só um encadernado e ainda conseguir se divertir é raro. Quem é leitor de quadrinhos como eu fui (comprava vários títulos mensais, corria atrás de edições antigas e lia as notícias sobre) sabe que a cada ano que passa é mais difícil acompanhar os personagens sem precisar se envolver com mega-sagas. 
Envolve gasto, envolve ler muito, envolve se envolver e a maioria das pessoas só quer mesmo se divertir com filmão.

Produzem poucos filmes baseados em quadrinhos menores, o que atrai menos leitores pra esses quadrinhos (que são geralmente bem mais interessantes do que os mainstreams)

(Ainda sobre cinema, no fundo, acho que a bilheteria está caindo assim como os leitores, mas como a escala ainda é muito grande, não dá pra comparar. Só sei que os cinemas devem estar sentindo isso ao longo dos anos.)

Sobre quadrinhos, nós temos experienciado uma das melhores fases de produção de quadrinhos no Brasil. Sei que não vivi as outras épocas como autor, e cada época tem suas particularidade de mercado, economia e cultura, mas hoje, como autor e leitor, eu vejo uma multiplicidade de temas, estilos, propostas, edições... É muito rico. Mas produz-se muito e consome-se pouco. Muito da nossa produção é consumida pelos próprios autores. Sempre penso que, num país imenso e cheio de gente como o nosso, ser difícil esgotar uma tiragem de 1000 exemplares em 5 anos é ridículo. Ridículo. Essa tiragem deveria acabar em um semestre. Mas enfim, várias coisas a se considerar sobre isso. 

O meu ponto é que assim como música, cinema, literatura, tem quadrinhos pra todo e qualquer público. Mas essas HQs raramente estão na banca. A maioria se encontra em eventos, e mesmo em lojas online, mas isso depende de um envolvimento maior dos leitores e do leitor em potencial, que não quer nem sair do site/app do Facebook pra ler um texto num blog, que dirá sair de casa pra ir num evento ou fuçar a internet em busca de autores com obras que lhe interessem. Isso acontece, como sempre, só com os leitores realmente engajados, e eles, apesar de serem essenciais pro nosso trabalho, ainda são poucos. 

Se esses leitores, mesmo engajados, não vão às lojas de quadrinhos... o que será da loja?

As lojas de quadrinhos, em vários casos (não todas! E também não cito nomes porque desconheço as razões pelas quais essas situações acontecem), têm uma relação confusa com os autores: querem o material para venda. Mas na maioria das vezes, esse material fica em prateleiras sem que os vendedores as indiquem ou trabalhem qualquer marketing em cima dos títulos. Ficam à deriva para que algum leitor, na sorte, os encontrem e gostem e comprem. E como sabemos, a maioria dos leitores vai às lojas e acaba se interessando pelo que tem mais marketing em cima, ou pelo que ele já tinha em mente quando foi lá.

Mesmo quando os vendedores são empolgados, conhecem tudo e indicam, ainda assim o movimento não deve ser tão grande a ponto de tornar o negócio sustentável e lucrativo. Como o Gabriel Bá disse no texto dele sobre a Gibiteria, é uma coisa que é muito mais pela paixão do que pelo lucro (e coloca aí, mas sem expandir essa parte, que funciona do mesmo jeito pros autores, querendo ou não).

Só que mais que isso: as lojas na maioria não paga os autores. Nem adiantado com desconto, nem depois pela consignação. Costumam levar anos pra fazer acertos pequenos, o controle de estoque é confuso, e o autor tem que cobrar essas coisas, assim como relatórios de venda, sendo que isso deveria ser função e responsabilidade da loja. Muitas vezes, só recebi meus acertos por ter ido atrás e cobrado,ficando naquela situação chata (eu pelo menos me sinto super encabulado de cobrar as pessoas das coisas que elas deveriam fazer).

Vários amigos e colegas meus, autores e editores, têm a mesma opinião. Alguns desistiram de ter os títulos em lojas e vendem só pela internet e em eventos. Acho que a ideia é, "já que é pra ter quase todo o trabalho, pelo menos fazendo por conta eu recebo mais e em menos tempo". É certo que livrarias também estão nessa toada. É só pesquisar sobre os calotes e dívidas das grandes redes com as editoras: ninguém escapa.

É complicado, pois precisamos desses pontos de venda, mas a relação é, em quase todas as vezes, complicada e dá uma desanimada... 

Não quero deixar esse texto só com reclamações, mas achei interessante colocar esses temas pra discussão. Se você acompanha meu Blog já sabe que eu escrevo pouco aqui, geralmente divulgo eventos e lançamentos. Quero mudar isso, e começar a ter mais conteúdo relevante para autores, especialmente para os novos autores que precisam de orientação, conhecer mais do mercado e ter uma visão de quem está vivendo a coisa toda há tanto tempo. E, para isso, é preciso acompanhar oque acontece e ter uma visão ampla e crítica. 

Fazer quadrinhos é maravilhoso e não vejo minha vida sem isso. Por isso, cada derrota, por mais que pequena, nos afeta: leitores, autores, jornalistas, editores e também, claro, os lojistas. Nosso mercado é frágil, pequeno demais, e precisamos lutar para manter esse pouco que temos vivo para que possa, com esperança, crescer e se fortalecer.

Conto (contamos, todos nós) com você também, para isso. Se você curte quadrinhos,seja como leitor ou autor, mergulhe de cabeça. Frequente as lojas. Se não tiver lojas perto de você, tente comprar com os autores, com lojas de quadrinhos menores que mandem pelo correio. Eu sei que os preços que a Amazon pratica são muito convidativos, mas é complicada demais essa mudança de paradigmas e valores que eles estão impondo. E isso n]ao é pelo bem da cultura, é apenas financeiro, e prejudica demais os autores e editoras, não prejudicando els próprios, a Amazon. Enfim, isso é combustível pra outro texto, mais pra frente.

Se você leu até aqui, agradeço demais ela atenção e carinho. Não deixem de comentar, compartilhar, acompanhar. Nos vemos por aí. 

E obrigado, Gibiteria! <3 div="">




quinta-feira, 19 de abril de 2018

Podcast Strippers - O começo e o fim de Terapia

Terapia, webcomic produzida por mim, Rob Gordon e Marina Kurcis, chegou ao fim no último dia 28 de março, após 7 anos de história. Foi uma jornada poderosa e de grande crescimento pessoal e artístico para nós três.

E, para comemorar e relembrar nossa trajetória, o Podcast Strippers, comandado pelo amigo e quadrinista Digo Freitas, lançou um episódio espacial entrevistando a gente, com direito a revelações, curiosidades, desabafos e várias histórias sobre nosso trabalho juntos.


Acesse o site do Strippers, ou busque pelo podcast no iTunes ou no seu agregador de podcasts favorito, e não esqueça de dar uma nota boa pra ele, porque o trabalho que o Digo vem fazendo nas entrevistas é muito bom e merece destaque. Neste link, você acessa a página do Stripper no Facebook. Você pode, inclusive, se tornar um apoiador recorrente do Strippers, descubra como no link abaixo:


É com grande honra que falamos de Terapia para um podcast tão bacana quanto o Strippers, e esperamos que todos curtam! E, para quem não conhecia Terapia ainda, é só acessar nosso site e ler a HQ na íntegra!