domingo, 6 de abril de 2008

Tudo é real no mundo dos sonhos...

Era de novo aquele lugar grande, aquela fazenda imensa. Algo ia acontecer, que era proibido, apesar da profusão de pessoas que estavam lá exatamente para isso. A diversão era tão iminente quanto o sentimento de alerta que permeava o ambiente. Até que, num momento de festa, "os inimigos" apareciam para acabar com tudo. E nós fugíamos, correndo, nos esgueirando por passagens e frestas, passando por um sótão pequenos com roda de capoeira, e um banheiro de cimento pintado de azul claro, onde pessoas se acumulavam feito refugiados, enquanto eu não entendia o porquê da fuga e o porquê da perseguição.

Numa grande tela, era preciso atenção para entender oque deveria ser feito depois. Falhar não era uma opção, nunca foi. Mas o que fazer quando a informação é falha? Com a cabeça em outro, lugar, talvez, incomodado pela bancada de self-service atrás do sofá de couro vermelho-escuro. Bancada essa, onde haviam uvas e uma pessoa importante, mas que por algum motivo já não tinha mais laços permanentes. E estava elal á, com as uvas. Mais alguém queria uvas, e para isso, usava a velha técnica nunca aprendida por alguns, a dança verbal do convencimento, que muitas vezes é só burocracia para o contato susequente. Algo me incomodava, e via que o rapaz beijava os lábios que estavam na placa das uvas. Voltei a tentar entender o DVD informativo, e a pessoa que era pessoa mas tbm eram uvas, voltou a ser pessoa e eu tentava não ceder à vontade de abraçá-la de volta. Não era algo que deveria acontecer.

Em meio à arquitetura antiga, típica que nasce e permeia os traços que marco em papéis, buscávamos algo que não era bem claro. Lembrei que tinha deixado instrumentos necessários em algum outro lugar, num misto de sentir-se imbecil pelo esquecimento e de fracasso em mais uma coisa (pequena, sim - mais ainda um fracasso). DE frente ao casarão que nos era o objetivo, via as janelas surradas e os vidros quebrados. Cortinas brancas e pesadas fluíam com o vento grosso e inexistente. Lá dentro, porém, em meio a conjuntos de instrumentos velho, quebrados e rasgados, havia um, enorme, novo, bonito, exagerado até. Inúmeros conjuntos de teclas se configuravam abaixo do palanque. Os três procuravam algo que ninguém parecia mais saber o que era, enquanto nos questionávamos o que era tudo aquilo, e como foi conseguido recurso pra montar tudo. A casa era enorme e eu acho que já estive lá antes, por onde passei por passagens secretas para chegar a outro lugar.


Anteriormente, nesse mesmo canal:

De repente, encontrava um túnel, meio quadrado. Como se fosse uma passagem mesmo, com paredes e tetos bem colocados. Como o túnel na chácara da avó, mas obviamente maior. Eu me arrastava, pra poder atravessar. E tinha algumas decorações nas paredes. O chão era de concreto meio arenoso. E diziam que eu precisava atravessar, e que o que eu encontraria seria muito bom, se eu não me desvirtuasse do caminho e confiasse na idéia de que o melhor estaria, invariavelmente, no final.

E num momento do túnel, no teto, tinha uma porta tipo alçapão, toda ornamentada com ouro e pedras preciosas. Pensei que se abrisse lá, poderia ter um tesouro maior do que o que me aguardava no final. Os ornamentos e promessas de riquezas e sucesso iludindo, com o caminho mais fácil. E, em se tratando de sonhos, nem sempre o que prometem é o que acontece (na vida real é assim também).

Ignorei a porta, segui em frente. Fui chegando numa esquina, de onde vinha uma luz meio amarelada, e dava pra ver algumas coisas cintilando. Assim que saí pela porta, entrei em um salão imenso, cheio de ouro, jóias, pedras, tesouros infindáveis. Era como a tumba de um faraó, enorme e cheia de riquezas. Virei para trás, para a porta de onde tinha vindo, e vi o senhor dos sonhos, o lorde moldador, Morpheus, em pé, acima do beiral da porta. Assim como nas ficções, ele era pálido, cabelos negros compridos, os olhos negros como a noite. Vestia roupas roxas e azuis escura, mas roupas civis. Camisa e calça. Talvez uma capa. Chamei o nome dele, sem conseguir saber como era, ou como foi possível proferi-lo, e ele pulou/flutuou pra baixo, falando comigo coisas que eu não lembro. Mas eu sei que ele apertou minha mão. E depois, sumiu.

Um comentário:

Mariana Guerra disse...

Nossa, esse conto maluco pareceu um pouco com Allan Poe, ele costumava escrever sobre a loucura. Tenho certeza que você gosta, pela melanciolia que eu ele deixa no papel.
Alguma parte desse sonho foi verdadeira? Eu sei que sonhos, na maioria, não fazem sentido, tanto é que no meio de um jogo de palavras teu eu me perdi, confuso demais para meu pequeno cérebro de 3kb.
Posta mais coisas desse tamanho. Preferencialmente sempre nos finais de semana, que eu tenho mais tempo. E quando eu tiver speedy(modem atrasado), começe a postar todo dia como o prometido.
Sinto falta das tuas palavras.