sexta-feira, 19 de junho de 2009

Mais polêmicas, pra variar...

Fiquei um tempo sem saber se postava essas coisas ou não, mas acho que tem tudo a ver com meu trabalho, com minha ideologia e com o blog em si. Então segue aí uma batelada de coisas que geraram polêmicas nesses últimos dias...


1. Diploma de Jornalista: Ninguém precisa mais.
Calma, na verdade é assim: Segue notícia da UOL.
Por 8 votos a 1, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram na sessão desta quarta-feira (17) que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão.

Votaram contra a exigência do diploma o relator Gilmar Mendes e os ministros Carmem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello. Marco Aurélio defendeu a necessidade de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão. Os ministros Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não estavam presentes na sessão.

Para o relator, danos a terceiros não são inerentes à profissão de jornalista e não poderiam ser evitados com um diploma. Mendes acrescentou que as notícias inverídicas são grave desvio da conduta e problemas éticos que não encontram solução na formação em curso superior do profissional. Mendes lembrou que o decreto-lei 972/69, que regulamenta a profissão, foi instituído no regime militar e tinha clara finalidade de afastar do jornalismo intelectuais contrários ao regime.

Sobre a situação dos atuais cursos superiores, o relator afirmou que a não obrigatoriedade do diploma não significa automaticamente o fechamento dos cursos. Segundo Mendes, a formação em jornalismo é importante para o preparo técnico dos profissionais e deve continuar nos moldes de cursos como o de culinária, moda ou costura, nos quais o diploma não é requisito básico para o exercício da profissão.

Mendes disse ainda que as próprias empresas de comunicação devem determinar os critérios de contratação. "Nada impede que elas peçam o diploma em curso superior de jornalismo", ressaltou. Leia aqui a íntegra do voto.

Seguindo voto do relator, o ministro Ricardo Lewandowski enfatizou o caráter de censura da regulamentação. Para ele, o diploma era um "resquício do regime de exceção", que tinha a intenção de controlar as informações veiculadas pelos meios de comunicação, afastando das redações os políticos e intelectuais contrários ao regime militar.

Veja a matéria toda aqui.

Olha, eu nunca gostei de Regime Militar, odeio censura, mas acho que Jornalismo é uma profissão séria demais pra não se exigir diploma. Claro que certas pessoas que trabalham no meio realmente não precisariam ser jornalistas formados para poder exercer suas funções. Mas o jornalista em si, esse precisa, claro.

Não é porque qualquer Domingas da Malhação pode ter um blog e bancar jornalista que essa pessoa É, de fato, um jornalista. Precisa de formação, de estudo, de muito mais.

Assim como um Artista Plástico sem curso superior é uma coisa, com curso é outra. Funciona assim em qualquer área.

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2. Comentário infeliz num jornal e repercussões...
Retirado do Blog dos Quadrinhos:

A SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - emitiu hoje à tarde uma carta em resposta a uma nota curta publicada na coluna "Gente Boa", do caderno de cultura de "O Globo".

A nota, intitulada "Ilustradores, unidos", registra que os ilustradores pretendem dividir os direitos autorais de obras - entre elas as infantis - com os autores. Segue o texto:

As editoras de livros enfrentam um novo problema: os ilustradores, principalmente os de livros infantis, querem rachar o direito autoral com os escritores.

Não aceitam mais um xis pelo trabalho. Pedem um percentual nas vendas, de olho na força do setor e nos grandes lotes comprados pelo governo.

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A SIB defende que não quer dividir os direitos autorais com o autor. Mas reivindica uma participação maior no pagamento feito pelas editoras, em particular nas vendas ao governo.

Leia a íntegra da carta de resposta da entidade:

Muito oportuna a nota "ilustradores, unidos”, publicada na edição de hoje. Gostaríamos de esclarecer que a questão dos direitos autorais dos ilustradores é antiga, e vem ganhando força nos últimos anos por conta de uma postura mais consciente dos profissionais, e do próprio amadurecimento do mercado.

A co-autoria de um ilustrador de livro infantil é inegável. Muito mais do que um mero suporte ao texto, as imagens exercem encantamento, definem a identidade do título e possuem enorme poder de decisão na hora da compra. E, como co-autores, nada mais justo que participar dos benefícios obtidos com as vendas.

E, importante salientar, nunca foi proposto rachar o direito autoral com os escritores, e sim com a editora. lustradores e escritores, ambos autores, têm sido parceiros produtivos à literatura infantil e juvenil brasileira.

Não se pretende aqui entrar na justa fatia que o escritor do livro recebe, mas sim em uma nova conta com as editoras – que, apesar de terem no governo brasileiro o maior comprador de livros do planeta, ainda insistem na imposição de contratos leoninos aos seus colaboradores, sejam ilustradores ou artistas gráficos.

A Sociedade dos Ilustradores do Brasil, com duas centenas de associados em todo o território nacional, trabalha pela excelência na prática profissional e entende que os ilustradores não são meros prestadores de serviços, mas parceiros da editora na produção de obras infantis.

Neste momento de mudanças no perfil do mercado é onde se pode concluir esta discussão com benefícios para todas as partes, principalmente para o leitor.

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Assinam a carta nove integrantes do conselho gestor da entidade: Cecilia Esteves, Orlando Pedroso, Jinnie Pak, Chicão Monteiro, Marcelo Martinez, Daniel Bueno, Mauricio Negro, Rodrigo Rosa e Rogério Soud.

"Tem um novo mercado surgindo. A questão é discutir qual a participação do ilustrador nesse mercado", diz Orlando Pedroso, por telefone.

No entender dele e da SIB, é necessário abrir um canal de discussão com as editoras para definir como o desenhista pode se enquadrar, como autor, co-autor ou partícipe dos lucros.

Muitas obras infantis e de cunho didático têm sido incluídas em listas dos governos federal e estadual. Nos últimos anos, a presença de elementos visuais nessas obras tem aumentado significativamente.

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A questão é atual e pertinente: ilustrador de um livro - em particular o de obras infantis - pode ser considerado co-autor?


Opinião do Montalvo, um dos maiores do país:

"Tá errado, tá tudo errado.
Será que os ilustradores ficaram loucos?
A gente não quer "rachar" nada com os escritores, eles não são nossos pagadores, e devem ganhar o mesmo que sempre ganharam.
O NOSSO direito autoral deve vir dos outros 90% do bolo, DIRETAMENTE DA EDITORA, e não do bolso de nossos parceiros, os escritores.
Mas as editoras, espertamente, querem nos tornar inimigos dos escritores, aplicando a velha máxima "dividir para conquistar".
Eu não quero dinheiro de um colega de trabalho como eu. Exijo receber estes valores da editora, a minha contratante."

Eu concordo com a SIB, ponto final. É minha profissão, e por mais que muita gente ache que não, ela é de suma importância para o funcionamento do mercado editorial e publicitário.

Não tem nada a ver com abocanhar grandes dinheiros, mas de ter o que é merecido, por direito autoral, por qualquer direito. O escritor tem tantos direitos por ser autor, o ilustrador tem os mesmos por ser oautor das ilustrações.

É um mercado estranho, sem sindicato, sem registro, sem essas coisas de "emprego de verdade", mas é um mervcado que existe e merecia ser melhor visto e entendido pelos governantes e editores.


Qualquer coisa, é sempre bom reler o Guia do Ilustrador e ficar por dentro de como tudo funciona.

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3. Mais uma grande obra de quadrinhos atacada por estar nas escolas...

Do Omelete:

A graphic novel Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço, de Will Eisner, é o motivo de mais uma rodada de críticas a bibliotecas e ao governo. Educadores de São Paulo e Paraná pediram que a obra, distribuída pelo Ministério da Educação a escolas públicas, fosse retirada das bibliotecas.

O motivo: Um Contrato com Deus mostra cenas de violência e sexo (sexo adúltero, como sublinham alguns), incluindo estupro e sugestão de pedofilia. Segundo os educadores, o livro está em escolas com alunos de quinta série, com média de idade de 11 anos - e o conteúdo seria impróprio para a faixa etária.


A polêmica chegou inclusive a blogs religiosos, que já tratam a obra como coisa do demônio. "Infelizmente, por ser PASSIVA (não confundir com pacífica), a sociedade brasileira tem deixado o Poder das Trevas colocar em execução tudo o que foi planejado nas profundezas do inferno e simplesmente, diante de tudo isto, tem dormitado em berços esplêndidos", diz o blog Holofote.

Vale lembrar que a polêmica vem na sequência do caso com a antologia Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol e repete quase perfeitamente casos já registrados nos EUA. Além disso, é um reflexo da maior entrada dos quadrinhos nas bibliotecas públicas, como política do Programa Nacional Biblioteca na Escola do Ministério da Educação.

Um Contrato com Deus é considerada um marco na história dos quadrinhos maduros e também na carreira de Eisner, que resolveu na época investir em quadrinhos para o público adulto. Lançada originalmente em 1978, foi uma das HQs que gerou o termo "graphic novel" ("romance gráfico") no mercado e na imprensa dos EUA para destacar o novo requinte das narrativas sequenciais.

Já existe versão do clássico até para iPhone.


Matéria original aqui.


No Universo HQ:

Nesta terça-feira, 2 de junho, o programa SP TV, da Rede Globo, apresentou uma matéria sobre o livro Um Contrato com Deus, de Will Eisner, publicado pela Devir.

De acordo com a matéria, o livro contém ilustrações de pedofilia, brigas familiares, violência, etc.

O foco foi informar que o álbum não é adequado para crianças, mesmo estando presente em diversas bibliotecas escolares, sendo necessário orientação para os leitores da obra conforme sua faixa etária.

A reportagem fez questão de deixar claro que Eisner é um dos nomes mais importantes dos quadrinhos, que o ponto em questão é que álbum não é para crianças e não deveria ter sido adotado pelo programa do governo para a faixa etária em questão - ou seja, uma mudança na abordagem em relação aos problemas ocorridos com 10 na área, um na banheira e ninguém no gol.

Enfim: a polêmica continua, mas, ao menos, o foco parece ser outro - méritos, quem sabe, da imprensa especializada em quadrinhos e de todos que conhecem o gênero e o defenderam frente aos acontecimentos recentes.

Original aqui.


Bom, eu posso falar que Um Contrto com Deus é uma das obras mais bonitas do Tio Eisner. O velho mestre geralmente acerta a mão, sua narrativa é linda, seu texto é tocante.
Obviamente, assim como o Dez Na Área, não é pra crianças.

Eisner foi o cara que começou com as Graphic Novels. Ele é o pai dos quadrinhos adultos. Suas obras, no geral, não são para crianças e ponto final.

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Hmm bom, é isso!
MNuita coisa. Teria mais pra falar, mas vamos acompnhando por aí os desenrolares dos fatos. Não confiem em tudo de lêem. Procurem fontes que entendem do que falam!

Té mais!

Um comentário:

DS disse...

1. Eu não consigo associar qualidade/qualificação com a obrigatoriedade de um canudo na imensa maioria das profissões (e eu tenho dois canudos, antes de falarem qq coisa).

2. Não entendo como não encaram o ilustrador um co-autor de um "livro (texto) ilustrado (desenho)". Infelizmente o que vai acontecer é q o escritor vai ganhar menos, não a editora.

3. Violência? Brigas familiares? Vamos arrancar as Bíblias das escolas! E mandar as crianças para outro planeta não habitados por humanos.