sábado, 2 de janeiro de 2010

Devaneio de começo de ano.

Começando o ano de 2010 com um dia calmo, parado até demais. Com filmes alugados, assistidos no DVD de casa. Com o corpo cansado de nada, pois não poderia estar cansado da viagem de 6 horas pela serra ontem à noite.

Boas lembranças guardadas de um Reveillon diertido e inusitado.

Tudo está meio escuro, não pelo clima nublado, ou o céu fechado que vez ou outra chove. Chove aqui o que não choveu lá hoje, fugimos de uma piada da chuva, que desceu moendo duranmte um dia, matou pessoas, afugentou pessoas, e no final, abriu-se pro Sol hoje.

Perdemos o Sol.

Não por isso o escuro. Mas pelos óculos de sol, que eu uso pra compensar a miopia dentro de casa, pra compensar os óculos normaisque o mar levou e não devolveu. Incomoda, mas não o suficiente pra ver tudo borrado durante 2 dias ou mais.

E aí, de volta, sozinho, mais um sábado, pra contabilizar com todos os dias desde dia 24/12, que foram sábados, por aqui não acontece absolutamente nada.

E desejo existe, de muita coisa, desejo pesado, desejo suave, desejo de trabalho, de poesia, de carne, de significado, mas é um dia calmo e dificilmente eu vou achar algo disso.

Mesmo que saia à noite rondando por aí. Ou me embriagando pra disfarçar certas coisas que nunca morreram. Que nunca vão morrer, só se acumulam com os anos. Traz o peso da lembrança de volta, e aqueles avatarezinhos hoje me venceram. Cliquei mesmo.

Revisitei o que não estava ao vivo por cliques num computador lento e irritante; volta o peso da lembrança. O peso de todo o significado que ficou pausado, talvez por não saber esquecer; talvez por não ter tido chance de re-significar, de entender, de aceitar.

Ficou suspenso, como você fica quando mergulha no mar de olhos fechados e deixa o corpo pairar. Suspenso. E certos casos, aqueles que fazem esse tipo de texto inutil surgir, estão suspensos, esperando a memória acessar pra dar de novo aquele sabor agridoce que vai bem com nuggets mas que desce estranho com coração.

E mais uma vez fico perdido entre certas obviedades, entre informações que não tenho, as que tenho e as que acho ter. Tentando em vão montar um quebra-cabeças sem saber quantas peças tem ou qual é aimagem final. Tateando a esmo entre imagens que não me dizem nada.

Cada segundo que passa a distância se reafirma e cresce, e não há movimento feito para reaproximar. Somos todos linhas que seguem serpenteando por aí, pelo espaço e temos sorte quando elas se cruzam, e mais sorte ainda quando elas se entrelaçam cirando algo um pouco mais como uma corda trançada. Ou um nó.

Algumas linhas são paralelas. Outras se encontram e se separam aleatoriamente, tirando sarro da tentativa de fazê-las, conscientemente, se cruzarem. Tem coisas que só o acaso faz acontecer.

E não há movimento para reaproximar, e em defesa da minha linha posso justificar com o argumento de que "parece inútil e nem um pouco recíproco". E agora José, comofas? Adianta algo?

Que silêncio é esse que não faz a corda vibrar como antes? Que não faz música, que não faz voz? Qual é o pedaço que falta? É um pedaço daqui, ou um pedaço de lá? Quem levou embora os pedaços, impedindo a coisa de se completar garantindo compreensão e talvez paz de espírito?

Ignorância é uma bênção, aprendi com os Ramones, essa distância auto-imposta causada pela distância imposta, que eu nunca entendi.

Tudo são pedaços do todo.

Mas faltam várias.

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Feliz 2010!

2 comentários:

LU disse...

=) Tive acesso a revista "Pieces"... gostei muito! Um talento com as imagens e as palavras...
e de repente eu te entendo! E acho q eh mais facil tah distante, distante como eu estou... do que perto... e distante cm vc se sente...
vou passar pra visitar! Abraco ao talento e a arte!

LU disse...

ah.. e soh p deixar resgistrado que o texto escrito eh antes de tudo o "momento vivido"... qdo vc reler o texto no inicio do ano que vem...talvez vc se sinta feliz de sacar que, de todo esse "feeling"... soh tenha ficado uma vaga lembranca =).. e sorrir! Feliz 2010