sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Arte-Final: Materiais e Técnicas, parte II

Olá a todos! Finalmente, vamos à segunda parte do textos sobre materiais de arte-final.

No texto anterior, falei sobre os materiais "pré-ink", ou seja, papel, lápis, borracha. A arte-final (ou inking) é a etapa do processo de criação de uma ilustração ou HQ que envolve passar nanquim sobre os traços a lápis do desenhista (que pode ou não ser você mesmo).

Parece simplista, colocar dessa forma, mas em essência, é isso mesmo. O ponto crucial de se entender, é que o arte-finalista NÃO é só um mero traçador/contornador. Quem já assistiu "Procurando Amy", do diretor Kevin Smith, sabe que existe um debate hilário entre os personagens principais, artistas de HQ, sobre o arte-finalista ser um "tracer", ou seja, o cara que só passa linhas pretas em cima de outras a lápis, como se "tirasse" o desenho com papel vegetal. Achei essa cena no youtube, infelizmente sem legendas.

O arte-finalista é responsável por muitas vezes complementar o desenho do desenhista. Este, dependente do estilo, pode deixar vastas áreas de preto para serem preenchidas pelo arte-finalista, que também pode acabar fazendo hachuras, modulação de linha, separação de planos, e até algumas decisões de foco na cena.

Um ótimo livro sobre o assunto é o "The Art of Comic Book Inking", de Gary Martin. Existiram duas edições, e depois uma especial com os dois livros em um. Ele vem com várias dicas de materiais, técnica, e exemplos de arte-final de grandes nomes da área. Além disso, vem com pranchas, em papel decente, com uma página do Steve Rude para você treinar. Segue um link no Amazon. Não achei o primeiro, mas é o mesmo nome e mesmo autor, dá pra procurar.

Além disso, o tio Gary Martin mantém uma galeria no DeviantArt com vários trabalhos. É uma ótima ideia visitar sempre que possível e entender o que exatamente o arte-finalista faz sobre os lápis.

O arte-finalista deve, então, colocar um pouco de si no trabalho. Ou muito. Certas equipes criativas trabalham juntas por anos, como o caso de Jim Lee e Scott Williams. O trabalho solo de cada um nunca é tão interessante quanto a parceria. Leva um tempo para um desenhista e um arte-finalista se entenderem.

Bom, em se tratando de materiais, agora, vou mostrar um pouco das canetas que costumo usar.

Minha arte-final tem imensas doses de pincel. Mesmo quando uso o Pain Tool SAI para arte-finalizar, configuro os brushes para me darem um resultado próximo de pincéis.

Me interessa muito a modulação da linha, que nada mais é do que a possibilidade de engrossar e afinar as linhas conforme a pressão da mão. Mas o digital raramente consegue simular o efeito de um pincel seco de forma satisfatória. Tem coisas que só um bom pincel faz.

Vou mostrar hoje as canetas brush pen que uso, mas só as pontas de cerdas artificiais. O lance dessas canetas é que elas possuem "pelos" na ponta, que dão forma de pincel. Não são pelos naturais, como a maior parte dos pincéis de cabo de madeira, e sim, um material sintético.

Podem ter dois tipos de carga: uma carga normal, fechada no corpo da caneta, que acaba eventualmente; e um cartucho ou refil, cheio de tinta, que você pode trocar quando acabar. AS tintas nem sempre são permanentes como o nanquim. Algumas soltam com água, outras não têm um tom de preto tão profundo. Mas tudo isso pode ser contornado (sem trocadilhos).

Bom, segue uma imagem com testes das minhs canetas.


Bom, vamos aos links e comentários para essas canetas, na ordem da imagem acima.

Pentel Standard Brush Pen - Medium Tip

Essa caneta foi a primeira que usei quando comecei a me interessar por brush-pens. Ela tem um corpo oco, onde fica a tinta. Esse corpo, refil, pode ser comprado avulso, e tem várias cores para escolher. Eu mesmo já comprei vermelho, azul, marrom, para testar e brincar. Ela dá uma linha bem gostosa, se você trabalhar devagar. Quando o traço é mais rápido, aí ela seca mais rapidamente também, e o traço fica com aquele feel de drybrush.
Se a tinta comaça a rarear, você pode apertar o corpo oco, que age como uma bombinha, e manda mais tinta para a ponta. Às vezes isso faz a caneta pingar, então, cuidado.
Quem usa essa caneta vez ou outra é o Rafael Grampá. Já o vi desenhando e o ritmo dele é bom com o ritmo da fluidez da tinta, mais moderado e cuidadoso, deixando os efeitos de dry-brush para quando necessários.
Essa caneta é uma das que eu menos uso.

Parêntese! Um dos arte-finalistas que me fez procurar essa caneta é o Mitch Breitweiser. Ele usa essa caneta, mas mergulhando-a no nanquim. Acho que hoje em dia ele deve usar mais pincel, mas na época vi um vídeo dele com um tutorial de arte-finalque merece registro. Aqui vai o link pro DeviantArt dele e para o vídeo. Fecha parêntese.

Pentel Pocket Brush Pen for Calligraphy
Essa caneta é uma delícia. Ela tem um padrão parecido com a acima, mas é bem menor. Seu tamanho é de bolso mesmo, e o corpo, de plástico mais duro, lembra canetas mais chiques, daquelas que advogados e etcs levam no bolso. A ponta é do mesmo esquema que a acima, mas é um pouco menor e sua fluidez é quase constante. Não tem como apertar seu corpo, então tem que se contentar um pouco com a fluidez dela. Esse modelo do link não vem com refil, mas a JetPens vende uma cartela com refis e caneta, e também caixinhas com refis.
Ela é mais elegante, portátil e versátil.
Já vi o Grampá e o Fábio Moon usarem ela.

Kuretake No. 8 Fountain Hair Brush Pen
Essa é a minha favorita nas brush-pens com cerdas. Ela tem um corpo duro, mais alongado. A ponta é de ótimo tamanho e a fluidez da tinta é perfeita. Ela trabalçha com um cartucho, não o mesmo que as da Pentel, mas já testei com o cartuchos destas e deu mais ou menos certo.
Dico mais ou menos, pois a tinta costuma vazar um pouquinho na ponta, e suja os dedos, mas nada que um papel higiênico não resolva.
Como sua fluidez é maior, se você cuidar da ponta direito, ela dura muito e simula quase perfeitamente um pincel. É mais difícil fazer dry brush com ela, já que não tem como controlar a fluidez para a ponta, mas se você tem um pincel velho ou uma brush pen da Pentel, isso não é um problema.
Se você ver no link, a cartela vem com dois cartuchos de refil, mas você também pode comprar mais. O cartucho dessa caneta vem com uma bolinha de metal na ponta. Quando colocado na caneta, a bolinha se solta e fica como num spray, móvel dentro da tinta, impedindo que ela seque ou decante.

Pilot Brown Barrel Brush Pen - Hair Brush

Essa caneta é dá família da Pilot, de corpo marrom. Vou falar de outras canetas desse tipo mas em outro post. Esta caneta tem pontas de cerdas, mas não tem como trocar o refil. Quando ela acaba, acaba. Claro, vocÊ pode mergulhá-la no nanquim, mas não é a mesma coisa. Ela tem uma fluidez legal para traços mais lentos, e detalhes, pois a ponta conegue uma espessura bem fina. Mas, num traço mais veloz, ela simplesmente não aguenta muito, e fica com traço se pincel seco. Acho que ela dura bem menos que as outras, também.

Kuretake No. 30 Double Sided Brush Pen - Hard & Hair Brush
Essa tem sido a segunda favorita atualmente. Com um corpo mais alongado, ela tem duas pontas. Uma, maior, de cerdas, com um bom controle de detalhes e espessura, fluidez bacana e facilidade para fazer dry-brush. A outra ponta, menor, tem um esquema mais "porosa" e é bem legal para pequenos efeitos e detalhes. No link você pode ver um teste das duas.
Ela também não é recarregável, mas costuma durar um tempo bom.

Todas elas são ótimas por serem portáteis. VocÊ não precisa levar um arsenal de papéis, copos, potes de nanquim e pincéis. Não precisa lavar com cuidado, não precisa ficar mergulhando elas no nanquim para recarregar. Cabem em estojos comuns, na mochila, no bolso.

Eu costumava ficar meio frustrato por não conseguir levar meu material para todo lugar. Como não tinha como levar os pincéis e nanquim, meu sketchbooks tinham muita coisa a lápis e canetas comuns, mas eu queria mesmo era desenhar com pincel. Com essas caneta,s eu posso obter efeitos de pincel em qualquer lugar. Além claro, da já mencionada limpeza.

Como já dito anteriormente, o JetPens é um site ótimo para comprar esse tipo de material. Apesar de ser em dólares, os valores são muito amigáveis e muitas vezes melhores que os encontrados por aqui. O frete estraga um pouco a brincadeira, e se você gastar mais de US$ 50,00, provavelmente será taxado no Brasil.

A última compra que fiz deles, pelo correio, foi taxada, saiu cara demais, mas mesmo assim valeu cada centavo, e saiu mais barato que comprar os mesmos materiais por aqui. Com o extra de que 2/3 deles eu nunca achei por aqui. Ouvi dizer que na Liberdade, em São Paulo, tem várias coisas dessas, mas não fui lá ainda pesquisar.

O que valeria a pena, na minha opinião, é chamar amigos que também tenham interesse em materiais, fazer uma compra grande, e rachar. Gaste mesmo, e aí, teste todas as canetas e materiais que achar interessantes. Numa próxima compra, repita só os que você mais gostou, em quantidades maiores.

Minha primeira compra na JetPens foi meio insana., Quis testar quase tudo. AS minhas favoritas, comprei de novo, um tempo depois, em quantidades maiores e fiz um estoque.

Bom, por euqnto é só. Próximo post será sobre brush-pens com pontas de borracha e porosas.

Abraços e ótimo fim de semana!

3 comentários:

Lila disse...

Muito bom! Eu tô querendo testar as da Pentel e a Kuretake, mas vou guardar um dinheiro antes, haha

carlos BRANDINO disse...

cara, a alguns meses eu pensava em comprar algo deste site, mas ficava na duvida se era confiável.
estou de olho em algumas canetas (com ponta bico de pena recarregavel), pra comprar deles. Ja chegou a usar algumas delas pra arte final?

Anônimo disse...

cara....voce compro no jet pen esse Pentel Standard Brush Pen - Medium Tip???