segunda-feira, 6 de junho de 2016

Projeto 21 Dias - 1ª Semana

Oi, pessoal! Este é um relato sobre a primeira semana do projeto do Desafio dos 21 Dias. Este projeto consiste, basicamente, em estabelecer uma rotina de estudos diários com um motivo específico. Todo dia, durante pelo menos uma hora, você precisa focar nesse estudo, e, de preferência, postar os resultados.

Decidi entrar no desafio por causa do Rafael Vasconcellos, o Abel, um grande artista que admiro demais (tenho, inclusive, três originais dele em casa, hehe), e também um amigo querido dos eventos de Quadrinhos desde 2009. A ideia do Desafio veio do Noah Bradley (veja aqui como ele elabora o desafio, entenda as regras básicas e faça também!).

Então, qual é meu objetivo nesse Desafio dos 21 Dias? Estabeleci uma meta de estudo um pouco complicada, mas funcional. A coisa precisa ser interessante o suficiente para você QUERER FAZER. Eu sei o quanto a PREGUIÇA, a DISTRAÇÃO e a INÉRCIA são fatores poderosos quando falamos de estudar arte (e prometo um texto sobre isso para breve). Então, meu tema/meta/objetivo teria que ser algo que me fisgasse e me fizesse sair da zona de conforto.

Escolhi o (modesto) tema: releituras de obras de artistas que me influenciaram, não necessariamente com a mesma técnica.

Comecei na segunda, dia 30 de maio, com uma releitura de um desenho do Mike Mignola (Hellboy), o qual tenho estampado numa camiseta. A ideia é respeitar a composição, o gesto do personagem, ângulos, e neste caso, paleta de cores. Usei caneta pincel e marcadores, no meu traço. O mais interessante, ao meu ver, é o quanto a obrado Mignola funciona pela síntese. Tudo é angular, esteticamente sucinto mas ainda assim, com uma pegada pesada, gótica. Eu amo a síntese que ele atinge, mas sei bem que meu estilo tradicional não é assim. Adaptar à minha linguagem fez com que o personagem perdesse muito do seu charme... E me fez evidenciar quão ímpar é o estilo do Mignola (não que eu já não soubesse...)




Na terça, dia 31 de maio, fiz uma releitura de uma pintura do Henri de Toulouse-Lautrec, chamado "A Lavadeira". É uma pintura linda, bem melancólica. Eu gosto de diversos trabalhos dele, mas esse me fisgou mais naquele dia. Usei apenas caneta, 0.3, 0.5 e 0.8. Foi bem interessante fazer uma releiturade um trabalho esteticamente diferente do meu, mas tematicamente alinhado. Optei pelas hachuras para conseguir lidar melhor com as sombras do cenário. A ideia era usar marcadores pra moça, mas achei melhor nivelar o acabamento.



Quarta tive um pouco menos de tempo, mas usei isso a meu favor, estabelecendo um desafio um pouco maior... ou menor. Escolhi uma foto do Henri Cartier-Bresson para adaptar. Goste demais da temática e da proposta dele, ao registrar momentos cotidianos que só são visíveis ao olhar dos atentos e pacientes. E a beleza desses momentos só aparece, também, para quem consegue poetizar, interpretar e dar significado às coisas. Nunca é só o que você vê (mesmo que isso, por si só, já seria bem legal). Sempre pode ter algo a mais, alguma coisa que se sente a partir da imagem. O desafio neste caso foi fazer a arte menor. Enquanto nas anteriores tive um espaço um pouco maior que o A4 para trabalhar, desta vez escolhi um formato bem menor: fiz uma moldura de cerca de 10x16cm e optei por usar marcadores, sem contornos. Isso ajudou a perder uma pouco da definição das formas, ganhar mais na mancha e na sugestão do que no detalhamento.



Quinta-feira é o dia em que mais dou aulas. Das 9h às 21h30 estou comprometido com a Pandora, e não consegui usar nenhum intervalo para o desafio. Cheguei em casa cansadão e decidi não desenhar.

Na sexta-feira, dia 3 de maio, fiz uma releitura da capa de uma edição americana de Retalhos, do Craig Thompson. Uma das minhas graphic novels favorita de todos os tempos, conversa muito com o meu trabalho de começo de carreira, a série Pieces e o momento em que comecei a usar e entender melhor o pincel e nanquim. Quando li Retalhos já vinha produzindo as HQs iniciais da Pieces, e o contato com a poética sublime do cotidiano pelos olhos do Craig me deu uma inspiração maior ainda. Até hoje revisito essa obra e admiro seu trabalho. Como nossos traços têm semelhanças, parece que fui mais pro lado de emular o estilo dele... mas na verdade, desenhei como eu desenho. Tive o prazer de conhecer o Craig no meu primeiro FIQ, em 2009, ano do lançamento de Retalhos no Brasil.



Sábado foi a vez de desenhar uma releitura de Bone, do Jeff Smith. Bone é uma das HQs mais bacanas que já li, e é uma pena imensa que não seja publicado decentemente no Brasil. Duas editoras já tentaram. A atual está ainda no começo, mas como não aproveitou a vinda do Jeff pro Brasil (ano passado, no FIQ) para lançar o volume 2, e até hoje não o fez, pode ser que leve um booom tempo pra vermos Bone completo. Que pena. Usei caneta pincel e canetas de nanquim descartável. A imagem que escolhi foi a capa do Volume 2 da Via Lettera. Não gosto das cores, mas o desenho é bacana e cabia dentro da minha janela de tempo. Desenhar o Bone é divertido pois ele é um bonequinho sem muitos detalhes, mas como no caso do Mignola, o desafio é adequar o personagem ao seu próprio traço e fazê-lo ainda funcionar sem perder a essência do design original.



Domingo, após um dia merecido de descanso, passeio, boa comida e excelente companhia, tomei um chá e decidi tirar definitivamente o atraso da produção que aconteceu na quinta. Estava dando uma estudada na obra de Egon Schiele. Não o considero uma influência tão grande nos anos anteriores, mas desde que comecei a prestar atenção nele (valeu, Flávia!) fico encantado com os desenhos e a síntese do traço fluido, que simplesmente dança e passeia no papel sem medo de distorcer as formas. Ele não e importa com a anatomia correta, e sim com algum tipo de expressividade e registro de outras sensações... Gosto muito da simplicidade e do estranhamento causado pelo Mímico e sua pele branca e mãos grotescas. Essa foi a primeira releitura de Schiele. Usei caneta nanquim e marcadores da Tombow.



Depois, relendo o mesmo artista, fiz a Mulher com Joelho Dobrado. Essa já é uma pintura, e pensei em fazê-la no meu estilo mesmo, arte-final com caneta pincel e tudo mais. Talvez colorir com marcadores. Mas enquanto rascunhava com o lápis e ia percebendo como ele também rascunhava, comecei a gostar cada vez mais das linhas fluidas no papel. Peguei um lápis mais escuro pra começar a reforçar algumas formas, e como a coisa foi ficando cada vez mais interessante, decidi finalizar com um lápis integral 6B. Achei o resultado bem legal e desisti do nanquim.



Bom, pessoal, é isso. Esse é o resultado da primeira semana do Desafio dos 21 Dias para se tornar um artista melhor. Vocês fizeram o desafio Estão fazendo? Deixem links pros resultados nos comentários! Agradeço demais pelos likes, comentários e carinho tanto no Facebook quanto no Instagram, onde estou postando tudo isso primeiro. Esse feedback de vocês é muito importante!

Abraços e ótima semana a todos!


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