quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Passo a passo de um sonho

Terminei ontem de madrugada a arte-final principal da HQ Dream Sequence, que mandei para a Front. Como eu já disse nos posts anteriores, o tema é Sonho.

Coloquei aqui um passo-a-passo de uma página dessa HQ. Sempre achei legal quando meus artistas favoritos mostravam seu processo, nem que fosse um esboço-nanquim-cor basicão.

Tudo começou quando o tema foi definido, já ano passado, antesm esmo de eu ter começadoa trabalhar na Ódio. Logo de princípio já fiquei contente, pois tinha uma HQ pronta desde 2005, que eu particularmente adoro, cujo tema é sonho, e que, no máximo, poderia ser refeita nos mesmos moldes só pra atualizar o traço.

Acontece que mudaram o formato da revista: em vez de uma orientação vertical, como costumam ser todas as revistas, foi decidido que ia ser horizontal. Isso causa uma quebra com padrões, dá aos artistas maior desafio para criar páginas e narrativas, torna a leitura toda um tanto estranha, coisa que todo sonho é. Achei legal, mas inviabilizou minhas páginas prontas...


Então, abracei odesafio e fiz uns estudos. Como passar 5 páginas para a horizontal... sem perder as jogadas narrativas e os designs de página que eu tinha feito?

Essa página à esquerda é a primeira versão da Dream Sequence, ainda na vertical, de 2005. Conforme fui fazendo os esboços, acabei achando que fazer páginas duplas seria uma boa jogada aqui e ali...

Acabei decidindo fazer TODAS duplas.

O que acontece nessa página aqui, foi destrinchando em 4. Duas duplas. Acho que assim pude explorar melhor o espaço.





Aqui está o estudo que eu fiz da página, já dupla.
Veja que o que essa dupla mostra é o que acontece em meia página da HQ antiga. Gostei do resultado e decidi que valia a pena tentar.

Comecei a fazer o lápis para a versão grande. Essa é em sulfite, com canetinhas hidrocor e lápis, e apesar de não ter caprichado demais, o traço solto e pesado ficou em muitos lugares melhor do que o desenho a lápis depois.


Essa é a página a lápis, já no tamanho padrão que eu uso, que é um pouco menos que um A3.

Geralmente eu não capricho tanto no lápis, porque sei que depois virei com nanquim em cima, e quanto mais detalhes e firulas no lápis, mais medo eu tenho de passar o pincel em cima, e corro o risco de colocar coisas que ficam maravilhosas no lápis, mas que vão sumir e se perder no nanquim. Mas dessa vez eu peguei pesado e fiz um lápis bem marcadinho, bem definido, até para me ajudar a entender a página.

Feito o lápis, escaneei as páginas e comecei a criar coragem para a arte-final. É uma etapa mais demorada, que precisa de atenção e calma. Como eu faço com pincel e nanquim (aliás, tudo nessa HQ, tirando o contorno dos quadrinhos, foi feito com pincel), tem todo um ritual.

Peguei um ritmo ótimo numa bela quarta-feira ensolarada e desenhei o dia inteiro. Consegui fazer a arte-final de praticamente 12 páginas. E ficaram ótimas, modéstia à parte. Fazia tempo que eu não trabalhava tanto, tão compenetrado, tão dedicado e com tanto mojo. Fazia tempo que eu não fazia nada decente mesmo com pincel. Fazia tempo que o resultado de um trabalho meu não me surpreendia assim. Fazia tempo que eu não me derrotava, me provando mais capaz do que eu achava que era...

Adorei o resultado.

Ontem ,escaneei as páginas com nanquim, corrigi umas coisas, acertei contraste, preenchi algumas áreas grandes com preto (pra não gastar muito tempo, nanquim e pincéis - todos muito caros para desperdiçar), montei as páginas, depois as duplas, e enviei para nosso querido amigo Mario (*Mas Que Mário?*) e em breve ele vai subi-la pro boneco.

Aí é só esperar, e torcer para que ela entre na seleção da revista.

Por enquanto é só! Fiquei devendo o desenho de hoje, mais tarde posto.
E logo eu escreverei sobre as HQs que vão ser publicadas nos EUA.


Don´t dream it´s over!

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