segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Obrigado!



Já se passou quase uma semana desde que o projeto de Terapia no Catarse terminou, com muito sucesso, e eu não tinha conseguido ainda agradecer decentemente. Agora, dando um tempo em todo o resto, descansado e preparando a semana que vem por aí, é hora de falar com vocês, leitores e apoiadores. Mais que isso, parceiros, amigos.

Não se faz uma HQ sem leitores. Qualquer coisa que você tenha feito como história em quadrinhos que está na sua gaveta ou perdido em alguma pasta do seu HD não é uma HQ: é um sonho, um projeto, uma possibilidade. História em quadrinhos, na minha visão, só existe quando alguém a lê. E nesse quesito, sou muito feliz por ter, desde que comecei a publicar meu material, leitores. No começo, amigos e colegas da faculdade. Depois, gente do mundo todo, e uau, como as HQs me levaram longe!

Mais que leitores, as HQs precisam de parceiros, amigos. É por isso que quero deixar isso em destaque. Fazer HQ independente, que sempre foi minha maior produção, exige muito mais dedicação, sacrifícios e investimentos, e costuma gerar pouco retorno financeiro. Mas compensa pelo grande retorno dos leitores, sejam eles pessoas próximas ou alguém que você nunca chegou a conhecer. E é exatamente a essas pessoas que eu quero agradecer.

É, são muitas pessoas. São mais de 700, na verdade. O projeto de Terapia ficou no ar para receber apoios durante exatos 60 dias, e nesse período, uma montanha-russa de sentimentos e trabalho, conseguimos não só atingir nossa meta, que era de R$ 30.000, mas ultrapassá-la e chegamos a quase R$ 41.000! Confesso que eu tinha muita fé e meio que sabia que iríamos chegar na nossa meta, mas passá-la por esse tanto, com tantos outros projetos de HQ no Catarse, foi uma surpresa deliciosa.

Então, a todos vocês que: apoiaram o projeto no Catarse, acreditando em mim, no Rob e na Marina, e investindo no que antes era nosso sonho, e agora é nossa meta alcançada. A vocês que não apoiaram no Catarse, por qualquer motivo que seja, mas divulgaram, comentaram, ajudaram o projeto a chegar mais longe, também o meu obrigado. Um projeto desses não acontece se não há um trabalho grande de divulgação, e se cada apoiador passou isso pra frente de alguma forma, nós conseguimos expandir a teia muito mais longe do que conseguiríamos sozinhos.

Um agradecimento especial, caso me permitam, vai para algumas pessoas que nos apoiaram com muito carinho, acreditando no nosso trabalho, não necessariamente pelos brindes, mas pela fé no que eu e meus parceiros fazemos: meus avós; meus pais; e maus amigos do coração de Pedreira, que, numa vaquinha deliciosa, fecharam uma cervejada com os autores. Vocês todos são demais, não cabe no meu coração a alegria de tê-los, todos, não como apoiadores, mas como parte da minha família.

E eu não poderia deixar de agradecer a uma pessoa mais que especial... Tão especial que me doeu quando ela me lembrou que eu tinha esquecido de falar aqui dela. Monica... Ah, Monica! Ela que me apoia tanto, que me ajuda a segurar as pontas e que sempre tem um sorriso carinhoso e um abraço reconfortante quando eu fraquejo ou duvido de mim mesmo. Ela que gosta tanto de mim mesmo eu sendo meio pirado, assim. Monica, um obrigado do tamanho do meu amor por você, por ser minha parceira, minha amiga, minha amada.

Eu, pelo menos, trabalhei muito na divulgação, mandei emails, convites, expliquei o que era Terapia, Catarse, como tudo funcionava... Descobri que, não é porque você posta suas coisas no Twitter ou Facebook que as pessoas sabem quem você é ou o que você faz. Amigos e familiares próximos não faziam nem ideia do que era Terapia, por exemplo, e adoraram a ideia e foram apoiar. Obtive de grandes profissionais e grandes amigos dicas valiosas de como trabalhar a mídia, a propaganda, o marketing do meu projeto, e dediquei dias e noites a fazê-lo aparecer e chegar mais longe.

Agradeço então, também, aos amigos e colegas que doaram um pouco do seu tempo e conhecimento para mim, me ensinando e dando dicas para que meu projeto fosse um sucesso. E olha, ele foi!

Esse projeto envolve, além de um monte de coisas, um Artbook, chamado "Tribute Album", que reúne cerca de 54 artistas, do Brasil todo, um norte-americano (David Mack) e um francês (Olivier Martin). Cada um deles merece um abração, pois não só toparam a brincadeira de ilustrar coisas baseadas na HQ que eu produzo, como também tiveram a gentileza de compartilhar, curtir, falar sobre. Se tem uma coisa que eu adoro é fazer parcerias, e criar ilustrações para o trabalho e personagens dos meus amigos e colegas. Dessa vez, fui eu a procurar o pessoal para ver se topavam, e a cada nome confirmado eu vibrava: alguns amigos, alguns ex-alunos, alguns mestres, alguns ídolos... Todos ótimos! O meu obrigado a todo esse elenco espetacular que compõe o Artbook!

Fazer HQ no Brasil, olhem o clichê e perdoem o termo, é foda. É FODA!

E eu digo foda nos dois sentidos da palavra: é delicioso, sensacional, e eu amo o que faço. Amo tanto que, até o presente momento, Terapia nunca me render dinheiro algum. OK, vendi pôsteres de Terapia e camisetas no FIQ de 201, mas só. Terapia é meu trabalho favorito, é onde eu acredito que está minha maior evolução como artista e escritor (eu também co-escrevo, né), é onde eu me reinvento a cada página e exploro a fundo possibilidades narrativas e estéticas, é o trabalho que trouxe meu primeiro HQMIX... Adoro meus outros trabalhos, mas Terapia tem um lugar mais que especial no meu portfolio. Não só isso, mas fazer HQ em geral é bom demais. Participar desse meio, desse mercado, conhecer tantas pessoas, dos artistas experientes aos novatos, dos leitores fiéis aos casuais, enfim... É muito bom.

E é foda no sentido ruim, também. Falo por mim, aqui, mas acho que muitos autores podem concordar. Raramente envolve dinheiro que não seja o meu sendo investido nos meus sonhos e projetos. Minhas HQs são vendidas, sim, às vezes crio produtos derivados também, mas sempre envolve um investimento grande e imediato de tempo e grana, e um retorno diluído em anos, aos pouquinhos. Claro, já fui convidado para eventos e palestras, workshops, e já fiz HQ sendo muito bem pago, mas foi a minoria dos trabalhos. Faço HQ por paixão, por amar a linguagem e por não conseguir me ver fazendo outra coisa. Desenhar para mim é como respirar. Contar histórias e interagir com os leitores é o que me faz querer ir pra prancheta todo dia e dedicar horas a projetos longos que demoram muito mesmo para ter qualquer tipo de retorno.

Ao contrário do que muita gente pensa, a maioria dos autores de HQ não é vida-boa, não trabalha só no que ama e tem uma vida cheia de escolhas complicadas. Não sei quantos fins de semana eu já dediquei a ficar trabalhando, dia e noite... Quantos eventos eu não pude ir, quantos amigos eu deixei de ver, quantas vezes escolhi a prancheta ou o pc à família. Não são escolhas fáceis, mas são escolhas que têm que ser feitas. Sem disciplina, sem dedicação e sem um objetivo claro e muita pesquisa e força de vontade, você não chega a lugar nenhum.

Talvez eu tenha me alongado demais aqui, mas precisava falar disso pra vocês.

O resumo total de tudo isso é: OBRIGADO!

Sobre Terapia Vol. I: Como foi informado no Catarse, o livro estará pronto no FIQ desse ano, e só será enviado aos apoiadores DEPOIS do evento. As outras recompensas serão enviadas gradualmente, então não se desespere: TUDO vai chegar, e tudo chega certinho, mas para tudo acontecer certinho precisamos de foco e cuidado.


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