sexta-feira, 14 de março de 2008

Baque surdo e seco, improved.

Só mesmo umacoisa muito boa ou muito ruim pra me fazer tirar a foto da festa de formatura, que teve só um comentário (Thanks, Maria!!).
Too bad que seja por algo ruim.

Sem enrolação, sem digressões, vamos ao fato nu e cru, que é o que importa.

Ontem à noite eu estava em Barão Geraldo com amigos comendo lanche. Quando voltei pro meu carro, ele não ligava. Percebi que tinham arrancado o rádio. Vi também que tinham levado minha mochila e meu portfolio, além do MP3 player.

O cabo da bateria tinha sido cortado, pro alarme não disparar... arrombaram o carro quebrando o vidro pequeno da porta traseira, abrindo assim a porta e entrando.
Levaram tudo. Só não levaram o carro, imagino, por causa da trava da chave.

O carro não tinha completado 7 dias nas minhas mãos. Completa hoje, uma semana, coitado, no pátio sendo vistoriado pela perícia do seguro, encaminhando-se depois pra consertar o que foi quebrado.

O rádio,que eu nem comecei a pagar ainda, foi levado e é claro, não vamos achar. Seguirão-se 10 meses pagando por algo que eu já não tenho mais.

Na minha mnochila, coisas de valor monetário ínfimo, mas de valor afetivo infinito. Levaram minha agenda, meu caderno (o 17°, quase terminando), meu caderno de esboços novo, dois estojos forrados com material fera, um DVD do Lost (que nem meu era), uma pasta cheia de documentação de cidadania italiana, meu passaporte brasileiro, as páginas originais de "Homenagem", o último Pieces, além de uns papéis com roteiros e rascunhos. Levaram a minha pasta portfolio, com vários blocos de papel bom, mais todas as páginasoriginais da "By The Souther Grace of God", minha primeira HQ em parceria com um autor estrangeiro, mais alguns rascunhos, e um desenho que a Poli fez pra mim.

Tudo isso foi levado, em sei lá, poucos minutos, por cara(s) que sabiam o que tavam fazendo e fizeram mesmo.

Claro, sorte minha, graças a Deus, não estava por perto, não fizeram nada comigo. Não levaram o carro, também, que de todas as coisas possíveis de serem levadas, só não valia mais do que minha vida em si.
Mas a sensação de invasão, de impotência, de violação... De ter coisas extremamentes queridas e importantes levadas embora por pessoas que com certeza não têm a manor noção do quanto valem, tanto monetariamente quanto sentimentalmente.

Sorte minha também, que tive ajuda de amigos queridos, mas muito queridos mesmo. Fran, Marcão, Vitor, Saul e meu irmão Lucas ficaram comigo até os policiais demorados aparecerem, até o guincho louco do Stevie fazer o balão e sumir, e até o guincho certo do tio firmeza chegar.
Depois, isso lá pelas 3 e tantas da manhã, num puta frio, fui com o Lucas fazer o BO no Taquaral, e lá pelas quase 5, chegamos em casa.
Quero deixar um obrigado extremamente carregado de carinho pra eles. Valeu pelo apoio.

Na hora eu nem sabia o que fazer. Nem pensava direito, só queria sentar e olhar pro nada. Não que isso tenha sido pelos bens materiais, pois como já disse, o sentimento que eu tinha depositado em tudo que tava lá era muito grande. Eu faço isso com as coisas, com as minhas coisas e principalmente meus objetos de trabalho. Afinal, eu sou artista, e qual artista não carrega seu trabalho de sentimento...?

Dormi, sonhei coisas nada a ver e fiquei hoje o dia todo como um zumbi idiota.

Mas tem boas notícias também.
Acaharam minha agenda, intacta, num ponto de ônibus da minha rua. Isso, bem na minha rua. Os viadinhos devem ter visto meu endereço lá e jogaram aqui. E teve alguém legal suficiente pra trazer.
Mais tarde, o porteiro do prédio ao lado me ligou falando que tinha achado a pasta com os documentos e o passaporte na rua, só que mais perto da esquina e tinha guardado pra mim. Intacta também.
Agradeço aos caras legais que acharam e me retornaram isso. Claro que os ladrões viram que não iam conseguir nada de valor com aquilo e descartaram, e isso acendeu uma esperança de talvez achar meu caderno, meu portfolio, meu estojo... Procurei pela rua mas não achei,. Colei cartazes falando o que eu tinha faltando ainda. Quem sabe alguém acha...
Pq, bom, insisto, nnenhum papel novo vai ter AQUELKES desenhos ou AQUELAS palavras, com TODO AQUELE sentimento. Lápis e guache novo dá pra comprar (vai sair caro repor, mas dá) agora desenhar tudo aquilo de novo, aí é outra história.
Ainda bem que eu tenho tudo escaneado, mas de qalquer forma, o ROUBO foi tanto material como psicológico.

E eu que não ia divagar demais...

(o céu muda de cores rapidamente, entre um suspiro vazio e outro. Teclo palavras que não fazem tanto jus ao nada presente. Azul, rosa, laranja, e logo, escuro de novo. Foi um dia que custou a passar, frio, com muito vento, do tipo que eu adoro, não fosse a experiência de ontem.)

Bom, sei lá, só precisava por isso pra fora. Não tenho mais caderno pra isso... Dá uma sensação estranha, e eu to sentindo tanto como uma chance pra recomeço como um baque seco e surdo. Um baque pra lembrar a gente de certas coisas.

Mas estou/ficarei bem, apesar disso.

Aí eu poderia me alongar e falar das sensações estranhas que eu andei tento, coisas do tipo estar traindo a mim mesmo.
Mas sabe... É estranho.

Parece que no final das contas, a gente não pode... melhorar... Certas evoluções são fáceis, e talvez por isso, não sejam evoluções. Eu acho que evoluí muito fpacil, e as pessoas sabem disso. Eu falei que era fácil. Mas tudo bem. A hora que eu abracei isso e decidi cair na dança... aí vem essas coisas.

Tava conversando com meu amigo Gui hoje, sobre iso. Falei, sem modéstia. oucom, sei lá, que as pessoas que mais se esforçam para serem boas, honestas, justas, direitas, são as que se ferram mais. Ele disse que, sim, é assim, porque senão, essas pessoas não seriam boas.
E faz sentido. Esse tipo de coisa, esse tipo de sofrimento como um formador de caráter.

Mas e as pessoas que mereceriam isso? Aquelas que fazem isso, será que eles tem também seus altos e baixos? Será que eles se importam com alguma coisa além deles mesmos e de sua sobrevivência idiota com contrabandos e drogas?

Eu lembro de dois casos, um com o próprio Marcão, outro com minha profesora, em que um grupo de caras bem vestidos, falando corretamente, educados, cultos, invadiram as casas deles e roubaram TUDO, de roupas a carros. Quem são esses meninos de classe média-alta, que se vestem bem e que vão assaltar casas alheias? Já não basta o que têm? Pra que roubar?

Não me venham falar que é um problema cultural ou social, pq a partir do momento em que boyzinhos estão limpando a casa de pessoas aleatórias, temos um grande problema.

A questão de se essas pessoas mereceriam sofriemtno ou não parece muito perturbadora pra mim. Pq eu não quero desejar o mal de ninfguém. Tem o Karma, que faria isso voltar. Mas e o que ele faz quando vc faz coisas boas? Nem sempre vem um retorno à altura.

Acho que meuita gente simplesmente perde o ânimo com isso. Tentar ser bom e tudo mais, e ver que não vale a pena, que não há recompensas, e simplesmente desistir e ser um lixo humando, pq aí pelo menos se sai ganhando um pouco...

Bom, como disse o sábio Vitão, "isso é história pra contar".
E é sim, só que eu imagino que vou contar com um pouco de amargura, que nem daquela vez do carro na casa da Juju.Às vezes a gente esquece que a vida é em ciclos, e que isso pode acontecer por um motivo maior que não se revelou ainda. Eu gosto de pensar assim, mas vivenciar a coisa, a parte ruim, é um saco. Semela a gente não seria nada. Mas viver ela é um saco.

Um brinde ao fracasso da humanidade, como já diria um dos meus personagens... Um brinde que eu não faço a muito tempo, pq acreditei não ser mais pertinente. Hoje, ele é.

Um comentário:

Mariana Guerra disse...

Eu ando me sentindo em você, em relação a isso.
Eu sei que você é forte e consegue superar!

Já sabe: eu estou a disposição!
Beijos