quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Arte-Final: Materiais e Técnicas, parte I





Olá, pessoal!

Vou dar início a uma série de posts sobre os materiais que uso na minha arte-final e algumas dicas sobre técnicas, conservação e até preços. É um pouco do que fiz em eventos como Maratona Devir e Rio Comicon... com o benefício de ter links!



Gostaria de ser purista a ponto de dizer que só uso pincel e nanquim na minha arte-final, mas não sou. Eu acabo usando, além dos pincéis, várias canetas. A maioria delas simula pincel de alguma forma, e eu vou diferenciar isso para vocês também.

Vou colocar nas explicações, links de lojas virtuais onde pode-se encontrar esses materiais (alguns deles, só importante mesmo. É uma pena, mas chegaremos lá em breve). Ou, se for material de fácil acesso aqui, pelo menosp ara ver como ele se parece.

Primeiramente, conceitos.

Arte-final é o nosso termo para "inking". O "inker", ou arte-finalista, é o cara que cobre o traço do desenhista com nanquim. Desenhista esse, que em Inglês é chamado de "penciller", ou o cara que faz o lápis. Geralmente, nos quadrinhos americanos, há uma equipe criativa, e nem sempre o penciller e o inker são a mesma pessoa.

Certos artistas, como Jim Lee, trabalham há anos com o mesmo arte-finalista, obtendo um resultado muito melhor. A sintonia entre os dois profissionais tem que ser muito boa, e precisa haver um respeito mútuo no estilo do traço.

Um bom arte-finalista deve, além de preservar e reforçar o traço do desenhista, colocar um pouco de si no trabalho. Poderia ser um processo meramente mecânico, mas umbom arte-finalista consegue enriquecer mais ainda o resultado final.

Eu praticamente nunca arte-finalizo desenhos de outros artistas. Uma feliz exceção foi quando fiz o nanquim do desenho do Wanderson de Souza, numa HQ da Nanquim Descartável que saiu na Café Espacial #6. Clicando aqui, você vê uma amostra das páginas.

Cada artista escolhe seu material. Nem sempre o pincel e nanquim é a combinação ideal. Existem canetas, bicos de pena, tablets e por aí vai. Eu mesmo ando me aventurando em arte-final digital, usando o programa Paint Tool SAI, e gosto muito do resultado. A primeira HQ da Pieces #3 foi arte-finalizada digitalmente (veja aqui) e vários trabalhos de ilustração em 2010 foram feitos com o mesmo programa.

Arte-final digital pode ser feita com vetores, brushes, bitmaps, enfim, várias formas. Como não sou expert nisso, só indico o Paint Tool SAI mesmo. Ele é ótimo para controle da pressão, a linha é sempre bem afiada (diferente do Photoshop, onde o máximo que consigo é uma linha meio esfumaçada que acaba mais grossa do que eu gostaria). Veja a comparação abaixo.

Teste no Paint Tool SAI, acima. Perceba que as linhas são muito mais afiadas, e as bordas não parecem em nenhum momento esfumaçadas.

Teste no Photoshop CS3. Vejam que a linha até começa bem fina, mas nunca termina fina de verdade, a não ser que você mal enconste a caneta na tablet. Olhando de perto, as bordas das linhas ficam um tanto borradas, e por mais que não apareça tanto num desenho de longe, de perto fica gritante.

No entanto, gosto é gosto, claro. Meu amigão Eduardo Ferigato destrói na arte-final digital com o PS, e não curtiu o Pain Tool. No traço dele, realmente, o PS fica muito bom.


Como eu disse, cada um ascolhe o material que mais lhe convém. Não quero que pensem que os materiais que vou citar aqui são necessários para um bom resultado. Tem gente que faz maravilhas com caneta BIC, e gente que se mata com pincéis caros sem um bom resultado. O importante é saber usar e cuidar do material, e saber quais resultados ele pode proporcionar. Não espere de um bico de pena um resultado igual ao de uma caneta 0.3.

Experimentar novos materiais é essencial, e isso engloba não só arte-final, mas lápis, borrachas, papéis, softwares...

No que diz respeito ao lápis, então, rola um certo menosprezo... Eu semrpe usei o lápis 2B da Faber-Catell. Aquele de corpo verde escuro, com filete dourado. Sempre me deu um resultado aceitável. Mas aí, com a faculdade de Artes, achei por bem começar a testar lápis mais caros. O grande problema, eu acho, é o PREÇO.

(aliás, abro um parêntese aqui para comentar isso. Preço é uma preocupação constante na compra de materiais artísticos. Infelizmente, quase tudo que é BOM é CARO. Você pode, por exemplo, comprar tinta à óleo da Gato Preto e ter ótimos resultados - eu usei na faculdade e nunca tive problemas - ou você pode usar uma tinta da Windor & Newton. E ter resultados ainda melhores. E duradouros.

Na hora de comprar material, se arrisque um pouco, gaste um pouco mais, mas teste coisas novas. Não é frescura, não é elitismo, não é propaganda. É fato. Um bom material sempre vai te garantir um resultado superior, e confiuar no material é importante.)

Mas, depois que eu percebi que comprando um lápis de 4 reais me trazia uma experiência muito melhor que o lápis de 1 real, eu mudei meus conceitos. Passei a preferir qualidade a preço baixo. E, no fundo, material sempre sai meio caro. A gente esquece de colocar essas coisas no valor final de um orçamento, por exemplo. Não se faz ilustração sem ter material. Não se tem material se não comprar material. É simples, mongo, mas verdade.

Enfim, sei que o assunto aqui é arte-final, mas quero compartilhar meu material completo. De novo, não quero dizer aqui que esse material É o top superfoda. É o material com o qual EU me sinto bem e trabalho bem, e que dá um resultado que me agrada. Se algum dia eu testar outro, e este novo me der resultados melhores, eu mudo na hora.

Bom, eu uso lápis da Staedler, série Lumograph. Uso o B, apesar de sempre ter usado o 2B da Faber. Essa gradação de maciez do lápis varia de marca em marca, e às vezes, dentro da prórpia marca.

Às vezes, uso lápis azul para fazer o esboço. Tenh uma lapisiera 0.7 onde uso grafite Blue da Pentel. Mas, vez ou outra, uso lápis de cor mesmo. Já testei Staedler, Koo-I-Noor, Faber, Prismacolor e por aí vai. Já testei o lápis azul não-reprodutível Primacolor Copy-Not (ele não sai no scanner nem xeroxes), mas achei muito duro e claro.

Minha obrracha favorita também é da Staedler, a Mars Plastic. É uma borracha plástica, mas macia. Consegue tirar bem o traço sem machucar o papel.

Uso, também, a popular Limpa-Tipos, ou cmo dizem por aí, kneaded eraser. A marca varia, e importa sim. Costumo usar da Koh-I-Noor, mas quando não tem, vou de Faber-Castell mesmo. O importante é ela ser macia, parecida com uma massinha, e não dura e esfarelenta. Uso essa borracha pra clarear o traço do lápis.

Quanto ao papel, uso da marca Canson. Gosto do bloco "Desenho", que tem uma textura mais granulada, e tem uma gramatura mais alta que o normal. Para aguadas e aquarelas, ele aguenta bem. O ruim é, na arte-final, ele segurar um pouco o pincel, e pela sua teztura, deformar um pouco as cerdas. Fiz a NÓS inteira nesse papel. Mas, principalmente, uso o bloco de "Lay-Out", com gramatura 120. É liso, então o pincel e as canetas deslizam melhor. Às vezes, uso o verso do papel, que é mais liso ainda.

Novamente, testar papéis e materiais para descobrir como você se sai melhor é a melhor escolha. Pode começar com lápis barato e sulfite, mas eventualmente, seu trabalho vai pedir mais qualidade e seriedade.

Bom, pessoal, por enquanto é só. No próximo post, falarei de canetas e brushpens. Aguardem!

Ah, e por favor, comentem, troquem ideias, mandem e-mails. É sempre legal ter feedback dessas coisas.

16 comentários:

Alex Souto disse...

Bacana demais suas dicas, Mário. Uso o Paint tool Sai pra fazer alguns desenhos, mas o MANGASTUDIO é perfeito pra artefinal. Depois faça o teste. Vou ficar acompanhando os posts.

Paulo Arthur disse...

uma verdadeira aula, Mário! fico aguardando os próximos =]

até agora só tenho me arriscado no photoshop e Corel Painter mas esse Paint tool SAI parece dar resultados melhores na arte final. Você também o usa pra colorir ou só para a arte final mesmo?

abraço!

carlos brandino disse...

Olá mario.
Gosto muito do papel opalina, com superficie lisa, mas por causa do preço ando usando mais o Layout. Pra desenhos lapiseira 0,5 com grafite azul e grafite hb. depois uso o 2b pra definir bem o lapis. Na arte final, vario entre pinceis, bico de penas tradicionais, e atualmente estou gostando muito detrabalhar com as canetas caligraficas (canetas recarregaveis com pontas igual a um bico de pena) onde tem agilizado e muito meus trabalhos.

Emerson Fialho disse...

Muito bacana, parabéns!
Abraço cordial.

Eric Ricardo disse...

Mário,
um dos melhores posts de seu blog! Gostei muito das dicas, pois me identifiquei com muito da sua experiência. Eu já estava pensando em experimentar o Paint Tool SAI, mas agora você me convenceu.
Parabéns e continue com seu belo trabalho!

tiffany disse...

incrivel! adoro quando artistas compartilham diquinhas :)
by the way tive o prazer de ter uma conversa de qualidade contigo na maratona devir :)

Ian Marlon disse...

Cara, como tá o mercado de arte final digital? Tá bem aceito? Ou ainda é visto com maus olhos?

Abração e parabéns!

Fernanda Fuscaldo disse...

Valeu pela dica do SAI, nem conhecia o programa, mas já virei usuária!!

Emerson Fialho disse...

Prezado amigo,

Fantástica a sua aula! Muito obrigado pelas dicas, pois é fundamental trocarmos ideias e nos ajudarmos de alguma forma. Também sou ilustrador em Recife e estou buscando meu espaço. No nordeste não temos tantas escolas de arte nem tão pouco faculdades que nos orientem de alguma forma. Todavia, sempre busco conhecimento com amigos e via Internet.

Parabéns pela sua iniciativa. Acredito que estarás ajudando novos talentos com suas preciosas dicas, amigo Mario.

Que Deus te abençoe e continue te proporcionando muita paz, saúde, sucesso e muita criatividade em sua carreira profissional.

Abraço cordial,

Emerson Fialho

Gilberto Queiroz disse...

Muito bom, Mario! Postagem excelente. E útil. Um amigo me instalou o Paint Tool SAI. Vou começar a experimentar.
Abraço,

Barão disse...

Olha que coencidência.

Dou aula na UNIP e, procurando exemplos sobre arte final com nanquím, encontrei seu blog.

Sempre acompanhei seu trabalho, mas não conhecia o blog. Muito bom!

Meus alunos viram as postagem e ficaram admirados com seus trabalhos.

Como a molecada de hoje sai mexendo direto no Photoshop sem se importar com a técnica, me preocupo muito em mostrar para eles como são as técnicas básicas.

Por este motivo, gostaria de saber se posso postar em meu blog um conteúdo direcionando para o seu ?

Assim deixaria de exemplo seus trabalhos para futuras aulas.

Parabéns pelos ótimos trabalhos!

Um abraço,

Giovani disse...

Muito boa a matéria! Existe alguma forma de soltar as caixas de ferramentas do sai deixando as flutuantes?

Shayla Thamara disse...

como posso colocar fundo transparente no meu paint tool sai ?

David Martins disse...

Cara, muito bom, já saiu o próximo? sou novo no blog. Abraços!

Osvaldo disse...

Nesta página você foi um dos poucos que entendeu minha língua... É sempre bom saber que existe brasileiros corteses que realmente tentam compartilhar conhecimento sobre essa arte pop. Muitas vezes pesquisei arte na web ou cursos de artes visuais, plásticas ou algo parecido e nunca achava páginas como esta. É estranho, penso.

Eu tinha dúvidas exatamente sobre MATERIAIS, os quais nunca tinha me interessado antes. Sempre treinei desenho artístico em papel sulfite A4 mesmo e quase sempre usei bic preta (hj já não me agrada tanto, mas tive bons resultados), e às vezes usava o verso de alguns daqueles papeis grandões usados por gráficas para fazer as propagandas e pôsteres de salão de beleza rsrsss.
A carreira de desenhista (artístico) era bem dura na minha época e claro, ninguém arriscou me incentivar. Não sei como está hoje (só sei que é uma loucura e q há muitas técnicas digitais). Hoje,m quando posso eu desenho mais pelo prazer de aprender e produzir mais alguma coisa.

Osvaldo disse...

Gosto de ouvir a ideia do "estilo do traço" e gostei mesmo desse artigo. Não é muito novo mas mesmo assim é interessante!

Dúvida 1: Não entendi o que quis dizer com "BORDAS ESFUMAÇADAS". Se possível gostaria de ver as amostras em maior resolução pra poder ver isto de perto e entender o que está querendo dizer.
Eu gostaria muito de fazer alguns testes para comprovar sua experiência, pois tb me preocupo com a qualidade e com o estilo do traço no desenho. O incômodo q você relatou ocorre nas versões mais recentes do PS, como o CS6?

Dúvida 2: Eu tenho o antigo photoshop 7 (já pode muita coisa e funcionou no Windows 8) e gostaria muito de saber (muuuito mesmo) se a pressão da caneta funciona legal no Photoshop 7 e se nele tb podemos fazer linhas afiadas (estou achando q não). Vi q nesta antiga versão a paleta da ferramenta pincel já possui recursos de predefinições do pincel (brush presets - o + básico), FORMA DA PONTA DO PINCEL, dinâmica de forma, controle da pressão da caneta etc). Como eu ainda não tenho caneta/tablet gráfica, não posso experimentar pra saber.

Dúvida 3: A instalação de um novo brush não resolveria a necessidade do pincel de linhas mais afiadas?

Mario, eu percebi o domínio que tem no estilo do traço (ink) e se possível gostaria muito de uma orientação básica sobre como chegar mais ou menos nisto aí (aceito dicas, tutoriais em português, vídeotutoriais, curso etc qq coisa). Já tive a paciência de baixar alguns videotutoriais que achei rapidamente na net, mas são tudo em inglês e não entendo direito sem legenda :-\

SUCESSO PARA VOCÊ! SEU TALENTO E ESFORÇO TEM QUE VALER A PENA!