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quarta-feira, 4 de março de 2015

Trasmuriliana: Poesia e Quadrinhos

O Museu de Arte Murilo Mendes comemora dez anos em 2015, e para celebrar o aniversário, convidou vários artistas de Juiz de Fora, cidade onde o museu se localiza e cidade-natal do poeta e escritor que o nomeia, e do Brasil todo para prestar homenagem a essa figura tão importante da nossa arte.

Eu fui um dos convidados, e nosso objetivo era contar, em apenas uma página de Quadrinhos, uma história que adaptasse ou fosse inspirada por um poema de Murilo Mendes. O poema escolhido foi "Amantes", e eu fiquei muito feliz, pois tem tudo a ver com a temática dos meus trabalhos autorais de HQ.

Abaixo, você confere minha página, e logo após, o poema em questão.



"Amantes - Murilo Mendes
Os dois amantes sentados num banco
Já se cansaram, nem se olham mais,
Esgotando os beijos e os abraços.
Pensaram um dia que o carinho fosse eterno:
Estão ligados somente pela falta de assunto
E pelo murmúrio das ondas
A luz da tarde é febril
É triste o final do amor."


Agradeço de coração ao convite feito pelo MAMM, e deixo meus parabéns a todos pelos trabalhos!


O MAMM fica em Juiz de Fora, e você pode saber mais sobre o museu e a exposição no site oficial.


Leia a matéria inteira no link, ou veja abaixo um trecho:

O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) inicia as celebrações dos seus dez anos de existência levando a obra do poeta e escritor juiz-forano para o universo das histórias em quadrinhos a partir do próximo dia 10, quando será aberta a exposição “Transmuriliana”, com trechos de obras do artista transpostas para a nona arte por meio de traços, cores e experimentações de 21 artistas locais e de vários pontos do país. A mostra, que fica no local até 10 de maio, também terá expostos os trechos originais acompanhados dos áudios gravados por dez artistas de Juiz de Fora.
Entre os quadrinistas convidados, há nomes locais como Carmina Usher, Lu Freesz, Paula Januzzi e Manzanna, e outros mais conhecidos no cenário das HQs nacionais: Mario Cau (melhor desenhista de 2014, segundo o Prêmio Angelo Agostini), Walter Pax e Gazy Andraus, que vai apresentar a palestra “A arte poética das histórias em quadrinhos” no dia da abertura. Segundo o curador da mostra, Thiago Berzoini, “Transmuriliana” é resultado da ideia de unir os quadrinhos ao trabalho do criador mineiro e deve-se à interface de sua obra com as artes em geral. “A própria obra literária tem esse diálogo: ela é muito visual, e ao convidarmos esses artistas temos a oportunidade dessa ‘transmidiação’ da obra dele através de várias plataformas. Podemos abrir o museu para esse diálogo, pois as histórias em quadrinhos foram marginalizadas e hoje são consideradas refinadas. Esperamos trazer um público também não tão ligado às artes e que descubra, pelos quadrinhos, o potencial do museu”, diz Thiago.
Para a exposição, Berzoini leu diversos títulos de Murilo Mendes, entre eles “Poliedros” e “Convergências”. Depois, foi selecionando os textos de acordo com os artistas e realizando os convites. “Os quadrinhos foram meu objeto de pesquisa, então conhecia o trabalho deles. Enviei as obras para leitura, e eles ficaram empolgados com o projeto. Acredito que houve um casamento entre os quadrinistas e o que foi sugerido a eles, que tiveram toda liberdade para adaptar”, conta. “Tem muita coisa bacana, com todo tipo de técnicas. Em ‘A bola de cristal’ (Guilherme Batista), a leitura do artista foi uma guerra nuclear, uma coisa inusitada. Quando li o poema não tive essa imagem. As ideias da guerra, da bomba, que vieram dele, foram muito fortes.”
Fio narrativo
“Transmuriliana” é dividida em quatro temas (masculino, feminino, natureza e mística) para, de acordo com Thiago, fazer um apanhado desses arquétipos em particular. “O público poderá perceber que essa seleção vai permitir uma ordem de leitura que vai ‘conversando’, formando uma narrativa, mesmo entre livros diferentes. Como em dois poemas que têm uma mulher com o mesmo nome, Berenice. É um fio narrativo e às vezes imagético da obra do Murilo.”
A programação em comemoração aos dez anos do Mamm não vão parar na mostra, adianta Thiago Berzoini. “Teremos outras exposições ao longo do ano, com outras abordagens. A próxima mostra está em fase de organização e será com obras já expostas anteriormente no museu, que tratem do trabalho do Murilo Mendes. Temos outras ideias ainda em planejamento”, diz o curador, adiantando que haverá um catálogo virtual de “Transmuriliana”, lançado posteriormente.

domingo, 20 de abril de 2008

Out of focus

"I am just a dreamer...




...and you are just a dream."

O Mar

"O mar te trouxe...
....e o mar te levou.

O mar te trazia...
...e o mar me levava.

De alguma forma, o mar sempre te trazia.

O mar...
...o mar te levou.

O mar não mais te trazia.


Então, o mar me levou...
...pra junto de você."



Esse é o roteiro pra "O Mar", Pieces novo, feito num surto de inspiração para a Front 100 anos da imigração japonesa. Logo, no meu site.
8- D

terça-feira, 15 de abril de 2008

Hoje choveu.

Um desejo antigo realizado, umas lágrimas derramadas, um pouco de poesia no vento frio, e algo novo vindo aí.









Hoje choveu.






(Thank you, Craig Thompson.)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Berço de cacos de vidro

Às vezes eu simplesmente preciso sumir daqui. Sair dessa toca heterogênea, com dois climas tão distintos e tão imbecis.

Sim, imbecis.

Ninguém está certo, ninguém deven ada a ninguém e ao mesmo tempo, deve a vida toda. A estafa bizarra e a estagnação mental e física que me tranca em certos momentos é equivalente a coisas guardadas na gaveta, mais uma vez, que só vai ser limpa daqui um tempo. Papéis velhos e inúteis são jogados fora. O que tem importância fica.

Também é um convite não-verbal, a porta está sempre aberta, e é por ela que eu saio, para sentir um ar diferente, para não poluir a visão, para não torcer e distorcer a percepção e a possibilidade das coisas. Entre me mover numa pintura estática e burra, e perambular por espaços maiores e mais aprazíveis, eu fico com a segunda opção.

Então, coloca-se à disposição mecanismos de tortura leve, em série, acomodados sob luz fluorescente. Não há moptivos reais, só o mesmo que já foi explanado, e mesmo assim, é refúgio. Um refúgio que faz bem por permitir o "não": o não-pensar.

A dor em troca da liberdade.

A liberdade em troca de paz.

A desenvoltura antes cultivada na dança insana das frases parece perdida enquanto momentos se desfazem em areia por opção. Opções não feitas, mas acontecidas, pois há tempos não há muita ligação entre o pensar e o agir.

Aliás, o sangue flui como numa prisão, de barras elásticas e maleáveis. Há um quarto escuro no interior, lá é onde as coisas deveriam acontece,r mas não o visito com frequência. Talvez o clima seja culpado, ou talvez seja um idiota por culpar outras coisas.

Mas a verdade é que sente-se demais e sabe-se de menos.

Vente gelado me banha após o clima ruim passar. Sinto quase frio, mas é melhor isso do que o ar parado, imundo, idiota. Deixa o ar se mover, esfriar, cortas os lábios fechados de propósito. As palavras têm melhor destino. As palavras têm destino.

As palavras são cacos de vidro, com suas concavidades viradas para baixo, em volta do meu berço. E piso no arredondado sem corte com cuidado para não qubrar mais, ou para que ele nao vire e corte meus pés, que ainda parecem de infantes e teimam em querer desbravar mundos diferentes o tempo todo.


Quando deito, tenho medo de sair.
Quando saio, tenho medo de entrar.
Um ou outro corte sempre acontecem.