segunda-feira, 30 de junho de 2008

Michael Turner

Caramba!
Ontem à noite, Michael Turner, um dos grandes nomes das HQs nos anos 90 e 2000, faleceu.

Ele vinha passando por problemas de saúde esses últimos tempo, e infelizmente agora ele faz parte do panteão dos artistas que já se foram, desenhando e criando em outro plano...

Lembro de ler nas Wizards, lá por 2001, 2002, quando ele estava se recuperando de um cirurgia monstro que tinha feito na pélvis, por causa de um tumor maligno, e como tava dando a volta por cima, animado e com seu mojo em alta pra voltar a desenhar.

E era um cara novo, no auge do pique.

Na verdade, o Turner nunca foi muito uma infuencia pra mim como artista. Eu lia a Witchblade dele, que foi seu primeiro trabalho de grande expressão. Li Fathom também, seu primeiro autoral, muito interessante. Apesar de sua estética mulher gostosa-exagero de detalhes-anatomia meio xoada-histórias meio sem sal, ele teve seu momento de glória, influenciou muita gente boa e abriu caminho para a renovação da arte das HQs nofinal dos anos 90.

É uma grande perda, e assimcomofiz nos primeiros posts com o Mike Wieringo, fica aqui minha hmenagem ao Mike.



Vai com Deus, meninão.

sábado, 28 de junho de 2008

Nanquim Descartável - Passo a Passo

Já que eu estou aqui, meio perdido em meio a umdomingo estranho, vou postar esse passo-a-passo. Aliás, não sei se o Daniel Esteves, autor da HQ Nanquim DEscartável, vai autorizar mostrar uma das páginas antes do lançamento, mas enfim, cá está!

(Daniel, se você preferir, eu tiro do ar, bro.)

Então, vou fazer a coisa bem sintética, pois apesar do dia ensolarado e belo que eu to perdendo lá fora, eu também não quero ficar escrevendo demais.

O primeiro passo vem com o roteiro, claro. O Daniel me enviou um argumento, que é o texto todo sem grandes detalhes, e depois o roteiro final com tudo já detalhado. É a partir desse roteiro que euvou desenvolver os esboços para as páginas. Depóis de estudar uns lay-outs no caderno de rascunho, pra decidir como vou compor a página, eu faço uma modelo em escala com a revista mesmo, pra não sair das proporções, e faço um rascunho rápido, com canetas, pra marcar as posições dos balões e dos personagens.


Depois de aprovados, esses estudos são passados num tamanho amior, geralmente algo em torno de um A3, e é desenhado a lápis, aí sim, preparado para receber uma arte-final.


Depois vem a parte que dámais trabalho, a arte-final. Eu, que sou meio maluco, adoro arte-finalizar com pincel e nanquim.



Eis que surge o resultado final, que é escaneado, tem os contrastes ajustados, e vai pro letreiramento. Como essa HQ é preto e branco, não tem colorização nenhuma, mas seria agora o momento de pintar.



Bom, é isso aí. Claro e sucinto, mas espero que sê pra entender um pouco do processo, que pra falar é fácil, mas pra fazer, dá umcerto trabalho...
Abraços!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Perder

Quando a gente passa mais de meia hora preparando um post, mesmo que com assuntos meio descartáveis, e quando vai postar, o perde, o que quer dizer?
Que não era pra você postar?
Dá pra crer tanto assim nas linhas tortas do Meninão?

Só pra arrebatar, um desenho inédito:


The Saddest Girl To Ever Hold a Martini
(que eu finalmente entendi, depois de um bom tempo)



Amanhã tem passo-a-passo de Nanquim Descartável, quem sabe...



...ouvindo Udora.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

10 anos da Pandora

Recebi esse texto do Amílcar pelo e-mail, em comemoração aos 10 aos da Pandora, completados ontem terça dia 24 de junho. Estou reproduzindo-o aqui como minha homenagem singela à Pandora, ao Amílcar e ao Ricardo, e a todo esse grande trajeto de conquistas que eles tiveram ao longo dosanos.

E aproveito pra registrar aqui, coisa que já falei antes a eles também: Eu me sinto muito orgulhoso de estar na Pandora hoje. Faço parte de uma equipe, de um time, uma família. Uma galera extremamente talentosa e especial, com estilos, traços, pensamrntos, linahs de ensino, tudo fantástico. E eu me sinto melhor quando trabalho em equipe, quando sei que faço aprte de algo especial, quando sei que os outros membros tambémsentes o mesmo a meu respeito.
Valeu Ricardo, valeu Amílcar, pela chance, pelo companheirismo, pela amizade.
Porque, de coração, eu me sinto em casa na Pandora. E me sinto entrea migos, e isso, pra mim, é o mais importante!

Numa quarta-feira, 24 de junho de 1998,
há exatamente 10 anos, nascia a Pandora.

Ela não nasceu nem onde nem como a conhecemos hoje. Em 10 anos, muitas coisas mudaram. Seu endereço, suas prateleiras, suas pranchetas, sua equipe. Até mesmo seu logo mudou. Porém, esse crescimento não aconteceu somente de forma física. Ela também cresceu moral, intelectual e filosoficamente, assim como uma criança que nasce e cresce, tanto por fora como por dentro.

A Pandora que um dia foi um sonho, depois um projeto e hoje uma realidade é fruto de muito amor, dedicação e crescimento profissional. Para nós, seus fundadores, é um grande orgulho saber que fizemos e fazemos parte da vida de tantas outras pessoas que passaram por ela nesses 10 anos.

É de muito orgulho ver sua batalha ao longo desses anos. Saber que acrescentamos valores nos conceitos de cursos livres de desenho na cidade e que hoje somos um referencial a ser seguido e imitado. É indescritível o prazer do dever cumprido, ao ver um aluno, alguém que nos depositou confiança, expor suas ilustrações, suas obras, seja no mercado profissional, ou simplesmente aos seus amigos, seus parentes, na sua sala de casa.

E hoje, no nosso aniversário de 10 anos, gostaríamos muito de agradecer a todos que "pincelaram" nessa nossa grande obra. De agradecer a Deus por todas as oportunidades que nos foram dadas, aos nossos pais que nos ensinaram a ter honestidade, perseverança e dedicação, sem os quais essas oportunidades seriam perdidas. Agradecemos as nossas esposas pela paciência e apoio incondicional, aos nossos amigos pelo suporte, a nossa equipe por acreditar na realização do sonho, aos nossos alunos pelo amor a arte e aos seus pais pela confiança depositada em nós para cuidarmos da educação do seu bem mais precioso.

Muito obrigado a todos.

Amilcar Mazzari & Ricardo Quintana

Fundadores da Pandora Escola de Desenho

A todos que quiserem entrar em contat ocom a Pandora, o telefone lá é 19 3305.4731
E o site é www.pandora.art.br

Abração!

domingo, 22 de junho de 2008

Lançamento da Front Especial 1 - Centenário da Imigração Japonesa

Salve, salve queridos!

Cá estou para falar um pouco do lançamento da Front mais recente... Foi muito bom!

Depois de amargurar longas horas no ônibus pra São Paulo, onde acabei desenhando compulsivamente na Marginal Tietê
, peguei o metrô e fui até a Casa do Artista. Deus do céu, aquilo é o Valhalla! Nunca tinha visto uma loja de materiais artísticos tão convidativa, cheia, variada, como essa. É minha segunda visita e eu já tinha vontade de levar a loja inteira pra casa.
Especialmente os marcadores da PrismaColor, naquele stand magnífico e caríssimo.

Mas o que importa é que, saindo de lá e descendo a Rua Augusta inteira, cheguei à famingerada e catártica Praça Roosevelt! Aliás, a Praça é tão legal, que tem uma rua com teatros, bares, lanchonetes, livrarias e lojas de objetos artísticos.
Além é claro, do querido HQ Mix, dos mais queridos ainda Gual e Dani.

Foi lá o lançamento do nosso novo filhote!

Logo chegando lá, encontrei o meu xará, o Mário (Mas que Mário?) César, bonequeiro e diagramador, além de sutil e competente carrasco da Front (ehehehe).
Pegar o filhotre no colo e ver a HQ lá, impressa, junt ocom todas as outras, depois daqueles meses de pensar, pesquisar, escrever,desenhar, mandar, darpedrada, votar... é uma sensação deliciosa. Acho que posso dizer que todos sentem isso, mesmo os que já tem muitos trabalhos por aí, tipo o Bira.

Única ressalva queeu faço, porém, é que todas as páginas estão levemente pixeladas, mas nada que impeça uma boa degustação do material.
E que material!!!

Logo foram chegando os outros amigos da lista. Muitos, eu já conhecia da Front Ódio e da Front Sonho, mas outras eram ainda inéditos, tipo os Alexs, o Wanderson, o Mario Mancuso e o Mauro Fodra. Todos grandes sujeitos, muito simpáticos. Aliás, essa idéia de lançar a revista éótima pra tirar nós, artistas e escritores, de nossos calabouços.

Creio que esse lançamentoe foi mais movimentado e variado que o da Sonho. Tinah muito mais pessoal de fora da lista, gente que foi ver mesmo o lançamento, comprar a Front porque curte HQs. Muito legal!

No final das contas, eu e o Bira, dois campineiros sem automóvel em Sampa, voltamos bem cedo pra poder pegar o busão de volta à terrinha. Mário Mancuso, deu uma carona firmeza pra gente e lá fomos, eu e Bira, trocando altas idéias de música, viagens, HQs, Arte e tudo mais, de Sampa a Campinas.

Queria agradecer de coração a todo o pessoal da Frontr, mesmo o pessoal que não apareceu lá, mesmo o pessoal que não entrou na edição final, mas que participu, falou, opinou e etcs necessários. A Front é um projeto maravilhoso que cresce a cada edição, e já se consolidou há tempos como uma das melhores (senão a melhor) publicação mix deHQ nacional.

Não só espero, como irei continuar no grupo por muito mais tempo. Fazer HQ no Brasil é algo difícil, mas que ultimamente vem se tornando cada vez mais possível. Os caras do 4º Mundo tão aí pra provar isso, por exemplo. E é com ajuda e apoio de tantos grandes profissionais, que eu também continuo na luta.

Valeu mesmo!

Agora umas fotos, gentilmente roubadas do Blog do Mario, e cedidas pelo Alex Moletta.


Os convites Tsuru, dobrados um a um pelo Nick Farewell!

HQ Mix lotado!

Alex Moletta, eu (com camiseta da Itália no lançamento da Front Japão! ¬¬), Mários (Mas que Mário?) e Nick Farewell.

Galera autografando os álbuns. Entre eu e o Mário, o grande Sidniei Akyioshi, que autografava em japonês mesmo!

Mais da gente autografando. Destaque pra minha pancinha simpática... à minha esquerda, Freitas, que também vai pra San Diego, e à minah direita o grande Mauro Fodra!

Jozz e Freitas, e no meinho, o meu outro xará, Mario Mancuso.



Mais dos mesmos...

Galerona e o cumprimento iminente de Freitas e Bira! Atrás do braço do Freitas, a Cris Chinchila e seu cabelo rosa!

Na frente, Daniel Esteves, roteirista da Nanquim Descartável, projeto dele que vai ter umas páginas minhas na segunda edição.





E também o fato hilário, descrito pelo Marião:

"E ainda houve algo inusitado: no mesmo dia e praticamente no mesmo horário, bem em frente à livraria HQ Mix, houve um desfile da famigerada grife Daspu que literalmente foi de parar o trânsito! Só soubemos da coincidência na sexta-feira, e, por conta do desfile, a rua estava abarrotada e com uma cobertura de peso da imprensa. Simplesmente impagável!"


Fotos da Daspu pelo Guilherme Luigi.

Isso aí, galera.
Abraço a todos e keep on rockin´!!!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Obras em Domínio Público

Admitido o roubo direto do Uarevaa!, mas o post é muito pertinente e eu não to com saco pra reescrever. Pega ae!

Momento Uarévaa

Pois é pessoal, venho por meio deste espaço nesse blog divulgar uma notícia que recebi por e-mail e não gostei nem um pouco de saber...Muita gente não sabe usar a ferramenta internet como forma de aprendizado e sim uma ferramenta para futilidades e imbecilidades. Por exemplo sites pornôs, jogos on line, MDM..(ahuahuahua sacanagem esse último, mas não agüentei a oportunidade da piada...MDM RULES!!) o fato é que está para ser desativado um site de utilidade pública, trata-se de uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos.
Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:
· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia;
· ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· e muito mais....

Esse lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:

http://www.dominiopublico.gov.br/

Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura. Divulgue para o máximo de pessoas!

Bom, fiquem ai com a consciência de mostrar para amigos, inimigos, colegas, periguets e todo mundo pra tentarmos salvar umas das poucas páginas com conteúdo nessa rede nacional...pára de Ler Uarévaa, ver bundas e jogar vídeo-game...se coce!

Duende Amarelo.
4 comentários Links para esta postagem


Valeu, Uarevaa!!


segunda-feira, 16 de junho de 2008

Jam Session!

O Flávio Almeida, cartunista de mão cheia, criou um blog que segue o mesmo molde do TNTema: Um tema, vários artistas, e muita farra.
Esse é mais voltado pro humor, e eu quis participar pra manter viva minha veia do humor, mesmo que seja o humor mais cinza ou melancólico (como das Crônicas do Passarinho Triste, por ex.)

O próximo tema é Telefone Celular, e já encaminhei minha contribuição.
Não deixem de conferir!

sábado, 14 de junho de 2008

Deixa eu inflar o ego um pouco?


Então, o grande Eloyr publicou no site Bigorna uma nota sobre a publicação da Layer Zero #2!
Além disso, logo na entrada do site, uma chamada que enche a bola!



A matéria você pode ler aqui, ó.
Além disso, há menção à minha querida Mariana, roteirista da HQ que saiu na LZ2. Link pro blog dela e tudo! (Aliás, em breve, quemsabe, uma parceria nova, pra Café Espacial 3 ou pra Front?)



Também logo na entrada do Bigorna essa semana tem uma chamada para o lançamento da Front, com um preview da Imigração Japonesa. Nesse preview, tem só 4 páginas. E eu acho que faço minhas as palavras do Will, dono da arte de uma das páginas, quando digo que me sinto honradíssimo em dividir esse preview com o mestre nacional das HQs Julio Shimamoto e com a arte da saudosa Conceição Cahú.

Tamos crescendo, galera.
Valeu a todo mundo que me apóia, de coração.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Convite para o lançamento da Front Imigração Japonesa!





Via Lettera e HQ Mix Livraria honoravelmente convidam você para o

Lançamento e autógrafo da
Front Especial 1 - Centenário da Imigração Japonesa
Dia 20/06
a partir das 20h
na Livraria HQ Mix
Praça Roosevelt, 142
Centro - São Paulo - SP

A Front é uma antologia que reúne quadrinhos, contos e ilustrações publicada pela Editora Via Lettera. Em sua trajetória, já conquistou os prêmios: HQ Mix 2001 (Revista Mix, Projeto Editorial, Desenhista Revelação - Samuel Casal); HQ Mix 2002 (Revista Mix, Projeto Editorial, Desenhista Revelação - André Kitagawa); HQ Mix 2003 (Revista Mix, Projeto Gráfico; Desenhista Nacional - Samuel Casal, Desenhista Revelação - Bueno); HQ Mix 2006 (Revista Mix, Roteirista Revelação - Daniel Esteves).

A cada edição um novo tema é abordado por autores de correntes e até gerações distintas. Desta vez, nossos colaboradores, muito bem acompanhados do consagrado mestre Júlio Shimamoto, prestam uma singela homenagem aos imigrantes japoneses que há cem anos ancoraram no porto de Santos com o navio Kasato Maru. Imigrantes que trouxeram consigo uma riquíssima bagagem cultural e mudaram significamente a história do Brasil.

Colaboradores desta edição: Júlio Shimamoto, Alberto Pessoa, Alex Moletta, André Freitas, André Leal, Bira Dantas, Caio Majado, Conceição Cahu, Cris Chinchila, Daniel Esteves, Iuri Casaes, Jozz, Júlio Brilha, Leandro Malósi Dóro, Leandro Moraes, Leonardo Santana, Marcelo Garcia, Mário Cau, Mário César, Mário Mancuso, Maurílio DNA, Mauro Fodra, Minêu, Nick Farewell, Ricardo S. Tayra, Sidnei Akiyoshi, Túlio Carapiá, Wanderson de Souza, Will, Xalberto.

Tese da USP mostra que quadrinhos estimulam crianças a ler.

Matéria enviada pra mim pelo Amilcar, grande parceiro e chefinho da Pandora!
Retirada do Blog dos Quadrinhos, do Paulo Ramos.

Há um conjunto de rótulos pejorativos sobre os quadrinhos, a maioria herdada de décadas anteriores. Um deles bate na jocosa tecla de que "quadrinhos são coisa de criança".

Uma tese de doutorado da USP (Universidade de São Paulo) pôs a expressão à prova.

E mostrou que ela é verdadeira, sim. Mas não no sentido depreciativo.

A pesquisa chegou a basicamente duas conclusões: 1) quadrinhos estimulam as crianças a ler; 2) esse estímulo fomenta a migração para outras formas de leitura, como os livros.

A tese foi defendida -e aprovada- há pouco mais de um mês na ECA (Escola de Comunicações e Artes) da universidade.

A autoria é da paulistana Valéria Aparecida Bari, de 42 anos.

(É ético de minha parte registrar que integrei a banca de doutorado).

As conclusões foram possíveis por meio de entrevistas feitas com alunos da própria USP que tinham o hábito de ler quadrinhos. O levantamento foi feito entre 2001 e 2007.

A pesquisadora confrontou os resultados com a realidade observada na Espanha, onde fez parte do estudo.

O objetivo da viagem ao país europeu era perceber se a realidade brasileira é válida também em outro universo de leitores. Conclui que é.

E que a Espanha já desenvolve projetos de leitura com quadrinhos.

Nesta entrevista, feita por e-mail, Valéria Bari detalha um pouco mais sobre a tese, intitulada "O Potencial das Histórias em Quadrinhos na Formação de Leitores: Busca de um Contraponto entre os Panoramas Culturais Brasileiro e Europeu".

Para ela, a leitura de quadrinhos deve ser estimulada não só nas escolas, mas também pelos pais, dentro de casa, e nas bibliotecas públicas.

***

Blog - Por que, no seu entender, sempre circulou um discurso contrário à idéia de que quadrinhos estimulam a leitura?

Valéria Bari - Como a posse da informação sempre representou uma forma de poder socialmente constituído, naturalmente é desinteressante para os detentores dessa informação que ela transite livremente. Como a linguagem dos quadrinhos sempre foi representativa na leitura infantil e das camadas populares, sua validade cultural é questionada por aqueles que preferem privilegiar linguagens, discursos e obras inacessíveis.

Blog - Os pais, então, devem estimular a leitura dos quadrinhos?

Valéria - Se o interesse dos pais é a criação de filhos inteligentes e curiosos, que saberão buscar informações e conhecimentos com autonomia e competência, que terão habilidades para ler, escrever e se comunicar por meio de diversas outras linguagens, inclusive as digitais, é ótimo que disponibilizem histórias em quadrinhos para a leitura de seus filhos no lar. Permitam também que seus filhos pratiquem escambo com suas revistas em quadrinhos, para que conheçam outros amigos que gostam de ler e compartilhem o que estão aprendendo. Respeitem as coleções pessoais dos seus filhos, que são tão importantes para eles quanto os livros e papéis completamente insossos que nós adultos adoramos acumular e dar tanta importância. Uma criança adquire o gosto pela leitura em um ambiente no qual sua infância é respeitada, os seus gostos pessoais são respeitados e as atitudes dos adultos que o rodeiam denotem que a leitura é fonte de prazer e alegria.

Blog - O governo federal distribui quadrinhos às escolas do ensino fundamental desde 2006. Como você analisa esse programa [chamado PNBE, Programa Nacional Biblioteca na Escola]?

Valéria - O programa, assim como o elenco de políticas públicas que visam incentivar o gosto pela leitura e a formação do leitor, esbarra em uma limitação muito importante: a falta do acompanhamento do uso que o material disponibilizado recebe. Assim, as histórias em quadrinhos disponibilizadas recentemente aos estudantes, assim como outras amostras de leitura infanto-juvenil, não estão alcançando toda a sua potencialidade na formação do leitor. É necessário que as políticas públicas contemplem a formação dos professores, a inserção da leitura como atividade-fim nas grades curriculares, a formação natural de espaços de leitura dentro e fora dos espaços escolares.

Blog - Como os quadrinhos deveriam ser tratados pelo governo?

Valéria - Os quadrinhos deveriam ser tratados como um material bibliográfico relevante à formação dos leitores. Atualmente, as bibliotecas públicas estão desenvolvendo acervos de histórias em quadrinhos, pois esta nova forma de ver as histórias em quadrinhos já está ocorrendo. Porém, mais e mais crianças e jovens que são egressos de famílias completamente iletradas estão sendo escolarizados, o que significa que toda a sociedade tem de fazer esforços redobrados, para que a formação desses novos leitores não fique perdida pelo caminho. A mobilização da sociedade sobre a questão da leitura é essencial para o êxito da escolarização universalizada, e as histórias em quadrinhos certamente têm muito a contribuir para a evolução desse preocupante quadro social.

Blog - E qual o papel das bibliotecas – escolares ou não – nesse processo?

Valéria - As bibliotecas públicas e escolares, por sua proximidade social com os leitores novatos, também têm o papel de atuar no desenvolvimento do gosto pela leitura. Ocorre que, apesar da recente melhora na qualidade e quantidade dos acervos, este papel ainda não está sendo desempenhado como deveria. Para tal desempenho, é necessária uma mudança de mentalidade e uma disposição dos profissionais envolvidos em assumir esta nova responsabilidade.

Blog - Sua tese comparou a realidade brasileira com a espanhola? Quais as diferenças e o que há em comum?

Valéria - Para compreender melhor o problema da leitura no Brasil, fiz uma viagem de estudos à Espanha. Entre espanhóis e brasileiros, existem muitas coisas em comum, quando se trata do letramento e da formação do leitor. Em ambos os casos, a cultura das famílias não enfatizava a leitura doméstica até datas recentes, assim como o nível de escolarização era heterogêneo. A principal diferença entre os dois povos está na inovação rápida das políticas públicas e na mentalidade dos profissionais, no caso espanhol, que estão aplicando exemplarmente o potencial dos quadrinhos. Porém, o Brasil tem a possibilidade de difundir o gosto pela leitura por toda a sociedade, apesar das severas restrições orçamentárias, caso invista criteriosamente na formação de seus profissionais e na disponibilização de acervos estrategicamente desenvolvidos, sempre com a presença das histórias em quadrinhos.

Blog - Qual o papel dos quadrinhos na formação das pessoas?

Valéria - As necessidades individuais não se restringem à alimentação e o abrigo. O ser humano chega a um estado social de dignidade se lhe é dado o direito de sonhar, de se alegrar, de compartilhar suas experiências e fantasias com outras pessoas e ser compreendido. As histórias em quadrinhos estabelecem uma relação leitora que, além da natural carga de informação do texto escrito, investe muito no onírico, no sonho, de forma individual e social. Pela leveza e articulação da linguagem dos quadrinhos, a sua leitura é relaxante, mesmo quando os temas e enredos abordados são mais sérios e pertencem à temáticas adultas. A leitura em quadrinhos é naturalmente atrativa e, além de preparar o cérebro para apropriar toda a natureza de linguagens complexas, ajuda a enfatizar a imaginação e fomentar os sonhos, o que é importantíssimo para todas as pessoas, sejam crianças ou adultos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

White Ninja

Uma das melhores descobertas de 2008: White Ninja.
Acho que nunca li uma tirinha tão... ruim.

E ela é genial por são tão tosca. Os desenhos são péssimos, mas maravilhosamente ingênuos e divertidos.

O personagem principal é um imbecil, um energúmeno, mas um exemplar da pura monguice, aquela suave e bonita, uma loucura simples e suave.

Aliás, acho que o criado deve ser assim também.
Só sendo muito pirado pra fazer essas coisas.



E eu adoro e leio todo dia.


(Isso me lembra que preciso fazer em breve o post retrospectiva do primeiro semestre de 2008. Tem muita coisa legal que apareceu.)

Aaaaarrgh!

Não sei como descrever a frustração de perceber que seu pincel super-caro da Windsor&Newton, recém estreado, já aparenta começar a espanar.

Ponta dupla, cerdas que ficam tortas, e o clássico acúmulo gradual de nanquim na base.

Cacete.


>.<



Claro que é exagero, e ainda vai ser muito usado, mas dá muita raiva mesmo assim.


Deixe estar.
Em San Diego eu compro mais um.
8- D

segunda-feira, 9 de junho de 2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Ma óia só issaí, véi...

Estava eu fuçando na internet em busca de novas notícias do mundo nerd. Aí o MdM solta um trailer do filme "Propcurado" (baseado na HQ Wanted, de Mark Millar e JG Jones, só que baseada só de brincadeira, pq o filme, diz-se, ta beeeem diferente...). Não tinha visto nenhum trailer deles, e fui ver. Começa com um rapaz dando um search no Google pelo nome dele. E não retorna nada, nenhum resultado.

E o postador (não lembro, mas acho que era o Hell) comentou que realmente é foda buscar seu nome no Google e não achar nada.

Lembrei que muita gente já me achou pelo Google e fui brincar disso.
Cara, tem MUITO resultado.

Mas o que mais me chamou atenção foi um site de RPG, onde eu vi meu email antigo, da Zipmail, e meu nome, em meio a de outros ilustradores...

Quando fui checar, era um PDF com a lista dos ilustradores do RPG Legião. E lembrei que, há milênios, nos primórdios da net discada e do ICQ (também tinham meu UIN lá para contato... que eu lembro de cabeça até hj, mas não uso mais meu querido ICQ...), um cara me achou pelo meu velho site no HPG (porcasso, mas meu), e me convidou pra fazer umas ilustras pro jogo de RPG que ele tava desenvolvendo.

O lance era que não ia rolar grana MESMO (como sempre), mas ia divulgar. E eu, no auge dos meus 16 anos, claro que fiz. E até que ficaram legais. Fiz duas. E mandei, e nunca mais depois disso soube que fim levou esse tal RPG.

O tempo passou, tirei essas ilustras do meu portfolio, a Zipmail faliu ou sei lá, e eu troquei ICQ por MSN.

E aí eu acho o bendito livro essa semana!

Claro que tive que ser meio ninja, pois o site dos caras tem uma navegação meio bizarra, e pra baixar o livro em PDF, tem que se cadastrar. Mas achei. E o RPG Legião, esse aí que tem duas ilustras minhas, é muito bem comentado pelos membros dos fóruns de lá. Coisa boa mesmo!

Baixei o livro e vi minhas ilustras nas páginas, anos e anos depois. Ficou legal! Não que eu vá colocar isso em portfolio de novo, afinal, faz tempo e eu tenho trabalhos mais fera que esses pra mostrar, mas é legal ver a coisa concretizada, finalizada. O ciclo completo.

Legal pq há anos eu achava que isso estava perdido e que nunca mais ia ver esse livro. Ou, numa coisa um pouco mais pessimista, que iam publicar de verdade o livro e iam ganhar $$ com ajuda de desenho meu. Bom, não foi o caso, ainda bem...

Lembrei daquele post antiguinho sobre o concurso de desenho da Editora Vardi, que inclusive, o próprio Daniel Vardi comentou, valeu cara!!

De qualquer forma, se você quiser, esse é o link pro site deles, e pra baixar o livro virtual, tem que se cadastrar e tals. Não que valha tanto a pena, mas achei divertido mesmo, esse revisitar de passado, provido pelo onisciente Google.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Monte sua Banda!

OK, admito que fui muito sacana e copiei o post abaixo inteiro de um blog aleatório que achei (tenho mania agora de abrir blog aleatórios e ver quais me chamam atenção)
O endereço do original é o http://sucodecoxinha.wordpress.com/.

Taí o post.

Vocês já devem ter visto por aí nos blogs um meme legalzinho em que você monta a capa do seu disco seguindo as regras abaixo:

1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.

Aí ela fez, e o resultado foi divertido.
Título bacana de banda, título bacana de CD, e uma foto da Margarida!
auhauhauha
Depois ela deu reload e veio um semi-cowboy ridículo.

Ok, claro que fui fazer.

Afinal ,distração é sempre bem-vinda, e caramba, eu já perdi umas 2 horas a toa nessa droga de computador, mais 10 antes de cair na prancheta não matam ninguém.
Segue:

I. Nome da banda:
Shahrekord Airport


uhauhahauhauhauha
Não faço idéia de onde é isso, mas é um nome legal pra banda.

II. Nome do disco:
"have a common enemy."
"Tenham um inimigo em comum", mais ou menos isso.

Achei DUCARALHO.

Que saiu da frase:

The reason grandparents and grandchildren get along so well is that they have a common enemy.
[info][add][mail]
Sam Levenson (1911 - 1980)
"A razão pelas quais avós e netos se dão tão bem é por terem um inimigo em comum"
Sam Leveson

Bem legal tbm, mas prefiro o sentido que ela dá só com as 4 palavras, como um imperativo.


III. Ok, agora a capa do disco.
Achei bem interessante tbm.
Olha aí.


Como eu não sou cuzão, o link da pagina dessa foto é esse.
Direitos autorais existem pra serem respeitados.


Depois...


Eu TIVE que abrir o Photoshop de novo.





Sente o rock, véi!!!
Yeaaaaahhhhh!!!!



Faça você também, auhauhauha

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Alma à deriva

Ante o iminente começo de mais um ciclo solar, que emendado a outros subsequentes se tornará um ciclo de um quarto de um terço de estação, ou quem sabe, até um ciclo lunar, respiro desprovido de grandes urgências.

Ainda que eu olhe para a frente analisando virtualmente as planilhas que me afligem e me arrancam energias e mojos, a sensação de somente saborear o que cada momento preserva e reserva prevalece.

Vêm a vontade - ou a necessidade - de respirar sem precisar queimar neurônios com os processos neuronais de quenaod vou inspirar de novo, se pode ou não pode. Exatamente agora, conto os minutos para segurar e soltar sabe-se lá quando.

Não é uma ode ao ócio, aliás, não sou tão favorável a ele assim, como fica óbvio - ou nem tanto - pelo ostracismo esquisito que assola uma alma à deriva. É uma ode ao bom momento, aquele em que o personagem não precisa esperar, e é vivido, ou no mínimo, pensado.

Ou seria aquele em que o ator descansa dos papeís? DE papel em papel, em todos os sentidos da bússola, tenho vagas ocupadas, favos possuídos e um pouco mais de altismo construído.

ABrindo os parênteses imaginários, tornados possíveis pelas batidas concisas mas desprovidas de chamas, adiciono que nesse momento, há que se parar mais cedo, em prol de algo que não foi tão bom quanto achei que fosse, mas já que foi iniciado, melhor terminar do melhor jeito. Falo disso depois.

E com as palavras estranhas e as frases interpoladas, simulando uma mequetrefe elegância, perco a direção do que realmente era pertinente, o pouco que ainda é. E cai a dúvida, talvez seja melhor assim. Pois esse presente tipo de fanfarronice já costumou causar distúrbios anteriormente, mas como vosso anfitrião nunca parece conformar-se, segue fazendo-o de vezes em vezes.

De fato, conformar-me não é opção. Não há tanto espaço assim, mesmo no espaço imenso e virtual que da conexão banda-larga provém.

Ouvindo metaforicamente a música que passa um clima, mas fala de outro, e que me empolga todo dia de manhã.
" The pages in a book and pictures on a screen
We make ourselves like clay from someone else's dream."

Usem essa dica e descubram qual música é, ouçam e divirtam-se!


Aproveito o tempo micro-livre e a falta de tempo para raciocínio e aperto "publicar postagem" de uma vez, tanto faz.

Vejo vocês em breve com coisas mais contundentes.