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terça-feira, 19 de maio de 2020

COMMISSION LIST 2020

Oi, pessoal! Tudo bem por aí?
É com muita empolgação que anuncio que está aberta a minha Commission List de 2020!

OK, mas o que é isso?

Commissions são artes originais, produzidas sob encomenda pelo leitor/cliente, ilustrando o(s) personagem(ns) escolhidos - vale qualquer um: personagens meus, do cliente, de editoras, games, séries, filmes... 

Farei três opções de arte: colorida, em preto e branco e em tons de cinza. Os valores são referentes às artes produzidas em formato A4 (21x29cm), em papel especial (Bristol opaline 180g) e finalizadas em nanquim e marcadores (aquelas canetinha lindas). O envio será feito pelos correios em envelope protegido.

Não tem limite de artes por pessoa, nem limites na lista. Enquanto a quarentena durar, vou produzir commissions. Para garantir o seu, siga as instruções abaixo: 

Acesse MEU SITE (ou leia abaixo) para ver os valores e opções de acabamento,assim como uma galeria de exemplos de commissions já feitas. Então, vá à MINHA LOJA para fazer seu pedido. É possível parcelar o valor, pagar pelo PagSeguro, Mercado Pago e PayPal. Para compras acima de R$ 200, o frete é GRÁTIS!

Se preferir conversar comigo para ver a disponibilidade de outros formatos e acabamentos ou tirar dúvidas, é só mandar um e-mail (veja abaixo)




Lembrando: você não compra uma arte já pronta, você encomenda uma! É isso, eu desenho o SEU personagem favorito e essa arte é inteirinha sua! ;)



Exemplo de Commission em Preto e Branco

Exemplo de Commission em Cores

Exemplo de Commission em Tons de Cinza

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Crônicas da Vida de Ilustrador

Então, mais um causo da divertida série "Vida de Ilustrador".

O ilustrador recebe um pedido de orçamento, de uma ótima agência, para retomar um projeto que já fizeram juntos para um cliente massivo. São mais algumas ilustrações na mesma linha, para um produto novo.

"Claro que sim", afinal, mantemos o traço, a identidade visual da coisa. E estou disponível, na medida do possível, para fazer umas 4 ou 5 ilustrações.

O ilustrador deveria cobrar, segundo o orçamento anterior, um preço equivalente mas com a correção blablablá, que daria X. Para ser "parceiro", ele vai e cobra um pouco menos que isso. A agência/cliente choram, e o ilustrador, entre o "perder o trabalho e o $" e "fazer, mas ganhar um pouco menos", opta por baixar o preço mais um pouco, tornando o valor por ilustração MENOR do que foi cobrado dois anos atrás. O que, convenhamos, é absurdo. Mas todos topam, e o trabalho é feito.

Feito, claro, num prazo curtíssimo, como sempre. Entendam, padawaans, que geralmente é assim: o prazo é curto, o dinheiro é pouco, e a exigência de qualidade é alta. Uma vez entregue o trabalho, há um vácuo enorme de informações e feedbacks. Pode passar um mês sem que você saiba se seu trabalho foi aprovado e se seu pagamento virá. Nesse tempo, claro, você evita começar novos projetos pois a qualquer momento eles podem voltar com alguma correção ou coisas do tipo.

Cumpre-se a profecia, passa-se mais de um mês, e quando finalmente cobro da agência um feedback, avisam que o cliente ainda não o deu, mas mesmo assim já vão encaminhar dados para emissão de nota fiscal. É, eu amito NF, malandrinhos. Tive que abrir uma empresa (MEI) para poder emitir umas 3 ou 4 notas por ano pra alguns clientes que a exigem. Me adequei.

(Não vou nem comentar que pode ou não ter havido uma pergunta sobre o meu orçamento "incluir BV", meses depois do orçamento ter sido feito; e que eu posso ter respondido que não, claro que não, nunca incluo - sempre ouvi dizer do quanto isso é sem propósito, afinal. Opa, comentei.)

As informações da NF são do cliente e não da agência. Passam mais semanas, projetos vão e vem, e de repente recebo ligações do cliente pedindo boleto, que eu não posso emitir. Então, serviria um comprovante de que a conta que informei é mesmo minha (!). E isso com a "ameaça" (aspas porque não foi em tom de de ameaça de forma alguma, a moça foi muito simpática, mas querendo ou não, é quase isso) de que se eu não mandasse até dia X, eu não receberia - e deu a entender que não receberia NUNCA MAIS. Resolvi o pepino.

No dia seguinte pela manhã, um email me informa de que o pagamento voltou pois o CNPJ parecia incorreto. Informo que a conta não é PJ, e sim PF. Então me avisam que não podem pagar uma PJ por conta de PF. "Mas eu nunca tive conta PJ, nunca informei que tinha. Sempre recebi corretamente por essa conta..."

Cai a ficha de duas coisas. 1) No último trabalho para esse cliente, a nota foi emitida para eles e o ilustrador heróis teve o mesmo problema, resolvido com dores de cabeça e complicações. 2) Talvez aquele BV que a agência queria era pra cuidar disso, emitindo eles a NF e me pagando depois. E o ilustrador pensa: POR QUE NINGUÉM ME PERGUNTA OU AVISA ANTES? Olha, eu sou um ser humano muito solícito e amigável, muito mais maleável do que o mundo e a maioria das pessoas chegam a merecer. E ainda assim, essas coisas acontecem.

A resolução está acontecendo enquanto escrevo.

Não citei nomes pois isso é enti-ético e espero que ninguém se ofenda com esse meu texto (eu sei que quase ninguém mais lê blogs, mas vai saber). A verdade é que, nesse mundo de freelances, o ilustrador, no caso, é sempre o que mais se ferra. Lida com prazos ridículos, é mal pago quase em todas as vezes, se desdobra para conseguir resolver tudo, visando o dinheiro que paga as contas (o mundo, que trabalha em horário comercial,  não te dá moleza só porque você é freelancer), e no final do processo, tem que esperar dois meses para receber, encarar esses pepinos de sempre, e depois ficar mais uma vez à deriva, até o próximo pedido de orçamento (desses, boa parte nem sequer dá resposta).

Mais um desabafo em forma de episódio das suntuosas Crônicas da Vida de Ilustrador. Até o próximo freela, padawaans! Não se rendam ao lado negro da Força.







terça-feira, 21 de maio de 2013

Mergulho e mantra

Venho percebendo cada vez mais que prefiro me dedicar a projetos de longo fôlego do que a múltiplos projetos curtos. Ou mesmo projetos longos, mas picados em fôlegos curtos.

Imagine que cada trabalho é um processo, com começo, meio e fim. Esse processo, quando tem foco dividido com outras coisas, acaba se diluindo e perdendo o ritmo.

E lá vem minhas analogias de novo:

Vejo o desenho como uma experiência rica, de imersão em uma linguagem não-falada, não-escrita. É quase como nadar. E meditar, ao mesmo tempo. Exige uma entrada, onde o artista se prepara, e mergulha. às vezes, mergulha de cabeça, às vezes, entra aos poucos, se acostumando com a temperatura da água.

Mas o fato é que, uma vez lá dentro, é preciso continuar nadando, senão você afunda. Essa coisa de manter o movimento, manter o foco naquela atividade, pode chegar ao ponto de virar um tipo de mantra, um tipo de meditação. Tudo se perde em volta, tudo perde o significado e resta apensas o desenhar.

Às vezes, minha respiração desacelera, e perco a noção do tempo totalmente. E sabe de uma coisa? Eu amo quando isso acontece. É aí que, de fato, sinto que estou desenhando com todo meu potencial... Não só a construção de uma figura, não é só o método ou a técnica: é transcender tudo isso, é não pensar muito e deixar a coisa fluir. É achar um ritmo e deixar-se levar por ele e levá-lo ao mesmo tempo.

Ritmo é muito importante para mim e pro meu processo de trabalho. Por isso ouço muita música. Às vezes, insisto na "música errada" pro momento ou pra determinado trabalho. Hoje em dia ouço coisas que não me imaginaria ouvindo há 10 anos atrás, mas é interessante perceber que várias músicas que me cativam são aquelas que são um clima quase narrativo. Certas músicas são como mantras, com ritmos repetidos e riffs em looping.

Isso pode acabar gerando no artista uma certa rotina, mas eu vejo segurança nessa rotina. Não gosto muito do caos infinito de não saber o que vem depois, de não saber no que focar. Quero foco, quero ritmo, quero meditar sobre meu trabalho enquanto vejo as imagens se formando na minha frente, sobre o papel, saídas do meu pincel e lápis.

Eu sempre repito com certo saudosismo dos meses que dediquei somente ao Dom Casmurro, no começo de 2012. Como o edital do ProAC possibilitou um foco maior no livro, parei com todos os freelances, com vários clientes, e desenhava, quase somente o Casmurro, todo dia, com uma disciplina absurda. No meio da semana, parava para fazer a página de Terapia e para dar aulas. E só. Queria terminar toda a arte do livro pois no mês de maio começaria a trabalhar pesado em Equipe Evoke (outro trabalho que rendeu muito foco e disciplina, mas de forma muito mais tensa. Depois eu falo disso) e não queria misturar as coisas.

A vida de freelancer é complicada demais, e ter dias da semana com horários totalmente diferentes entre si não ajuda muito. Pode ser que hoje você queira muito mergulhar no desenho e se perder naquele oceano todo, mas às X horas tem compromisso, ou é um dia cheio de aulas, ou até mesmo aparece um freela urgente que tomará todo seu tempo.

Não sou contra as aulas, nem contra os freelas. Preciso deles pois, como devem saber, as HQs não me rendem dinheiro algum. Mas é um certo incômodo quando, ao estabelecer um bom ritmo de trabalho (coisa que não vem fácil, acreditem... e olha que eu sou workaholic total), de repente acabo sendo "forçado" a sair dele para focar noutras coisas.

Isso tudo é necessário. Há que se treinar o desapego nisso também. Se eu fosse focar somente em produzir HQs todo santo dia, eu poderia acabar aparecendo com mais histórias diferentes, inúmeros projetos de vários temas. Talvez eu fosse muito feliz fazendo isso. Mas é inviável. Pelo menos, por enquanto.

Agora deixe-me voltar à prancheta. Preciso achar meu mantra de hoje, preciso conseguir mergulhar e nadar, mesmo que a água esteja fria ou meu fôlego esteja fraco.

Desenhar é preciso.