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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

YouTube - Dois vídeos novos!

E aí,, pessoal!
Você já viu meus novos vídeos no YouTube? Não? Então veja só o que eu preparei para você:

A Teoria da INSATISFAÇÃO - Você gosta do seu desenho? (Ser Autor #004)



Você está satisfeito com seus resultados no desenho, ilustração, roteiro, etc? Gosta do que faz ou detesta tudo que sai no papel? Tenho uma aulinha bacana pra te ajudar a achar um equilíbrio! Como professor e autor, tenho várias teorias que conduzem meu entendimento sobre o que eu faço. Elas me ajudam a ensinar e também a produzir, e, por que não, a entender o trabalho dos outros. Neste vídeo, apresento a vocês uma faz minhas teorias sobre o aprendizado e a vivência da Arte: a TEORIA DA INSATISFAÇÃO! Vamos entender o equilíbrio entre o gostar e o não gostar dos seus resultados?

SKETCHBOOK Walk-Through (Sketchbook Tour #001)



Primeiro vídeo de uma nova série, onde vou mostrar para vocês todas as páginas dos meus Sketchbooks, ou seja, meus cadernos de desenho. Este é o mais recente (até, claro, a gravação deste vídeo). Logo vou postar mais cadernos.


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É isso aí! Espero que curtam! Não se esqueçam de se inscreverem no meu canal e ativar o sininho pra ficar ligado nas novidades. Dê o seu like e comente (tanto aqui quanto lá).

Abração procêis!

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Ser Autor - Como você gerencia sua Energia Criativa?

Acompanho o trabalho do Jake Parker há um tempo. Seja nas redes sociais (especialmente o Instagram, onde podemos ver sua arte), seja no YouTube (onde ele teve uma fase muito boa criando conteúdo para artistas,quadrinistas e empreendedores criativos), ele sempre traz uma sabedoria de quem tem vivência com uma leveza que, pensando nos tempos acelerados que vivemos, é meio rara. Todo seu perfil dialoga com o meu, e aprendo muito com ele em todas as suas produções. O cara é uma grande inspiração e hoje não foi diferente.

Assinei a Newsletter do Jake há umas semanas, para me manter em contato com suas reflexões, e hoje recebi uma bem bacana. Ele comenta sobre um livro que está lendo, chamado "War of Art", de Steven Pressfield. E um dos trechos que ele cita e depois reflete sobre me deixou pensando. 

Nos últimos meses, tenho andado desanimado, sem inspiração e um pouco confuso com meu trabalho. Tendo concluído praticamente tudo de Monstruário Vol.2, minha ideia era seguir em frente para o próximo projeto. Porém, por motivos diversos, Monstruário não evoluiu como esperado, e continua em fase de pós-produção e revisão. Na minha cabeça, a essa altura, já deveria ter saído, mas forças além da meu alcance fizeram com que o lança,mento atrasasse. O livro vai sair, sim, com toda certeza, mas não mais no primeiro semestre como prometido. 

Meu alento é saber que eu fiz toda a minha parte e mais, sempre estando presente no processo quando necessário. Inclusive, como editor. Essa presença tirava o foco do próximo projeto, que, vejam só, acabou também sendo deixado em segundo plano por motivos além do meu controle. 

Em meio a um tipo de limbo, onde eu não sabia direito o que fazer e tinha uma lista de coisas pra serem feitas, a energia para produzir arte só diminuía. Então, tarefas, projetos e obrigações ligadas ao campo criativo foram ficando mais difíceis de resolver. Estava desanimado, e em alguns momentos, desacreditado, num panorama grande. Não só com o meu projeto atual, mas com o mercado inteiro e as possibilidades para o futuro. Meio dramático, mas hey, eu sou assim.

Nos últimos dias, as coisas têm melhorado. Depois de passar uns dias doente e bagunçado por causa do antibiótico, graças à volta para terapia (a real, não a HQ...), a conseguir organizar e resolver questões internas aqui de casa (vida real, ela existe), e determinar que tal e tal projeto, agora, não vão ter mais minha prioridade (afinal, de que adianta eu ficar em stand by para que processos que não dependem de mim evoluam se isso só me traz ansiedade e desânimo...?), consegui desenhar umas coisas e retomar o projeto que, esse sim, depende apenas de mim.

E foi nessa sexta, depois de uma semana me reorganizando, que o Jake chegou com sua Newsletter e me brindou com essa reflexão, que traduzi para vocês:

"Vou deixá-los com uma coisa que têm me dado muito oque pensar. A força gravitacional do seu trabalho.

Na página 108, Pressfield diz: 'Quando nos sentamos, a cada dia, para fazer nosso trabalho, um poder (ou força) se concentra em torno de nós.' Produzir alguma coisa nos custa energia, mas quando você comparece para fazê-lo (e aqui eu quero dizer, de fato botar a caneta no papel) os deuses da criatividade emprestam sua mão e ajudam. 

No final do dia, você tem uma pequena massa de matéria criativa que consegue se manter estável. Quanto mais você trabalha nisso, mais massa criativa seu projeto acumula, até que ele tem o suficiente para te tirar da cama e te sugar pra dentro dela todo dia. 

Porém, deixa-a de lado e a consequência é menos atração. Se você largar mão de uma ideia ou projeto, eles flutuam pra longe ao invés de se agregar à massa criativa.

Tudo isso para dizer que você precisa se mexer e fazer o seu trabalho criativo. E ser consistente. É o único jeito de se concluir qualquer coisa."

Bom, eu não poderia concordar mais. A frequência, a assiduidade do autor em seu projeto, faz muita diferença. A inércia é sempre complicada de romper, e vivemos uma época onde procrastinação, ansiedade, auto estima e tantas outras questões podem abalar nosso rendimento como artistas. Essa citação do Jake é muito pertinente porque ressoa com muito doque acredito ser verdade no processo criativo. Não adianta ficar parado esperando ou culpar fatores diversos pela falta de resultados. Você precisa agir, mergulhar, se permitir focar no que ama e fazer tudo de forma profissional e apaixonada, e isso vai criando uma energia muito boa em torno da sua rotina e do seu projeto.

Eu tenho uma teoria (que vai virar um vídeo no meu canal em breve) que compara nosso desenvolvimento em projetos com um trem: é preciso, no começo, romper a inércia e forçar a máquina a se mover. Eventual,ente, você atinge uma velocidade estável e os resultados também vão sendo gerados de forma estável, até que você precisa parar. Quanto mais tempo a locomotiva fica parada, mais difícil é romper novamente a inércia e mais  energia você vai ter que usar (mental e física) para se aproximar daquele fluxo incrível de produção, a submersão tão almejada e que faz tudo parecer fácil.

Então, após vários dias de inércia, me sinto novamente fazendo a máquina andar, rompendo a ferrugem mental e física. Eu simplesmente amo estar "in the zone", produzir, desenhar e editar com ritmo,com paixão, com tesão. E não é sempre que isso acontece. A vida, jovens, às vezes vai te exigir a presença noutras questões, e é preciso saber onde investir energia e planejar tudo, não só seus projetos artísticos, mas a vida toda. Faça disso sua responsabilidade, seja profissional no trabalho e atencioso,carinhosos e dedicado na sua vida real (mas não gaste sua energia com coisas que te deixam pra baixo, a vida é curta pra perder tempo com o que não nos faz bem). 

Meu próximo projeto vai ser anunciado no meu próximo vídeo do YouTube, enquanto aguardamos novidades sobre o lançamento de Monstruário Volume 2.

Se você curtiu esse texto e esse assunto, deixa seus comentários! Fale oque pensa e oque sente sobre isso, e vamos trocar ideias.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Ser Autor - A vida acontece 1

Acho que uma das possibilidades de ter a coluna Ser Autor aqui no Blog'n'Roll é justamente a de compartilhar certas coisas mais voltadas à "vida real" do profissional em questão, não focando totalmente nas questões "mais técnicas". Enfim, isso envolve alguns momentos de desabafo, de papo reto e de filosofadas.

Acontece que a proposta do Ser Autor era, inicialmente, ser um canal no YouTube. Era, também, ter um site só para esse conteúdo, dissociado do meu Blog pessoal. Ainda seria eu a fazer esse conteúdo, mas não com os mesmos perfis. Aí acontece que a vida acontece. Os planos estão todos de pé. Ainda realmente quero fazer tudo isso ser uma realidade. Mas a vida, cara.

Eis que estou escrevendo esse post (era pra ser curto, mas já estou vendo que tenho dificuldade em  me conter) após uma rodada de pesquisa, conversas e informações sobre a viagem que eu e a Monica faremos na semana que vem. Eu sou do tipo que gosta de planejamento, de saber o que fazer e onde fazer pra evitar ficar perdido. Eu já me perdi muito por não saber o que fazer, jovens. E como estamos indo pra países nunca antes visitados (por nós, claro) e cujos idiomas são grande incógnitas (nosso inglês praticamente fluente pode não ser muito útil), eu fico preocupado em resolver tudo com os detalhes entendidos.

Ao mesmo tempo, confio nas confluências doidas do Universo e na nossa habilidade de adaptação e jogo de cintura, além da aliada mais poderosa que temos no bolso: a internet. De qualquer forma, informação é poder e se organizar é chave pra não deixar aquela ansiedade tomar conta no antes, e a tensão tomar conta no durante.

Eu não sofro de ansiedade como uma patologia, não como vejo em muitas pessoas. Não me paralisa, não me aterroriza. Mas sim, sou ansioso, sou cauteloso, sou indeciso. Fico receoso de fazer as coisas sem saber direito como elas funcionam, como proceder.

No trabalho como autor, ilustrador, professor, todos eles, eu também sinto isso. E aí em a constatação de que quanto mais tempo você está atuante naquilo, mais fluente é, mais desenvolto. Menores são os desafios porque você já passou tantas vezes pelos mesmos processos, que eles vão se tornando instinto. Desenhar é assim, acredite em mim. Você pena no começo pra conseguir fazer aquele rostinho genérico previsível a la Andrew Loomis, e 20 anos depois, desenha como se tivesse caminhando: vira algo intrínseco e natural. Os desafios são outros. E eles, também, serão transformados em novas habilidades e soluções instintivas e "fáceis". Desde que, claro, você passe pelo período de imersão, compreensão, experiência, erros e acertos, ajustes, etc.

Abri esse post para por um pouco da minha ansiedade com a viagem pra fora, e acabou tendo até uma filosofada sobre desenhar como instinto, algo que quero elaborar mais pra frente. Falando nisso, devo admitir que essa coluna deveria ser semanal. Ou mesmo mais frequente que isso: há conteúdo, há vontade. Mas, sabe, essa coisa de planejar e lidar com a antecipação, misturada a todos os planos de curto, médio e longo prazo que tenho (não só pra 2019, diga-se de passagem), fazem com que escolhas tenham que ser feitas: o que eu vou fazer primeiro, o que eu vou fazer hoje, o que eu vou fazer mês que vem?

Prioridades. Organização. Execução.

Eu me sinto meio perdido em torno dessas coisas atualmente, por mais que tente organizar tudo. Pensando sobre, chego à conclusão de que essa viagem, essa grande e incrível viagem que faremos, me deixa antecipando, ansioso a ponto de não conseguir me organizar direito em outras coisas. Atualmente, aulas, Monstruário Vol.2, eventos e eventuais freelas são a prioridade. A viagem também tem que ser. Então, a coluna, o canal, o site e etc., ficam um pouco de lado. Estou tentando fazer um pouco de tudo, mas ainda meu cronograma não consegue contemplar, de forma fixa e organizada, todas essas coisas. Acrescente aí a temporada doida que esse nosso país;mundo está vivendo nos últimos anos, que me faz questionar a validade do empenho em produzir tudo isso frente ao que está por vir e ao que já está acontecendo no nosso mundinho... (opa, parar de pensar nisso, esquivar desse redemoinho).

Eu não queria começar um canal de Youtube filmando falas em vídeos improvisados. Não que eu veja isso como um problema, aliás, acompanho muitos canais que são assim e gosto. Mas se eu quero fazer, vou fazer bem feito, e pra isso eu preciso de um roteirinho, de uma luz boa, de um microfone, de tempo e espaço pra poder organizar esse "cenário" e tudo mais que produzir um vídeo envolve. Preciso de tempo e ideias pra montar um site dedicado a esse projeto.

E no meio de tudo, a viagem, as outras tarefas e prioridades. Esse texto inteiro pra dizer (pra vocês, mas acho que mais pra mim mesmo) que até eu voltar do Japão vai ser difícil estabelecer uma rotina de textos e/ou vídeos pro Ser Autor. Mas não esquentem, eu volto logo. E a viagem vai ser incrível. E vai dar tudo certo. E vai ser melhor dessa forma.

Agora, um abraço pra vocês, pois já estou atrasado pra cortar essa juba que chamo de cabelo e barba. Obrigado por lerem e por me acompanharem.
Mantenham-se curiosos, atentos, famintos.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Opinião - Propostas absurdas

O que chamamos de "mercado de trabalho para desenhistas, ilustradores, designer, quadrinistas e afins" (chamaremos só de "mercado" pra facilitar, mas já adianto que esse termo vai render uma outra coluna mais pra frente) é um tanto peculiar. Entre projetos incríveis, oportunidades imperdíveis e a infinidade da internet para mostrar e consumir, sempre existem as propostas absurdas, clientes mal-informados (e, às vezes, mal-intencionados mesmo) e armadilhas. É comum entre nós, nas conversas e aulas, compartilharmos essas histórias. Acho inclusive importante, não como combustível de mimimi entre gente rancorosa, mas sim como um tipo de alerta bem-humorado (o desabafo está implícito, sempre) que pode render conselhos e soluções interessantes dos colegas. E, mais importante, pode render aprendizado e autoconhecimento como profissional para saber lidar com essas situações ao longo do trajeto (porque, você sabe, elas vão continuar acontecendo).

Feita essa introdução meio longa, vamos ao fato que me levou a escrever mais esta coluna. Essa semana, minha amiga Mariana Guerra me marcou em um post da página "Vagas Arrombadas" do Facebook. Fui lá, curioso para ver, e encontrei a imagem abaixo:


A incrível proposta em pauta.

Hmm.

O nome de quem fez essa postagem foi apagado pela própria página, obviamente. Mas esse é um tipo de proposta que encontramos e encontraremos pelo nosso trajeto como artistas. Nesse caso, mais especificamente e foco do meu texto, quadrinistas (e aí vale todo mundo no processo criativo, desde o roteirista até o editor). Nada muito novo, mas como a coisa foi recente e eu compartilhei, gerando uma interação bacana com meus amigos e alimentando o post original, vale a reflexão.

A proposta já chega com uma sinopse pronta, e vou supor aqui, que o artista "contratado" não teria muito o que contribuir nessa etapa. O autor proponente parece já ter "tudo resolvido", e precisa de um artista mais como "mão-de-obra" pra produzir as páginas do que como coautor. Se fosse assim, com um pagamento acertado, justo e coerente, e o artista topasse, manda ver. Mas eu sou, sempre fui, muito a favor da coautoria. Isso é, criar junto, elaborar tudo do começo para que o projeto seja não só de uma pessoa, mas de uma equipe toda. Quanto mais definida estiver a ideia e o roteiro originais, e também quanto menos maleável for o projeto, menos espaço um artista tem para se colocar. A ideia da coautoria cai por terra, fazendo do artista "apenas" um tipo de "mão-de-obra contratada".

A proposta também deixa claro que o artista não será pago. Isso acontecerá quando - e se - o projeto gerar lucro. 50% para cada autor (considerando que seriam só roteirista e artista) não é tão absurdo assim, se formos pensar justamente, tanto na esfera financeira quanto artística - a autoria de fato. Agora, qual é a vantagem disso para qualquer artista? Sinceramente, já produzi muito quadrinho nos meus mais de 10 anos de carreira. Já fiz projetos solo, em parceria, como contratado. Em todas eu sempre tentei fazer junto, de forma horizontal. A ideia de mergulhar num projeto de outras pessoas envolve um comprometimento grande... E o que há em troca?

Quero dividir esse pensamento em duas frentes: o trabalho em si, e o pagamento por ele.

Primeiramente (fora Temer), a produção. Roteiro também é difícil, leva tempo e exige criativamente. A gente pode pensar que, para sentar e escrever um texto no Word ou num caderno, é coisa simples. E comparar com o desenho e todas suas etapas, material e tempo, faria parecer que ilustrar é muito mais trabalhoso - e portanto, merece mais pagamento - que o texto. Isso não é bem verdade, pois depende de diversos fatores. Não quero entrar no mérito de comparar essas duas etapas, e estou considerando que o artista nessa proposta fará o desenho, cores e balões. Durante a produção de Terapia, eu cuidei sozinho de toda a produção visual: lápis, nanquim, cores, balões; e também dos posts no site e a maioria dos textos de apoio nos posts. A partir do capítulo 8, eu comecei a ajudar mais ativamente no roteiro. Isso tudo leva um tempo considerável, ainda mais se pensarmos que produzir Terapia nunca rendeu nenhum ganho financeiro (exceto, obviamente, os livros que vendo nos eventos, mas isso fica pra outro texto).

Nunca devemos desmerecer o trabalho do roteirista pela parte mecânica da coisa (escrever de fato), pois há processos intelectuais imensos por trás de tudo isso. E considerar o tempo dedicado como fator de comparação de valor é injusto, visto que tem gente que, para produzir textos, leva dias e dias enquanto existem desenhistas que, em 2 horas, resolvem uma página inteira. Tudo é relativo, e, se no final das contas, os autores (veja, AUTORES e não AUTOR E DESENHISTA QUE TOPOU O ROLÊ) decidem que 50% dos ganhos para cada um é justo, então é justo para eles e ponto final. O que não podemos fazer é decidir de forma injusta para a equipe presumindo valores equivocados para as etapas de produção.

Além disso, pode-se refletir sobre as vantagens artísticas do projeto. Uma ideia de benefício mútuo, evolução artística e profissional, pode fazer com que uma equipe se amigos ou mesmo de desconhecidos se una para gerar um projeto bacana. A ideia é crescer juntos, criar juntos. Todas as etapas têm seu valor no projeto, artisticamente falando. Se o projeto não te parece tão interessante, se não te puxa pelo coração, não te instiga tecnicamente... Enfim, oque tem de realmente relevante para que você se envolva, dadas as circunstâncias (não só nessa proposta em pauta,quando em qualquer outra)?



Segundo, agora sobre pagamento. Tempo é dinheiro. Ponto final. Quem TRABALHA com arte em geral o faz por gostar disso, muito provavelmente, mas porque é um trabalho que gera dinheiro que é usado para pagar contas, como qualquer outro trabalho. A proposta sugere que não haverá pagamento nenhum pro artista. No texto original, consta a pérola: "Você, quadrinista, trabalhará de graça até que a obra seja publicada". E fecha com outra: "Terá que ter disponibilidade para fazer uma página por dia". Ai, ai. Olha, veja bem, eu já fiz MUITO quadrinho de graça. Em certos casos, eu até "paguei para fazer quadrinho", no sentido de que além de não ganhar dinheiro, eu ainda gastei dinheiro (com material, reuniões, contas da casa, compra de exemplares, etc.). Fazer um projeto de quadrinhos sem ser pago por isso é, na real, muito mais comum que o contrário, especialmente no Brasil. Não temos um mercado sólido e gigante que permita esse tipo de trabalho nos moldes dos mercados internacionais. Então, quem faz está realmente dedicando seu tempo e talento para produzir algo no que acredita de verdade. Não critico isso. A minha crítica maior nessa proposta é justamente COMO se propôs o trabalho. A construção da frase  "Você, quadrinista, trabalhará de graça até que a obra seja publicada" beira a arrogância. Não é assim que se busca um parceiro para um projeto autoral sem garantias. Talvez, se a frase fosse melhor construída, não gerasse tanto incômodo.

A ideia de produzir uma página por dia também é um pouco complicada. Isso depende de muitos fatores. Sei que existem roteiristas com exigências imensas em relação à arte, seja em questão de realismo ou estilização, de referências, de detalhezinhos. Quanto mais a produção da página for atender minuciosamente todos os desejos mirabolantes do roteirista (supondo que seja assim), mais tempo leva pra finalizar. E tempo, jovens, é dinheiro. Tempo é a única coisa que você nunca vai conseguir ganhar ou comprar de volta. E nem todo artista consegue, de fato, produzir uma página por dia: ou seu método é elaborado, ou desenha devagar, ou tem afazeres diversos (estudar, cuidar da casa, trabalhar em algo que realmente pague as contas, etc). A questão é de prioridades, também, pois nem todo artist pode ou vai dar prioridade para um projeto destes. Na balança, pesa sempre o que vai pagar contas ou é mais relevante pro artista.

Usando o exemplo de Terapia mais uma vez: no começo, publicávamos uma página por semana, toda quarta-feira. Essa página era feita na mesma semana e costumava levar um dia de trabalho (do layout à publicação, sem contar o roteiro que já estava pronto). Enquanto eu produzia semanalmente Terapia, eu também dava aulas, fazia freelas e produzia o Dom Casmurro. Terapia não dava dinheiro, mas eu tinha como me dar o luxo de focar um dia nesse projeto. Com o passar do tempo, não só eu como Rob e Marina passamos a ter muitos outros projetos, compromissos e problemas, o que fez com que Terapia virasse quinzenal. Houveram vários atrasos na publicação das páginas, o que me comia por dentro. Mas era o que dava para fazer: nunca paramos de produzir, mas desaceleramos. E n~]ao tinha como um exigir do outro mais foco se aquilo não era a prioridade financeira, e em certos momentos, nem artística. Hoje, estou desenhando o segundo volume de Monstruário, totalmente sem financiamento. Ou seja, faço porque quero, mas principalmente porque é um projeto meu (e do Lucas, claro) no qual acredito muito e pelo qual eu sou um dos responsáveis. Enfim, o nível de dedicação exigido não é compatível com a proposta de pagamento, mesmo considerando que possa gerar lucro com vendas mais pra frente.

No caso, o meu conselho é simples: fazer parceria em projetos de quadrinhos (visto que a maioria não envolve dinheiro garantido e/ou rápido), envolve afinidade, comprometimento e crescimento mútuo. Não é para não fazer. É para, se for fazer, entrar sabendo das condições e com pé no chão.

Esse nível de exigência da proposta pode até mostrar que o autor (e, provavelmente, o projeto inteiro), não são profissionais, e sim a coisa toda é um projeto de início de carreira, uma aposta, um sonho. E não dá pra exigir do parceiro de trabalho prioridade e dedicação total em troca "de nada - ou pouco". E é muito provável que os artistas que se interessem pela proposta tenham, de fato, tempo e vontade de se dedicar, mas é provável também que sejam artistas iniciantes, sem muita vivência (note que isso não tem a ver com a qualidade do trabalho). Veja só, pela proposta, eu imagino que o roteirista não aceitaria fácil um artista novato com trabalho ainda cru; e artistas, profissionais ou não, com um trabalho bem desenvolvido e vivência na área, dificilmente embarcariam num projeto com essa proposta. Temos aí, então, um problema.

Vamos comentar rapidamente o tipo de "venda" desse projeto, proposto pelo autor: Amazon, Social Comics e, quem sabe, editora tradicional". Talvez o autor que fez a proposta não conheça direito o mercado de quadrinhos brasileiro. Talvez conheça muito bem. Eu não faço ideia, não sei quem é a pessoa. Mas deduzo que não conheça bem, pela proposta. Enfim, vendas de e-books na Amazon são muito, muito pequenas. Ainda temos a cultura do impresso muito forte, e muitos leitores preferem pagar mais pelo liro do que menos pelo e-book. Sucessos de vendas em e-books são, invariavelmente, produções de muito apelo popular, e nem sabemos como isso seria no caso da proposta em pauta.

Social Comics é complicado, não sei dizer se tem sido lucrativo para os autores. Para mim, não é muito. Mas é bom ter seu material lá. Segue a mesma lógica da Amazon, misturada ao Netflix. Se for muito, muito lido, rende mais dinheiro. Para ser muito lido, precisa ser muito popular e/ou muito bom, e precisa de usuários na plataforma para ler. Uma vez que os usuários que se interessam pelo seu título já o leram, dificilmente vão ler de novo. Então, se não há qualidade suficiente e aumento constante de leitores na plataforma, não adianta que não vai render muito dinheiro.



E sobre editoras, a conversa é longa, mas resumindo: a editora precisa ter interesse na obra, porque vai produzir um produto que precisa ser vendido. Pra vender, tem que ser popular e muito bom,e quase sempre, feito por autores que já têm uma experiência e um nome mais ou menos formado. Nada garante que seu projeto vai ser interessante o suficiente para uma editora publicar, e se o fizer, vai lidar com tiragens provavelmente muito pequenas, que vendem a longo prazo, e que rendem aos autores cerca de 10% do preço de capa (para dividir entre eles, não para cada um). Ou seja, tem que vender muito, muito mesmo para gerar muito dinheiro. E o ciclo continua.

(Em tempo: eu não sou contra publicar por editoras, mas é preciso conhecer o mercado e como isso funciona para não criar ilusões de um mundo ideal, não compatível com nossa realidade. Gostei muito de trabalhar com a Balão e a Jupati, por exemplo).

Enfim, não quero que esse texto seja totalmente definitivo, e não estou dizendo que os quadrinistas não devem entrar em projetos (como este, principalmente, não deveriam, mas cada um sabe o que faz). O mais importante é não se envolver com armadilhas ou projetos que não te considerem como coautor, e vão usar o que você produz de forma injusta. No final das contas, o que você decidir deve ser bom para você. Na dúvida entre um projeto maluco, com cliente/parceiro exigente demais e sem possibilidade de criar junto, e um projeto pessoal, prefira sempre o segundo.

O post original, com muitos comentários (a maioria criticando a proposta, ainda bem), está no Facebook. Clique aqui pra ir direto lá.

Espero ter sido útil! Apesar disso ser totalmente old school, podem deixar comentários aqui, e agradeço demais se compartilharem esse conteúdo pelas redes com seus amigos, desde que, claro, coloquem os créditos do texto e o link pro post original. Abração procêis.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Relembrando o começo - um thread

Oi, pessoal! Hoje escrevi no meu perfil do Twitter (não me segue lá ainda? Ma como!? Clica aqui já!) algumas lembranças dos meus primeiros projetos de trabalhos de Quadrinhos.

Estou trabalhando atualmente em um livro ilustrado que é sequência da HQ desenvolvida com a ASPE lá em 2004, com a personagem Cris. Esse projeto foi publicado pela ASPE e era um material institucional e educativo, sobre epilepsia. Foi uma honra participar, e como em todos meus projetos desde o começo da carreira, levei a sério como o profissional que sempre almejei me tornar.

13 anos depois, retomamos a Cris, e o livro deve sair em setembro. Logo postarei novidades disso. Masm por enquanto, fiquem com a recapitulação (thread) que escrevi hoje:

"Revisitando um antigo projeto de HQ (o meu segundo feito de forma profissional, primeiro publicado, de 2004-5).

Geralmente considero minha "estreia" nas HQs pela minha 1ª publicação, na Front, em 2007. Mas a real é q esse projeto foi o 1º de fato. Era um projeto educativo/institucional, mas feito com muito carinho e dedicação. Meu 1º trabalho de HQ/ilustra pago.

Eu já vinha produzindo as HQs de #Pieces desde 2004 e publicando nos sites da época (DevArt, Fotolog, Orkut). Isso faz com que #Pieces já tenha aí seus 13 anos de idade. As 1ª e 2ª edições impressas, porém, saíram em 2009. A 1ª HQ de Pieces impressa estreou na @CafeEspacial #2, de 2008.

Em 2007, eu "estreava" de verdade, no Brasil, na Front 18 - Ódio, com uma HQ escrita pelo hugo. E nos EUA, na Negative Burn 15. Aliás, a HQ que saiu na Negative Burn 15 foi a mesma que saiu na @CafeEspacial 2, no ano seguinte: Pieces - A Chuva Pieces - A Chuva vc encontra pra ler na reedição digital de Pieces 1, no @SocialComicsBR ;) É uma das minhas favoritas até hoje.

Voltando lá atrás, em 2002-3 eu fiz meu primeiro trabalho profissional de verdade de HQ. Era super-heróis, nacional, super bacana. Desenhei as 20 e poucas páginas, fiz o design do vilão, agentes, laboratórios. Meio que deu o tom de quase todo o universo da história. No final esse projeto morreu por, acredito, falta de adesão e resultados da equipe enorme. Mas foi um baita aprendizado.

Um dia, quem sabe, vou republicar esse material pra vcs verem como era. Tenho uns planos aí pra essas HQs antigonas... ;)

Então, minha 1ª HQ profissionalmente foi em 2002. 1ª publicação HQ freela, 04. 1ª autoral 07. Minhas 1ªs HQs independentes, 09. Então, 15 anos de carreira. 13 da criação de Pieces e produzindo sem parar. 8 anos publicando sem pausa aqui e fora. 6 anos de @TerapiaHQ <3 span="">

Com o tempo, vieram mais publicações solo, parcerias, coletivos, eventos, freelas, editais, aulas, palestras e até uns prêmios bem legais. Nada mal pra um garoto inseguro e quietinho, mas muito sonhador do interior de SP (eu morava em Pedreira até os 18). Tudo isso, obviamente, não seria possível sem o colossal apoio dos meus pais, o networking ao longo dos anos e a paixão louca por HQs.

Apesar da facilidade hoje pra ser autor de HQ, nd importa se vc não amar de coração a linguagem e estiver disposto a lutar por isso. Não se chega a lugar algum sozinho, mto menos sendo babaca. Mergulhe e acredite. É uma jornada e isso importa mais que o destino final. Agora chega de thread/flood. Tem muita coisa pra desenhar (e roupas pra lavar) hoje! Vamooooo!!!"



terça-feira, 29 de outubro de 2013

Crônicas da Vida de Ilustrador

Então, mais um causo da divertida série "Vida de Ilustrador".

O ilustrador recebe um pedido de orçamento, de uma ótima agência, para retomar um projeto que já fizeram juntos para um cliente massivo. São mais algumas ilustrações na mesma linha, para um produto novo.

"Claro que sim", afinal, mantemos o traço, a identidade visual da coisa. E estou disponível, na medida do possível, para fazer umas 4 ou 5 ilustrações.

O ilustrador deveria cobrar, segundo o orçamento anterior, um preço equivalente mas com a correção blablablá, que daria X. Para ser "parceiro", ele vai e cobra um pouco menos que isso. A agência/cliente choram, e o ilustrador, entre o "perder o trabalho e o $" e "fazer, mas ganhar um pouco menos", opta por baixar o preço mais um pouco, tornando o valor por ilustração MENOR do que foi cobrado dois anos atrás. O que, convenhamos, é absurdo. Mas todos topam, e o trabalho é feito.

Feito, claro, num prazo curtíssimo, como sempre. Entendam, padawaans, que geralmente é assim: o prazo é curto, o dinheiro é pouco, e a exigência de qualidade é alta. Uma vez entregue o trabalho, há um vácuo enorme de informações e feedbacks. Pode passar um mês sem que você saiba se seu trabalho foi aprovado e se seu pagamento virá. Nesse tempo, claro, você evita começar novos projetos pois a qualquer momento eles podem voltar com alguma correção ou coisas do tipo.

Cumpre-se a profecia, passa-se mais de um mês, e quando finalmente cobro da agência um feedback, avisam que o cliente ainda não o deu, mas mesmo assim já vão encaminhar dados para emissão de nota fiscal. É, eu amito NF, malandrinhos. Tive que abrir uma empresa (MEI) para poder emitir umas 3 ou 4 notas por ano pra alguns clientes que a exigem. Me adequei.

(Não vou nem comentar que pode ou não ter havido uma pergunta sobre o meu orçamento "incluir BV", meses depois do orçamento ter sido feito; e que eu posso ter respondido que não, claro que não, nunca incluo - sempre ouvi dizer do quanto isso é sem propósito, afinal. Opa, comentei.)

As informações da NF são do cliente e não da agência. Passam mais semanas, projetos vão e vem, e de repente recebo ligações do cliente pedindo boleto, que eu não posso emitir. Então, serviria um comprovante de que a conta que informei é mesmo minha (!). E isso com a "ameaça" (aspas porque não foi em tom de de ameaça de forma alguma, a moça foi muito simpática, mas querendo ou não, é quase isso) de que se eu não mandasse até dia X, eu não receberia - e deu a entender que não receberia NUNCA MAIS. Resolvi o pepino.

No dia seguinte pela manhã, um email me informa de que o pagamento voltou pois o CNPJ parecia incorreto. Informo que a conta não é PJ, e sim PF. Então me avisam que não podem pagar uma PJ por conta de PF. "Mas eu nunca tive conta PJ, nunca informei que tinha. Sempre recebi corretamente por essa conta..."

Cai a ficha de duas coisas. 1) No último trabalho para esse cliente, a nota foi emitida para eles e o ilustrador heróis teve o mesmo problema, resolvido com dores de cabeça e complicações. 2) Talvez aquele BV que a agência queria era pra cuidar disso, emitindo eles a NF e me pagando depois. E o ilustrador pensa: POR QUE NINGUÉM ME PERGUNTA OU AVISA ANTES? Olha, eu sou um ser humano muito solícito e amigável, muito mais maleável do que o mundo e a maioria das pessoas chegam a merecer. E ainda assim, essas coisas acontecem.

A resolução está acontecendo enquanto escrevo.

Não citei nomes pois isso é enti-ético e espero que ninguém se ofenda com esse meu texto (eu sei que quase ninguém mais lê blogs, mas vai saber). A verdade é que, nesse mundo de freelances, o ilustrador, no caso, é sempre o que mais se ferra. Lida com prazos ridículos, é mal pago quase em todas as vezes, se desdobra para conseguir resolver tudo, visando o dinheiro que paga as contas (o mundo, que trabalha em horário comercial,  não te dá moleza só porque você é freelancer), e no final do processo, tem que esperar dois meses para receber, encarar esses pepinos de sempre, e depois ficar mais uma vez à deriva, até o próximo pedido de orçamento (desses, boa parte nem sequer dá resposta).

Mais um desabafo em forma de episódio das suntuosas Crônicas da Vida de Ilustrador. Até o próximo freela, padawaans! Não se rendam ao lado negro da Força.







quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Jornada - uma rápida reflexão

Às vezes eu fico pensando sobre a jornada de um artista.

Acho que existe uma diferença sim, entre ser desenhista e ser artista. Um artista, ao meu ver, é mais curioso, é mais pesquisador. Não se contenta, quer sempre ir além e descobrir novas formas, novas fórmulas. É um tipo de cientista.

E ontem, pensando sobre isso, lembrei de um dos meus maiores desafios como artista: o capítulo 7 de Terapia.

 Esse capítulo, um flashback mostrando a juventude do Terapeuta e dos pais do personagem principal, foi também uma grande homenagem à Histórias das Histórias em Quadrinhos. Pesquisei muito, e recriava meu desenho toda semana, simulando vários artistas, emulando seus traços, a narrativa das HQs daquela época, a paleta de cores, o jeito de fazer o texto dos balões...



Alguns dos meus heróis pessoais foram homenageados e quase chorei quando vi que consegui reproduzir o traço de Will Eisner, um dos - se não O - maior gênio das HQs de todos os tempos (na foto dessa postagem, o rascunho da página que homenageia Eisner). Isso só pra citar um. Ainda tiveram mais: Norman McCay, Ivo Milazzo, Jack Kirby...

Claro, o roteiro do Rob e da Marina era espetacular, e me orgulho de não só ter ilustrado, como contribuído no roteiro em alguns trechos!

Esse capítulo 7, que você pode ler no nosso site (juntamente com todos os outros 6 capítulos), e se preferir, pode comprar a versão impressa, nosso primeiro livro, no Catarse: catarse.me/terapia

Além do livro, que reúne os 7 capítulos e muuuitos extras, você pode escolher mais brindes especiais, como camiseta, pôster, palheta de guitarra, desenhos originais meus, sketchbooks limitados, e pode até fazer uma vaquinha com os amigos e sair pra jantar e/ou tomar uma cerveja comigo, Rob e Marina. Bacana, né?

Então corre lá e garanta o seu!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Aquilo que Emperra.

Então, enquanto meu computador fica pensando, decidindo, enrolando, e fazendo aquele barulho estranho de quem está se esforçando MUITO pra desempenhar suas funções, dá pra abrir o Blog'n'Roll e postar alguma coisa.

E olha só, é mais um daqueles textos-desabafo, ahahaha.

Eu tenho uma teoria, que é aplicada a pessoas, mas também a coisas, processos, escolhas, estilos... Ao que você achar conveniente.

É a constatação (não querendo generalizar) de que certas pessoas/coisas/escolhas podem ter 3 reações pra sua vida:

- Aquilo que EMPURRA: A melhor de todas. Essa escolha é a que te leva pra frente. Não há obstáculo que você não possa conquistar, problema que não dê pra resolver, etc. É bom ter sempre esse tipo de pessoa por perto. Mesmo quando sua energia cai e a fé fica abalada, são esses "elementos" que vão te incentivar a continuar em frente.

- Aquilo que EMPATA: Não te leva adiante mas também não te impede de ir. É aquilo que permanece ao seu lado e pouca ação tem no seu desenvolvimento. Porém, acontece disso te deixar parado no mesmo ponto e sem poder avançar.

- Aquilo que EMPERRA: Aí sim estamos falando de uma interferência negativa, de algo que não só impede o desenvolvimento das coisas, mas também te leva pra trás, te faz recuar. Independente do motivo, o fato é que isso não vai te permitir ir em frente.

Acho que pode ser um pouco drástico falar assim de pessoas, mas acho que todos já vivenciaram a experiência de ter alguém por perto cuja energia lhe afeta de forma estranha, neutra ou positiva. Prestem atenção em volta, meus caros, e tomem decisões. O objetivo da vida é continuar seguindo em frente, evoluindo e concluindo metas e atingindo objetivos.

Às vezes, nós mesmos agimos dessas formas. Aforma com que você pensa e age, principalmente sobre si mesmo e seu trabalho, escolhas, objetivos, pode influenciar todos os resultados. Parece clichê, mas faz sentido. Se você espera pelo pior, se você não acha que vai conseguir, é capaz de não conseguir mesmo. Talvez uma má fase seja reflexo do jeito como você está levando as coisas da sua vida. Uma mudança interna é um primeiro passo pra mudar o exterior.

Ficar parado não dá. Voltar atrás menos ainda.

E nesses últimos tempos, o que tem me desestabilizado é não conseguir estabelecer uma disciplina de trabalho funcional. Muita coisa vem acontecendo, e eu tenho a mania de resolver as coisas pontuais de uma vez, e as coisas mais extensas vão ficando em segundo plano.

É preciso muita organização e disciplina para não se perder em prazos e projetos.

Complica muito quando sua rotina é heterogênea, seus compromissos vão se alternando em datas e dias diferentes. Complica muito quando seu estômago está zoado e qualquer coisa que você queira fazer é afetada por isso. Complica muito quando o computador fica lerdo, trava o programa, não dá o resultado que você precisa. Complica muito quando todos os videos que você grava naquela câmera super bacana estão sem áudio e inutiliza tudo...

Complica muito quando seu objetivo é desenhar 5 páginas daquele livro que tem prazo pra ser publicado, e sua realidade é subdividir seu tempo em várias tarefas menos importantes e satisfatórias que vão acabar impedindo aquelas páginas de serem feitas...

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mergulho e mantra

Venho percebendo cada vez mais que prefiro me dedicar a projetos de longo fôlego do que a múltiplos projetos curtos. Ou mesmo projetos longos, mas picados em fôlegos curtos.

Imagine que cada trabalho é um processo, com começo, meio e fim. Esse processo, quando tem foco dividido com outras coisas, acaba se diluindo e perdendo o ritmo.

E lá vem minhas analogias de novo:

Vejo o desenho como uma experiência rica, de imersão em uma linguagem não-falada, não-escrita. É quase como nadar. E meditar, ao mesmo tempo. Exige uma entrada, onde o artista se prepara, e mergulha. às vezes, mergulha de cabeça, às vezes, entra aos poucos, se acostumando com a temperatura da água.

Mas o fato é que, uma vez lá dentro, é preciso continuar nadando, senão você afunda. Essa coisa de manter o movimento, manter o foco naquela atividade, pode chegar ao ponto de virar um tipo de mantra, um tipo de meditação. Tudo se perde em volta, tudo perde o significado e resta apensas o desenhar.

Às vezes, minha respiração desacelera, e perco a noção do tempo totalmente. E sabe de uma coisa? Eu amo quando isso acontece. É aí que, de fato, sinto que estou desenhando com todo meu potencial... Não só a construção de uma figura, não é só o método ou a técnica: é transcender tudo isso, é não pensar muito e deixar a coisa fluir. É achar um ritmo e deixar-se levar por ele e levá-lo ao mesmo tempo.

Ritmo é muito importante para mim e pro meu processo de trabalho. Por isso ouço muita música. Às vezes, insisto na "música errada" pro momento ou pra determinado trabalho. Hoje em dia ouço coisas que não me imaginaria ouvindo há 10 anos atrás, mas é interessante perceber que várias músicas que me cativam são aquelas que são um clima quase narrativo. Certas músicas são como mantras, com ritmos repetidos e riffs em looping.

Isso pode acabar gerando no artista uma certa rotina, mas eu vejo segurança nessa rotina. Não gosto muito do caos infinito de não saber o que vem depois, de não saber no que focar. Quero foco, quero ritmo, quero meditar sobre meu trabalho enquanto vejo as imagens se formando na minha frente, sobre o papel, saídas do meu pincel e lápis.

Eu sempre repito com certo saudosismo dos meses que dediquei somente ao Dom Casmurro, no começo de 2012. Como o edital do ProAC possibilitou um foco maior no livro, parei com todos os freelances, com vários clientes, e desenhava, quase somente o Casmurro, todo dia, com uma disciplina absurda. No meio da semana, parava para fazer a página de Terapia e para dar aulas. E só. Queria terminar toda a arte do livro pois no mês de maio começaria a trabalhar pesado em Equipe Evoke (outro trabalho que rendeu muito foco e disciplina, mas de forma muito mais tensa. Depois eu falo disso) e não queria misturar as coisas.

A vida de freelancer é complicada demais, e ter dias da semana com horários totalmente diferentes entre si não ajuda muito. Pode ser que hoje você queira muito mergulhar no desenho e se perder naquele oceano todo, mas às X horas tem compromisso, ou é um dia cheio de aulas, ou até mesmo aparece um freela urgente que tomará todo seu tempo.

Não sou contra as aulas, nem contra os freelas. Preciso deles pois, como devem saber, as HQs não me rendem dinheiro algum. Mas é um certo incômodo quando, ao estabelecer um bom ritmo de trabalho (coisa que não vem fácil, acreditem... e olha que eu sou workaholic total), de repente acabo sendo "forçado" a sair dele para focar noutras coisas.

Isso tudo é necessário. Há que se treinar o desapego nisso também. Se eu fosse focar somente em produzir HQs todo santo dia, eu poderia acabar aparecendo com mais histórias diferentes, inúmeros projetos de vários temas. Talvez eu fosse muito feliz fazendo isso. Mas é inviável. Pelo menos, por enquanto.

Agora deixe-me voltar à prancheta. Preciso achar meu mantra de hoje, preciso conseguir mergulhar e nadar, mesmo que a água esteja fria ou meu fôlego esteja fraco.

Desenhar é preciso.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

O silêncio entre dois quadrinhos

Muitas vezes, o silêncio é uma boa coisa. Eu mesmo me considero um cara quieto, reservado. Claro, converso um monte com amigos e familiares e às vezes acho que falo até demais. Reflexo de ser professor, profissão valorizada só em tese por muita gente que não pode, efetivamente, mudar o status quo da profissão.

Mas o assunto não é ensinar, é o silêncio. E se ensina também pelo silêncio. Lembro até hoje de um depoimento no meu finado orkut (lembra disso?) de uma amiga e colega dos tempos de faculdade, que elogiava minha postura e o meu silêncio.  Eu me senti orgulhoso disso, não nego. Meu silêncio muitas vezes não é falta do que dizer, é o ouvir, prestar atenção. Não só nos outros, mas em tudo, no mundo, na vida. Um tipo de contemplação que muita gente não faz ideia de como atingir, pois nossa vida é bombardeada de imagem e sons e propaganda e... Enfim.

Esse pensamento de silêncio me fez querer escrever hoje aqui no blog.

Queria talvez explicar por que eu não ando postando tanto por aqui. Nunca fui um postador compulsivo mas convenhamos, esse blog fica às traças por tempo demais. E parte da culpa, arrisco, é de vocês, leitores, que não comentam mais nada que eu posto aqui, eheheh. Não dependo de comentários para postar coisas novas, mas saber que existe uma interação com quem escolhe me ler aqui é interessante.

Na internet, somos vozes solitárias, nunca sabemos se alguém ouviu o que dissemos. A não ser que exista uma resposta, uma curtida, um compartilhamento... É uma relação bizarra.

Apesar disso tudo, oque tem me feito não postar nada aqui é falta de tempo. E falta de organizar o tempo que me sobra, afim de poder escrever com mais frequência e tornar o Blog'n'Roll mais atrativo pros leitores.

Também me faz pensar, quando abro o Chrome e vejo, nas 8 janelinhas que mostram os 8 sites que ue mais acesso diariamente, que o 9gag empurrou a do Blog pra fora. Isso é lamentável. Decidi mudar isso hoje, e escrever.

Eu lembrei, mais uma vez, que HOJE, 17/4, é o lançamento de Dom Casmurro na Fnac do Shopping Parque D. Pedro. E eu não divulguei isso no Blog em momento algum. Por que, será? Talvez a falta de feedback. Mas muito disso se deve a uma organização desorganizada.

Vejo grandes artistas e escritores, alguns amigos, outros ídolos, mantendo blogs atualizados, mas não compulsivamente. Todos tem trabalho pra fazer, prazos para cumprir e as postagens nos blogs, raras, se tornam mais especiais ainda: um pouco da mente de cada um desses profissionais/seres humanos. Confesso que leio poucos blogs. Deveria ler mais, ler mais livros, revistas, sites, notícias...

Sim, deveria ler mais. E ver os filmes que peguei e estão numa pasta esquecidos. E ouvir os discos que peguei e tiveram o mesmo destino. Acredita que eu só assisti As Bicicletas de Belleville nesse último fim de semana...? (aliás, recomendo muito)

Por que então, não o faço? Ou faço com tantos intervalos? Porque, meus caros, existe a prancheta. Existem os Quadrinhos.

No exato momento em que estou escrevendo isso para vocês, na verdade deveria estar lá, desenhando a página de hoje de Terapia, que vai atrasar mais uma vez. Complicada, cheia de referências, muita pesquisa, delicioso. Do jeito que eu gosto. A HQ que mais gosto. Mas se eu não viesse escrever agora, esse texto (que já é maior do que eu planejava e não está perto do fim) se perderia totalmente.

Vocês devem saber (ou deveriam) que eu não ganho nenhum dinheiro com a webcomic Terapia (tampouco o Rob e a Marina). Geralmente, se formos considerar somente o caráter financeiro da coisa, eu costumo perder dinheiro com Terapia. Material, livros pra pesquisa, e claro, o tempo que eu dedico que poderia ser dedicado a qualquer outro projeto que rendesse algum pagamento. Não estou reclamando. Faço Terapia e amo a experiência. É meu melhor trabalho, com certeza. E vou continuar produzindo até o fim independente de ter pagamentos ou não.

Mas vejam, isso não é uma exclusividade minha, como autor. A maior parte dos quadrinistas (qualquer que seja sua temática, técnica, especialidade no processo) não ganha nada pela produção de suas webcomics. Talvez um ou outro autor, com um site mais visitado, tenha lá seus anúncios (que a gente sabe, não rendem grandes coisas), ou até conseguem vender produtos associados a seu trabalho (uma ótima iniciativa, já que a leitura da HQ é gratuita - pouca gente no Brasil explora o merchandising em cima de suas criações). Mas geralmente, não há dinheiro envolvido.

É produção por paixão, por amor, visando, talvez lá na frente, um livro, ou algum produto derivado, que serão levados a eventos e à loja online. Todas coisas que geram um custo, claro, e que não obrigatoriamente é compensado por vendas.

Ultimamente ando pensando muito em muitas coisas sobre a produção de HQ por aqui. Não cheguei a grandes conclusões: o mercado está crescendo, há muita produção e muita gente boa. Mas não considero ideal ainda.

É estranho pensar que isso é associado a algo cultural do nosso país (rico em cultura, pobre em cultura - pensem nisso). Queremos ver o programa de TV, não queremos ver a propaganda entre os intervalos. Queremos ler o livro mas não queremos pagar caro. Queremos ler webcomics todo dia/semana sem pagar um centavo por ela. Quem paga as contas, então, daquele pessoal que PRODUZ o que você consome?

Lembro aqui de alguns exemplos envolvendo isso.

Uns dias atrás, lembro do Fabio Coala (Mentirinhas), que recusou a publicação de suas tirar num jornal que não pagaria nada por elas. Comecei uma conversa com o Coala e com o cara do jornal, educadamente. O cara disse que ninguém na cadeia de produção desse jornal ganhava qualquer coisa. Perguntei então, sobre a gráfica e a distribuição, coisas que raramente se consegue "na parceria". Segundo ele, essas etapas também não são pagas. Todo mundo trabalha pelo amor da coisa, ou pela divulgação do seu nome. Acho complicado. Já fiz - e faço - projetos onde não ganho nada. Ninguém faz em troca de nada - pelo menos se pensa que aquilo vai levar seu nome e seu trabalho amais pessoas, e isso pode reverter em trabalhos remunerados, no futuro. Algo como um investimento...

Outro dia também, o Ryot (Ryotiras) escrever um texto muito sério, onde explicava que, devido a problemas infinitos com o atendimento ruim e o serviço mal-providenciado (e às vezes, nem sequer providenciado) de duas (DUAS!) companhias de internet/TV/telefone, não estava conseguindo manter a frequência do seu site, um dos mais bacanas das webtiras brasileiras. Não é que ele não queria produzir as tiras. Não é que o computador pifou. Não foram outros projetos. Ele não conseguia internet pra poder trabalhar com as tiras. (aliás, vale comentar, que, segundo o próprio, ele já trabalha 10 horas por dia em outro emprego, e AINDA tem o pique se manter o Ryotiras). Por isso, ele estava parando. Ryotiras agora está em stand by, e não sei se volta. Duas companhias de internet, com seu trabalho péssimo, causaram o silêncio de um dos mais prolíficos autores de HQ da internet. E, mesmo assim, teve um leitor que teve a audácia de comentar lá, dizendo que o autor não postava por não querer, e todo aquele papo (fácil pra caramba de ser dito por quem não produz nada e não entende nada do que é ser quadrinista) de vagabundagem e etc. O Ryot respondeu, educadamente, claro. E pronto.

Ontem, senti orgulho de um ex-aluno, o Tila Barrionuevo. Baita ilustrador, postou ontem a mensagem que recebeu de alguém (talvez o promoter ou algo assim de um espaço cultural, ou bar, ou festa, sei lá). A pessoa perguntava se poderia usar a arte do Tila para divulgar o seu negócio (porque É um negócio, até onde eu saiba), e que colocaria o nome dele e o link do portfolio, e que isso com certeza traria muitas visualizações pra ele. O Tila respondeu agradecendo, mas não: "infelizmente, visualizações não pagam minhas contas". Simples, correto, direto ao ponto. E é verdade.

Vejo tiras do Will Leite, da Ila Fox, do Ricardo Coimbra, do André Dahmer, entre outros, flutuando pela internet e aparecendo, muitas vezes editadas, em sites aleatórios. Quando vejo, faço questão de comentar e marcar o autor. Mesmo que ele esteja creditado, aliás. É muito fácil pegar uma obra de arte/entretenimento da internet e replicá-la, mas o mínimo ético é creditar a pessoa que FEZ aquela obra.

Dia desses também ocorreu algo bem complicado com o Rob Gordon. Só pra não ficarmos só nas HQs. O Rob escreveu um texto sobre as declarações do pastor Feliciano sobre a morte de John Lennon. Um bom texto, texto do Rob, claro. Depois de um tempinho ele veio anunciar no facebook que uma tal pessoa, Suzana Pequeno (guardem esse nome e DENUNCIEM), tinha postado esse mesmo texto dele. Acostumado a ter seu trabalho compartilhado e retuitado, a princípio parecia alguém que curtiu mesmo o texto e quis passar pra frente. Mas ele acabou vendo que ela deu uma mexidinha numa parte do texto, e estava, na verdade, ASSINANDO como autora. É MUITA cara-de-pau pro meu gosto. Se gostou do texto, é só compartilhar, creditando o autor original, e dizer que gostou. Não se pega a obra de outra pessoa e assina como sua. Isso é CRIME.

Enfim, esse incômodo me pega há tempos. Já fui vítima de plágio e estou resolvendo isso. Fica pra outro texto. Mas que tipo de pessoa se acha no direito de cobrar um autor que produz gratuitamente, e ainda chamá-lo de vagabundo? Que tipo de companhias de prestação de serviços temos pra lidar (todas, já aviso) que são incompetentes no que fazer em quase todos os níveis, causando problemas pra vida de muitos profissionais (que pagam tudo certinho, sempre, claro)? Que tipo de relação é essa, e até quando ela vai ser tão comum, de querer usar seu trabalho sem custo pra divulgar outra coisa (que geralmente, rende dinheiro, que nunca é revertido pro autor de tal obra)?

Pessoal, produzir conteúdo artístico, cultural, de entretenimento, não só não é fácil como tanta gente acha, como CUSTA. A vida de todo mundo é regida por impostos, dinheiro, prazos. A companhia de luz não quer saber se tenho freelas suficientes, eles querem ter a conta paga. Porque eu USO a energia que eles providenciam. Agora, quando é a minha vez, a nossa vez, a vez do profissional, do autônomo, do freelancer, de cobrar o que lhe é devido, isso vira uma relação complicada. Já tive experiências com agências onde os prazos eram absurdos, as alterações infinitas, a exigência de qualidade no alto... E, como de costume, o pagamento é só pra depois de 30 dias da entregado material. Às vezes, 60 dias. Às vezes era esquecido. Às vezes, EU tinha que rastrear quilos de emails em busca das conversas onde foram acertados valores e parcelas, porque o próprio cliente não sabia como tinha sido combinado.

E então, o autor, o produtor de conteúdo, que deveria estar na prancheta, no estúdio, no computador que seja, escrevendo ou editando ou modelando, ou etc, perde TEMPO cuidando de burocracias, de cobranças, de conversas desnecessárias, para que tudo seja feito do jeito certo. O que se costuma ver é quem está mais na base da cadeia sendo totalmente ético e trabalhando certinho, e quem está no topo tendo o comportamento muitas vezes oposto. É complicado. Expanda isso e veja como é nosso governo. Entendeu?

Bom, o tempo que eu "perdi" aqui escrevendo não será revertido em qualquer tipo de remuneração. O que ganha-se então, no final das contas? Talvez a satisfação de ter posto pra fora alguns pensamentos... Talvez de saber que, lendo isso, algumas pessoas podem entender melhor como funciona a nossa vida de autor, e quem sabe com isso, ajustar o comportamento. Sabemos que ninguém é certinho ao extremo. Mas dá pra chegar perto. Dá pra ser menos cara-de-pau, menos anti-ético, menos babaca.

Depois disso, vou almoçar (já são quase 13h por aqui e preciso ainda resolver o almoço), e depois, volto à página de Terapia, a outros projetos que não render pagamentos (pelo menos não agora), e amanhã vou pra Pandora dar aulas o dia todo, na esperança que meus alunos um dia não precisem pensar tanto nisso ou escrever em seus blogs certos desabafos que eu coloco aqui, ali e acolá.

Juro que isso não é mimimi. É querer de verdade uma situação de trabalho boa, decente, para mim e meus amigos autores. A gente que ganha a vida produzindo imagem, textos, música, e tantas outras coisas que são adoradas e reverenciadas pelo povo em geral, mas que quando se fala em pagamento, em direito autoral, ou seja, na parte SÉRIA da história, todo mundo dá um passinho pra trás.

Às vezes eu fico cansado das coisas que vejo por aí. Da política, das tragédias, dos crimes, da malandragem, do descaso. Fico com vontade de desabafar oque penso sobre isso, e hoje eu fiz exatamente isso. Sobre os assuntos que eu de fato vivo e domino.

Estamos aqui, na linha de frente, e somos de todos os tamanhos e estilos. Só queremos fazer o que fazemos de melhor e dar às pessoas conteúdos bacanas para que possam se entreter e ter uma vida mais rica e inteligente. Mas não podemos fazer isso de graça o tempo todo. Amamos o que fazemos, pois se não amássemos, se não fôssemos apaixonados e obcecados por isso, não faríamos. Mas isso não é desculpa para fazer ganhando pouco ou nada. Nosso conteúdo - tanto pessoal quando produzido - é de um valor considerável.

Espero não ter enchido demais o saco. Espero poder alimentar mais esse blog, e principalmente com notícias boas! Espero não ter parecido um mercenário. Espero que nos vejamos por aí!



sexta-feira, 8 de março de 2013

Caça

Desenhar é como caçar.

O artista, predador, fica rondando o papel, sua presa. Nem sempre o ataque é instantâneo. Às vezes, leva um tempo. Fica rodeando a presa... Analisando seu comportamento, suas possíveis rotas de fuga, suas defesas.

Você pode pensar que é só no momento em que tem fome que o artista caça. Não. Mesmo sem fome, é preciso se alimentar. É como um combustível, não para o corpo, mas para a mente, a alma... Fatores externo e internos podem atuar e mexer com as sensações, mexer com sua fome, a ponto de não mais a sentir.

Mas é preciso se alimentar. É preciso saborear o momento e o resultado. Há que se ter um resultado bom quase sempre, senão perde-se o desejo e o empenho na caçada. É preciso dar o melhor de si, mesmo sabendo que o resultado pode não ser o melhor possível.

E então, depois desse "namoro" intrigante, vem o ataque, e lápis, tinta e borracha se intercalam em meio a uma dança intensa, uma imersão absurda. Perde-se a noção de tempo, e esquece-se até de respirar enquanto a adrenalina entra e seu sangue ferve.

A sensação de satisfação não é só pelo "alimento". É pelo prazer da caça, pela adrenalina, pela catarse criativa. É olhar o resultado daquilo e sentir algo maior do que fome saciada.

Mas às vezes, o artista ronda e ronda, e sabe que se atacar, tem grandes chances de conseguir. A arte vai sair, a caçada vai acontecer, talvez com menor intensidade e prazer. Mas aí, ele olha para o resultado, e, enquanto se recompõe, sabe que poderia ter tido uma performance melhor. Sabe que o sabor daquilo poderia ser melhor. Mas hoje, não foi. Às vezes, não é. Sem sempre é possível ter aquilo tudo, sabor, tesão, adrenalina.

Mas pelo menos, você se alimentou.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

AVISO!

Oi, pessoal!

É com muita frustração que comunico que infelizmente não levarei a Burocratia pra lançar na Rio Comicon.

Devido a problemas coma transportadora Rodoviária Camilo dos Santos Filho Ltda., as caixas com a nova HQ não chegaram, nem chegarão hoje. O prazo para a entrega era ontem, quinta-feira, mas só hoje fui descobrir que não iam entregar, pois "o carro quebrou no meio da estrada" e não tem como eles darem um jeito nisso, apesar de terem uma frota de carros em bom estado, e mais que isso, o compromisso que assumiram de entregar dentro do prazo.

Só podem entregar amanhã, sábado, mas eu estarei no Rio de Janeiro desde cedo. Não vou mudar vôo, não vou alterar os planos, e tentar não esquentar a cabeça, porque o erro não foi meu e minha parte, e, devo dizer, a parte da Gráfica Juizforana, foram ambas cumpridas corretamente.

Fica registrada aqui minha reclamação, que, espero, possa levar oficialmente à empresa assim que retornar do evento.

Por outro lado, registra-se aqui também que o pessoal da Gráfica Juizforana foi firmeza, me ajudando até o esgotamento das opções com a transportadora. Valeu, pessoal!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Agenda

Olá, pessoal!

Estou entrando num momento importante desse ano, onde grandes decisões serão tomadas, projetos serão feitos, palestras, ilustrações, aulas... Espero ainda poder vir ao blog e mostrar algumas coisas. Na verdade, algumas eu realmente não posso mostrar ainda, o que me dá uma sensação gostosa de ter um segredo, e, bem, "a gentleman never tells", eheheh.

Organizar suas tarefas, trabalhos, vontades e claro, descanso, é algo essencial pra quem trabalha em casa, freelance, e/ou em projetos grandes que não necessariamente têm retorno imediato. Levar as coisas com calma, mas estabelecer prioridades. O que é mais importante AGORA? O que vai acrescentar mais, o projeto bacana que não paga nada, ou o projeto não tão bacana que vai pagar bem? Um dilema que, eu acho, a maioria dos artistas encara.

Algo que também vem acontecendo é uma vontade crescente de escrever algumas coisas sobre alguns fatos. Descer a lenha mesmo. A gente se acostuma em achar tudo OK, não esquentar a cabeça demais (e quem me conhece bem sabe que eu não esquento mesmo, não por não me importar, mas por saber que tudo tem solução), mas Às vezes chega num ´ponto onde ou você fala, ou guarda naquele arquivo bizarro lá dentro.

O grande segredo é tentar não guardar muita coisa lá dentro, mas também saber como e quando isso pode sair. Pra variar, equilíbrio.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ocupado

Várias coisas acontecendo por aqui!

Uns trabalhos bacanas, umas reuniões importantes, até ensaios de banda.

Assim que der pra mostrar alguma coisa eu volto pra cá!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Errata

Oi, pessoal!

Recebi um email do colega ilustrador e artista plástico, Huggo Piccolo, me alertando sobre um erro meu num post aqui no Blog'n'Roll, mais especificamente, "10 dicas para um ilustrador". Vou aproveitar a deixa para me corrigir aqui, e agradecer ao Huggo pelo toque!

Aparentemente, o texto que publiquei aqui não é de autoria do cara, como tinha sido informado. Esse texto foi aparentemente "clonado" de um texto do ilustrador Rubens Lima, que eu infelizmente não conheço.

Cerca de 7 trechos do texto do Rubens, entitulado "Ao Ilustrador Iniciante" (que eu recomendo!) foram pegos e adicionados ao texto do outro autor.

Então, segue aqui meu pedido de desculpas ao Rubens, pela atribuição de autoria errada, e um tapinha na orelha do cara que copiou trechos do texto do Rubens e passou pra frente sem mencionar a autoria.

Segue dica do Huggo: "Sem vc saber (a culpa não é sua), vc está divulgando o plagiador em vez de divulgar o original (http://portaldoilustrador.blogspot.com/search/label/Rubens%20Lima). A comprovação da semelhança entre os dois textos (mostrando como este Daniel plagiou Rubens) está no site do próprio Rubens Lima, neste link, onde eu descobri o ocorrido: http://www.rubenslima.com.br/p/apenas-semelhancas-voces-mesmo-julgam.html


sexta-feira, 4 de março de 2011

Round 3: You Win!

Um capítulo. 48 páginas. Um mês.



Com os dedos e unhas tingidos de nanquim, o pescoço e o pulso doloridos, e o coração cheio de alegria, terminei a arte-final do 3º capítulo do Dom Casmurro.

Eu não venho falando muito sobre esse trabalho por aqui, e vou manter dessa forma, mas hoje é uma excessão que eu abro. Quero compartilhar com vocês essa satisfação de ter um bom trabalho finalizado à minha frente.

Não, não é o final. Ainda tenho dois capítulos à frente, muita coisa vai acontecer com Bento e Capitu na minha prancheta. Mas metade já foi.

Nuna antes eu tinha passado tanto tempo envolvido a um projeto. Nunca tinha desenhado tanto os mesmos personagens, tampouco tinha mergulhado tanto em uma história. Até agora, são cerca de 100 páginas arte-finalizadas, e mais umas 40 a lápis, com mais por vir.

É cansativo, às vezes enjoa, e briga por espaço com minhas aulas e outros projetos, tanto os que pagam quanto os que faço por tesão também.

E neste último mês de fevereiro, me dediquei como poucas vezes tinha feito, e consegui um ritmo ótimo de trabalho, coisa de 2 a 3 páginas de arte-final em um dia. A cada página finalizada, cansado ou não, satisfeito ou não, eu sabia que estava um passo mais próximo do meu objetivo.

Agora, de consciência limpa e feliz com o resultado, posso curtir meu feriadão carnavalesco sem carnaval em paz, descansando e me preparando para, numa pausa de uma ou duas semanas no Casmurro, me dedicar a uma coisa nova, que logo aparece por aí e vai fazer um barulhinho (espero! ehehe)

Bom, é isso. Obrigado a todos que me dão aopio, de uma forma ou de outra, para continuar nessa grande jornada que é ilustrar o Dom Casmurro. Em especial, a essas pessoas:

Felipe Greco, o roteirista, pela paciência e profissionalismo; Marina Kurcis, pelo apoio e carinho incondicionais; Fábio Moon e Gabriel Bá, pelas dicas, críticas e incentivo; meus pais, que eu não vejo regularmente em troca da produção ritmada dos desenhos pela força de sempre; e ao pessoal da Pandora, que sempre me ouve lamuriando ou comemorando sobre essa vida de quadrinista.

Muito drama, né? Mas eu mereço. Mereço também a heineken que eu vou tomar como recompensa asim que a Marina chegar aqui. Quem trabalha com quadrinhos, sem querer parecer clichê ou piegas, sabe que não é fácil. Quem encara produção de graphic novel, séries ou mesmo tiras, principalmente aqueles que não recebem de fato um "salário" por isso... merece.

#epicWIN!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

(W)hole still

Olá, caros leitores!

Depois de semana estranha, primeiros passos para resoluções, show do mestre Paul McCartney e viajar de busão depois de vários meses, estou de volta à rotina.

Ou quase isso. Twitei sobre isso agora há pouco. Rotina é uma coisa estranha no meu dia-a-dia de freelancer. As aulas, claro, têm horários fixos e turmas quase fixas. Por mais que os conteúdos sejam oscilantes e sempre tem uma cara nova, ou alguém dando tchau, é como um fluxo contínuo.

Os freelas nem tanto. Às vezes demora uns dias pra pegar a pauta e fazer os rascunhos. Depois, uns dias pra retornar e mais uns dias pra arte-finalizar. Depois, ainda, isso vai pro grande Caio Yo, que pinta as ilustras e envia pra editora. É um trabalho muito bacana, tranquilo, mas de horários e quantidades oscilantes. Não reclamamos, pois o resultado de tudo isso é muito compensador.

O duro é quando, freela ou autoral, o trabalho simplesmente não evolui na sua frente. Mecanicamente, as linhas parecem no papel. As descrições são cumpridas de uma forma até inconsciente. É estranho quando parece que o braço nem tem muita força pra desenhar. Começar parece um fardo.

No autoral, então, é mais complicado. Quando sua própria vontade é o ponto de partida, a coisa fica a perigo.

Em conversas recentes, uma questão pertinente. Depois de um ano cheio, com grande maratonas para terminar Pieces 3, NÓS, Nanquim Descartável em tempo, mais a Rio Comicon e as ilustras freelas para adiantar antes da viagem... Agora, que eu tenho muito menos para fazer, será que estou me sentindo vazio?

Eu gosto de ter muito pra fazer. Me manter ocupado, equilibrar o autoral e o trabalho, fazer meu melhor pra tudo se cumprir decentemente. E agora, olho pra frente e vejo quase só horizonte. E esse horizonte é liso. O caminho continua, mas vou andando tranquilo sem grandes coisas para construir, resolver, terminar.

E ainda assim, no meio disso tudo, algo parece ter perdido o apoio, desmoronado em partes aqui dentro e eu estou tentando reeguer, tentando entender o por que disso tudo. Aquele sentimento que gerou a HQ (W)hole (post abaixo) passou em grande parte, mas eu ainda não me considero 100% recuperado. Estou trabalhando pra isso.

De novo, aqui, que não é lugar de desabafo, virou desabafo. Desculpem mais uma vez, mas me organizo um pouco melhor quando escrevo do que quando penso. Tem muita coisa acontecendo aqui dentro e eu não consigo organizar metade delas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

(W)hole

Numa tentativa de entender oque se passa comigo desde hoje cedo, acabei fazendo essa semi-HQ. Não é pra ser bem-desenhada nem nada. É só pra ser. Talvez sendo, eu entenda.

Eu costumava escrever muito, em cadernos, e lá elaborava muito meu raciocínio. Quase uma terapia solo. Isso me ajudava a acalmar, entender, desconstruir, até. Eram algumas horas dedicadas a isso. Hoje em dia, é algo raro. Às vezes por falta do que desabafar (o que é ótimo), ou por ter com quem desabafar (melhor ainda). Outras vezes, é só por não conseguir por em palavras.

Pior de tudo foi ligar a rádio pra acompanhar e ter Hora do Brasil em todas as estações, menos a de músicas que eu não poderia ouvir nesse momento (alô, Antena 1, valeu.). Embalou o pincel e a sinceridade, mesmo que ambos com um certo medo.

Nunca sei o quanto é saudável ou perigoso expor certas coisas aqui. Vira e mexe eu falo que isso é trabalho, e essa é a janela pra ele, e não um blog pessoal de desabafos e similares. Mas, uma vez que se propõe ser artista, e analisar com meu trabalho certos assuntos, fica-se sujeito a esse tipo de coisa. Crise. Angústia. Depressão.

E também, alegria, euforia.

Bom, no caso de hoje, nem sei dizer o que foi. Só que foi bem ruim e eu não gosto de me sentir assim.





Eu achei que o coração tinha parado de bater forte, mas senti um treco que parece ser ele voltando a me socar. Às vezes, uma respirada mais longa vira suspiro e quase dói pra sair.

É, isso tudo soa emo pra caramba.

Mas foi bom. Fazia tempo que eu não fazia uma "HQ" tão "deselaborada" e tão literal. A gente se acostuma a fazer tudo dando o melhor de si, e mesmo quando o enredo tem aquela força toda, a demora no processo me faz ficar meio que imune a ele. Quando chega nas últimas revisões antes da gráfica, eu já pareço uma pedra perante eles...

Mas, nesse caso, como é daqui de dentro pra fora e de fora pro blog, não tem filtro e não tem dó. Foi como foi. E eu queria continuar com ela, mas sei que eu iria me perder em metáforas, analogias, loopings infinitos, que poderiam se tornar justificativa pra me sentir mal, e isso eu não quero. Que fique assim, quase incompleta e vazia, como eu fiquei hoje.

Fazer isso me lembrou das primeiras HQs da Pieces. Algumas delas vocês já leram por aí. Outras, talvez nunca leiam. Várias são quase que "piadas internas" só minhas, e não fazem sentido algum fora de determinado contexto, mas eram tentativas muito sinceras de lidar ou homenagear o que sentia.

Bom, espero amanhã acordar de humor muito melhor. Vou parar de escrever antes que isso vire uma bíblia nascida de algo que eu acho que nem deveria estar aqui...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Todos os pedaços permanecem intactos...




Bom dia!

Como já comentei, dediquei a semana passada a fazer HQs para a Pieces 3. Empolguei demais. Tenho várias histórias pensadas, algumas inclusive escritas, mas poucas delas chegaram a ser layoutadas ou desenhadas mesmo.

Em cerca de 4 dias de trabalho, fiz o lápis de uma HQ de 1 página, outra de 4, outra de 9 e mais uma de 4. Também comecei a arte-final de duas HQs que já estavam descansando há tempos, uma de 12 páginas e outra de 10.

Essa última de 10 páginas já estava pronta há anos. Ma como?? Eu a desenhei lá por 2006 ou 2007. O desenho está um pouco desatualizado, mas ainda está legal. Na arte-final eu estou atualizando alguma coisa.

A Pieces tem essas coisas. Muitas das HQs nos primeiros números eram já um pouco velhinhas. Coisas de 2005 pra frente. E o traço comcerteza sofre alterações. Algumas resenhas apontaram isso como um ponto fraco, outras como um ponto forte, o da versatilidade. Não acho que é nem um nem outro.

No caso, preferi não redesenhar tudo, Era uma questão de tempo, e também, de preservar a expressão daquele momento, que se fosse refeita, seria perdida em troca da expressividade do momento atual.

Na Pieces 3, somente HQs inéditas. Inéditas pois nunca apareceram na internet, nem em outro lugar. Inéditas porque 90% delas são desenhadas/finalizadas entre 2009 e 2010. Coisa nova, fresquinha!

Mas, voltando àquela HQ de 10 páginas. Vou dar o nome dela, assim não preciso ficar falando de quantidade de páginas.

Ela se chama "Burocratia".

Não é certeza que ela aparecerá naPieces 3. O maior motivo é que ela é baseada no conto de um grande amigo. E eu não sei atéque ponto a Pieces deve ter roteiros/arte de convidados. No caso da Pieces 1, temos a "Café da Manhã", que foi baseada num poema de Jaques Prevert. Mas no caso, foi baseada. E o Jaques não é meu amigo, e nem está vivo, enfim. Já a "Burocratia" é baseada num conto recente, adaptada praticamente literalmente, de um autor atual.

Estou pensando ainda. Se ela não sair na Pieces 3, quem sabe logo logo ela aparecça em outro lugar. Mas lugar de HQ não é na gaveta, é nas revistas, pra ser lida, pra ser interpretada, pra gerar feedbacks e por aí vai. Ninguém conta histórias sem público pra ler e ouvir.

Já essa semana começou um tanto estranha, com uma segunda-feira sem conseguir trabalhar em nada. Um dia inteiro em que eu não estive à vontade pra desenhar, ou fazer qualquer coisa. É algo que preciso entender aqui dentro, e ver como eu posso lidar.

E, às vezes, saber que você precisa sair para dar uma aula ou fazer algum compromisso, e na verdade, querer estar aqui, quieto, deixando as idéias fluírem, o lápis correr e os pincéis se molhares de nanquim... e não poder.

Eu tenho um sistema estranho de funcionamento, e isso pode ou não vir ao caso aqui no Blog'n'Roll. Não existe um padrão, mesmo que a rotina dos compromissos externos seja a mesma há uns anos.

Talvez hoje eu fique enrolando sem saber o que fazer até a hora da aula, pode ser que eu produza feito um monstro e não queria sair pra dar aula.

De qualquer forma, Pieces 3 está no forno, assando. Os ingredientes estão sendo preparados, e em, breve, darão resultado a uma nova leva de pedaços de vida, onde cada um sente um sabor diferente.

E só pra constar. Todos os pedaços permanecem intactos.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Trabalho em Grupo



Deu vontade de escrever sobre isso ontem à noite...

Lembra quando você estava na escola, ou faculdade (ou se você ainda está em um deles), e o professor pedia um trabalho em grupo? Você era de qual facção?

A dos alunos que simplesmente não fazem NADA pelo trabalho e esperam que outras pessoas façam?
A dos alunos que tomam a liderança, correm atrás de tudo, lidam com a incompetência e a desatenção (e o desinteresse, por que não?) dos outros do grupo, e prezam por um trabalho bem feito?
Ou a mais rara, a dos alunos que fazem sua parte bem-feita e participam para o bom funcionamento do grupo, semp recisar corrigir, reescrever ou mesmo fazer toda a parte dos outros?

Pois é.

Tomar a liderança num projeto é uma coisa complicada. Se você acha que tem calibre pra coordenar as pessoas, faça. Não dá pra ficar sempre ouvindo outra pessoa te dizer o que fazer. Muitas vezes você tem exatamente a noção de como as coisas podem ser feitas. Fale com as pessoas. Nem que seja para você virar o "chefe" da turma. Vire. O seu trabalho precisa ser feito, e é melhor que seja bem feito.

Claro que num mundo real nem sempre essas utopias funcionam. Temos toneladas de pessoas que copiam um texto do Google, sem fonte, sem referencial, e colam no Word. Tem gente que precisa resumir algum texto e não sabe nem pontuar seu próprio. Tem pessoas que precisam seguir um modelo de texto e formatação, e ignoram isso e simplesmente fazem de qualquer jeito. Tem quem precise pesquisar as coisas pra saber como se faz direito, e nem pra abrir o Google e procurar...

Tem visitas a serem feitas, entrevistas a serem gravadas, e sempre aqueles mesmos 2 ou 3 alunos que vão. As desculpas são sempre justificáveis, quando sequer são dadas, mas não são sempre boas. Um problema chato é quando, depois que tudo foi feito, bem feito, e por poucas pessoas, o reso do grupo pode se defender dizendo que aquelas pessoas tomaram as rédeas, centralizaram as coisas, que, se fosse dado algo pra eles, eles fariam.

Fariam nada.

É muito mais fácil você dizer que ajudaria depois que a coisa está pronta. É muito fácil taxar seus colegas de centralizadores depois que eles fizeram tudo que você não fez ou fez nas coxas.

É, meninões. Não é fácil. Como aluno e como professor, já me deparei com situações semelhantes. Mesmo num trabalho profissional, quando é em grupo, precisa ter um equiíbrio, uma entrega, dedicação. Nos quadrinhos, temos alguém que age como editor, e muitas vezes é essa pessoa que coordena o trabalho. Já trabalhei com editores fantásticos. Daqueles que estão abertos a conversas e troca de idéias, porque formaram um time decente e sabem que o resultado vai ser bom.

Não sei qual é minha conclusão nisso tudo. Só precisava elaborar um pouco mais o tema.

Na Pieces, eu sou meu editor. Eu sou todas as etapas do processo. Nem sempre esse modelo ajuda, já que a Pieces também não é minha única prioridade.

Hpje acordei cheio de vontade de trbalhar na Pieces 3. Tem um roteiro de uma HQ de 1 página lá na prancheta me esperando. Recebi um telefonema pra uma reunião sobre um possível freela. Estou aguardando retorno do Colégio pra saber se vou ou não ter alunos suficientes hoje pra dar aquela aula que ocupa toda minha tarde. E à noite, saio para comemorar com meus amigos o sucesso do grande Eduardo Ferigato, que vai desenhar nada menos que O Fantasma!!!

Se eu pudesse escolher, de verdade, eu faria a Pieces até as 21h e depois sairia comemorar. Independente de quem paga melhor.

Mas nem sempre dá certo.