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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Entre Imagens e Fumacinhas

 Oi, pessoal! Essa semana saiu, finalmente, a nova edição da revista Casa D'Italia. 

Escrevi, para esta edição, um texto sobre quadrinhos no Brasil e n Itália. Para quem já conhece bem gibis e fumettis, não tem grandes novidades, mas achei bem interessante a possibilidade de que pessoas que não leem mais quadrinhos possam ter acesso mais algumas informações e quem sabe retomar o hábito de ler esse material.


Para ler, você pode acessar esse link.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Opinião - Propostas absurdas

O que chamamos de "mercado de trabalho para desenhistas, ilustradores, designer, quadrinistas e afins" (chamaremos só de "mercado" pra facilitar, mas já adianto que esse termo vai render uma outra coluna mais pra frente) é um tanto peculiar. Entre projetos incríveis, oportunidades imperdíveis e a infinidade da internet para mostrar e consumir, sempre existem as propostas absurdas, clientes mal-informados (e, às vezes, mal-intencionados mesmo) e armadilhas. É comum entre nós, nas conversas e aulas, compartilharmos essas histórias. Acho inclusive importante, não como combustível de mimimi entre gente rancorosa, mas sim como um tipo de alerta bem-humorado (o desabafo está implícito, sempre) que pode render conselhos e soluções interessantes dos colegas. E, mais importante, pode render aprendizado e autoconhecimento como profissional para saber lidar com essas situações ao longo do trajeto (porque, você sabe, elas vão continuar acontecendo).

Feita essa introdução meio longa, vamos ao fato que me levou a escrever mais esta coluna. Essa semana, minha amiga Mariana Guerra me marcou em um post da página "Vagas Arrombadas" do Facebook. Fui lá, curioso para ver, e encontrei a imagem abaixo:


A incrível proposta em pauta.

Hmm.

O nome de quem fez essa postagem foi apagado pela própria página, obviamente. Mas esse é um tipo de proposta que encontramos e encontraremos pelo nosso trajeto como artistas. Nesse caso, mais especificamente e foco do meu texto, quadrinistas (e aí vale todo mundo no processo criativo, desde o roteirista até o editor). Nada muito novo, mas como a coisa foi recente e eu compartilhei, gerando uma interação bacana com meus amigos e alimentando o post original, vale a reflexão.

A proposta já chega com uma sinopse pronta, e vou supor aqui, que o artista "contratado" não teria muito o que contribuir nessa etapa. O autor proponente parece já ter "tudo resolvido", e precisa de um artista mais como "mão-de-obra" pra produzir as páginas do que como coautor. Se fosse assim, com um pagamento acertado, justo e coerente, e o artista topasse, manda ver. Mas eu sou, sempre fui, muito a favor da coautoria. Isso é, criar junto, elaborar tudo do começo para que o projeto seja não só de uma pessoa, mas de uma equipe toda. Quanto mais definida estiver a ideia e o roteiro originais, e também quanto menos maleável for o projeto, menos espaço um artista tem para se colocar. A ideia da coautoria cai por terra, fazendo do artista "apenas" um tipo de "mão-de-obra contratada".

A proposta também deixa claro que o artista não será pago. Isso acontecerá quando - e se - o projeto gerar lucro. 50% para cada autor (considerando que seriam só roteirista e artista) não é tão absurdo assim, se formos pensar justamente, tanto na esfera financeira quanto artística - a autoria de fato. Agora, qual é a vantagem disso para qualquer artista? Sinceramente, já produzi muito quadrinho nos meus mais de 10 anos de carreira. Já fiz projetos solo, em parceria, como contratado. Em todas eu sempre tentei fazer junto, de forma horizontal. A ideia de mergulhar num projeto de outras pessoas envolve um comprometimento grande... E o que há em troca?

Quero dividir esse pensamento em duas frentes: o trabalho em si, e o pagamento por ele.

Primeiramente (fora Temer), a produção. Roteiro também é difícil, leva tempo e exige criativamente. A gente pode pensar que, para sentar e escrever um texto no Word ou num caderno, é coisa simples. E comparar com o desenho e todas suas etapas, material e tempo, faria parecer que ilustrar é muito mais trabalhoso - e portanto, merece mais pagamento - que o texto. Isso não é bem verdade, pois depende de diversos fatores. Não quero entrar no mérito de comparar essas duas etapas, e estou considerando que o artista nessa proposta fará o desenho, cores e balões. Durante a produção de Terapia, eu cuidei sozinho de toda a produção visual: lápis, nanquim, cores, balões; e também dos posts no site e a maioria dos textos de apoio nos posts. A partir do capítulo 8, eu comecei a ajudar mais ativamente no roteiro. Isso tudo leva um tempo considerável, ainda mais se pensarmos que produzir Terapia nunca rendeu nenhum ganho financeiro (exceto, obviamente, os livros que vendo nos eventos, mas isso fica pra outro texto).

Nunca devemos desmerecer o trabalho do roteirista pela parte mecânica da coisa (escrever de fato), pois há processos intelectuais imensos por trás de tudo isso. E considerar o tempo dedicado como fator de comparação de valor é injusto, visto que tem gente que, para produzir textos, leva dias e dias enquanto existem desenhistas que, em 2 horas, resolvem uma página inteira. Tudo é relativo, e, se no final das contas, os autores (veja, AUTORES e não AUTOR E DESENHISTA QUE TOPOU O ROLÊ) decidem que 50% dos ganhos para cada um é justo, então é justo para eles e ponto final. O que não podemos fazer é decidir de forma injusta para a equipe presumindo valores equivocados para as etapas de produção.

Além disso, pode-se refletir sobre as vantagens artísticas do projeto. Uma ideia de benefício mútuo, evolução artística e profissional, pode fazer com que uma equipe se amigos ou mesmo de desconhecidos se una para gerar um projeto bacana. A ideia é crescer juntos, criar juntos. Todas as etapas têm seu valor no projeto, artisticamente falando. Se o projeto não te parece tão interessante, se não te puxa pelo coração, não te instiga tecnicamente... Enfim, oque tem de realmente relevante para que você se envolva, dadas as circunstâncias (não só nessa proposta em pauta,quando em qualquer outra)?



Segundo, agora sobre pagamento. Tempo é dinheiro. Ponto final. Quem TRABALHA com arte em geral o faz por gostar disso, muito provavelmente, mas porque é um trabalho que gera dinheiro que é usado para pagar contas, como qualquer outro trabalho. A proposta sugere que não haverá pagamento nenhum pro artista. No texto original, consta a pérola: "Você, quadrinista, trabalhará de graça até que a obra seja publicada". E fecha com outra: "Terá que ter disponibilidade para fazer uma página por dia". Ai, ai. Olha, veja bem, eu já fiz MUITO quadrinho de graça. Em certos casos, eu até "paguei para fazer quadrinho", no sentido de que além de não ganhar dinheiro, eu ainda gastei dinheiro (com material, reuniões, contas da casa, compra de exemplares, etc.). Fazer um projeto de quadrinhos sem ser pago por isso é, na real, muito mais comum que o contrário, especialmente no Brasil. Não temos um mercado sólido e gigante que permita esse tipo de trabalho nos moldes dos mercados internacionais. Então, quem faz está realmente dedicando seu tempo e talento para produzir algo no que acredita de verdade. Não critico isso. A minha crítica maior nessa proposta é justamente COMO se propôs o trabalho. A construção da frase  "Você, quadrinista, trabalhará de graça até que a obra seja publicada" beira a arrogância. Não é assim que se busca um parceiro para um projeto autoral sem garantias. Talvez, se a frase fosse melhor construída, não gerasse tanto incômodo.

A ideia de produzir uma página por dia também é um pouco complicada. Isso depende de muitos fatores. Sei que existem roteiristas com exigências imensas em relação à arte, seja em questão de realismo ou estilização, de referências, de detalhezinhos. Quanto mais a produção da página for atender minuciosamente todos os desejos mirabolantes do roteirista (supondo que seja assim), mais tempo leva pra finalizar. E tempo, jovens, é dinheiro. Tempo é a única coisa que você nunca vai conseguir ganhar ou comprar de volta. E nem todo artista consegue, de fato, produzir uma página por dia: ou seu método é elaborado, ou desenha devagar, ou tem afazeres diversos (estudar, cuidar da casa, trabalhar em algo que realmente pague as contas, etc). A questão é de prioridades, também, pois nem todo artist pode ou vai dar prioridade para um projeto destes. Na balança, pesa sempre o que vai pagar contas ou é mais relevante pro artista.

Usando o exemplo de Terapia mais uma vez: no começo, publicávamos uma página por semana, toda quarta-feira. Essa página era feita na mesma semana e costumava levar um dia de trabalho (do layout à publicação, sem contar o roteiro que já estava pronto). Enquanto eu produzia semanalmente Terapia, eu também dava aulas, fazia freelas e produzia o Dom Casmurro. Terapia não dava dinheiro, mas eu tinha como me dar o luxo de focar um dia nesse projeto. Com o passar do tempo, não só eu como Rob e Marina passamos a ter muitos outros projetos, compromissos e problemas, o que fez com que Terapia virasse quinzenal. Houveram vários atrasos na publicação das páginas, o que me comia por dentro. Mas era o que dava para fazer: nunca paramos de produzir, mas desaceleramos. E n~]ao tinha como um exigir do outro mais foco se aquilo não era a prioridade financeira, e em certos momentos, nem artística. Hoje, estou desenhando o segundo volume de Monstruário, totalmente sem financiamento. Ou seja, faço porque quero, mas principalmente porque é um projeto meu (e do Lucas, claro) no qual acredito muito e pelo qual eu sou um dos responsáveis. Enfim, o nível de dedicação exigido não é compatível com a proposta de pagamento, mesmo considerando que possa gerar lucro com vendas mais pra frente.

No caso, o meu conselho é simples: fazer parceria em projetos de quadrinhos (visto que a maioria não envolve dinheiro garantido e/ou rápido), envolve afinidade, comprometimento e crescimento mútuo. Não é para não fazer. É para, se for fazer, entrar sabendo das condições e com pé no chão.

Esse nível de exigência da proposta pode até mostrar que o autor (e, provavelmente, o projeto inteiro), não são profissionais, e sim a coisa toda é um projeto de início de carreira, uma aposta, um sonho. E não dá pra exigir do parceiro de trabalho prioridade e dedicação total em troca "de nada - ou pouco". E é muito provável que os artistas que se interessem pela proposta tenham, de fato, tempo e vontade de se dedicar, mas é provável também que sejam artistas iniciantes, sem muita vivência (note que isso não tem a ver com a qualidade do trabalho). Veja só, pela proposta, eu imagino que o roteirista não aceitaria fácil um artista novato com trabalho ainda cru; e artistas, profissionais ou não, com um trabalho bem desenvolvido e vivência na área, dificilmente embarcariam num projeto com essa proposta. Temos aí, então, um problema.

Vamos comentar rapidamente o tipo de "venda" desse projeto, proposto pelo autor: Amazon, Social Comics e, quem sabe, editora tradicional". Talvez o autor que fez a proposta não conheça direito o mercado de quadrinhos brasileiro. Talvez conheça muito bem. Eu não faço ideia, não sei quem é a pessoa. Mas deduzo que não conheça bem, pela proposta. Enfim, vendas de e-books na Amazon são muito, muito pequenas. Ainda temos a cultura do impresso muito forte, e muitos leitores preferem pagar mais pelo liro do que menos pelo e-book. Sucessos de vendas em e-books são, invariavelmente, produções de muito apelo popular, e nem sabemos como isso seria no caso da proposta em pauta.

Social Comics é complicado, não sei dizer se tem sido lucrativo para os autores. Para mim, não é muito. Mas é bom ter seu material lá. Segue a mesma lógica da Amazon, misturada ao Netflix. Se for muito, muito lido, rende mais dinheiro. Para ser muito lido, precisa ser muito popular e/ou muito bom, e precisa de usuários na plataforma para ler. Uma vez que os usuários que se interessam pelo seu título já o leram, dificilmente vão ler de novo. Então, se não há qualidade suficiente e aumento constante de leitores na plataforma, não adianta que não vai render muito dinheiro.



E sobre editoras, a conversa é longa, mas resumindo: a editora precisa ter interesse na obra, porque vai produzir um produto que precisa ser vendido. Pra vender, tem que ser popular e muito bom,e quase sempre, feito por autores que já têm uma experiência e um nome mais ou menos formado. Nada garante que seu projeto vai ser interessante o suficiente para uma editora publicar, e se o fizer, vai lidar com tiragens provavelmente muito pequenas, que vendem a longo prazo, e que rendem aos autores cerca de 10% do preço de capa (para dividir entre eles, não para cada um). Ou seja, tem que vender muito, muito mesmo para gerar muito dinheiro. E o ciclo continua.

(Em tempo: eu não sou contra publicar por editoras, mas é preciso conhecer o mercado e como isso funciona para não criar ilusões de um mundo ideal, não compatível com nossa realidade. Gostei muito de trabalhar com a Balão e a Jupati, por exemplo).

Enfim, não quero que esse texto seja totalmente definitivo, e não estou dizendo que os quadrinistas não devem entrar em projetos (como este, principalmente, não deveriam, mas cada um sabe o que faz). O mais importante é não se envolver com armadilhas ou projetos que não te considerem como coautor, e vão usar o que você produz de forma injusta. No final das contas, o que você decidir deve ser bom para você. Na dúvida entre um projeto maluco, com cliente/parceiro exigente demais e sem possibilidade de criar junto, e um projeto pessoal, prefira sempre o segundo.

O post original, com muitos comentários (a maioria criticando a proposta, ainda bem), está no Facebook. Clique aqui pra ir direto lá.

Espero ter sido útil! Apesar disso ser totalmente old school, podem deixar comentários aqui, e agradeço demais se compartilharem esse conteúdo pelas redes com seus amigos, desde que, claro, coloquem os créditos do texto e o link pro post original. Abração procêis.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Textos - Terapia e o blues

Rob Gordon, um dos roteirista de Terapia, tem um blog no Medium onde fala sobre blues: é o Sábado de Blues, e sempre tem informações, curiosidades e sons excelentes.

Na última semana, ele escreveu sobre os blues que usamos na nossa HQ Terapia.


“Terapia não é sobre blues, mas sim sobre psicologia”. Eu repito essa frase sempre que posso a respeito da webcomic que produzo em parceria com a Marina Kurcis e o Mario Cau — você pode ler todas as páginas publicadas até o momento, de graça, aqui. Mas sim, o blues é parte importantíssima da história, e eu nem tento negar isso.
Para quem não sabe, Terapia nasceu em 2011, com uma história que não poderia ser mais simples: um garoto de vinte e poucos anos não se sente e tenta descobrir os motivos disso em conversas com o seu terapeuta, descobrindo mais sobre sua vida e sobre ele mesmo — o único momento que ele se sente completo (ou feliz) é ouvindo seus blues antigos.

Leia o texto completo no Medium, acessando por este link.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Link - Não sabemos vender quadrinhos

Oi, pessoal! Tudo bem por aí?

Ando pensando muito, há muito tempo, sobre questões do mercado de quadrinhos que não envolvem a criação, produção e a figura do autor, mas sim na vendam distribuição, marketing, etc. E o texto que quero compartilhar com vocês, de autoria do grande Marcus Ramone e publicado pelo UniversoHQ na última semana, fala um pouco sobre isso e reflete várias opiniões que tenho sobre o assunto.

Confiram neste link e deixem suas opiniões nos comentários!

sábado, 28 de setembro de 2013

Jabuti desorientado

Essa semana, o jornalista e pesquisador Paulo Ramos publicou um texto sobre as obras de quadrinhos que foram indicadas ao Prêmio Jabuti desse ano, das quais meu Dom Casmurro faz parte.

Concordo com tudo que ele diz. O Jabuti não percebeu ainda a relevância das obras de quadrinhos e sua crescente produção no Brasil... Infelizmente nós, autores de HQ, dividimos categorias onde "podemos ser encaixados", como "Ilustração", com outros autores que merecem muito mais a indicação.

Para ler o texto completo, clique nesse link.

Vale lembrar que o Paulo é uma das maiores autoridades em HQ no Brasil, e assinou o prefácio da adaptação de Dom Casmurro, que eu e Felipe Greco produzimos, e que é indicada ao Jabutri nas categorias "Ilustração" e "Livro didático ou paradidático".


Estamos na torcida!


terça-feira, 3 de setembro de 2013

A primeira HQ

O Rob Gordon, além de ser um dos roteiristas da webcomic que eu desenho, Terapia, é um baita escritor.

Acompanho seu trabalho há anos, bem antes de Terapia começar a ser elaborado, e sempre me diverti muito com seu jeito de narrar, com suas crônicas divertidíssimas...

O Rob também escreve, para o site Papo de Homem, uma série de textos sobre Adão, o primeiro homem. E nesses textos, vemos Adão, esse cara como eu e você, em desventuras divertidas envolvendo Deus, Eva, Paraíso, e o fato de que, bom, ele é humano. :)

Seu último texto do PdH foi "A primeira HQ". Vocês podem ler AQUI, recomendo muito! Ótimo texto e ainda relembra o leitor sobre nosso projeto de fazer Terapia virar um belo livro.







terça-feira, 21 de maio de 2013

Mergulho e mantra

Venho percebendo cada vez mais que prefiro me dedicar a projetos de longo fôlego do que a múltiplos projetos curtos. Ou mesmo projetos longos, mas picados em fôlegos curtos.

Imagine que cada trabalho é um processo, com começo, meio e fim. Esse processo, quando tem foco dividido com outras coisas, acaba se diluindo e perdendo o ritmo.

E lá vem minhas analogias de novo:

Vejo o desenho como uma experiência rica, de imersão em uma linguagem não-falada, não-escrita. É quase como nadar. E meditar, ao mesmo tempo. Exige uma entrada, onde o artista se prepara, e mergulha. às vezes, mergulha de cabeça, às vezes, entra aos poucos, se acostumando com a temperatura da água.

Mas o fato é que, uma vez lá dentro, é preciso continuar nadando, senão você afunda. Essa coisa de manter o movimento, manter o foco naquela atividade, pode chegar ao ponto de virar um tipo de mantra, um tipo de meditação. Tudo se perde em volta, tudo perde o significado e resta apensas o desenhar.

Às vezes, minha respiração desacelera, e perco a noção do tempo totalmente. E sabe de uma coisa? Eu amo quando isso acontece. É aí que, de fato, sinto que estou desenhando com todo meu potencial... Não só a construção de uma figura, não é só o método ou a técnica: é transcender tudo isso, é não pensar muito e deixar a coisa fluir. É achar um ritmo e deixar-se levar por ele e levá-lo ao mesmo tempo.

Ritmo é muito importante para mim e pro meu processo de trabalho. Por isso ouço muita música. Às vezes, insisto na "música errada" pro momento ou pra determinado trabalho. Hoje em dia ouço coisas que não me imaginaria ouvindo há 10 anos atrás, mas é interessante perceber que várias músicas que me cativam são aquelas que são um clima quase narrativo. Certas músicas são como mantras, com ritmos repetidos e riffs em looping.

Isso pode acabar gerando no artista uma certa rotina, mas eu vejo segurança nessa rotina. Não gosto muito do caos infinito de não saber o que vem depois, de não saber no que focar. Quero foco, quero ritmo, quero meditar sobre meu trabalho enquanto vejo as imagens se formando na minha frente, sobre o papel, saídas do meu pincel e lápis.

Eu sempre repito com certo saudosismo dos meses que dediquei somente ao Dom Casmurro, no começo de 2012. Como o edital do ProAC possibilitou um foco maior no livro, parei com todos os freelances, com vários clientes, e desenhava, quase somente o Casmurro, todo dia, com uma disciplina absurda. No meio da semana, parava para fazer a página de Terapia e para dar aulas. E só. Queria terminar toda a arte do livro pois no mês de maio começaria a trabalhar pesado em Equipe Evoke (outro trabalho que rendeu muito foco e disciplina, mas de forma muito mais tensa. Depois eu falo disso) e não queria misturar as coisas.

A vida de freelancer é complicada demais, e ter dias da semana com horários totalmente diferentes entre si não ajuda muito. Pode ser que hoje você queira muito mergulhar no desenho e se perder naquele oceano todo, mas às X horas tem compromisso, ou é um dia cheio de aulas, ou até mesmo aparece um freela urgente que tomará todo seu tempo.

Não sou contra as aulas, nem contra os freelas. Preciso deles pois, como devem saber, as HQs não me rendem dinheiro algum. Mas é um certo incômodo quando, ao estabelecer um bom ritmo de trabalho (coisa que não vem fácil, acreditem... e olha que eu sou workaholic total), de repente acabo sendo "forçado" a sair dele para focar noutras coisas.

Isso tudo é necessário. Há que se treinar o desapego nisso também. Se eu fosse focar somente em produzir HQs todo santo dia, eu poderia acabar aparecendo com mais histórias diferentes, inúmeros projetos de vários temas. Talvez eu fosse muito feliz fazendo isso. Mas é inviável. Pelo menos, por enquanto.

Agora deixe-me voltar à prancheta. Preciso achar meu mantra de hoje, preciso conseguir mergulhar e nadar, mesmo que a água esteja fria ou meu fôlego esteja fraco.

Desenhar é preciso.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

O silêncio entre dois quadrinhos

Muitas vezes, o silêncio é uma boa coisa. Eu mesmo me considero um cara quieto, reservado. Claro, converso um monte com amigos e familiares e às vezes acho que falo até demais. Reflexo de ser professor, profissão valorizada só em tese por muita gente que não pode, efetivamente, mudar o status quo da profissão.

Mas o assunto não é ensinar, é o silêncio. E se ensina também pelo silêncio. Lembro até hoje de um depoimento no meu finado orkut (lembra disso?) de uma amiga e colega dos tempos de faculdade, que elogiava minha postura e o meu silêncio.  Eu me senti orgulhoso disso, não nego. Meu silêncio muitas vezes não é falta do que dizer, é o ouvir, prestar atenção. Não só nos outros, mas em tudo, no mundo, na vida. Um tipo de contemplação que muita gente não faz ideia de como atingir, pois nossa vida é bombardeada de imagem e sons e propaganda e... Enfim.

Esse pensamento de silêncio me fez querer escrever hoje aqui no blog.

Queria talvez explicar por que eu não ando postando tanto por aqui. Nunca fui um postador compulsivo mas convenhamos, esse blog fica às traças por tempo demais. E parte da culpa, arrisco, é de vocês, leitores, que não comentam mais nada que eu posto aqui, eheheh. Não dependo de comentários para postar coisas novas, mas saber que existe uma interação com quem escolhe me ler aqui é interessante.

Na internet, somos vozes solitárias, nunca sabemos se alguém ouviu o que dissemos. A não ser que exista uma resposta, uma curtida, um compartilhamento... É uma relação bizarra.

Apesar disso tudo, oque tem me feito não postar nada aqui é falta de tempo. E falta de organizar o tempo que me sobra, afim de poder escrever com mais frequência e tornar o Blog'n'Roll mais atrativo pros leitores.

Também me faz pensar, quando abro o Chrome e vejo, nas 8 janelinhas que mostram os 8 sites que ue mais acesso diariamente, que o 9gag empurrou a do Blog pra fora. Isso é lamentável. Decidi mudar isso hoje, e escrever.

Eu lembrei, mais uma vez, que HOJE, 17/4, é o lançamento de Dom Casmurro na Fnac do Shopping Parque D. Pedro. E eu não divulguei isso no Blog em momento algum. Por que, será? Talvez a falta de feedback. Mas muito disso se deve a uma organização desorganizada.

Vejo grandes artistas e escritores, alguns amigos, outros ídolos, mantendo blogs atualizados, mas não compulsivamente. Todos tem trabalho pra fazer, prazos para cumprir e as postagens nos blogs, raras, se tornam mais especiais ainda: um pouco da mente de cada um desses profissionais/seres humanos. Confesso que leio poucos blogs. Deveria ler mais, ler mais livros, revistas, sites, notícias...

Sim, deveria ler mais. E ver os filmes que peguei e estão numa pasta esquecidos. E ouvir os discos que peguei e tiveram o mesmo destino. Acredita que eu só assisti As Bicicletas de Belleville nesse último fim de semana...? (aliás, recomendo muito)

Por que então, não o faço? Ou faço com tantos intervalos? Porque, meus caros, existe a prancheta. Existem os Quadrinhos.

No exato momento em que estou escrevendo isso para vocês, na verdade deveria estar lá, desenhando a página de hoje de Terapia, que vai atrasar mais uma vez. Complicada, cheia de referências, muita pesquisa, delicioso. Do jeito que eu gosto. A HQ que mais gosto. Mas se eu não viesse escrever agora, esse texto (que já é maior do que eu planejava e não está perto do fim) se perderia totalmente.

Vocês devem saber (ou deveriam) que eu não ganho nenhum dinheiro com a webcomic Terapia (tampouco o Rob e a Marina). Geralmente, se formos considerar somente o caráter financeiro da coisa, eu costumo perder dinheiro com Terapia. Material, livros pra pesquisa, e claro, o tempo que eu dedico que poderia ser dedicado a qualquer outro projeto que rendesse algum pagamento. Não estou reclamando. Faço Terapia e amo a experiência. É meu melhor trabalho, com certeza. E vou continuar produzindo até o fim independente de ter pagamentos ou não.

Mas vejam, isso não é uma exclusividade minha, como autor. A maior parte dos quadrinistas (qualquer que seja sua temática, técnica, especialidade no processo) não ganha nada pela produção de suas webcomics. Talvez um ou outro autor, com um site mais visitado, tenha lá seus anúncios (que a gente sabe, não rendem grandes coisas), ou até conseguem vender produtos associados a seu trabalho (uma ótima iniciativa, já que a leitura da HQ é gratuita - pouca gente no Brasil explora o merchandising em cima de suas criações). Mas geralmente, não há dinheiro envolvido.

É produção por paixão, por amor, visando, talvez lá na frente, um livro, ou algum produto derivado, que serão levados a eventos e à loja online. Todas coisas que geram um custo, claro, e que não obrigatoriamente é compensado por vendas.

Ultimamente ando pensando muito em muitas coisas sobre a produção de HQ por aqui. Não cheguei a grandes conclusões: o mercado está crescendo, há muita produção e muita gente boa. Mas não considero ideal ainda.

É estranho pensar que isso é associado a algo cultural do nosso país (rico em cultura, pobre em cultura - pensem nisso). Queremos ver o programa de TV, não queremos ver a propaganda entre os intervalos. Queremos ler o livro mas não queremos pagar caro. Queremos ler webcomics todo dia/semana sem pagar um centavo por ela. Quem paga as contas, então, daquele pessoal que PRODUZ o que você consome?

Lembro aqui de alguns exemplos envolvendo isso.

Uns dias atrás, lembro do Fabio Coala (Mentirinhas), que recusou a publicação de suas tirar num jornal que não pagaria nada por elas. Comecei uma conversa com o Coala e com o cara do jornal, educadamente. O cara disse que ninguém na cadeia de produção desse jornal ganhava qualquer coisa. Perguntei então, sobre a gráfica e a distribuição, coisas que raramente se consegue "na parceria". Segundo ele, essas etapas também não são pagas. Todo mundo trabalha pelo amor da coisa, ou pela divulgação do seu nome. Acho complicado. Já fiz - e faço - projetos onde não ganho nada. Ninguém faz em troca de nada - pelo menos se pensa que aquilo vai levar seu nome e seu trabalho amais pessoas, e isso pode reverter em trabalhos remunerados, no futuro. Algo como um investimento...

Outro dia também, o Ryot (Ryotiras) escrever um texto muito sério, onde explicava que, devido a problemas infinitos com o atendimento ruim e o serviço mal-providenciado (e às vezes, nem sequer providenciado) de duas (DUAS!) companhias de internet/TV/telefone, não estava conseguindo manter a frequência do seu site, um dos mais bacanas das webtiras brasileiras. Não é que ele não queria produzir as tiras. Não é que o computador pifou. Não foram outros projetos. Ele não conseguia internet pra poder trabalhar com as tiras. (aliás, vale comentar, que, segundo o próprio, ele já trabalha 10 horas por dia em outro emprego, e AINDA tem o pique se manter o Ryotiras). Por isso, ele estava parando. Ryotiras agora está em stand by, e não sei se volta. Duas companhias de internet, com seu trabalho péssimo, causaram o silêncio de um dos mais prolíficos autores de HQ da internet. E, mesmo assim, teve um leitor que teve a audácia de comentar lá, dizendo que o autor não postava por não querer, e todo aquele papo (fácil pra caramba de ser dito por quem não produz nada e não entende nada do que é ser quadrinista) de vagabundagem e etc. O Ryot respondeu, educadamente, claro. E pronto.

Ontem, senti orgulho de um ex-aluno, o Tila Barrionuevo. Baita ilustrador, postou ontem a mensagem que recebeu de alguém (talvez o promoter ou algo assim de um espaço cultural, ou bar, ou festa, sei lá). A pessoa perguntava se poderia usar a arte do Tila para divulgar o seu negócio (porque É um negócio, até onde eu saiba), e que colocaria o nome dele e o link do portfolio, e que isso com certeza traria muitas visualizações pra ele. O Tila respondeu agradecendo, mas não: "infelizmente, visualizações não pagam minhas contas". Simples, correto, direto ao ponto. E é verdade.

Vejo tiras do Will Leite, da Ila Fox, do Ricardo Coimbra, do André Dahmer, entre outros, flutuando pela internet e aparecendo, muitas vezes editadas, em sites aleatórios. Quando vejo, faço questão de comentar e marcar o autor. Mesmo que ele esteja creditado, aliás. É muito fácil pegar uma obra de arte/entretenimento da internet e replicá-la, mas o mínimo ético é creditar a pessoa que FEZ aquela obra.

Dia desses também ocorreu algo bem complicado com o Rob Gordon. Só pra não ficarmos só nas HQs. O Rob escreveu um texto sobre as declarações do pastor Feliciano sobre a morte de John Lennon. Um bom texto, texto do Rob, claro. Depois de um tempinho ele veio anunciar no facebook que uma tal pessoa, Suzana Pequeno (guardem esse nome e DENUNCIEM), tinha postado esse mesmo texto dele. Acostumado a ter seu trabalho compartilhado e retuitado, a princípio parecia alguém que curtiu mesmo o texto e quis passar pra frente. Mas ele acabou vendo que ela deu uma mexidinha numa parte do texto, e estava, na verdade, ASSINANDO como autora. É MUITA cara-de-pau pro meu gosto. Se gostou do texto, é só compartilhar, creditando o autor original, e dizer que gostou. Não se pega a obra de outra pessoa e assina como sua. Isso é CRIME.

Enfim, esse incômodo me pega há tempos. Já fui vítima de plágio e estou resolvendo isso. Fica pra outro texto. Mas que tipo de pessoa se acha no direito de cobrar um autor que produz gratuitamente, e ainda chamá-lo de vagabundo? Que tipo de companhias de prestação de serviços temos pra lidar (todas, já aviso) que são incompetentes no que fazer em quase todos os níveis, causando problemas pra vida de muitos profissionais (que pagam tudo certinho, sempre, claro)? Que tipo de relação é essa, e até quando ela vai ser tão comum, de querer usar seu trabalho sem custo pra divulgar outra coisa (que geralmente, rende dinheiro, que nunca é revertido pro autor de tal obra)?

Pessoal, produzir conteúdo artístico, cultural, de entretenimento, não só não é fácil como tanta gente acha, como CUSTA. A vida de todo mundo é regida por impostos, dinheiro, prazos. A companhia de luz não quer saber se tenho freelas suficientes, eles querem ter a conta paga. Porque eu USO a energia que eles providenciam. Agora, quando é a minha vez, a nossa vez, a vez do profissional, do autônomo, do freelancer, de cobrar o que lhe é devido, isso vira uma relação complicada. Já tive experiências com agências onde os prazos eram absurdos, as alterações infinitas, a exigência de qualidade no alto... E, como de costume, o pagamento é só pra depois de 30 dias da entregado material. Às vezes, 60 dias. Às vezes era esquecido. Às vezes, EU tinha que rastrear quilos de emails em busca das conversas onde foram acertados valores e parcelas, porque o próprio cliente não sabia como tinha sido combinado.

E então, o autor, o produtor de conteúdo, que deveria estar na prancheta, no estúdio, no computador que seja, escrevendo ou editando ou modelando, ou etc, perde TEMPO cuidando de burocracias, de cobranças, de conversas desnecessárias, para que tudo seja feito do jeito certo. O que se costuma ver é quem está mais na base da cadeia sendo totalmente ético e trabalhando certinho, e quem está no topo tendo o comportamento muitas vezes oposto. É complicado. Expanda isso e veja como é nosso governo. Entendeu?

Bom, o tempo que eu "perdi" aqui escrevendo não será revertido em qualquer tipo de remuneração. O que ganha-se então, no final das contas? Talvez a satisfação de ter posto pra fora alguns pensamentos... Talvez de saber que, lendo isso, algumas pessoas podem entender melhor como funciona a nossa vida de autor, e quem sabe com isso, ajustar o comportamento. Sabemos que ninguém é certinho ao extremo. Mas dá pra chegar perto. Dá pra ser menos cara-de-pau, menos anti-ético, menos babaca.

Depois disso, vou almoçar (já são quase 13h por aqui e preciso ainda resolver o almoço), e depois, volto à página de Terapia, a outros projetos que não render pagamentos (pelo menos não agora), e amanhã vou pra Pandora dar aulas o dia todo, na esperança que meus alunos um dia não precisem pensar tanto nisso ou escrever em seus blogs certos desabafos que eu coloco aqui, ali e acolá.

Juro que isso não é mimimi. É querer de verdade uma situação de trabalho boa, decente, para mim e meus amigos autores. A gente que ganha a vida produzindo imagem, textos, música, e tantas outras coisas que são adoradas e reverenciadas pelo povo em geral, mas que quando se fala em pagamento, em direito autoral, ou seja, na parte SÉRIA da história, todo mundo dá um passinho pra trás.

Às vezes eu fico cansado das coisas que vejo por aí. Da política, das tragédias, dos crimes, da malandragem, do descaso. Fico com vontade de desabafar oque penso sobre isso, e hoje eu fiz exatamente isso. Sobre os assuntos que eu de fato vivo e domino.

Estamos aqui, na linha de frente, e somos de todos os tamanhos e estilos. Só queremos fazer o que fazemos de melhor e dar às pessoas conteúdos bacanas para que possam se entreter e ter uma vida mais rica e inteligente. Mas não podemos fazer isso de graça o tempo todo. Amamos o que fazemos, pois se não amássemos, se não fôssemos apaixonados e obcecados por isso, não faríamos. Mas isso não é desculpa para fazer ganhando pouco ou nada. Nosso conteúdo - tanto pessoal quando produzido - é de um valor considerável.

Espero não ter enchido demais o saco. Espero poder alimentar mais esse blog, e principalmente com notícias boas! Espero não ter parecido um mercenário. Espero que nos vejamos por aí!



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O fim do Quarto Mundo

Oi, pessoal.

Essa semana saiu oficialmente a notícia de que o Quarto Mundo, coletivo de quadrinistas independentes, está encerrando suas atividades.

É um momento meio triste para o Quadrinho brasileiro, ver o coletivo que foi referência para autores independentes, e que arrisco dizer, foi responsável pela retomada da produção de HQ independente, especialmente em grupos organizados de autores, decretar o seu fim.

Entrei no Quarto Mundo em 2008, logo após desenhar um capítulo da Nanquim Descartável #2. Como membro, editei e produzi vários títulos (Pieces #1, #2 e #3, Burocratia e By the southern grace of God), e participei de outros mais (Nanquim Descartável #2, #3 e #4, Quadrinhópole #8, Subterrâneo, Almanaque Contos da Madrugada, Clube da Voadora #2, e várias edições da Café Espacial)

Também participei ativamente de eventos, dentre eles o mais memorável com certeza foi o FIQ de 2009.

O Quarto Mundo, como foi criado e idealizado, já não conseguia funcionar direito nos últimos meses. A ideia de que todos os membros contribuam com alguma atividade acabou se perdendo em meio a muitos membros que não eram mais membros, e muitas responsabilidades pesadas caindo nas mãos de poucas pessoas, que seguravam o rojão e acabavam levando o coletivo à frente. Claro, sem querer citar nomes nem nada, não é uma questão de culpa, e sim de responsabilidades.

Meus 4 anos no coletivo foram cruciais pro meu crescimento profissional. A presença no coletivo também ajudou na divulgação do meu trabalho, que com certeza não chegaria tão longe, pelo Brasil todo, quanto chegou; e por isso sou muito grato. Mais do que tudo, os amigos que fiz e as parcerias que aconteceram, e os novos autores que tive o prazer de indicar e orientar no grupo.

Nos últimos tempos sentia o cansaço dos membros mais ativos, e uma vontade de revitalizar o coletivo com algo novo, algo que chamasse a atenção da mídia e dos leitores de volta para nossos trabalhos. No ano passado, então, visando isso, escrevi um projeto para um álbum especial do Quarto Mundo, que traria HQs inéditas de todas as séries dos autores do coletivo, como uma carta de apresentação para novos leitores, e uma coletânea para os velhos leitores.

Infelizmente, mesmo com a proposta de editar sozinho esse livro, e contando depois com a co-edição de pessoas que admiro pelo trabalho e pessoalmente, o projeto não foi para a frente e problemas que julgo primordiais nesse tipo de trabalho apareceram. Mais uma vez, sem julgamentos de culpa aqui, só acho interessante enfatizar que nós tentamos criar algo novo, e esbarramos nas dificuldades que um coletivo independente com uma ideologia sempre vai apresentar. Isso é normal, mas travou o processo.

Produzir HQ independente requer muito esforço, dedicação, sacrifício e muita disciplina... Ir a ventos, conversar, vender seu trabalho... Escrever, re-escrever, desenhar e re-desenhar, editar, revisar, orçar com gráfica, planejar tudo... Coisas que não são fáceis de atingir, e que tomam tempo. Quem faz, o faz por amor mesmo, por um tesão imenso em produzir HQ, em contar histórias. Sempre que posso, oriento e dou dicas para o pessoal que quer começar, e não tem começo melhor do que produzir um zine ou uma HQ independente.

Mas é claro que a progressão natural das coisas é a evolução. A outra opção é a estagnação. Eu optei pela primeira, desde que comecei a publicar. E me parecia natural que o Quarto Mundo não fosse um trampolim, muito menos um lance de "qualquer coisa pode ser publicada com o selo". Me parece natural que o Quarto Mundo fosse um tipo de estágio de aprendizado, onde autores novos tivessem um respaldo de autores mais experientes, uma orientação; e que o espaço que o coletivo ganhou pela qualidade e variedade de seus títulos fosse usado também para apresentar novidades.

Nesse sentido, achava que se um autor achasse por bem sair do coletivo, ou se dedicar menos a ele enquanto foca em sua carreira, não seria um ato egoísta ou mal-agradecido. É só a progressão natural das coisas. Não se trata de fama ou glamour, se trata de encontrar novos desafios e espaços, conquistá-los mesmo. Eu sei que meus planos continuam, estou cheio de ideias e planejo um ano bem produtivo para 2013.

O fim de algo importante é sempre impactante, para os envolvidos. Talvez a repercussão disso na mídia seja menor do que quando a gente surgiu, mas tudo bem. Hoje, 5 anos depois, vemos vários outros coletivos ótimos produzindo HQs de qualidade, e isso é o que importa. Não importa quem começou o que, importa que os autores nunca desistam e nunca parem de produzir. Fazer HQ independente nunca foi fácil, mas hoje é muito mais possível.

Não guardo mágoa de nada nem de ninguém. Só guardo a experiência, as amizades e a certeza de que, apesar do coletivo ter se desfeito, ainda somos todos amigos e quadrinistas, e com certeza estaremos juntos em projetos novos, eventos e mesas de bar e lançamentos. É isso que importa, e não o rótulo. Em especial, queria deixar registrado meu respeito, amizade e um baita abraço para os, mais que colegas de HQ, amigos: Daniel Esteves, Will, Cadu Simões, Ana Recalde, Giogio Galli, Marcos Venceslau, Marcelo Saravá, Caio Majado, Hugo Nanni, Edu Mendes, Leonardo Melo, Jozz, BiraDantas...

O saldo é muito positivo. Devo muito da minha projeção, e a do meu trabalho, ao coletivo. A minha experiência foi riquíssima, e, sendo um cara que mergulha de cabeça em tudo que me parece interessante e desafiador, só tive a aprender, mesmo quando errei em alguma coisa. Esse jeito de agir me fez vestir a camisa e batalhar pelo que eu acho bom, pelo que eu acredito.

Chegou a hora de continuar em frente. Então é só virar a página que tem mais HQ do outro lado.



Abaixo, leia o release oficial do coletivo, e a imagem de despedida do nosso mascote, ilustrada pelo Will.
Um link, também, para a matéria do Blog dos Quadrinhos, pelo Paulo Ramos.

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Quarto Mundo chega ao fim após 5 anos de existência




     Centenas de quadrinhos lançados, participação em eventos por todo o Brasil, dezenas de oficinas ministradas; uma verdadeira escola em termos de produção independente de Histórias em Quadrinhos. Com este saldo, o coletivo de quadrinistas Quarto Mundo anuncia seu fim. 

Fundado oficialmente durante o Festival Internacional de Quadrinhos - FIQ 2007, o coletivo fez história ao reunir artistas independentes de todo o País para participar de um festival de renome.    

Chamando atenção logo de início, o grupo cresceu a partir de várias propostas. Com uma organização descentralizada, o objetivo era que todos trabalhassem em alguma das atividades que o grupo desempenhava em prol dos seus membros: publicações, distribuição, divulgação, internet, tradução, participação em eventos e outras frentes, em todas as cidades onde membros do coletivo estivessem presentes. A experiência deu frutos muito importantes e promoveu de forma única o trabalho de diversos autores.  

Quando o Quarto Mundo surgiu, poucas editoras publicavam artistas brasileiros, o mercado independente era formado por um grupo restrito de autores e a mídia via os autores de quadrinhos como artistas marginais. Hoje, há uma profusão de publicações brasileiras nas livrarias, o mercado independente é formado por uma infinidade de grupos e autores em todos os estados e quadrinistas participam de exposições e aparecem constantemente na mídia como personagens influentes do meio cultural.     

Apesar do Quarto Mundo não ter inventado nada, o mérito do grupo está em ter conseguido aglutinar várias forças criativas, inclusive de gerações distintas, em torno de uma ideia de coletivo, participando de um momento chave da história da produção independente nacional.   

Em sua história, o Quarto Mundo participou de dezenas de eventos; ganhou prêmios como HQMix, Ângelo Agostini, Bigorna e DB Artes; incentivou o mercado nacional e serviu de inspiração para muitos. Agora, com a sensação de missão cumprida, é hora dos participantes do grupo seguirem novos caminhos, formarem novas parcerias e buscarem atingir novas metas, ou até mesmo novas estratégias para alcançar as velhas demandas sempre presentes na produção nacional.  

Para comemorar essa etapa concluída, o Quarto Mundo vai realizar uma festa na HQMIX Livraria, no dia 15/12/2012. Serão dezenas de revistas a preços imperdíveis, além de sorteios e atividades diversas. Uma ótima chance para quem ainda não conhece os títulos que carregaram o selo do coletivo durante todo esse tempo de atividade.      Serviço:Festa “Fim do Quarto Mundo”Data: 15/12/2012, a partir das 18 horas.Local: HQ MIX Livraria.R. Tinhorão, 124 – Pacaembu, São Paulo.(11)3259-1528

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quinta-feira, 10 de março de 2011

Errata

Oi, pessoal!

Recebi um email do colega ilustrador e artista plástico, Huggo Piccolo, me alertando sobre um erro meu num post aqui no Blog'n'Roll, mais especificamente, "10 dicas para um ilustrador". Vou aproveitar a deixa para me corrigir aqui, e agradecer ao Huggo pelo toque!

Aparentemente, o texto que publiquei aqui não é de autoria do cara, como tinha sido informado. Esse texto foi aparentemente "clonado" de um texto do ilustrador Rubens Lima, que eu infelizmente não conheço.

Cerca de 7 trechos do texto do Rubens, entitulado "Ao Ilustrador Iniciante" (que eu recomendo!) foram pegos e adicionados ao texto do outro autor.

Então, segue aqui meu pedido de desculpas ao Rubens, pela atribuição de autoria errada, e um tapinha na orelha do cara que copiou trechos do texto do Rubens e passou pra frente sem mencionar a autoria.

Segue dica do Huggo: "Sem vc saber (a culpa não é sua), vc está divulgando o plagiador em vez de divulgar o original (http://portaldoilustrador.blogspot.com/search/label/Rubens%20Lima). A comprovação da semelhança entre os dois textos (mostrando como este Daniel plagiou Rubens) está no site do próprio Rubens Lima, neste link, onde eu descobri o ocorrido: http://www.rubenslima.com.br/p/apenas-semelhancas-voces-mesmo-julgam.html


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tocaia, quadrinhos e elitização da cultura

Texto muito pertinente do Gilberto Maringoni, vale a pena ler.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4463
Tocaia, quadrinhos e elitização da cultura

Gilberto Maringoni

Acabo de lançar um livro de histórias em quadrinhos. Chama-se "Tocaia", tem 110 páginas (algumas coloridas) e 14 histórias. Custa 45 reais. Não vou ficar aqui falando do que penso serem as qualidades do livro, o que seria o cúmulo do cabotinismo. Todo autor gosta de ter seu livro vendido, lido e comentado. Espero que todos comprem o livro.

Meu livro não é barato. Cada vez mais os quadrinhos deixam de serem veiculados em gibis e ganham as páginas de livros. Mais que uma mudança de forma, o que está em pauta é uma alteração no mercado de entretenimento, que se elitizou ao longo das últimas três décadas.

Um aficionado por histórias em quadrinhos dos anos 1980 que tomasse um túnel do tempo e fosse catapultado para uma grande banca de jornais dos dias de hoje, estranharia muita coisa. A primeira delas seria estar diante de uma pequena loja de conveniências. Doces, brinquedos, sorvetes, refrigerantes, CDs, DVDs e bugigangas várias teriam quase o mesmo destaque das publicações em papel. A segunda é que quase não encontraria gibis para adultos. Constataria o virtual desaparecimento daquelas publicações baratas, geralmente em branco e preto e impressas em papel jornal. Caso desejasse outras opções, além de quadrinhos infanto-juvenis, teria de ir atrás de uma livraria e gastar algo como dez vezes o que desembolsaria em um gibi.

O espantado leitor de 1980 descobriria que os gibis, com preços equivalentes a uma passagem de ônibus e tiragens acima de 100 mil exemplares, estariam basicamente limitados às edições dos personagens Disney e Mauricio de Sousa. Se formos rigorosos, veremos que apenas este último mantém acesa a velha tradição. É, disparado, o campeão de vendas. Mônica, Cebolinha e sua turma, cada qual em gibis próprios, tiram individualmente mais de 150 mil exemplares por mês, enquanto as revistinhas do criador de Mickey e cia. mal alcançam dez mil cópias cada uma.

Para tentar compreender a profundidade das mudanças, é preciso recuar um pouco mais. Peguemos emprestado o túnel do tempo daquele leitor.

Mercado editorial
O Brasil criou um mercado editorial em expansão quase constante entre 1930 e 1980, coincidente com o mais longo ciclo de crescimento da economia brasileira. Apesar da grande entrada de material dos Estados Unidos, as demandas e ofertas dos dois países não estavam sintonizadas. O maior exemplo disso aconteceu na década de 1950, quando surgiram gibis de terror, suspense e mistério. Enquanto nos EUA, o macartismo ensejou uma feroz censura às revistinhas, criando um código de ética que impediu o desenvolvimento de produções voltadas para o leitor adulto, relegando o gênero à eterna adolescência, aqui ocorreu o inverso.

Com a quebra da produção estadunidense, de repente, as editoras nacionais se viram desabastecidas de conteúdo e tiveram de apelar para artistas nacionais. Desenvolveu-se, entre o início dos anos 1950 e o final dos anos 1970, embora precariamente, o que se poderia chamar de uma escola brasileira de história em quadrinhos. No âmbito do terror, conseguiu-se sair das vertentes góticas europeizantes e gerar adaptações coladas à mitologia popular brasileira, farta em almas penadas, lobisomens, botos etc. Estes conviviam nas bancas com patos, ratos e heróis mascarados.

A partir do início dos anos 1980, contudo, o crescimento avassalador da indústria de entretenimento estadunidense se impõe em todo o mundo, ao mesmo tempo em que a economia brasileira fica estagnada por um longo período. Gibis chegavam aqui com o filme, os brinquedos e com toda uma parafernália de produtos retratando os heróis prediletos da garotada. O mundo editorial brasileiro ficou a reboque do mercado norte-americano. A vertente de quadrinho popular adulto é esmagada pela concorrência assimétrica.

A grande beneficiária das mudanças é a editora Abril. Em 1981, ela domina o mercado, detendo os direitos dos super-heróis das grandes editoras dos EUA, dos personagens Disney e Maurício, além de outros títulos. O padrão era o formatinho (13,5 X 19 cm.), com revistas muito baratas e de altas tiragens. Nessa época, título que vendesse abaixo de 40 mil exemplares era cancelado pela empresa dos Civita.

Por influência das tendências do mercado dos EUA, na segunda metade da década de 1980, aprofunda-se a mudança nos rumos editoriais do gênero no Brasil.

Gibis de luxo
A série de quatro revistas O cavaleiro das trevas, uma releitura de Batman feita pelo norte-americano Frank Miller, um autor nitidamente de direita, torna-se a marca da época, vendendo cerca de 60 mil exemplares.

O plano Collor teve um efeito devastador no mercado editorial brasileiro. Houve uma queda abrupta no poder aquisitivo da população e as vendas desabaram. As redações de quadrinhos das grandes editoras são extintas. Somado a isso, o próprio mercado internacional enfrentava novos concorrentes. A chegada de outras mídias, voltadas para o público infanto-juvenil – como jogos eletrônicos, internet, o DVD e outros – reduziu o interesse desse segmento para histórias em quadrinhos. Praticamente acabam as revistas em formatinho – a exceção são os títulos infantis – e o preço nas bancas sobe significativamente. Há uma clara opção das editoras por um público mais elitizado, o que sustenta tiragens menores, por volta de 10 a 12 mil exemplares.

Para os grandes monopólios da mídia, aos quais as editoras dos Estados Unidos estão vinculadas, o interesse maior é o de ter as revistas como ponto de venda e campos de experimentação para os filmes de ação, que vêm caracterizando a produção hollywoodiana. O paradoxo é que, apesar das fantásticas bilheterias de películas do gênero, a vendagem das revistas empacou.

Elitização do lazer
A elitização do mercado de quadrinhos acompanha uma tendência que se verifica no cinema e no teatro. Os preços dos ingressos aumentaram cerca de cinco vezes em termos reais nos últimos 30 anos, buscando uma equivalência com os valores pagos nos países ricos. Assim, a migração do leitor adulto das bancas para as livrarias, consumindo álbuns de tiragens de dois a três mil exemplares, é decorrência dessa mudança de perfil. Migração que passa por um apertado funil econômico, é bom lembrar.

Qual a saída para um público crescente, de baixo poder aquisitivo, ávido por produtos culturais? Tem sido a busca de outras mídias, especialmente músicas e filmes, que podem ser baixados da Internet ou pirateados. Os DVDs vendidos por camelôs custam exatamente o preço de uma passagem de ônibus ou metrô, a referência do gibi e do cinema de outros tempos.

Possivelmente aquele leitor de 1980, mencionado no início desta matéria, deixasse de lado as bancas e se animasse com o farto comércio informal das calçadas. E chegasse à conclusão que as cruzadas contra a pirataria são parte da elitização do mercado de entretenimento.


Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ilhado

Pessoal, só aproveitando para avisar:

Durante essa semana estarei meio fora da internet e com mobilidade reduzida.

Estou arrumando o computador, meu carro foi quase roubado e está na oficina, e talvez quinta eu vá viajar, então, não se preocupem se eu não responder scraps, comentários ou e-mails!

E vou guardar a reclamação referente a esses fatos pra depois também, juntando com vários outros temas que merecem ser abordados...

Stay sharp!

domingo, 24 de maio de 2009

Tempo.

Sabe aquela sensação de que tudo está passando rápido demais e você só consegue deixar que passe?

É, eu ando assim. Um exemplo disso foi que eu tionha três coisas muito simples para acertar durante a semana passada, mas eu consegui não fazê-las, por mais simples que fossem, porque quando me dei conta, era sexta-feira e não dava mais tempo. Baixar e tirar duas músicas pra banda (ei, é vero, eu não tinha falado ainda - não é o tema do blog, mas voltei a tocar bateria), ligar pramarcar horário pra cortar o cabelo (que eu teimosamente quero deixar crescer), e ver se consigo uma aula dupla no colégio (para conseguir passar um filme direito sem precisar ficar cortando).

O engraçado é que cada um desses mini-tópicos renderia um pequeno texto aqui no Blog, daqueles que eu costumava fazer quando meu flog ainda era interessante. Agoraadivinha? Se eu escreve-los agora, atraso o almoço.

Ou seja, deixo para depois de novo, porque o tempo é algo... que me escapa muito hoje em dia.

Ah!
Além desses três tópicos que quero abordar aqui (e vou tentar me forçar a ilustrar algo inédito para cada um deles), ainda tenho dois desabafos para fazer: umenvolvendo sequestros, outro envolvendo rodeios. Nunca me viu (leu?) bravo? Então aguarde.

O bom é que coisas como Questionable Content, White Ninja, Hiro, Samanta e alguns outros sempre. sempre me animam de volta.

terça-feira, 24 de março de 2009

As peneiras de Sócrates

Li esse texto no blog do Guilherme Briggs, um dos meus dubladores favoritos, no DeviantArt. Achei muito legal, e apesar de não ter a ver diretamente com HQs ou ilustração, vale por ser algo inteligente e com o qual muita gente poderia aprender...

Um rapaz procurou Sócrates, o sábio, e lhe disse que precisava contar algo sobre alguém. Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras?

- Sim. A primeira peneira é a Verdade. O que você quer contar é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer por aí mesmo. Suponhamos, então, que seja verdade. Deve agora passar pela segunda peneira: a Bondade. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a reputação do próximo? Se o que você vai contar é verdade, e coisa boa, deve passar ainda pela terceira peneira: a Necessidade. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?

E arremata Sócrates:

- Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.

Abraços pro Guilherme, e parabéns pelo trabalho tão legal que ele desenvolve, e boa semana a todos!