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terça-feira, 30 de agosto de 2022

Uma Pinguim Voando Alto

(Este texto foi publicado originalmente na Newsletter Quebra-Cabeça. Para assinar, clique aqui!)

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Estou escrevendo esse texto, finalmente, no dia 29 de agosto, e amanhã já vai fazer uma semana que eu devia ter escrito. Mas a vida, sabe como é, vai colocando coisas na frente e nem sempre a gente tá pronto pra fazer oque quer fazer. Comecei a escrever essa edição pelas coisas "menos importantes" e o assunto principal não consegui nem começar. 


É doido como essas grandes coisas da vida são tão grandes que nos pedem mais tempo e reflexão para poderem ser processadas e, aí sim, comunicadas. Tem fichas que parecem não ter caído ainda. O lance é que algo muito importante aconteceu na minha vida e da Monica, e finalmente eu posso contar pra vocês.

Mas calma, não estamos grávidos. :)

Já vai fazer uma semana que a Monica não mora mais aqui. Mas calma parte 2, nós não nos separamos. :)

A Monica está nos Estados Unidos trabalhando como professora em uma universidade, ensinando português. Mas calma parte 3, a história é bem maior que isso :)

Eu gosto de um drama, da narrativa, de criar expectativas para uma história. Também gosto de contar as coisas cronologicamente e dar as informações necessárias. Muitas vezes, isso pode acabar entediando o meu interlocutor (sei que várias pessoas preferiam que eu fosse mais direto ao ponto *). Então vou tentar ser mais resumido, até porque logo vem um vídeo no canal pra falar disso também (tenho públicos diversos, hehe).

Um tempo atrás, a Monica se inscreveu num programa chamado Leitorado, que tem como objetivo criar parcerias entre o Brasil e universidades mundo afora para levar aulas de português aos alunos internacionais. Ela passou em primeiro lugar (orgulho!) numa universidade na Califórnia, mas infelizmente a universidade saiu do programa antes de dar certo.

Pois é. Eu deveria estar numa UTI me recuperando da cirurgia do adenoma. 

Mas na terça à noite, enquanto eu terminava uma aula de mentoria, o meu médico avisou que precisava mudar o dia da cirurgia. A justificativa foi que ele não se atentou que hoje era feriado e provavelmente alguma coisa em alguma parte desse processo não ia dar certo na data escolhida (frustração). Naquela época, a gente ficou muito empolgado e iríamos juntos pros EUA. Eu ainda era professor da Pandora e naquele momento partir para uma "aventura" dessas me empolgou demais.

Na próxima edição desse edital, ela se inscreveu de novo, dessa vez para uma universidade no estado de Nova York, e passou, de novo, em primeiro (orgulho duplo!). Só que a universidade, após as entrevistas individuais, preferiu contratar a moça que ficou em segundo lugar, muito por ela já morar nos EUA (e isso facilitaria muito pra eles em termos burocráticos). Ela foi, só que no começo desse ano, desistiu da vaga.

Agora, volta um pouco no tempo. Muitos anos atrás, a Monica prestou um concurso para a rede municipal de ensino daqui de Campinas. Ela passou (se não me engano, ficou numa lista de espera logo após os convocados), mas só foi chamada para assumir um cargo em 2018, pra começar em 2018. Seriam três anos de probatório antes de ser efetivada de fato e ter estabilidade e tudo mais. Vieram as aulas, mudança de escola e a pandemia. Em fevereiro de 2022, o probatório concluiu e ela foi efetivada.

Uma semana depois de ser efetivada, a universidade de Stony Brook entrou em contato avisando que a vaga estava aberta novamente e seria dela, caso quisesse.

Nesse momento, eu já tinha saído da Pandora e estava meio preocupado com meu futuro financeiro e tinha que cuidar de todo o gerenciamento da campanha do Terapia Vol.2. Estávamos passando pela reforma dos armários (que rendeu até série de vídeos no meu canal) e tudo parecia instável e incerto. eu estava confiante no que tínhamos combinado: naquele ano eu ia (voltar a ) investir na minha carreira pra tentar chegar onde eu sempre quis chegar e o cargo estável dela na rede vinha bem a calhar. Então, no meio de todas as coisas desmontadas e a incerteza de como seria o futuro, eu fiquei muito inseguro sobre essa grande mudança pros EUA.

Mas em momento algum desencorajei a Mo. Conversamos MUITO, mas MUITO MESMO sobre todas as possibilidades e desenrolares de nossas decisões, numa época que apelidei carinhosamente de Multiverso da Loucura porque tudo que pensávamos fazer vinha com uma série de consequências derivadas que, sei lá por que, sempre culminavam em algo pessimista. Rolava um medo real de decidir por algo que trouxesse problemas futuros, frustração e incertezas. Medo de aceitar, medo de não aceitar.

Enquanto isso, decidimos não contar abertamente para as pessoas enquanto não houvesse mais certezas e informações por parte da Universidade e do Consulado. Tudo dependia muito de como era o programa, quanto pagavam, quais as condições da viagem, da moradia, do visto, etc. Era muita coisa para pensar, saber e planejar. E a gente não queria a expectativa das pessoas pesando... Especialmente porque, graças ao nosso mindset naquela época, parecia que ninguém entendia as questões problemáticas que a gente previa. Todo mundo só dizia (ou diria) que era uma oportunidade maravilhosa e que ia ser incrível e a gente ia amar. Então, quanto não tinha mais informação a gente segurou a informação.

Gradualmente ao longo dos meses seguintes, as informações foram sendo construídas, mas era tudo muito lento e muita coisa era complicado (por exemplo, ninguém cuidaria por nós de moradia, alimentação, plano de saúde, transporte... Tudo seria por nossa conta, menos a documentação e a passagem - da Mo - para os EUA). As coisas iam se acertando e ainda assim, rolava um medo dela perder a estabilidade do emprego aqui, até porque esse programa é de dois anos e depois ela poderia voltar a lecionar na escola que já gostava um tanto. Então, ela pediu uma licença não-remunerada de dois anos, justificando que ia para o Leitorado e isso poderia engrandecer sua experiência profissional e didática e poderia trazer coisas bem interessantes para os alunos da rede municipal daqui que não são falantes nativos de português. Não deram a licença. Ela entrou na justiça ($$$) pra garantir a licença (que é direito dela) e mesmo assim não deram. A solução seria exonerar. O que tiraria a estabilidade dela e a certeza de um emprego quando voltasse. Em meio a tudo isso, ela continuava dando aulas e participando ativamente da escola e conseguiu defender o tão trabalhoso doutorado.

Outra coisa que deixava a gente tenso era que as aulas nos EUA começariam na última semana de agosto, e a Mo precisaria estar lá, de preferência, uma ou duas semanas antes disso. Mas os trâmites burocráticos não andavam tão rápido e o lance da licença não se resolvia. Até que chegou junho e julho, e aí veio o contrato, os documentos de visto, o resultado da ação na justiça, a correria de ir pra São Paulo fazer as coisas do visto e passaporte, resolver moradia, resolver grana, cartão, contas, celular, malas... O visto dela foi aprovado no dia 15 de agosto, o passaporte ficou pronto pra ser retirado no dia 22 e a viagem foi marcada pra dia 22 às 23h, para que ela chegasse na terça, dia 23 e já desse aulas. Pensa numa correria pra tudo dar certo.

Ah, no meio disso tudo, eu decidi não ir em agosto, porque quando as certezas chegaram, ficaria absurdamente caro comprar uma passagem e me manter lá pra voltar depois de uns 15 dias (tenho várias responsabilidades e eventos até dezembro...). Ao mesmo tempo, apareceu o Projeto Didático, que me ajudou a segurar bem as pontas financeiramente por aqui. Terapia Vol2 foi produzido e impresso e eu ainda tinha que enviar tudo pros apoiadores. Passei no FIQ, na CCXP. Muita coisa pra me manter ocupado aqui, inclusive e não menos importante, cuidar do que vai ser feito do nosso apê, do nosso carro, nossas coisas, etc.

Deu tempo de se despedir de muita gente e de contar a coisa toda pra quem não sabia. Mas era, ainda assim, super corrido. A Monica viajou naquela segunda depois de um dia longo e cansativos em São Paulo, onde ela teve que trabalhar preparando as aulas enquanto íamos de consulado para almoço e aeroporto. Nos despedimos e eu, a cada abraço e beijo, ficava mais emocionado, até que desmontei chorando no ombro dela. Era saudade antecipada, medo, cansaço, alegria, orgulho e alívio. Que baita jornada. 

Ela merece demais essa oportunidade. É uma chance de retomar sua carreira acadêmica e é algo que engrandece o currículo e pode gerar coisas muito bacanas lá na frente. Era, pelas nossas estimativas e planos, algo como "a última chance" de fazer algo assim, por causa dos nossos planos futuros, e decidir aceitar essa aventura significa mudar muito do que tínhamos planejado. Mas era agora ou nunca, e foi agora. Estou muito, mas muito orgulhoso dela e dei e continua dando todo meu apoio para que ela se realize nessa nossa etapa.

Ela já chegou naquela terça-feira e deu aula, conheceu um monte de gente, a universidade, os colegas, os alunos, a cidadezinha (é zinha mesmo, fica dentro de Nova York mas lá no meio de Long Island). Agora, já estabelecida, confortável e confiante, as coisas ficaram mais tranquilas. Ela está feliz! É uma mudança imensa e muito difícil, mas deu tudo certo. 

E eu?

Bom, eu fico aqui até dezembro. Após a CCXP, tendo resolvido todos meus projetos e trâmites, vou para o EUA morar com a Monica até o fim do Leitorado. E vai saber oque mais vem pelo frente, né? Essa mudança é imensa para mim também e traz oportunidades muito interessantes. Faz muito tempo que quero entrar no mercado/cena americanos. E apesar de saber que não preciso estar lá, presencialmente, pra isso, estando lá pode abrir outras portas. Ainda estou trabalhando no Projeto Didático, ainda tenho envios de Terapia pra fazer e eventos pra ir. Ainda tenho projetos pra desenvolver, mas tudo isso pode ser feito em qualquer lugar, desde que eu tenha como continuar trabalhando, escrevendo, gravando, editando, desenhando, criando. 

Ufa, acho que é isso. Obrigado por ter lido tudo isso! Tem sido um ano e tanto pra Família Pinguim, mas estamos felizes e aliviados agora. E empolgados com oque vem pela frente. Mais uma vez, todo meu amor e apoio pra Professor Dra. Monica, amor da minha vida. Logo a gente vai estar juntos de novo.

Voa alto, Pinguim!

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Acolhida de Aula - Semana de 15 de julho de 2020

Bom dia, pessoal! Tudo bem por aí?Como está o rolê de confinamento? Quantos de vocês estão conseguindo ficar isolados? Tem um peso associado a esse tempo, a nossas escolhas. Existem consequências, boas e não tão boas. A gente vai tocando em frente como podemos, da melhor forma. E no meio disso tudo, desenhar!Hoje, sábado, além da aula, é dia de faxina aqui em casa. Confesso para vocês que eu detesto fazer faxina. Não é só o fato da rinite alérgica ficar espreitando pra estragar o meu nariz, mas todo o processo de usar o tempo, esse bem tão precioso, para tirar tudo do lugar, passar pano e produtos , colocar tudo de novo e ver que, meia hora depois, já tem pó de novo. Aqui acumula pó, não tem jeito. E ainda tem muito livro, bonequinho, estátua, porta-retrato, enfim. Mas é necessário.O que acontece é que eu fico na ansiedade da coisa começar e começo bem sem vontade, aos poucos. Quando vejo, sou uma máquina de limpar. Só me dê uma boa música e uma missão, e lá vou eu. Não que eu goste, mas é o que tem que ser feito, e uma vez imerso na experiência, o rendimento sobe e fico mais concentrado em cumprir a tarefa da melhor forma que eu sei (que não é lá muuuito maravilhosa, mas é o melhor que tenho pra oferecer). Depois, quando acaba, a gente fica cansado, estressado, com o nariz zoado, mas com a sensação boa de ter cumprido a meta,e a recompensa é a sensação boa de uma casa limpa e cheirosa (e, mais  importante de todas, a certeza de não precisar faxinar por pelo menos mais 15 dias, haha).Esse processo de tirar coisas do lugar, limpar e organizar é muito importante. Nos convida a refletir sobre nossas coisas, tudo que temos. Nem vou entrar na questão de "nós não somos o que temos" e tudo mais. Mas nós precisamos mesmo de tudo isso? E, citando a Marie Kondo, essas coisas nos trazem alegria (spark joy)? Se não, por que manter? Limpar as coisas nos traz mais pra perto delas, nos faz relembrar momentos diversos e resignificar tudo para um novo momento. Reorganizar é algo bom, também, pois quando as coisas ficam muito tempo do mesmo jeito, elas ficam invisíveis. Mudar é legal. Não sei vocês, mas eu detesto ficar o tempo todo mudando as coisas de lugar (pode ser uma estatuazinha na estante ou todo o layout de uma sala - e nem me deixem começar sobre a reforma da cozinha...). Mas várias vezes eu quis ou fui convidado (ou intimado...) a reorganizar as coisas no meu espaço físico, e por mais resistência que eu tenha oferecido, o resultado é legal. É bom mudar as coisas de lugar às vezes. É melhor ainda revisitar seus espaços e resignificar as coisas. Porque esse movimento todo, no mundo real, nos faz movimentar as coisas no mundo interno, e é aí que residem as grandes mudanças.Mudar o espaço físico não adianta nada se o seu espaço interno não estiver, também, organizadinho. Gosto da ideia de que a gente tá em constante evolução, e estacionar não é uma boa ideia (mesmo que você esteja num lugar muito bom). Revisitar, relembrar, resignificar... Tudo isso é importante. E como tudo na vida, não é pra ser diariamente e não é pora ser uma vez a cada 15 anos.  Tudo precisa de equilíbrio. Se você não tem, você busca. E não precisa ser fácil (geralmente não é), mas a gente vai em frente. E sabe, todo esse papo de faxina e organização tem muito a ver com o desenho e os processos criativos.Semana passada eu peguei pra organizar meus lápis de cor (uso pouco, mas gosto de ter). Apontei TODOS, tirei uma pequena floresta de madeira deles na mesa da sala. Alguns, com a mina toda quebrada, johuei fora. Outras cores que eu tinha repetidas (são uns 30- anos de desenho, né, alguns lápis duram bem) eu separei pra doar. O porta lápis ficou bonitão. Enquanto fazia isso, eu sentia o cheiro das madeiras, tomava sol e lembrava muitos momentos bacanas com aquele material. Um tempinho atrás, organizei meus marcadores e canetas (tem até vídeo no meu canal). Esse processo é bem legal. Hoje, com a faxina, já estou pensando na ideia de reogranizar meus livros na estante. Mas, de volta ao desenho: nós somos processo, o desenho e a criatividade são coisas pra exercitarmos o tempo todo, consciente e inconscientemente. Desenhar é organizar! É pensar, refletir, sentir e testar coisas. às vezes, você desenha pra "tirar o pó" de algo, seja uma memória, sentimento ou técnica. E quanto ,mais a gente pratica, mais fica proficiente, melhor o resultado, mais compreende o rolê todo. Se você deixa pra faxinar a casa uma vez por ano, vai ser tenso! Se fizer de ve em quando, ou aos poucos, nunca conclui. Esses processos são constantes. E a gente precisa passar pelo processo todo para chegar naquele final, de gostar do que fez, sentir a recompensa e aí sim, fazer as coisas com menos peso.Eita que eu viajei aqui. Continuando pra outros assuntos...Desde domingo venho namorando a ideia de uma série de ilustrações e tiras sobre a vida na quarentena, do ponto de vista do autor mesmo. Saiu no Instagram uma prévia, e espero ter o foco pra fazer mais. É uma ideia tbm, pra todos vocês tentarem: um tipo de diário gráfico com qualquer coisa que vocês queiram dizer ou mostrar, refletir ou criticar dessa experiência doida. Nem precisa mostrar, nem aqui nem publicamente. Essas coisas tipo diários são boas pra gente poder descer a lenha noque nos incomoda e processar os sentimentos e pensamentos pra tentar chegar em algum lugar, mesmo que esse lugar físico seja o mesmo. O importante, hoje em dia, é a jornada interna.Queria indicar um site muito legal que encontrei ontem. Você pode observar um vídeo da vista de uma janela aleatória ao redor do mundo. É bem bacana, às vzs deixar rolando no monitor enquanto desenha algo ou lê um livro... é uma forma de variar um pouco a paisagem né? :piscando_olho:
https://window-swap.com/Bora, então. "Pra cima do leão, que o leão é menso", como já dizia um velho professor da faculdade.
Tô por aqui, é só chamar!

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Acolhida de Aula - Semana de 18 de junho

Continuando a série que republica, aqui no Blog'n'Roll, os textos de acolhida e encerramento de minhas aulas virtuais da Pandora Escola de Arte.

Estes textos são do dia 18 de junho. 

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Oi, pessoal! Bom dia pra vocês!

Como estão as coisas por aí? Espero que esteja tudo bem de saúde, de relacionamentos, de paz interior. A quarentena não TÁ SENO FÁCIO pra ninguém, especialmente quando as coisas em torno estão turbulentas. E o caos de fora pode afetar muito a paz de dentro, e por consequência afetar o processo criativo. Existem formas e formas de equalizar a balança, e a própria ideia de equilíbrio já é um alento. Por mais que o Universo - dizem - tende à entropia (e nós somos nosso próprio universo), a gente acaba buscando o equilíbrio e estabilidade.

Usem o que está acontecendo a seu favor. É parte da vida do brasileiro, especialmente, saber reciclar coisa ruim em coisa boa, haha. A gente meio que nase com uma predisposição a saber dar um jeitinho nas coisas. Só não rola corromper os sistemas (e hey, não digo de política e tal, mas dos nossos próprios sistemas, relações, processos).
Deixa eu comentar com vocês que ontem saí de casa pra ir no correio postar encomendas e levar um liquidificador no conserto, e senti que o mundo (pelo menos o do meu bairro) não tá muito preocupado com o covid-19. Sim, tem muita gente de máscara (algumas usando no queixo, claro), quase todo mundo, mas ainda assim, o movimento é de um dia comum sem pandemia. Vem aquela sensação estranha de medo e frustração. Fiquei pensando nisso.  O importante, eu acho, é fazer o que é certo e ter a certeza de que estamos evitando ao máximo pegar e também transmitir esse treco. Tem que ser suficiente, mesmo que pareça que o mundo não concorde.

Como isso afeta a produção artística? Olha, eu ando trabalhando bastante. Muito mesmo. Ideias não param de surgir, projetos, planos, desejos. Equilibro os dias entre cuidar das coisas de casa com a Mo e trabalhar. Lazer tem sido importante: estou lendo muito, estudando um pouco, vendo filmes e séries e isso faz muito bem. Quanto ao trabalho, eu acho que poderia estar fazendo mais e melhor. Pois é, eu tenho dessas, é muito comum achar que "deveria ter feito mais", mas é preciso entender os limites das coisas e como a gente funciona para não passar deles.

As aulas tão indo bem, dentro do possível, e sinto que continuo oferecendo tudo que posso pros alunos em matéria de acompanhamento, referências, novas técnicas e feedback sobre os trabalhos apresentados, tudo isso em sintonia com o que os alunos (vocês!) também fazem.

Quanto aos quadrinhos, parei de produzir. A arte-final de Saruê, a HQ nova de  Monstruário, parou na primeira página (aquela mesma que eu fiz live mostrando o processo). Era pra ter, sei lá, terminado? Talvez. Mas eu não consegui voltar meu foco para isso ainda e nem sei se tive tempo de entender o motivo.

Quanto às ilustrações, tenho feito umas coisas legais. Pegando ideias antigas que ficaram perdidas em cadernos e pastas do PC e retrabalhando pra finalizar. Vão para portfolios, vão para sites que geram produtos (tipo Colab55, RedBublle, etc.) e quem sabe (espero), gerem renda passiva, que é um caminho bem legal pra difundir nossos trabalhos autorais.

Ando fazendo commissions (artes originais por encomenda), e todas que fiz foram tão interessantes! Em vez de personagens conhecidos de HQs e games, fiz retratos de famílias, personagens de literatura clássica e até minha concepção de Deus.

Quanto ao meu canal, tenho alguns vídeos na fila pra serem publicados. Ontem fiz uma conversa muito legal com o roteirista Cadu Simões. Tenho muitas, muitas ideias pra conteúdo em vídeo, mas isso leva mais tempo e precisa de mais preparo e pós-produção do que simplesmente desenhar uma ilustração, então acabei ficando uns dias sem fazer vídeos. Pretendo - preciso - voltar sem falta essa semana, pelo menos gravar alguma coisa pra poder editar semana que vem...

Enfim a lista de coias "pra fazer" é tão grande... Não sei se eu me perco em planos e mais planos demais, mas o que sei é que quando eu travo e não consigo fazer nada, é por ansiedade ou indecisão. Ansiedade por antecipar as coisas que quero fazr, que me travam antes de começar e indecisão de escolher o que, dentre as coisas que eu poderia fazer ou queria fazer, será feito de fato nesse momento.

Às vezes,quando eu fico travado, eu paro tudo e vou ler um livro, ouvir música, lavar louça. Eu me permito sair do looping que não me leva a lugar nenhum. Tudo bem deixa pra depois quando é esse tipo de momento. O problema é deixar pra depois por preguiça ou medo.

Às vezes tem desânimo, claro. Somos humanos e o BRAZIU NÃO TÁ SENO FÁCIO, etc. E é por isso que,tentando fechar esse grande círculo, é preciso de equilíbrio e autoconhecimento. O que você tiver consciência que ajuda a organizar as coisas (seja música calma, correr, escrever listas, organizar os potes na prateleira, olhar pra parede), faça. Não faça o que você sabe que piora a situação (no meu caso, ficar perdido em rede social especialmente pra saber se assuntos que me deixam pra baixo ou que me ativem o FOMO).

Desejo a vocês ótimos dias e ideias bonitas. Desenhos legais de pensar, fazer e curtir. Novas experiência que não quebrem a quarentena. Paz mesmo.

E vamos em frente.

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Mais uma aula chega ao final, meus queridos! Passa bem rápido. Espero que as dicas tenham sido boas e que vocês se sintam motivados e encorajados a desenhar mais, independente de ser estudo pra aula ou ideias próprias. Apenas desenhem!

Dicas de hoje: A conversa que tive essa semana com o Cadu Simões foi muito cheia de conteúdo interessante. Ficou longa, mas dá pra curtir como podcast, sem assistir o vídeo. Se quiserem ver como ficou, segue o link: https://youtu.be/HjA38wpmuao

Desta conversa, lembro vocês da existência do PETISCO, site com várias séries de HQ online e gratuitas: www.petisco.org, dentre as quais está a minha, TERAPIA: www.petisco.org/terapia Agora, se quiserem acompanhar Terapia pelo TAPAS, o link é: www.tapas.io/series/terapia

Outra boa dica é o catálogo quase infinito de dicas de desenho dos Etherington Brothers. Neste Blog, ou no DeviantArt, vocês encontram grandes sacadas pra PENSAR o desenho:
http://theetheringtonbrothers.blogspot.co.uk/
https://www.deviantart.com/etheringtonbrothers

Ah,sim! HOJE tem exibição de BACURAU gratuitamente no YouTube! Se vc já viu e quer ver de novo ou não viu ainda, essa é a chance. Começa 20h. https://youtu.be/pqpI5FNYAjY

Extra: Eu não sou mto bom em dar puxões de orelha :alegre:
Mas aí hoje vi esse vídeo do Thiago Spyked e achei mto legal. Ele fala sobre os sinais de ser um DESENHISTA CARIMBADOR: https://youtu.be/g2lI1Jb4qjs

Deem uma olhada aí. Não vale pra todos, claro. Mas às vzs a carapuça serve, sei lá. :careta:
Não é algo que vc precise resolver agora, especialmente se vc desenha / estuda desenho há pouco tempo. A gente se torna um desenhista que não é carimbador, que controla tudo, que tem domínio de técnicas e recursos, com tempo, estudo e prática. :homem_encolhendo_ombros::tom-de-pele-2:

É isso! Até breve, heróis da resistência! Avante!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Projeto 21 Dias - 3ª e 4ª Semanas

A esta altura, não funciona mais catalogar os trabalhos do Desafio em semanas... Tanta coisa aconteceu nesse meio tempo que me fez desviar o foco. Claro,como eu sempre digo, a vida acontece. A gente não tem como frear a vida, muito menos impedi-la de acabar... Bom, o importante é que, mesmo com os buracos na estrada, a gente continua em frente. Mesmo com os desvios de foco, eu farei 21 desenhos dentro deste desafio.

Entre os compromissos que me tomaram as semanas anteriores está o Fest Comix, evento bacanudo em São Paulo. Não foi possível desenhar o Desafio enquanto estava lá, infelizmente, mas o evento foi gratificante de qualquer forma. Também palestrei na Pandora, tive a quinta-feira cheia de aulas e por aí vai. A princípio, eu poderia usar meu próprio argumento de que você simplesmente tem que arranjar um tempo, disciplinar a produção e fazer acontecer. Eu sei, eu sei. Casa de ferreiro...

Vamos ver como ficaram os mais recentes?

Disparado o maior sucesso dentre os desenhos do Desafio, a minha releitura de Calvin e Haroldo gerou mais likes do que eu jamais tinha tido no Instagram. No Facebook, foi sucesso também. Fiquei feliz de ver grandes fãs do Calvin se manifestando. Parte desse sucesso se deve, acredito, ao bom uso das hashtages. Lembrem disso quando forem divulgar seus trabalhos. As hashtags são bem interessantes.

Enfim, Calvin e Haroldo são meus personagens favoritos de tira. Fazia tempo que eu queria dar minha visão destes personagens, e o desenho simplesmente fluiu. Gostei demais do resultado. Admiro o Watterson pela obra toda, pelo senso de humor, pela maturidade, pelo traço... Traço esse que é espetacular, coisa linda. Umas linhas expressivas, pesadas e leves. Perceba como ele desenha cenários, dinossauros, planetas, aliens... Tudo é feito com maestria.




Fiz uma versão colorida que virou print limitado no Fest Comix. Pode ser que ele reapareça em eventos futuros.

Depois veio a Enriqueta e o Fellini, personagens do Liniers, da tira Macanudo. Sei que a proposta do Desafio era reler autores que me influenciam, e com certeza o traço do Liniers não é aparente no meu trabalho, mas posso dizer que o senso de humor é muito influente para mim. Existe uma doçura, uma sensibilidade... E uma coisa de nonsense que sempre me agradam. Liniers tem um jeito só dele de fazer humor. Deveria ter colorido este, mas não rolou no dia e acabei deixando quieto. Este foi um dos desenhos que gostei de fazer por ser uma releitura de um estilo totalmente diferente, mas algo no processo não casou direito, e achoque não gostei tanto do resultado. Acho que foi algo parecido com o desenho dos X-Men, algo não clicou.





Entrando numa vibe mais soturna e melancólica, desenhei a capa de "Sleepwalk", graphic novel de Adrian Tomine. Seu estilo é sóbrio sem grandes frescuras ou experimentações, mas as histórias são pesadas, tristes, intensas. Me dá um incômodo, quase a vontade de entrar na HQ e ajudar os personagens, conversar com eles. Tomine também foi uma baita influência do meu trabalho na fase Pieces. Eu nunca lembro de citá-lo como influência, mas aí está, enfim, minha homenagem ao cara.






Então veio o dia de desenhar Van Gogh. Escolhi essa pintura, "At eternity's gate (sorrowing man)" porque ela destoa da produção do Van Gogh um pouco. Geralmente as obras dele são coloridas e cheias de vida, mas esta é uma ode ao sofrimento. Eu costumava ter o desenho dela (a gravura que deu origem à pintura) colada na parede na frente da minha prancheta lá em 2006, 2007. Era um tipo de incentivador, uma forma de mostrar que existe beleza na tristeza. Era isso que alimentou meu trabalho por um tempo, especialmente nas HQs da Pieces. Gosto das linhas vigorosas, mas especialmente gosto da expressão corporal do velho. Me corta o coração toda vez.





E então vieram os dias mais complicados, e fiquei sem desenhar um tempo. Parece coincidência que o desenho do Van Gogh foi feito na noite anterior à notícia de um falecimento na nossa família. Parecia um prenúncio. E o desenho seguinte, feito alguns dias depois, parece a ressaca disso.

Na retomada do Desafio, escolhi uma pintura de Edward Hopper para reler. Gosto muito das cores fortes, quase chapadas. Fico com vontade de desenhar tudo em preto e branco, evidenciando as fortes luzes com fortes sombras, mas optei por colorir o desenho com marcadores, dar mais ênfase à luz com cores do que com preto.

Essa pintura se chama "Sol da Manhã". Durante a produção me lembrei de um desenho que fiz numa aula de pintura da faculdade, em 2007, que tinha uma garota sentada no parapeito de uma janela grande, vendo uma cidade imensa de cima. A sensação de solidão, do espaço interno sendo enorme, mas ainda assim, ínfimo perto do espaço externo eram o que conduziam a minha ideia, e acabei redescobrindo isso no Hopper. Ele traz uma melancolia e uma solidão imensas ao pintar o cotidiano. Isso nos anos 50. Imagina como seria sua visão de mundo hoje?




Por fim, veio o Tintim. Heroi da minha juventude, o desenho animado era meu programa favorito das tardes na TV Cultura. Assisti todos inúmeras vezes, tenho tudo em DVD. Não completei a coleção das graphic novels ainda (olha aí, dica de presente!), mas um dia eu chego lá. O traço super limpo e preciso do Hergé e seu estúdio sempre me impressionaram. Fica a minha homenagem a eles.




Ok, agora faltam apenas dois desenhos. Essa semana já está terminando e não sei se consigo fazê-los. Hoje e amanhã nos preparamos para eventos (minha esposa em São Paulo, eu em Sorocaba), mas se conseguir, postarei como sempre primeiro no Instagram, com repost automático no Facebook, Twitter e Tumblr.






quarta-feira, 26 de junho de 2013

Aquilo que Emperra.

Então, enquanto meu computador fica pensando, decidindo, enrolando, e fazendo aquele barulho estranho de quem está se esforçando MUITO pra desempenhar suas funções, dá pra abrir o Blog'n'Roll e postar alguma coisa.

E olha só, é mais um daqueles textos-desabafo, ahahaha.

Eu tenho uma teoria, que é aplicada a pessoas, mas também a coisas, processos, escolhas, estilos... Ao que você achar conveniente.

É a constatação (não querendo generalizar) de que certas pessoas/coisas/escolhas podem ter 3 reações pra sua vida:

- Aquilo que EMPURRA: A melhor de todas. Essa escolha é a que te leva pra frente. Não há obstáculo que você não possa conquistar, problema que não dê pra resolver, etc. É bom ter sempre esse tipo de pessoa por perto. Mesmo quando sua energia cai e a fé fica abalada, são esses "elementos" que vão te incentivar a continuar em frente.

- Aquilo que EMPATA: Não te leva adiante mas também não te impede de ir. É aquilo que permanece ao seu lado e pouca ação tem no seu desenvolvimento. Porém, acontece disso te deixar parado no mesmo ponto e sem poder avançar.

- Aquilo que EMPERRA: Aí sim estamos falando de uma interferência negativa, de algo que não só impede o desenvolvimento das coisas, mas também te leva pra trás, te faz recuar. Independente do motivo, o fato é que isso não vai te permitir ir em frente.

Acho que pode ser um pouco drástico falar assim de pessoas, mas acho que todos já vivenciaram a experiência de ter alguém por perto cuja energia lhe afeta de forma estranha, neutra ou positiva. Prestem atenção em volta, meus caros, e tomem decisões. O objetivo da vida é continuar seguindo em frente, evoluindo e concluindo metas e atingindo objetivos.

Às vezes, nós mesmos agimos dessas formas. Aforma com que você pensa e age, principalmente sobre si mesmo e seu trabalho, escolhas, objetivos, pode influenciar todos os resultados. Parece clichê, mas faz sentido. Se você espera pelo pior, se você não acha que vai conseguir, é capaz de não conseguir mesmo. Talvez uma má fase seja reflexo do jeito como você está levando as coisas da sua vida. Uma mudança interna é um primeiro passo pra mudar o exterior.

Ficar parado não dá. Voltar atrás menos ainda.

E nesses últimos tempos, o que tem me desestabilizado é não conseguir estabelecer uma disciplina de trabalho funcional. Muita coisa vem acontecendo, e eu tenho a mania de resolver as coisas pontuais de uma vez, e as coisas mais extensas vão ficando em segundo plano.

É preciso muita organização e disciplina para não se perder em prazos e projetos.

Complica muito quando sua rotina é heterogênea, seus compromissos vão se alternando em datas e dias diferentes. Complica muito quando seu estômago está zoado e qualquer coisa que você queira fazer é afetada por isso. Complica muito quando o computador fica lerdo, trava o programa, não dá o resultado que você precisa. Complica muito quando todos os videos que você grava naquela câmera super bacana estão sem áudio e inutiliza tudo...

Complica muito quando seu objetivo é desenhar 5 páginas daquele livro que tem prazo pra ser publicado, e sua realidade é subdividir seu tempo em várias tarefas menos importantes e satisfatórias que vão acabar impedindo aquelas páginas de serem feitas...