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sábado, 17 de abril de 2021

A Colcha de Retalhos da Vida

 Pra refletir: Trecho de um post de blog do Austin Kleon:

"Cada dia é como um quadro em uma colcha de retalhos. Alguns dias são feios, alguns são pesados, outros são caóticos e alguns são coloridos e outros ordenados, mas se você continuar adicionando, uma hora eles formam algo completo."

A ideia de que dificilmente existirão sequências infinitas de dias perfeitos (aqueles que atendem nossas expectativas otimistas): alguns dias serão, inevitavelmente, piores de alguma forma. E isso é normal, é a vida. A colcha formada pela costura de tantos dias bons e ruins, em suas variadas formas, cores e padrões, é a nossa vida: plural, imprevisível e vasta.

Uma colcha de retalhos feita exclusivamente de pedaços do mesmo pano acaba sendo muito sem graça. Mas podemos, também, tentar entender e organizar o despadrão que a vida nos oferece e organizar tudo isso de forma que faça sentido e traga conclusões e aprendizado. Mesmo com retalhos dos mais variados, a forma com que os dispomos na colcha pode resultar num padrão amplo e bonito. 

Como sempre, o equilíbrio se mostra uma saída interessante: não aceitar o caos sem reflexão e não confiar demais na ordem apática. 

Arte se faz na gangorra entre técnica e expressão. Se tem muito peso de um lado, não há movimento.


Bom fim de semana! 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Acolhida de Aula - Semana de 15 de julho de 2020

Bom dia, pessoal! Tudo bem por aí?Como está o rolê de confinamento? Quantos de vocês estão conseguindo ficar isolados? Tem um peso associado a esse tempo, a nossas escolhas. Existem consequências, boas e não tão boas. A gente vai tocando em frente como podemos, da melhor forma. E no meio disso tudo, desenhar!Hoje, sábado, além da aula, é dia de faxina aqui em casa. Confesso para vocês que eu detesto fazer faxina. Não é só o fato da rinite alérgica ficar espreitando pra estragar o meu nariz, mas todo o processo de usar o tempo, esse bem tão precioso, para tirar tudo do lugar, passar pano e produtos , colocar tudo de novo e ver que, meia hora depois, já tem pó de novo. Aqui acumula pó, não tem jeito. E ainda tem muito livro, bonequinho, estátua, porta-retrato, enfim. Mas é necessário.O que acontece é que eu fico na ansiedade da coisa começar e começo bem sem vontade, aos poucos. Quando vejo, sou uma máquina de limpar. Só me dê uma boa música e uma missão, e lá vou eu. Não que eu goste, mas é o que tem que ser feito, e uma vez imerso na experiência, o rendimento sobe e fico mais concentrado em cumprir a tarefa da melhor forma que eu sei (que não é lá muuuito maravilhosa, mas é o melhor que tenho pra oferecer). Depois, quando acaba, a gente fica cansado, estressado, com o nariz zoado, mas com a sensação boa de ter cumprido a meta,e a recompensa é a sensação boa de uma casa limpa e cheirosa (e, mais  importante de todas, a certeza de não precisar faxinar por pelo menos mais 15 dias, haha).Esse processo de tirar coisas do lugar, limpar e organizar é muito importante. Nos convida a refletir sobre nossas coisas, tudo que temos. Nem vou entrar na questão de "nós não somos o que temos" e tudo mais. Mas nós precisamos mesmo de tudo isso? E, citando a Marie Kondo, essas coisas nos trazem alegria (spark joy)? Se não, por que manter? Limpar as coisas nos traz mais pra perto delas, nos faz relembrar momentos diversos e resignificar tudo para um novo momento. Reorganizar é algo bom, também, pois quando as coisas ficam muito tempo do mesmo jeito, elas ficam invisíveis. Mudar é legal. Não sei vocês, mas eu detesto ficar o tempo todo mudando as coisas de lugar (pode ser uma estatuazinha na estante ou todo o layout de uma sala - e nem me deixem começar sobre a reforma da cozinha...). Mas várias vezes eu quis ou fui convidado (ou intimado...) a reorganizar as coisas no meu espaço físico, e por mais resistência que eu tenha oferecido, o resultado é legal. É bom mudar as coisas de lugar às vezes. É melhor ainda revisitar seus espaços e resignificar as coisas. Porque esse movimento todo, no mundo real, nos faz movimentar as coisas no mundo interno, e é aí que residem as grandes mudanças.Mudar o espaço físico não adianta nada se o seu espaço interno não estiver, também, organizadinho. Gosto da ideia de que a gente tá em constante evolução, e estacionar não é uma boa ideia (mesmo que você esteja num lugar muito bom). Revisitar, relembrar, resignificar... Tudo isso é importante. E como tudo na vida, não é pra ser diariamente e não é pora ser uma vez a cada 15 anos.  Tudo precisa de equilíbrio. Se você não tem, você busca. E não precisa ser fácil (geralmente não é), mas a gente vai em frente. E sabe, todo esse papo de faxina e organização tem muito a ver com o desenho e os processos criativos.Semana passada eu peguei pra organizar meus lápis de cor (uso pouco, mas gosto de ter). Apontei TODOS, tirei uma pequena floresta de madeira deles na mesa da sala. Alguns, com a mina toda quebrada, johuei fora. Outras cores que eu tinha repetidas (são uns 30- anos de desenho, né, alguns lápis duram bem) eu separei pra doar. O porta lápis ficou bonitão. Enquanto fazia isso, eu sentia o cheiro das madeiras, tomava sol e lembrava muitos momentos bacanas com aquele material. Um tempinho atrás, organizei meus marcadores e canetas (tem até vídeo no meu canal). Esse processo é bem legal. Hoje, com a faxina, já estou pensando na ideia de reogranizar meus livros na estante. Mas, de volta ao desenho: nós somos processo, o desenho e a criatividade são coisas pra exercitarmos o tempo todo, consciente e inconscientemente. Desenhar é organizar! É pensar, refletir, sentir e testar coisas. às vezes, você desenha pra "tirar o pó" de algo, seja uma memória, sentimento ou técnica. E quanto ,mais a gente pratica, mais fica proficiente, melhor o resultado, mais compreende o rolê todo. Se você deixa pra faxinar a casa uma vez por ano, vai ser tenso! Se fizer de ve em quando, ou aos poucos, nunca conclui. Esses processos são constantes. E a gente precisa passar pelo processo todo para chegar naquele final, de gostar do que fez, sentir a recompensa e aí sim, fazer as coisas com menos peso.Eita que eu viajei aqui. Continuando pra outros assuntos...Desde domingo venho namorando a ideia de uma série de ilustrações e tiras sobre a vida na quarentena, do ponto de vista do autor mesmo. Saiu no Instagram uma prévia, e espero ter o foco pra fazer mais. É uma ideia tbm, pra todos vocês tentarem: um tipo de diário gráfico com qualquer coisa que vocês queiram dizer ou mostrar, refletir ou criticar dessa experiência doida. Nem precisa mostrar, nem aqui nem publicamente. Essas coisas tipo diários são boas pra gente poder descer a lenha noque nos incomoda e processar os sentimentos e pensamentos pra tentar chegar em algum lugar, mesmo que esse lugar físico seja o mesmo. O importante, hoje em dia, é a jornada interna.Queria indicar um site muito legal que encontrei ontem. Você pode observar um vídeo da vista de uma janela aleatória ao redor do mundo. É bem bacana, às vzs deixar rolando no monitor enquanto desenha algo ou lê um livro... é uma forma de variar um pouco a paisagem né? :piscando_olho:
https://window-swap.com/Bora, então. "Pra cima do leão, que o leão é menso", como já dizia um velho professor da faculdade.
Tô por aqui, é só chamar!

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Desenhando o NOVO MONSTRUÁRIO

Hey, pessoal!

Nas últimas semanas, fiz uma live no meu canal com a arte-final da primeira página da nova HQ de Monstruário! Trate-se de "Saruê", o segundo volume de Arquivos Secretos, nossa série spin-off.

A nova HQ foca nos meninos que a Lucia encontra no caminho para a casa do Professor Aldo, Tonho e Luca. Eles aparecem tanto no Volume 1 quanto no 2, e a história de "Saruê" se passa entre os dois volumes, mostrando um pouco mais da vida desses dois garotos.

Aqui você conhece a arte-final da capa:


Veja abaixo os vídeos! São dois: uma live e um vídeo gravado depois, com o final da página. Espero que curtam!

Parte 1:

Parte 2:
 

Monstruário é uma série criada e produzida por Lucas Oda e Mario Cau.

Ah,sim! "Saruê" continua em produção mesmo na quarentena, mas ainda não temos a data de lançamento. Aguarde novidades!

sábado, 25 de abril de 2020

Ao vivo e a Cores

Hey, pessoal!
Eu sei que quase todo oconteúdo que trago para o Blog tem a ver com o meu canal do YouTube, mas sabe que apesar de dar muito mais trabalho fazer vídeos do que escreer um texto, o resultado me dá uma satisfação enorme e o fluxo de informações, retornos e aprendizado é mais intenso por lá.

De qualquer forma, venho aqui hoje paradivulgar as LIVES que tenho feito no Instagram e no YouTube. É um formato bem bacana que me permite conversar com o público enquanto desenho alguma coisa em tempo real.

No Instagram as lives acontecem nas terças ou quartas, sempre perto das 16h. O foco é em arte tradicional, pois desenho na prancheta. De vez em quando, anuncio mudança de dia ou horário no próprio Instagram e também abro umas pesquisas para definir temas, personagens ou técnicas para essas lives. A desvantagem é que essas lives têm duração máxima de 1 hora e ficam disponível por apenas 24 horas.

Para me acompanha no Instagram, CLIQUE AQUI.

No YouTube, as lives têm acontecido às sextas ou sábados, sempre à tarde, perto também das 17h. Lá as lives têm duração maior e o foco é na arte digital, visto que faço no computador. Mistura um pouco de demonstração de técnicas e processos criativos e aula. O ponto positivo, que ganha do Instagram, é que as lives não têm limite de duração e o vídeo fica gravado no meu canal para sr visto e revisto À vontade.

Para me acompanhar no YouTube, CLIQUE AQUI.

As últimas lives, caso você queira assistir, estão nesses links:





segunda-feira, 2 de setembro de 2019

YouTube - CRIANDO UMA CAPA DE LIVRO + papo sobre ILUSTRAÇÃO

Vamos criar uma capa de livro? Neste vídeo, acompanhe todo o processo criativo da capa do livro “Autor Presente!”, dos rascunhos iniciais às cores. E também mais algumas considerações sobre o trabalho do ilustrador. Ficou com alguma dúvida? É só deixar seu comentário aí embaixo! Ah, sim! Todas as capturas de tela foram aceleradas em cerca de 2000%. O tempo total de produção a partir do lápis digital até a finalização das cores, sem contar trocas de emails e os desenhos de layout no caderno) foi de cerca de 3 horas e meia.

==== Sobre o livro:


A obra reúne desenhos de alunos do 3º ano do ensino fundamental e textos de alunos do 4º ano do ensino fundamental da rede estadual de educação. Os alunos, todos entre 8 e 10 anos de idade, desenharam e escreveram inspirados pelo tema “O respeito dá o tom”. O livro reúne, assim, textos e desenhos de 80 alunos de 44 escolas de 21 municípios de abrangência da 39ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), responsável pelo projeto e aqui representada por Cristina Lunkes Hartmann, que recebeu o apoio de 15 patrocinadores, possibilitando o lançamento do livro sem qualquer custo para a escola ou os estudantes. “Autor Presente!” passou por cidades pequenas, comunidades do interior e aldeias indígenas. Ao todo, mais de 1500 estudantes foram abraçados pelo projeto. O lançamento acontece dia 17 de outubro, quinta-feira, entre 14h30 e 16h30, na UPF Campus Carazinho, ocasião em que os alunos, agora autores, poderão autografar os exemplares de seu livro. Este é o 9º lançamento do Selo Nascedouro, da Editora Os Dez Melhores, que de 2013 pra cá já publicou textos e desenhos de mais de 400 estudantes do interior do Rio Grande do Sul. Editora Os Dez Melhores: http://www.osdezmelhores.com/ https://www.facebook.com/editoraosdez...

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Evento - Caixa Aberta 2019

Está chegando a 7ª edição do evento mais bacana da Pandora Escola de Arte! O Caixa Aberta acontece nos dias 25 e 26 de maio, com muitas atrações. Veja mais informações:



O Caixa Aberta Pandora é um evento artístico cultural que engloba uma mostra de profissões relacionadas às Artes Visuais, exposições, oficinas, livepaintings, palestras, feira de arte, estandes de materiais artísticos a preços promocionais e sorteio de brindes.

O objetivo do evento é apresentar as diversas aplicações das artes visuais no mercado profissional, e para isso, contamos com a presença dos respectivos profissionais de cada área para contar sobre experiências e trajetórias, tirar as dúvidas do público, expor, divulgar e comercializar suas produções.

A programação está bem bacana. Vou participar do evento nos dois dias inteiros, mas além disso, no sábado farei uma avaliação de portfólios com o Leopoldo Anjo e darei uma palestra no domingo sobre Gerenciamento de projetos: controlando o caos criativo! Abaixo, tem toda a programação (que você pode ver com mais informações no site da Pandora):






Confira o evento no Facebook, confirme sua presença e compartilhe com os amigos!

Veja como foi o evento de 2018, pra já ir se preparando!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Entrevista - Como eu escrevo

Oi, pessoal! Saiu durante a CCXP uma entrevista que concedi ao blog Como Eu Escrevo, a convite do José Nunes. Falei bastante sobre meu processo criativo e , como a entrevista é pensada mais para escritores, dei aquela dobradinha pra falar de quadrinhos e desenhos, também.

Ficou bem legal! Veja um trecho a seguir e, para ler a entrevista completa, é só clicar neste link.

Trecho:
Como você lida com as travas da escrita, como a procrastinação, o medo de não corresponder às expectativas e a ansiedade de trabalhar em projetos longos?
Bom, tem várias coisas aí no meio. Vamos por partes.
Se a trava é criativa, você precisa de repertório, referências. Às vezes, você precisa olhar pra lados que não costuma olhar. Ver um filme de terro pra escrever um poema, sei lá. Ouvir ópera pra desenhar a guerra. Nossa mente consegue fazer pontes incríveis entre as coisas, e quanto mais diverso seu repertório, mais conexões você consegue fazer e mais interessantes elas serão.
Procrastinar, eu acho, tem a ver com insegurança e preguiça. As duas coisas são possíveis de vencer. Como falei, romper a inércia é complicado, e precisa ser feito. Encontrar uma rotina bacana que te favoreça é importante. Organizar seu workspace (o mental, inclusive), ajuda muito. Tirar as distrações de perto, focar de verdade no que precisa ser feito. A insegurança se liga ao próximo ponto, o medo de não atender as expectativas.
Expectativas de quem, meu jovem? As suas ou do seu público? A gente tem que parar se são tão exigentes conosco. Muita gente, especialmente os iniciantes, acham que precisam fazer uma obra-prima logo de primeira, algo similar às grandes obras dos grandes nomes da área. E não, não precisam. Você só precisa produzir. Arte é evolução, seu trabalho atual sempre será pior que o próximo. Tem que ser assim, tem que haver produção constante, estudo e evolução. Tenha autocrítica, mas não se sabote. Tem coisas que são além da produção, da arte. Já vi muita gente tecnicamente boa, criativa, mas que por questões internas, pessoais, sociais, psicológicas, sei lá, se mantém travadas e inseguras. Procure formas de vencer isso.
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