Mostrando postagens com marcador vida real. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida real. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de setembro de 2022

Uma Pinguim Voando Alto (Newsletter)

Este texto foi publicado originalmente na Newsletter Quebra-Cabeça, edição 41, em 29/8/2022.

Para receber atualizações e conteúdo exclusivo, INSCREVA-SE!

      Uma Pinguim Voando Alto      

 

Estou escrevendo esse texto, finalmente, no dia 29 de agosto, e amanhã já vai fazer uma semana que eu devia ter escrito. Mas a vida, sabe como é, vai colocando coisas na frente e nem sempre a gente tá pronto pra fazer oque quer fazer. Comecei a escrever essa edição pelas coisas "menos importantes" e o assunto principal não consegui nem começar. 

É doido como essas grandes coisas da vida são tão grandes que nos pedem mais tempo e reflexão para poderem ser processadas e, aí sim, comunicadas. Tem fichas que parecem não ter caído ainda. O lance é que algo muito importante aconteceu na minha vida e da Monica, e finalmente eu posso contar pra vocês.

Mas calma, não estamos grávidos. :)

Já vai fazer uma semana que a Monica não mora mais aqui. Mas calma parte 2, nós não nos separamos. :)

A Monica está nos Estados Unidos trabalhando como professora em uma universidade, ensinando português. Mas calma parte 3, a história é bem maior que isso :)

Eu gosto de um drama, da narrativa, de criar expectativas para uma história. Também gosto de contar as coisas cronologicamente e dar as informações necessárias. Muitas vezes, isso pode acabar entediando o meu interlocutor (sei que várias pessoas preferiam que eu fosse mais direto ao ponto *). Então vou tentar ser mais resumido, até porque logo vem um vídeo no canal pra falar disso também (tenho públicos diversos, hehe).

Um tempo atrás, a Monica se inscreveu num programa chamado Leitorado, que tem como objetivo criar parcerias entre o Brasil e universidades mundo afora para levar aulas de português aos alunos internacionais. Ela passou em primeiro lugar (orgulho!) numa universidade na Califórnia, mas infelizmente a universidade saiu do programa antes de dar certo. Naquela época, a gente ficou muito empolgado e iríamos juntos pros EUA. Eu ainda era professor da Pandora e naquele momento partir para uma "aventura" dessas me empolgou demais.

Na próxima edição desse edital, ela se inscreveu de novo, dessa vez para uma universidade no estado de Nova York, e passou, de novo, em primeiro (orgulho duplo!). Só que a universidade, após as entrevistas individuais, preferiu contratar a moça que ficou em segundo lugar, muito por ela já morar nos EUA (e isso facilitaria muito pra eles em termos burocráticos). Ela foi, só que no começo desse ano, desistiu da vaga.

Agora, volta um pouco no tempo. Muitos anos atrás, a Monica prestou um concurso para a rede municipal de ensino daqui de Campinas. Ela passou (se não me engano, ficou numa lista de espera logo após os convocados), mas só foi chamada para assumir um cargo em 2018, pra começar em 2018. Seriam três anos de probatório antes de ser efetivada de fato e ter estabilidade e tudo mais. Vieram as aulas, mudança de escola e a pandemia. Em fevereiro de 2022, o probatório concluiu e ela foi efetivada.

Uma semana depois de ser efetivada, a universidade de Stony Brook entrou em contato avisando que a vaga estava aberta novamente e seria dela, caso quisesse.

Nesse momento, eu já tinha saído da Pandora e estava meio preocupado com meu futuro financeiro e tinha que cuidar de todo o gerenciamento da campanha do Terapia Vol.2. Estávamos passando pela reforma dos armários (que rendeu até série de vídeos no meu canal) e tudo parecia instável e incerto. eu estava confiante no que tínhamos combinado: naquele ano eu ia (voltar a ) investir na minha carreira pra tentar chegar onde eu sempre quis chegar e o cargo estável dela na rede vinha bem a calhar. Então, no meio de todas as coisas desmontadas e a incerteza de como seria o futuro, eu fiquei muito inseguro sobre essa grande mudança pros EUA.


Mas em momento algum desencorajei a Mo. Conversamos MUITO, mas MUITO MESMO sobre todas as possibilidades e desenrolares de nossas decisões, numa época que apelidei carinhosamente de Multiverso da Loucura porque tudo que pensávamos fazer vinha com uma série de consequências derivadas que, sei lá por que, sempre culminavam em algo pessimista. Rolava um medo real de decidir por algo que trouxesse problemas futuros, frustração e incertezas. Medo de aceitar, medo de não aceitar.

Enquanto isso, decidimos não contar abertamente para as pessoas enquanto não houvesse mais certezas e informações por parte da Universidade e do Consulado. Tudo dependia muito de como era o programa, quanto pagavam, quais as condições da viagem, da moradia, do visto, etc. Era muita coisa para pensar, saber e planejar. E a gente não queria a expectativa das pessoas pesando... Especialmente porque, graças ao nosso mindset naquela época, parecia que ninguém entendia as questões problemáticas que a gente previa. Todo mundo só dizia (ou diria) que era uma oportunidade maravilhosa e que ia ser incrível e a gente ia amar. Então, quanto não tinha mais informação a gente segurou a informação.

Gradualmente ao longo dos meses seguintes, as informações foram sendo construídas, mas era tudo muito lento e muita coisa era complicado (por exemplo, ninguém cuidaria por nós de moradia, alimentação, plano de saúde, transporte... Tudo seria por nossa conta, menos a documentação e a passagem - da Mo - para os EUA). As coisas iam se acertando e ainda assim, rolava um medo dela perder a estabilidade do emprego aqui, até porque esse programa é de dois anos e depois ela poderia voltar a lecionar na escola que já gostava um tanto. Então, ela pediu uma licença não-remunerada de dois anos, justificando que ia para o Leitorado e isso poderia engrandecer sua experiência profissional e didática e poderia trazer coisas bem interessantes para os alunos da rede municipal daqui que não são falantes nativos de português. Não deram a licença. Ela entrou na justiça ($$$) pra garantir a licença (que é direito dela) e mesmo assim não deram. A solução seria exonerar. O que tiraria a estabilidade dela e a certeza de um emprego quando voltasse. Em meio a tudo isso, ela continuava dando aulas e participando ativamente da escola e conseguiu defender o tão trabalhoso doutorado.

Outra coisa que deixava a gente tenso era que as aulas nos EUA começariam na última semana de agosto, e a Mo precisaria estar lá, de preferência, uma ou duas semanas antes disso. Mas os trâmites burocráticos não andavam tão rápido e o lance da licença não se resolvia. Até que chegou junho e julho, e aí veio o contrato, os documentos de visto, o resultado da ação na justiça, a correria de ir pra São Paulo fazer as coisas do visto e passaporte, resolver moradia, resolver grana, cartão, contas, celular, malas... O visto dela foi aprovado no dia 15 de agosto, o passaporte ficou pronto pra ser retirado no dia 22 e a viagem foi marcada pra dia 22 às 23h, para que ela chegasse na terça, dia 23 e já desse aulas. Pensa numa correria pra tudo dar certo.

Ah, no meio disso tudo, eu decidi não ir em agosto, porque quando as certezas chegaram, ficaria absurdamente caro comprar uma passagem e me manter lá pra voltar depois de uns 15 dias (tenho várias responsabilidades e eventos até dezembro...). Ao mesmo tempo, apareceu o Projeto Didático, que me ajudou a segurar bem as pontas financeiramente por aqui. Terapia Vol2 foi produzido e impresso e eu ainda tinha que enviar tudo pros apoiadores. Passei no FIQ, na CCXP. Muita coisa pra me manter ocupado aqui, inclusive e não menos importante, cuidar do que vai ser feito do nosso apê, do nosso carro, nossas coisas, etc.

Deu tempo de se despedir de muita gente e de contar a coisa toda pra quem não sabia. Mas era, ainda assim, super corrido. A Monica viajou naquela segunda depois de um dia longo e cansativos em São Paulo, onde ela teve que trabalhar preparando as aulas enquanto íamos de consulado para almoço e aeroporto. Nos despedimos e eu, a cada abraço e beijo, ficava mais emocionado, até que desmontei chorando no ombro dela. Era saudade antecipada, medo, cansaço, alegria, orgulho e alívio. Que baita jornada. 


Ela merece demais essa oportunidade. É uma chance de retomar sua carreira acadêmica e é algo que engrandece o currículo e pode gerar coisas muito bacanas lá na frente. Era, pelas nossas estimativas e planos, algo como "a última chance" de fazer algo assim, por causa dos nossos planos futuros, e decidir aceitar essa aventura significa mudar muito do que tínhamos planejado. Mas era agora ou nunca, e foi agora. Estou muito, mas muito orgulhoso dela e dei e continua dando todo meu apoio para que ela se realize nessa nossa etapa.

Ela já chegou naquela terça-feira e deu aula, conheceu um monte de gente, a universidade, os colegas, os alunos, a cidadezinha (é zinha mesmo, fica dentro de Nova York mas lá no meio de Long Island). Agora, já estabelecida, confortável e confiante, as coisas ficaram mais tranquilas. Ela está feliz! É uma mudança imensa e muito difícil, mas deu tudo certo. 

E eu?

Bom, eu fico aqui até dezembro. Após a CCXP, tendo resolvido todos meus projetos e trâmites, vou para o EUA morar com a Monica até o fim do Leitorado. E vai saber oque mais vem pelo frente, né? Essa mudança é imensa para mim também e traz oportunidades muito interessantes. Faz muito tempo que quero entrar no mercado/cena americanos. E apesar de saber que não preciso estar lá, presencialmente, pra isso, estando lá pode abrir outras portas. Ainda estou trabalhando no Projeto Didático, ainda tenho envios de Terapia pra fazer e eventos pra ir. Ainda tenho projetos pra desenvolver, mas tudo isso pode ser feito em qualquer lugar, desde que eu tenha como continuar trabalhando, escrevendo, gravando, editando, desenhando, criando. 

Ufa, acho que é isso. Obrigado por ter lido tudo isso! Tem sido um ano e tanto pra Família Pinguim, mas estamos felizes e aliviados agora. E empolgados com oque vem pela frente. Mais uma vez, todo meu amor e apoio pra Professor Dra. Monica, amor da minha vida. Logo a gente vai estar juntos de novo.



Voa alto, Pinguim! 

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Uma Pinguim Voando Alto

(Este texto foi publicado originalmente na Newsletter Quebra-Cabeça. Para assinar, clique aqui!)

==

Estou escrevendo esse texto, finalmente, no dia 29 de agosto, e amanhã já vai fazer uma semana que eu devia ter escrito. Mas a vida, sabe como é, vai colocando coisas na frente e nem sempre a gente tá pronto pra fazer oque quer fazer. Comecei a escrever essa edição pelas coisas "menos importantes" e o assunto principal não consegui nem começar. 


É doido como essas grandes coisas da vida são tão grandes que nos pedem mais tempo e reflexão para poderem ser processadas e, aí sim, comunicadas. Tem fichas que parecem não ter caído ainda. O lance é que algo muito importante aconteceu na minha vida e da Monica, e finalmente eu posso contar pra vocês.

Mas calma, não estamos grávidos. :)

Já vai fazer uma semana que a Monica não mora mais aqui. Mas calma parte 2, nós não nos separamos. :)

A Monica está nos Estados Unidos trabalhando como professora em uma universidade, ensinando português. Mas calma parte 3, a história é bem maior que isso :)

Eu gosto de um drama, da narrativa, de criar expectativas para uma história. Também gosto de contar as coisas cronologicamente e dar as informações necessárias. Muitas vezes, isso pode acabar entediando o meu interlocutor (sei que várias pessoas preferiam que eu fosse mais direto ao ponto *). Então vou tentar ser mais resumido, até porque logo vem um vídeo no canal pra falar disso também (tenho públicos diversos, hehe).

Um tempo atrás, a Monica se inscreveu num programa chamado Leitorado, que tem como objetivo criar parcerias entre o Brasil e universidades mundo afora para levar aulas de português aos alunos internacionais. Ela passou em primeiro lugar (orgulho!) numa universidade na Califórnia, mas infelizmente a universidade saiu do programa antes de dar certo.

Pois é. Eu deveria estar numa UTI me recuperando da cirurgia do adenoma. 

Mas na terça à noite, enquanto eu terminava uma aula de mentoria, o meu médico avisou que precisava mudar o dia da cirurgia. A justificativa foi que ele não se atentou que hoje era feriado e provavelmente alguma coisa em alguma parte desse processo não ia dar certo na data escolhida (frustração). Naquela época, a gente ficou muito empolgado e iríamos juntos pros EUA. Eu ainda era professor da Pandora e naquele momento partir para uma "aventura" dessas me empolgou demais.

Na próxima edição desse edital, ela se inscreveu de novo, dessa vez para uma universidade no estado de Nova York, e passou, de novo, em primeiro (orgulho duplo!). Só que a universidade, após as entrevistas individuais, preferiu contratar a moça que ficou em segundo lugar, muito por ela já morar nos EUA (e isso facilitaria muito pra eles em termos burocráticos). Ela foi, só que no começo desse ano, desistiu da vaga.

Agora, volta um pouco no tempo. Muitos anos atrás, a Monica prestou um concurso para a rede municipal de ensino daqui de Campinas. Ela passou (se não me engano, ficou numa lista de espera logo após os convocados), mas só foi chamada para assumir um cargo em 2018, pra começar em 2018. Seriam três anos de probatório antes de ser efetivada de fato e ter estabilidade e tudo mais. Vieram as aulas, mudança de escola e a pandemia. Em fevereiro de 2022, o probatório concluiu e ela foi efetivada.

Uma semana depois de ser efetivada, a universidade de Stony Brook entrou em contato avisando que a vaga estava aberta novamente e seria dela, caso quisesse.

Nesse momento, eu já tinha saído da Pandora e estava meio preocupado com meu futuro financeiro e tinha que cuidar de todo o gerenciamento da campanha do Terapia Vol.2. Estávamos passando pela reforma dos armários (que rendeu até série de vídeos no meu canal) e tudo parecia instável e incerto. eu estava confiante no que tínhamos combinado: naquele ano eu ia (voltar a ) investir na minha carreira pra tentar chegar onde eu sempre quis chegar e o cargo estável dela na rede vinha bem a calhar. Então, no meio de todas as coisas desmontadas e a incerteza de como seria o futuro, eu fiquei muito inseguro sobre essa grande mudança pros EUA.

Mas em momento algum desencorajei a Mo. Conversamos MUITO, mas MUITO MESMO sobre todas as possibilidades e desenrolares de nossas decisões, numa época que apelidei carinhosamente de Multiverso da Loucura porque tudo que pensávamos fazer vinha com uma série de consequências derivadas que, sei lá por que, sempre culminavam em algo pessimista. Rolava um medo real de decidir por algo que trouxesse problemas futuros, frustração e incertezas. Medo de aceitar, medo de não aceitar.

Enquanto isso, decidimos não contar abertamente para as pessoas enquanto não houvesse mais certezas e informações por parte da Universidade e do Consulado. Tudo dependia muito de como era o programa, quanto pagavam, quais as condições da viagem, da moradia, do visto, etc. Era muita coisa para pensar, saber e planejar. E a gente não queria a expectativa das pessoas pesando... Especialmente porque, graças ao nosso mindset naquela época, parecia que ninguém entendia as questões problemáticas que a gente previa. Todo mundo só dizia (ou diria) que era uma oportunidade maravilhosa e que ia ser incrível e a gente ia amar. Então, quanto não tinha mais informação a gente segurou a informação.

Gradualmente ao longo dos meses seguintes, as informações foram sendo construídas, mas era tudo muito lento e muita coisa era complicado (por exemplo, ninguém cuidaria por nós de moradia, alimentação, plano de saúde, transporte... Tudo seria por nossa conta, menos a documentação e a passagem - da Mo - para os EUA). As coisas iam se acertando e ainda assim, rolava um medo dela perder a estabilidade do emprego aqui, até porque esse programa é de dois anos e depois ela poderia voltar a lecionar na escola que já gostava um tanto. Então, ela pediu uma licença não-remunerada de dois anos, justificando que ia para o Leitorado e isso poderia engrandecer sua experiência profissional e didática e poderia trazer coisas bem interessantes para os alunos da rede municipal daqui que não são falantes nativos de português. Não deram a licença. Ela entrou na justiça ($$$) pra garantir a licença (que é direito dela) e mesmo assim não deram. A solução seria exonerar. O que tiraria a estabilidade dela e a certeza de um emprego quando voltasse. Em meio a tudo isso, ela continuava dando aulas e participando ativamente da escola e conseguiu defender o tão trabalhoso doutorado.

Outra coisa que deixava a gente tenso era que as aulas nos EUA começariam na última semana de agosto, e a Mo precisaria estar lá, de preferência, uma ou duas semanas antes disso. Mas os trâmites burocráticos não andavam tão rápido e o lance da licença não se resolvia. Até que chegou junho e julho, e aí veio o contrato, os documentos de visto, o resultado da ação na justiça, a correria de ir pra São Paulo fazer as coisas do visto e passaporte, resolver moradia, resolver grana, cartão, contas, celular, malas... O visto dela foi aprovado no dia 15 de agosto, o passaporte ficou pronto pra ser retirado no dia 22 e a viagem foi marcada pra dia 22 às 23h, para que ela chegasse na terça, dia 23 e já desse aulas. Pensa numa correria pra tudo dar certo.

Ah, no meio disso tudo, eu decidi não ir em agosto, porque quando as certezas chegaram, ficaria absurdamente caro comprar uma passagem e me manter lá pra voltar depois de uns 15 dias (tenho várias responsabilidades e eventos até dezembro...). Ao mesmo tempo, apareceu o Projeto Didático, que me ajudou a segurar bem as pontas financeiramente por aqui. Terapia Vol2 foi produzido e impresso e eu ainda tinha que enviar tudo pros apoiadores. Passei no FIQ, na CCXP. Muita coisa pra me manter ocupado aqui, inclusive e não menos importante, cuidar do que vai ser feito do nosso apê, do nosso carro, nossas coisas, etc.

Deu tempo de se despedir de muita gente e de contar a coisa toda pra quem não sabia. Mas era, ainda assim, super corrido. A Monica viajou naquela segunda depois de um dia longo e cansativos em São Paulo, onde ela teve que trabalhar preparando as aulas enquanto íamos de consulado para almoço e aeroporto. Nos despedimos e eu, a cada abraço e beijo, ficava mais emocionado, até que desmontei chorando no ombro dela. Era saudade antecipada, medo, cansaço, alegria, orgulho e alívio. Que baita jornada. 

Ela merece demais essa oportunidade. É uma chance de retomar sua carreira acadêmica e é algo que engrandece o currículo e pode gerar coisas muito bacanas lá na frente. Era, pelas nossas estimativas e planos, algo como "a última chance" de fazer algo assim, por causa dos nossos planos futuros, e decidir aceitar essa aventura significa mudar muito do que tínhamos planejado. Mas era agora ou nunca, e foi agora. Estou muito, mas muito orgulhoso dela e dei e continua dando todo meu apoio para que ela se realize nessa nossa etapa.

Ela já chegou naquela terça-feira e deu aula, conheceu um monte de gente, a universidade, os colegas, os alunos, a cidadezinha (é zinha mesmo, fica dentro de Nova York mas lá no meio de Long Island). Agora, já estabelecida, confortável e confiante, as coisas ficaram mais tranquilas. Ela está feliz! É uma mudança imensa e muito difícil, mas deu tudo certo. 

E eu?

Bom, eu fico aqui até dezembro. Após a CCXP, tendo resolvido todos meus projetos e trâmites, vou para o EUA morar com a Monica até o fim do Leitorado. E vai saber oque mais vem pelo frente, né? Essa mudança é imensa para mim também e traz oportunidades muito interessantes. Faz muito tempo que quero entrar no mercado/cena americanos. E apesar de saber que não preciso estar lá, presencialmente, pra isso, estando lá pode abrir outras portas. Ainda estou trabalhando no Projeto Didático, ainda tenho envios de Terapia pra fazer e eventos pra ir. Ainda tenho projetos pra desenvolver, mas tudo isso pode ser feito em qualquer lugar, desde que eu tenha como continuar trabalhando, escrevendo, gravando, editando, desenhando, criando. 

Ufa, acho que é isso. Obrigado por ter lido tudo isso! Tem sido um ano e tanto pra Família Pinguim, mas estamos felizes e aliviados agora. E empolgados com oque vem pela frente. Mais uma vez, todo meu amor e apoio pra Professor Dra. Monica, amor da minha vida. Logo a gente vai estar juntos de novo.

Voa alto, Pinguim!

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Acolhida de Aula - Semana de 15 de julho de 2020

Bom dia, pessoal! Tudo bem por aí?Como está o rolê de confinamento? Quantos de vocês estão conseguindo ficar isolados? Tem um peso associado a esse tempo, a nossas escolhas. Existem consequências, boas e não tão boas. A gente vai tocando em frente como podemos, da melhor forma. E no meio disso tudo, desenhar!Hoje, sábado, além da aula, é dia de faxina aqui em casa. Confesso para vocês que eu detesto fazer faxina. Não é só o fato da rinite alérgica ficar espreitando pra estragar o meu nariz, mas todo o processo de usar o tempo, esse bem tão precioso, para tirar tudo do lugar, passar pano e produtos , colocar tudo de novo e ver que, meia hora depois, já tem pó de novo. Aqui acumula pó, não tem jeito. E ainda tem muito livro, bonequinho, estátua, porta-retrato, enfim. Mas é necessário.O que acontece é que eu fico na ansiedade da coisa começar e começo bem sem vontade, aos poucos. Quando vejo, sou uma máquina de limpar. Só me dê uma boa música e uma missão, e lá vou eu. Não que eu goste, mas é o que tem que ser feito, e uma vez imerso na experiência, o rendimento sobe e fico mais concentrado em cumprir a tarefa da melhor forma que eu sei (que não é lá muuuito maravilhosa, mas é o melhor que tenho pra oferecer). Depois, quando acaba, a gente fica cansado, estressado, com o nariz zoado, mas com a sensação boa de ter cumprido a meta,e a recompensa é a sensação boa de uma casa limpa e cheirosa (e, mais  importante de todas, a certeza de não precisar faxinar por pelo menos mais 15 dias, haha).Esse processo de tirar coisas do lugar, limpar e organizar é muito importante. Nos convida a refletir sobre nossas coisas, tudo que temos. Nem vou entrar na questão de "nós não somos o que temos" e tudo mais. Mas nós precisamos mesmo de tudo isso? E, citando a Marie Kondo, essas coisas nos trazem alegria (spark joy)? Se não, por que manter? Limpar as coisas nos traz mais pra perto delas, nos faz relembrar momentos diversos e resignificar tudo para um novo momento. Reorganizar é algo bom, também, pois quando as coisas ficam muito tempo do mesmo jeito, elas ficam invisíveis. Mudar é legal. Não sei vocês, mas eu detesto ficar o tempo todo mudando as coisas de lugar (pode ser uma estatuazinha na estante ou todo o layout de uma sala - e nem me deixem começar sobre a reforma da cozinha...). Mas várias vezes eu quis ou fui convidado (ou intimado...) a reorganizar as coisas no meu espaço físico, e por mais resistência que eu tenha oferecido, o resultado é legal. É bom mudar as coisas de lugar às vezes. É melhor ainda revisitar seus espaços e resignificar as coisas. Porque esse movimento todo, no mundo real, nos faz movimentar as coisas no mundo interno, e é aí que residem as grandes mudanças.Mudar o espaço físico não adianta nada se o seu espaço interno não estiver, também, organizadinho. Gosto da ideia de que a gente tá em constante evolução, e estacionar não é uma boa ideia (mesmo que você esteja num lugar muito bom). Revisitar, relembrar, resignificar... Tudo isso é importante. E como tudo na vida, não é pra ser diariamente e não é pora ser uma vez a cada 15 anos.  Tudo precisa de equilíbrio. Se você não tem, você busca. E não precisa ser fácil (geralmente não é), mas a gente vai em frente. E sabe, todo esse papo de faxina e organização tem muito a ver com o desenho e os processos criativos.Semana passada eu peguei pra organizar meus lápis de cor (uso pouco, mas gosto de ter). Apontei TODOS, tirei uma pequena floresta de madeira deles na mesa da sala. Alguns, com a mina toda quebrada, johuei fora. Outras cores que eu tinha repetidas (são uns 30- anos de desenho, né, alguns lápis duram bem) eu separei pra doar. O porta lápis ficou bonitão. Enquanto fazia isso, eu sentia o cheiro das madeiras, tomava sol e lembrava muitos momentos bacanas com aquele material. Um tempinho atrás, organizei meus marcadores e canetas (tem até vídeo no meu canal). Esse processo é bem legal. Hoje, com a faxina, já estou pensando na ideia de reogranizar meus livros na estante. Mas, de volta ao desenho: nós somos processo, o desenho e a criatividade são coisas pra exercitarmos o tempo todo, consciente e inconscientemente. Desenhar é organizar! É pensar, refletir, sentir e testar coisas. às vezes, você desenha pra "tirar o pó" de algo, seja uma memória, sentimento ou técnica. E quanto ,mais a gente pratica, mais fica proficiente, melhor o resultado, mais compreende o rolê todo. Se você deixa pra faxinar a casa uma vez por ano, vai ser tenso! Se fizer de ve em quando, ou aos poucos, nunca conclui. Esses processos são constantes. E a gente precisa passar pelo processo todo para chegar naquele final, de gostar do que fez, sentir a recompensa e aí sim, fazer as coisas com menos peso.Eita que eu viajei aqui. Continuando pra outros assuntos...Desde domingo venho namorando a ideia de uma série de ilustrações e tiras sobre a vida na quarentena, do ponto de vista do autor mesmo. Saiu no Instagram uma prévia, e espero ter o foco pra fazer mais. É uma ideia tbm, pra todos vocês tentarem: um tipo de diário gráfico com qualquer coisa que vocês queiram dizer ou mostrar, refletir ou criticar dessa experiência doida. Nem precisa mostrar, nem aqui nem publicamente. Essas coisas tipo diários são boas pra gente poder descer a lenha noque nos incomoda e processar os sentimentos e pensamentos pra tentar chegar em algum lugar, mesmo que esse lugar físico seja o mesmo. O importante, hoje em dia, é a jornada interna.Queria indicar um site muito legal que encontrei ontem. Você pode observar um vídeo da vista de uma janela aleatória ao redor do mundo. É bem bacana, às vzs deixar rolando no monitor enquanto desenha algo ou lê um livro... é uma forma de variar um pouco a paisagem né? :piscando_olho:
https://window-swap.com/Bora, então. "Pra cima do leão, que o leão é menso", como já dizia um velho professor da faculdade.
Tô por aqui, é só chamar!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Ser Autor - A vida acontece 1

Acho que uma das possibilidades de ter a coluna Ser Autor aqui no Blog'n'Roll é justamente a de compartilhar certas coisas mais voltadas à "vida real" do profissional em questão, não focando totalmente nas questões "mais técnicas". Enfim, isso envolve alguns momentos de desabafo, de papo reto e de filosofadas.

Acontece que a proposta do Ser Autor era, inicialmente, ser um canal no YouTube. Era, também, ter um site só para esse conteúdo, dissociado do meu Blog pessoal. Ainda seria eu a fazer esse conteúdo, mas não com os mesmos perfis. Aí acontece que a vida acontece. Os planos estão todos de pé. Ainda realmente quero fazer tudo isso ser uma realidade. Mas a vida, cara.

Eis que estou escrevendo esse post (era pra ser curto, mas já estou vendo que tenho dificuldade em  me conter) após uma rodada de pesquisa, conversas e informações sobre a viagem que eu e a Monica faremos na semana que vem. Eu sou do tipo que gosta de planejamento, de saber o que fazer e onde fazer pra evitar ficar perdido. Eu já me perdi muito por não saber o que fazer, jovens. E como estamos indo pra países nunca antes visitados (por nós, claro) e cujos idiomas são grande incógnitas (nosso inglês praticamente fluente pode não ser muito útil), eu fico preocupado em resolver tudo com os detalhes entendidos.

Ao mesmo tempo, confio nas confluências doidas do Universo e na nossa habilidade de adaptação e jogo de cintura, além da aliada mais poderosa que temos no bolso: a internet. De qualquer forma, informação é poder e se organizar é chave pra não deixar aquela ansiedade tomar conta no antes, e a tensão tomar conta no durante.

Eu não sofro de ansiedade como uma patologia, não como vejo em muitas pessoas. Não me paralisa, não me aterroriza. Mas sim, sou ansioso, sou cauteloso, sou indeciso. Fico receoso de fazer as coisas sem saber direito como elas funcionam, como proceder.

No trabalho como autor, ilustrador, professor, todos eles, eu também sinto isso. E aí em a constatação de que quanto mais tempo você está atuante naquilo, mais fluente é, mais desenvolto. Menores são os desafios porque você já passou tantas vezes pelos mesmos processos, que eles vão se tornando instinto. Desenhar é assim, acredite em mim. Você pena no começo pra conseguir fazer aquele rostinho genérico previsível a la Andrew Loomis, e 20 anos depois, desenha como se tivesse caminhando: vira algo intrínseco e natural. Os desafios são outros. E eles, também, serão transformados em novas habilidades e soluções instintivas e "fáceis". Desde que, claro, você passe pelo período de imersão, compreensão, experiência, erros e acertos, ajustes, etc.

Abri esse post para por um pouco da minha ansiedade com a viagem pra fora, e acabou tendo até uma filosofada sobre desenhar como instinto, algo que quero elaborar mais pra frente. Falando nisso, devo admitir que essa coluna deveria ser semanal. Ou mesmo mais frequente que isso: há conteúdo, há vontade. Mas, sabe, essa coisa de planejar e lidar com a antecipação, misturada a todos os planos de curto, médio e longo prazo que tenho (não só pra 2019, diga-se de passagem), fazem com que escolhas tenham que ser feitas: o que eu vou fazer primeiro, o que eu vou fazer hoje, o que eu vou fazer mês que vem?

Prioridades. Organização. Execução.

Eu me sinto meio perdido em torno dessas coisas atualmente, por mais que tente organizar tudo. Pensando sobre, chego à conclusão de que essa viagem, essa grande e incrível viagem que faremos, me deixa antecipando, ansioso a ponto de não conseguir me organizar direito em outras coisas. Atualmente, aulas, Monstruário Vol.2, eventos e eventuais freelas são a prioridade. A viagem também tem que ser. Então, a coluna, o canal, o site e etc., ficam um pouco de lado. Estou tentando fazer um pouco de tudo, mas ainda meu cronograma não consegue contemplar, de forma fixa e organizada, todas essas coisas. Acrescente aí a temporada doida que esse nosso país;mundo está vivendo nos últimos anos, que me faz questionar a validade do empenho em produzir tudo isso frente ao que está por vir e ao que já está acontecendo no nosso mundinho... (opa, parar de pensar nisso, esquivar desse redemoinho).

Eu não queria começar um canal de Youtube filmando falas em vídeos improvisados. Não que eu veja isso como um problema, aliás, acompanho muitos canais que são assim e gosto. Mas se eu quero fazer, vou fazer bem feito, e pra isso eu preciso de um roteirinho, de uma luz boa, de um microfone, de tempo e espaço pra poder organizar esse "cenário" e tudo mais que produzir um vídeo envolve. Preciso de tempo e ideias pra montar um site dedicado a esse projeto.

E no meio de tudo, a viagem, as outras tarefas e prioridades. Esse texto inteiro pra dizer (pra vocês, mas acho que mais pra mim mesmo) que até eu voltar do Japão vai ser difícil estabelecer uma rotina de textos e/ou vídeos pro Ser Autor. Mas não esquentem, eu volto logo. E a viagem vai ser incrível. E vai dar tudo certo. E vai ser melhor dessa forma.

Agora, um abraço pra vocês, pois já estou atrasado pra cortar essa juba que chamo de cabelo e barba. Obrigado por lerem e por me acompanharem.
Mantenham-se curiosos, atentos, famintos.