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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Sobre minha saída da Pandora Escola de Arte

Texto originalmente publicado na Newsletter Quebra-Cabeça (assine!) 

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Nada dura para sempre, a não ser que o seu "pra sempre" seja maleável como a percepção do tempo desassociada de ponteiros e marcadores digitais. Diria o poeta "que seja eterno enquanto dure" e isso é lindo, e quando é real, significa que independente de finais, o durante foi construído com dedicação e carinho. Também tem o clássico "o que importa é a jornada, não o destino", e também gosto dessa, mesmo se pensar que o fim sempre é o fim. Por fim, o fim também tem essa característica de morte, todo término é uma pequena (ou grande) morte de uma coisa que, espera-se, tenha sido especial. Esse conceito da psicologia também foi usado na HQ Terapia, veja só, e faz muito sentido. O fim nunca é o fim, até ser o fim definitivo, e esse teria que ser o fim de tudo, tudo mesmo, do ar que respira, da luz do olhar, da continuidade da existência física, e mesmo esse ponto final não pode existir, porque algo continua existindo: memória, legado, obras, influências. Vai até que se chegue num ponto onde não se remete mais ao que ficou de alguém, mas olha, até isso é inverdade: se fica algum tipo de presença, eventualmente ela se mescla a outras coisas e continua em frente.


É, eu sei que esse parágrafo todo tem uma interpretação possível um pouco sombria, fala-se de fim, de término, de morte, mas nada disso aconteceu de forma tão intensa ou definitiva. O que não quer dizer que não houve um fim, mas foi desses que não terminam em corte brusco perpétuo (como disse, isso é até meio impossível). É só mudança. E mudança, geralmente, é bom (eu não gosto de mudanças grandes ou bruscas, mas no final a gente acaba entendendo e fluindo com isso).

Bom, todo esse preâmbulo para falar sobre minha saída da Pandora Escola de Arte. 



Eu sou dramático, gosto de escrever coisas poéticas, melancólicas e que possam instigar qualquer reflexão, qualquer uma que seja, e aí a mensagem pode acabar com esse caráter mais tenso e denso, mais do que precisava, hehe. Mas não resisti. Quando comecei a pensar sobre o assunto, me vieram à mente essas formas de pensar em fins e saiu o texto. Agora que acabou o drama (será que algum dia ele acaba?), vamos falar das coisas.

Hoje, primeiro de fevereiro de 2022, é o primeiro dia em que eu oficialmente não sou mais professor da Pandora Escola de Artes. A Pandora, que fica em Campinas, onde eu moro há metade da minha vida, é uma escola muito bacana que tem uma longa história de formação de artistas na região. Fundada pelo Ricardo e pelo Amilcar, oferece cursos em diversas áreas das artes e artes aplicadas e participa da vida cultural da cidade e região ativamente. 

Conheci a Pandora antes de ser escola, quando ainda era "só" uma comic shop, cheia de HQs diferentes, camisetas e colecionáveis, quando ouvi na rádio, no ônibus indo pra escola em 1998, que ia inaugurar. Entendi errado o endereço e foi uma dificuldade encontrar o lugar certo, mas finalmente conheci a loja em algum momento depois de uma aula de desenho em Campinas.

Uns anos depois, vim morar em Campinas e passei a frequentar semanalmente a Pandora pra comprar meus quadrinhos. Já era uma escola, também. Meu primeiro trabalho de verdade com quadrinhos tinha como parceiro um dos professores da escola na época, o Bruno Bull. Eu ia lá levar páginas para ele continuar o projeto. Depois, já mais inserido no mercado de ilustração, conheci o Ricardo pela lista de email de ilustradores da época, a Ilustrasite, e a partir da ideia de criar eventos regionais para ilustradores, eu, ele e a Aline Bottcher organizamos o Sandubão Ilustrado, que rolou em 2006 ou 2007. Contatos feitos, não demorou para que eu fosse convidado pelo Ricks a dar aulas na Pandora.

Pra mim, foi uma honra. E já fazia meus quadrinhos há anos, tinha começado a publicar em antologias (Front) e a conhecer o mundo da HQ independente e autoral. Estudava quadrinhos como a arte incrível que são e encarava o olho torto acadêmico sobre essa linguagem na faculdade. Ser convidado pra dar aulas na Pandora era um tipo de validação, afinal era a escola mais importante desse tipo na cidade. Claro que topei. Comecei a dar aulas de Desenho Artístico, Ilustração e, claro, Quadrinhos em 2007. 

Nesse tempo, evoluí absurdamente como professor, artista e autor. Não tem como não evoluir se você está realmente dedicado ao que faz, buscando melhorar em todos os aspectos. Pra mim, dar aula é uma coisa muito especial e desenvolvi, ao longo desses anos, uma relação muito bacana com meus alunos. Não é só ensinar fundamentos de desenho, técnicas, truques. A minha própria vivência como autor e ilustrador atuante torna essa experiência maior, porque sempre levei pra aula essa vivência. Dos eventos, das publicações e todo o processo criativo delas, as exposições, tudo sempre fez parte da experiência expandida da aula. Meu estilo de aula mistura o que tem que ser visto do programa do curso com reflexões diversas sobre tudo.

Os conteúdos se misturam a visão de mundo, analogias e metáforas, filosofadas e piadinhas. E isso, eu sei, era importante e valioso para muitos alunos, porque a gente pode trabalhar não só habilidades técnicas e artísticas, mas também o interior do artista, com acolhimento, respeito e seriedade. Eu não tenho formação em psicologia, claro, mas acabei me tornando o "professor terapeuta filósofo" da escola, e com isso vários alunos eram direcionados para minhas aulas. A experiência foi muito especial para mim. Saber que eu pude ser relevante não só para ajudar as pessoas a serem melhores artistas e profissionais, mas também a se entenderem, respeitar o próprio lance, compreender melhor o mundo maior que a arte propicia. Não tem preço.

E nesses 14 anos, ajudei a formar uma série de artistas. Eu nem consigo contar, tenho medo de esquecer de alguém, mas vale dizer que tem muita gente boa produzindo quadrinhos, ilustração animação, tatuagem, design, que foram meus alunos. Na última CCXP presencial (2019), contei uns 8 autor@s no Artista Alley que tinham sido meus alunos. Que orgulho, bicho. Fora os alunos que visitaram o evento dedicando um tempo enorme aos autores e seus trabalhos (pra mim é assim: gosta de quadrinhos, estuda quadrinhos, tem que conhecer quadrinho brasileiro!). 

Aí, veio a pandemia e mexeu em muita coisa. A Pandora teve que fechar as portas por um tempo, e esse tempo foi muito mais longo do que todo mundo esperava (muito obrigado, governo, seus lixos). As aulas passaram a ser online. Começamos esses atendimentos pelo Slack, mas era só texto e imagem, não tinha vídeo nem voz. Chegou um momento em que decidi dar as aulas pelo Meet, pra poder ver e ouvir meus alunos e também compartilhar a tela e dar aula numa lousa em tmepo real. Foi ótimo, apesar de não ser a mesma coisa que a aula na sala de aula, mas me ofereceu uumas possibilidades maravilhosas em termos de didática, porque eu podia usar os softwares e suas camadas e efeitos. Tirar o melhor proveito possível do que temos à mão. Sai a lousa de vidro com marcadores e eventuais impressões em laser de referência, entra o photoshop, o clip studio, os links, camadas e sobreposições, etc. Investi no meu set up (que não era só pra escola, claro, era pra todo meu trabalho): cadeira, microfone, webcam, SSD, ring light, tablet nova. Tudo pra subir o nível do que eu poderia oferecer nas aulas, no canal e no meu trabalho offline.

A gente aguentou o tranco. Aí, no meio de 2020, com todas as dificuldades já regentes, vem a bomba: a Pandora precisou entregar a casa onde era sediada, a casa antiga de vó, super gostosa, que ficava a 2 quadras da minha casa, porque o lugar foi vendido pra uma construtora. Que caos. Eu não participei do movimento de desmontar tudo. Outro dia passei lá na frente e já não tem mais casa, só detrito. Foi triste. Ficamos naquela casa desde 2009. Mas, como todo fim pode levar a algo novo e muito bom, a Pandora encontrou nova sede numa casa super moderna e bem localizada. Só era muito longe da minha casa. 

Quando as aulas presenciais voltaram, no começo de 2021, eu decidi não voltar ao presencial. Foi uma decisão minha por causa da falta de vacina e a insegurança que a pandemia coloca na gente. Vai saber até quando a tranquilidade dura. E durou pouco, a escola fechou de novo, levou meses pra reabrir, e eu não voltei de novo. Nesse tempo todo, estava esperando estar imunizado com a segunda dose da vacina, antes disso não voltaria. Quando tomei a segunda dose era quase novembro. E novembro logo vira dezembro, o ano acaba e as aulas param no recesso, então decidi não voltar até 2021. Tudo de acordo com a escola e os alunos, muitos preferiam ficar online mesmo. Mas era cada vez menos alunos nas aulas.

No final de 2021, depois de muito, mas muito pensar no assunto, chegou ao fim minha parceria com a Pandora. Tomar essas decisões não é fácil pra mim. Eu tenho a tendência de continuar como está, torcendo e colaborando pra que as coisas melhorem, mas nem sempre as coisas mudam. Eu já aprendi há tempos com relacionamentos e emprego que pras coisas mudarem, é preciso agir, e a ação tem que vir dos dois lados. Nem sempre dá pra fazer, porque as coisas são como elas são. Talvez em algum momento isso signifique que é melhor não continuar juntos, e acho que foi isso que aconteceu. Durante a pandemia eu pude me recolher em mim, pensar muito mais no que eu quero e como eu quero fazer as coisas. Novas possibilidades apareceram (mentorias, aulas particulares, freelas e projetos de HQ). Refleti muito sobre todas as minhas relações durante esse tempo, e só consegui fazer isso porque estive isolado em casa por muitos meses. E me fez bem. Uma dessas reflexões foi justamente se eu queria mesmo continuar como professor da Pandora. 

E eu percebi que, como as coisas eram antes da pandemia, não estava 100% do meu agrado, e percebi que não era só eu, de forma egoísta, mas uma percepção honesta do que poderia acontecer, mudar, evoluir. Mas estávamos conversando, haviam planos e ideias o tempo todo. A pandemia colocou tudo em stand by. E aí depois de tanta mudança, a reflexão passou a ser, já que o que existia não existiria mais (mudou a casa, mudou a equipe, mudou o local, mudei eu), será que eu quero continuar como professor da Pandora nesse novo modelo?

A conclusão foi até mais fácil do que eu previa, tentando ficar isento de emoções (a amizade, a lealdade e o respeito por todos sempre ficou presente nas minhas reflexões sobre isso, falo mais das emoções minhas, síndrome do impostor, medo de fracasso, de ser interpretado mal). Minhas conclusões foram as seguintes:

A Pandora, que antes ficava do lado de casa, agora está mais longe. Pra chegar lá e dar as aulas, preciso ir de carro. Só que o carro é usado pela Monica pra ela ir dar aula, num lugar mais longe ainda e num horário fixo todo dia da semana. Pra eu ficar com o caro, teria que levá-la até sua escola e voltar e depois ir buscar, o que interfere no horário das minhas aulas. Exige que organizemos o cronograma de almoço e tal. Se eu for de ônibus, leva muito tempo e fico à mercê dos horários. Se for de Uber, sai caro e eu teria que arcar com esse custo. A pé, não rola. Então esse problema logístico já atrapalhava tudo. Tudo bem, eu dou aula um dia da semana, mas se eu quisesse abrir mais turmas? Ou, como eu queria, mudar os horários e dias das aulas?

Com a pandemia, a escola perdeu muitos alunos. A procura por curso online é baixíssima na escola, o que significa que se eu tive poucos novos alunos. Com a saída de alguns deles, minhas turmas ficaram pequenas. Menos alunos significa também menos dindim, e o tempo dedicado às aulas vale muito a pena se tenho salas cheias, mas nem tanto se tenho um ou dois alunos (vira praticamente uma mentoria ou aula particular, sendo pago como aula normal). 

E eu mesmo fui ficando desanimado do formato virtual, de estar sempre na mesma sala com o mesmo PC, mas respeitando minhas decisões sobre a pandemia, era isso ou voltar ao mundo exterior, e eu não queria voltar a não ser que estivesse seguro. Eu já vinha há anos sentindo que não gostava mais tanto de dar as aulas mais básicas, do começo do curso, e essas são as aulas que a gente mais dá, porque sempre tem mais alunos no começo do que no final do curso. Eu queria dar aulas avançadas, de projetos de quadrinhos, narrativa, roteiro e criação de personagens, ilustração avançada... E era mais raro ter essas aulas. Com a abertura das minhas mentorias fora da Pandora, comecei a desenvolver projetos super bacanas e ver minhas vivências e experiências serem mais úteis em aulas mais focadas com alunos mais avançados.

Também percebi que, de todos os alunos que tinha no segundo semestre, pelo menos metade deles poderiam concluir o curso e seus projetos até dezembro, o que faria o começo de janeiro ser mais "vazio". Coloque isso no ciclo de deslocamento até lá, menos alunos, menos dindim e não ver uma perspectiva de melhora nessas questões, pelo menos a médio prazo (afinal, ainda estamos na pandemia e a procura por cursos não aumentou o suficiente, os cursos novos e mudanças de programas dos cursos existentes não vão sair tão cedo)... Me pareceu que era um fim mesmo, ou pelo menos, o momento propício para tanto.

Em cima de tudo isso, também pensei muito sobre como meu trabalho floresceu durante a pandemia (quem diria, eu achei que podia ir à falência) com projetos bem legais de ilustração, mentorias, vídeos para o canal, commissions, o projeto de Pieces - Parte de Mim, o projeto de Terapia vol.2, as HQs que produzi sendo pago, os contatos se desenvolvendo com a cena independente internacional... E pensei que, poxa, eu dediquei minha vida toda a ser um profissional e viver do que eu amo. E eu sempre fiz isso, mas também sempre sendo professor. Sempre lidei com tudo ao mesmo tempo, e sempre deu certo, mas se tinha um momento que eu poderia me dar a chance de tentar dar o próximo salto em minha carreira, esse momento estava chegando e continuar na Pandora, do jeito que as coisas estavam ou estariam, não estaria nos planos. E eu devia isso a mim mesmo, essa chance de saltar e investir em mim.

Conversei muito com a Mo, muito na terapia, refleti muito mesmo, e decidi que, se tinha um momento certo para concluir minha jornada com a Pandora, era na transição de 20 pra 21. Concluir o ano amarrando as pontas com os alunos que estavam concluindo, de forma online ainda, e assim fizemos, durante janeiro. Os alunos que estavam ainda no meio do curso foram transferidos para ouros professores, a galera nova, jovem e cheia de energia, como eu era em 2007 (alguns até foram meus alunos!), que vai com certeza fazer um ótimo trabalho. 

A Pandora como eu vivenciei não existe mais. A nova Pandora é promissora e desejo tudo de melhor para todos eles, mas eu não me encaixo muito bem. Saí amigavelmente, conversei muito com o pessoal lá, Erika, Flavinha, Amilcar e Ricardo e eles entenderam. Claro que todo fim é um novo começo, mas fim é ruim, né? Impõe mudança, recalibrar as coisas, lidar com a ausência de algo que sempre esteve lá. Meu respeito e gratidão são imensos e eternos, afinal, eles me deram a oportunidade de ser professor, ensinar as coisas que mais amo e crescer com isso. A confiança que sempre tiveram em mim, na minha didática, estilo, propostas e empenho é muito importante, validação que ajuda a solidificar as estruturas internas. 

Saí da Pandora como professor dos cursos regulares, mas continuo parceiro da escola para desenvolver possibilidades pro futuro. Cursos avançados, pontuais podem vir. Aulas de Ilustração Avançada podem se retomadas e eu adoraria dar algumas aulas desse curso. E obviamente, continuo amigo de todo mundo e quero estar presente nos eventos, nas confraternizações e exposições. Assim como já rolou com outros colegas que também saíram da escola em momentos que julgaram ser corretos e hoje estão surfando suas próprias ondas e voltam de vez em quando pra confraternizar. 

É um momento muito especial pra mim, de evolução pessoal, de concentrar minha energia mais em mim mesmo e no que eu quero pra minha carreira. É um movimento importante de voar sozinho, mesmo que eu já soubesse voar e tivesse voado bem longe. É crescer, sair de casa, encarar o mundo. E vai ar certo. 2022 é promissor. Estou cheio de ideias, energia e medo. Não sei bem oque vai acontecer, e isso me incomoda um tanto, mas se eu não tentar, nada acontece. E pra tentar, eu preciso de mais foco em mim.

E é isso.

sábado, 17 de abril de 2021

A Colcha de Retalhos da Vida

 Pra refletir: Trecho de um post de blog do Austin Kleon:

"Cada dia é como um quadro em uma colcha de retalhos. Alguns dias são feios, alguns são pesados, outros são caóticos e alguns são coloridos e outros ordenados, mas se você continuar adicionando, uma hora eles formam algo completo."

A ideia de que dificilmente existirão sequências infinitas de dias perfeitos (aqueles que atendem nossas expectativas otimistas): alguns dias serão, inevitavelmente, piores de alguma forma. E isso é normal, é a vida. A colcha formada pela costura de tantos dias bons e ruins, em suas variadas formas, cores e padrões, é a nossa vida: plural, imprevisível e vasta.

Uma colcha de retalhos feita exclusivamente de pedaços do mesmo pano acaba sendo muito sem graça. Mas podemos, também, tentar entender e organizar o despadrão que a vida nos oferece e organizar tudo isso de forma que faça sentido e traga conclusões e aprendizado. Mesmo com retalhos dos mais variados, a forma com que os dispomos na colcha pode resultar num padrão amplo e bonito. 

Como sempre, o equilíbrio se mostra uma saída interessante: não aceitar o caos sem reflexão e não confiar demais na ordem apática. 

Arte se faz na gangorra entre técnica e expressão. Se tem muito peso de um lado, não há movimento.


Bom fim de semana! 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Dia Mundial do Desenhista


O Dia Mundial do Desenhista foi criado em homenagem ao aniversário de um dos mais importantes desenhistas de todos os tempos: Leonardo da Vinci, que nasceu dia 15 de abril de 1452, na cidade de Vinci, na Itália. A data foi instituída pela primeira vez como comemorativa em 2011, através de uma iniciativa da Associação Internacional de Artes (IAA), considerada a maior organização não-governamental de artes visuais, criada em 1954 pela Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Desenho vem da palavra Disegno (que também originou Design), que vem de DESÍGNIO. A etimologia da palavra é o Latim DESIGNARE, “marcar, apontar, traçar”, formado por DE-, “fora”, mais SIGNARE, “marcar, apontar”, de SIGNUM, “sinal, marca”. Desenhar, então, tem sua raiz atrelada ao ato de criar informação visual para comunicar.

E o Desenho é o meu (e espero, o seu) desígnio (será que essa palavra também tem sua raiz atrelada ao desenho?). Não me vejo fazendo outra coisa, não sem ter o desenhar como fator determinante.

Desenhar é uma atividade apaixonante. Eu já falo disso há anos, claro, e todo meu trabalho com quadrinhos, ilustração, aulas e palestras (além do Youtube!) deriva desse amor imenso que tenho pelo desenho. Pra mim, é maior que apenas criar imagens. É tão grande que nem sei como descrever, e sou muito grato e feliz a todas as etapas do meu caminho nesse mundo que me levaram, e ainda levam, a criar coisas especiais a partir de "apenas linhas, pontos, manchas".  Com isso nós comunicamos, expressamos, simplificamos, confundimos, emocionamos, criticamos, narramos, criamos signos, símbolos, ícones, mentiras e verdades, contamos histórias e deixamos, de alguma forma, uma marca no mundo.

Nesse 15 de abril, dei aulas o dia inteiro! Ilustração, quadrinhos, cartum, criação de personagem, projeto pessoal de HQ... Foi um dia cheio, como todas as quintas-feiras, e deixo aqui um abraço aos meus alunos da Pandora Escola de Artes e das mentorias particulares, agradecendo à confiança e parceria!

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Como ensinar Quadrinhos (e muito mais!)

 Oi, pessoal! 

Essa semana começa com um bate-papo muito bacana comigo e o Rapha Pinheiro sobre nossa experiência de ensinar desenho, ilustração, quadrinhos... 

Assista aí e deixe seus comentários! 

Não deixe de seguir o canal do Rapha, e o meu também, e curtir e divulgar os vídeos. 


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Acolhida de Aula - Semana de 15 de julho de 2020

Bom dia, pessoal! Tudo bem por aí?Como está o rolê de confinamento? Quantos de vocês estão conseguindo ficar isolados? Tem um peso associado a esse tempo, a nossas escolhas. Existem consequências, boas e não tão boas. A gente vai tocando em frente como podemos, da melhor forma. E no meio disso tudo, desenhar!Hoje, sábado, além da aula, é dia de faxina aqui em casa. Confesso para vocês que eu detesto fazer faxina. Não é só o fato da rinite alérgica ficar espreitando pra estragar o meu nariz, mas todo o processo de usar o tempo, esse bem tão precioso, para tirar tudo do lugar, passar pano e produtos , colocar tudo de novo e ver que, meia hora depois, já tem pó de novo. Aqui acumula pó, não tem jeito. E ainda tem muito livro, bonequinho, estátua, porta-retrato, enfim. Mas é necessário.O que acontece é que eu fico na ansiedade da coisa começar e começo bem sem vontade, aos poucos. Quando vejo, sou uma máquina de limpar. Só me dê uma boa música e uma missão, e lá vou eu. Não que eu goste, mas é o que tem que ser feito, e uma vez imerso na experiência, o rendimento sobe e fico mais concentrado em cumprir a tarefa da melhor forma que eu sei (que não é lá muuuito maravilhosa, mas é o melhor que tenho pra oferecer). Depois, quando acaba, a gente fica cansado, estressado, com o nariz zoado, mas com a sensação boa de ter cumprido a meta,e a recompensa é a sensação boa de uma casa limpa e cheirosa (e, mais  importante de todas, a certeza de não precisar faxinar por pelo menos mais 15 dias, haha).Esse processo de tirar coisas do lugar, limpar e organizar é muito importante. Nos convida a refletir sobre nossas coisas, tudo que temos. Nem vou entrar na questão de "nós não somos o que temos" e tudo mais. Mas nós precisamos mesmo de tudo isso? E, citando a Marie Kondo, essas coisas nos trazem alegria (spark joy)? Se não, por que manter? Limpar as coisas nos traz mais pra perto delas, nos faz relembrar momentos diversos e resignificar tudo para um novo momento. Reorganizar é algo bom, também, pois quando as coisas ficam muito tempo do mesmo jeito, elas ficam invisíveis. Mudar é legal. Não sei vocês, mas eu detesto ficar o tempo todo mudando as coisas de lugar (pode ser uma estatuazinha na estante ou todo o layout de uma sala - e nem me deixem começar sobre a reforma da cozinha...). Mas várias vezes eu quis ou fui convidado (ou intimado...) a reorganizar as coisas no meu espaço físico, e por mais resistência que eu tenha oferecido, o resultado é legal. É bom mudar as coisas de lugar às vezes. É melhor ainda revisitar seus espaços e resignificar as coisas. Porque esse movimento todo, no mundo real, nos faz movimentar as coisas no mundo interno, e é aí que residem as grandes mudanças.Mudar o espaço físico não adianta nada se o seu espaço interno não estiver, também, organizadinho. Gosto da ideia de que a gente tá em constante evolução, e estacionar não é uma boa ideia (mesmo que você esteja num lugar muito bom). Revisitar, relembrar, resignificar... Tudo isso é importante. E como tudo na vida, não é pra ser diariamente e não é pora ser uma vez a cada 15 anos.  Tudo precisa de equilíbrio. Se você não tem, você busca. E não precisa ser fácil (geralmente não é), mas a gente vai em frente. E sabe, todo esse papo de faxina e organização tem muito a ver com o desenho e os processos criativos.Semana passada eu peguei pra organizar meus lápis de cor (uso pouco, mas gosto de ter). Apontei TODOS, tirei uma pequena floresta de madeira deles na mesa da sala. Alguns, com a mina toda quebrada, johuei fora. Outras cores que eu tinha repetidas (são uns 30- anos de desenho, né, alguns lápis duram bem) eu separei pra doar. O porta lápis ficou bonitão. Enquanto fazia isso, eu sentia o cheiro das madeiras, tomava sol e lembrava muitos momentos bacanas com aquele material. Um tempinho atrás, organizei meus marcadores e canetas (tem até vídeo no meu canal). Esse processo é bem legal. Hoje, com a faxina, já estou pensando na ideia de reogranizar meus livros na estante. Mas, de volta ao desenho: nós somos processo, o desenho e a criatividade são coisas pra exercitarmos o tempo todo, consciente e inconscientemente. Desenhar é organizar! É pensar, refletir, sentir e testar coisas. às vezes, você desenha pra "tirar o pó" de algo, seja uma memória, sentimento ou técnica. E quanto ,mais a gente pratica, mais fica proficiente, melhor o resultado, mais compreende o rolê todo. Se você deixa pra faxinar a casa uma vez por ano, vai ser tenso! Se fizer de ve em quando, ou aos poucos, nunca conclui. Esses processos são constantes. E a gente precisa passar pelo processo todo para chegar naquele final, de gostar do que fez, sentir a recompensa e aí sim, fazer as coisas com menos peso.Eita que eu viajei aqui. Continuando pra outros assuntos...Desde domingo venho namorando a ideia de uma série de ilustrações e tiras sobre a vida na quarentena, do ponto de vista do autor mesmo. Saiu no Instagram uma prévia, e espero ter o foco pra fazer mais. É uma ideia tbm, pra todos vocês tentarem: um tipo de diário gráfico com qualquer coisa que vocês queiram dizer ou mostrar, refletir ou criticar dessa experiência doida. Nem precisa mostrar, nem aqui nem publicamente. Essas coisas tipo diários são boas pra gente poder descer a lenha noque nos incomoda e processar os sentimentos e pensamentos pra tentar chegar em algum lugar, mesmo que esse lugar físico seja o mesmo. O importante, hoje em dia, é a jornada interna.Queria indicar um site muito legal que encontrei ontem. Você pode observar um vídeo da vista de uma janela aleatória ao redor do mundo. É bem bacana, às vzs deixar rolando no monitor enquanto desenha algo ou lê um livro... é uma forma de variar um pouco a paisagem né? :piscando_olho:
https://window-swap.com/Bora, então. "Pra cima do leão, que o leão é menso", como já dizia um velho professor da faculdade.
Tô por aqui, é só chamar!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

YouTube - Venha assistir os novos vídeos do meu canal!

E aí, pessoal, tudo bem?
As últimas semanas foram bem produtivas, com vários vídeos novos no canal. Veja abaixo:


Participar de coletâneas e antologias é uma etapa muito importante da formação dos artistas. Eu já participei de várias, desde o começo de carreira até agora, com um novo projeto bem bacana que você vai conhecer neste vídeo! Enquanto falo sobre minha vivência com esse tipo de publicação, acompanhe a arte-final digital das duas páginas que fiz para o projeto.

Veja o projeto HISTÓRIAS PASSAGEIRAS no Catarse, dê seu apoio e ajude a fazer o livro virar realidade: https://www.catarse.me/historiaspassageiras


Durante o ComicSanca (evento de quadrinhos que aconteceu em São Carlos – SP em agosto de 2019), conversei com os grandes Rapha Pinheiro e Thiago Spyked sobre nossas experiências como professor de desenho e quadrinhos. Foi um papo bem bacana, que dividimos em três vídeos, um em cada canal, para vocês.




Em mais um vídeo da série Sketchbook Tour, vamos ver todas as páginas do caderno "The Cups" (21/01/2019 a 18/06/2019). Esse caderno foi montado a partir de vários tipos de papel diferentes, e levou um tempão pra terminar. Venha descobrir os motivos disso e o que essas páginas escondem...


Para assistir os vídeos, é só clicar nos links das imagens.






quarta-feira, 10 de julho de 2019

YouTube - DESENHANDO O HOMEM-ARANHA

E aí, você tem curiosidade de saber mais sobre o processo criativo dos artistas?

Bom, eu também. Adoro ver meus amigos, colegas e ídolos produzindo e comentando seus processos, seja em vídeo ou ao vivo. Por isso, decidi começar uma nova série no meu canal, onde vou desenhar e comentar os meus truques, sugerir materiais e filosofar sobre o desenho e o mercado.



E na estreia, vou desenhar um Homem-Aranha para vocês! Durante o vídeo, deixo alguns comentários sobre os materiais que usei, as escolhas feitas e algumas dicas para você tentar aplicar nas suas ilustrações. Todos os materiais têm links para você comprar (mas só na descrição do vídeo no YT).
A velocidade do vídeo durante o processo foi acelerada em 200%, ou seja, enquanto não tem narração, a velocidade é o dobro do que eu faço de verdade. Eu costumo desenhar bem rápido em alguns casos, e o processo todo de desenhar esse Aranha, que levou cera de uma hora ao todo, virou um vídeo com 25 minutos. Dá pra ver bem o processo, mas sempre aceito sugestões.





Ah! Quer esse Aranha para você? O original produzido neste vídeo está à venda na minha loja. Aproveite, é peça única e vai pra quem comprar primeiro. Só clicar AQUI!



Qual personagem você quer que eu desenhe no próximo vídeo? Que tipo de dicas de desenho, finalização ou qualquer outra etapa dos processos criativos você quer? De que materiais você gostaria que eu desse dicas ou demonstrasse? Deixem seus comentários, aqui e no canal.

Espero que curtam!

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Evento - Caixa Aberta 2019

Está chegando a 7ª edição do evento mais bacana da Pandora Escola de Arte! O Caixa Aberta acontece nos dias 25 e 26 de maio, com muitas atrações. Veja mais informações:



O Caixa Aberta Pandora é um evento artístico cultural que engloba uma mostra de profissões relacionadas às Artes Visuais, exposições, oficinas, livepaintings, palestras, feira de arte, estandes de materiais artísticos a preços promocionais e sorteio de brindes.

O objetivo do evento é apresentar as diversas aplicações das artes visuais no mercado profissional, e para isso, contamos com a presença dos respectivos profissionais de cada área para contar sobre experiências e trajetórias, tirar as dúvidas do público, expor, divulgar e comercializar suas produções.

A programação está bem bacana. Vou participar do evento nos dois dias inteiros, mas além disso, no sábado farei uma avaliação de portfólios com o Leopoldo Anjo e darei uma palestra no domingo sobre Gerenciamento de projetos: controlando o caos criativo! Abaixo, tem toda a programação (que você pode ver com mais informações no site da Pandora):






Confira o evento no Facebook, confirme sua presença e compartilhe com os amigos!

Veja como foi o evento de 2018, pra já ir se preparando!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Várias Entrevistas!

Oi, pessoal! Todos bem?
Esse mês de setembro está sendo super intenso, com vários eventos. E, no meio de tudo isso, consegui ainda gravar algumas entrevistas. Reuni todas aqui por enquanto. Sigam os canais que as postaram pois os conteúdos são muito bacanas e o pessoal merece a força!

Durante os eventos da Banca de Quadrinistas do Itaú Cultural, gravei um divertido vídeo pro José Zinerman, um cara incrível que é precursor de todas as formas de mídias alternativas que você imaginar. Ele fazia podcast antes da internet, gravando o conteúdo dos seus zines em fitas K7 pro pessoal ouvir em walkman, coisa que estava começando a aflorar na época. Depois, em vídeos e VHS, e mais tarde na internet, ele sempre esteve pioneiro. Vale conferir o trabalho dele no Facebook.

Também durante minha estadia em São Paulo, fui até o charmoso Dona Marmitinha pra conversar com os caras do Intervalo pro Café! O papo foi longe, e a maior parte dele está no vídeo do canal do YouTube, e algumas perguntas extras foram pros posts do Instagram deles.


 E também tirei um tempinho aqui no estúdio para gravar um vídeo muito especial. A convite da professora Janaína, respondi as perguntas dos alunos do sexto ano, que estava na época de estudar HQs! As perguntas eram muito bacanas e foi um baita prazer participar desse projeto. A professora Janaína postou o vídeo, na íntegra, em seu canal do YouTube. Em breve, também vou subir o vídeo no meu canal.



Agradeço demais a todos pelo espaço para falar do meu trabalho e arte, pelo interesse e pela simpatia!


segunda-feira, 16 de julho de 2018

Reflexões - Sobre aprender

Bom dia, meus queridos! Compartilho aqui no Blog'n'Roll uma mensagem que postei no grupo dos meus alunos no Facebook.

"É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer."

Começando a semana com uma frase do Aristóteles (sim, estamos super cultos citando filósofos gregos). Ouvi essa frase no podcast do Mario Sérgio Cortella da CBN. Recomendo, aliás, são programas diários com pensamentos interessantes.

Agora, sobre essa citação, é incrível como ela pode ampliar nossa reflexão sobre aprender e produzir arte. Mesmo dando aulas há mais de 14 anos, ainda estou aprendendo, a cada dia, conforme vou produzindo. Estamos vivendo uma época onde todos querem resultados rápidos, mil likes e fama.

Mas veja, arte não é uma corrida, arte é algo que leva uma vida pra se desenvolver. O que não pode te impedir de simplesmente produzir, correr atrás, fazer aulas, etc. Você aprende, pratica, evoluiu e com isso, aprende mais, para praticar mais... E assim a coisa continua andando.

Bora pensar nisso? Bora fazer, produzir, curtir a jornada? Não existem fórmulas definitivas ou resultados imediatos.

Boa semana pra todos vocês!

PS.: Falei das minhas aulas e, para quem não sabe, eu sou professor da Pandora Escola de Arte desde 2007. Meus cursos são HQ, Ilustração, Quadrinização, Ilustração de Mercado e Projeto Pessoal. Para ter mais informações dos cursos, é só acessar o site da escola (link aí acima). Tenho um grupo secreto no Feicebuque para todos meus alunos e ex-alunos poderem trocar ideias, referências, inspirações e postar seus trabalhos e estudos.