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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Entre Imagens e Fumacinhas

 Oi, pessoal! Essa semana saiu, finalmente, a nova edição da revista Casa D'Italia. 

Escrevi, para esta edição, um texto sobre quadrinhos no Brasil e n Itália. Para quem já conhece bem gibis e fumettis, não tem grandes novidades, mas achei bem interessante a possibilidade de que pessoas que não leem mais quadrinhos possam ter acesso mais algumas informações e quem sabe retomar o hábito de ler esse material.


Para ler, você pode acessar esse link.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Opinião - Arte de quadrinista é censurada em evento

Castanha do Pará é uma graphic novel incrível, escrita e ilustrada pelo Gidalti Moura Jr., e foi publicada de forma independente e, 2016. No ano seguinte, foi premiada no primeiro lugar da novíssima categoria "História em Quadrinhos" do Prêmio Jabuti, a mais prestigiada e importante do meio literário no Brasil.

Gidalti, cuja obra também foi indicada ao Troféu HQMIX na categoria "Edição independente de autor", mereceu demais o Jabuti. É uma baita honra, ainda mais na estreante categoria que, finalmente, premia Quadrinhos. O livro é magistralmente ilustrado com pinturas em técnica tradicional, aquarela e tudo mais. A história é envolvente e aborda um menino de rua, o Castanha, e duas desventuras pelas ruas de Belém. Uma das coisas mais interessantes do livro é que as crianças aparecem com cabeças de animais, enquanto os adultos têm cabeças humanas. Castanha, o protagonista, tem a cabeça de um urubu.

Mas esse texto aqui não é (só) para elogiar o trabalho do Gidalti. É para expressar minha indignação com uma censura que o autor sofreu em um evento. A exposição que, vejam só, era em Belém, palco da história do livro, aconteceu em um shopping da cidade. A justificativa para a censura foi que a curadoria da exposição achou que a obra era ofensiva à Polícia Militar.



Vale explicar, como pode-se ver pela imagem abaixo, que a ilustração mostra o menino Castanha fugindo de um PM, no Mercado de Ver-o-Peso, famoso cartão postal da capital paraense. Não tem, na opinião deste que vos fala, nenhum tipo de ofensa ou até mesmo crítica à PM. O que tem de tão errado, tão ofensivo, na ilustração? Tem algo nela que seja mentira e que denigre a imagem da PM?  É apenas uma cena da HQ que sintetiza a trama. Tem um policial perseguindo um menino de rua numa feira. Isso acontece. Nem todo policial é violento, ou de má índole, nem todo menino de rua é bandido. Claro, em uma única imagem é difícil de expressar tudo que a obra completa traz, mas funciona muito bem.



O próprio autor se manifestou em seu perfil no Facebook:

“Sobre censura à capa de meu livro em exposição em Belém, gostaria de declarar total repúdio aos conceitos arbitrários que classificaram a imagem como uma ofensa à polícia militar. A retirada da obra do evento é um gesto que vai contra valores fundamentais que defendo, dentre estes, a liberdade de expressão. A obra é ficcional, tem caráter lúdico e expõem situações rotineiras nas metrópoles brasileiras. Quem a compreendeu como apologia ao crime e/ou a desmoralização da polícia militar, o faz de forma leviana e sem ao menos ler o livro “Castanha do Pará”. A retirada da imagem da exposição é uma vitória parcial da ignorância, do medo e de forças antagônicas à liberdade”

Acredito que censurar a obra pela possibilidade de ser interpretada erroneamente e fora de contexto foi uma escolha péssima da curadoria. Emudeceram a voz do autor. Ao invés disso, deveriam, talvez, fazer algum tipo de suporte às obras, com legendas, informações, sinopse, etc. Não sei se isso estava disponível na exposição. Talvez conversar com o autor e propor uma alternativa, outra arte, sei lá.

Colocar uma faixa preta em cima de uma obra de arte é pior do que tirá-la da exposição. É pior do que pedir pro artista fornecer outra arte. O fato de haver uma faixa preta cobrindo uma obra é mais do que censura, é uma mensagem. É um jeito de tornar conhecida a atitude da censura, expor a todos que vêem que houve a censura. Como a fizeram é uma coisa lamentável. Não só para o artista e sua obra, como também para todo mundo que poderia apreciar o seu trabalho e querer conhecer mais, adquirir o livro, pegar um autógrafo, prestigiar o quadrinho brasileiro, e mais especificamente, o nordestino, que tem autores e obras incríveis.

Ver um tipo de censura a uma obra dessas dá um gosto amargo na boca. Estamos vivenciando uma época estranha onde manifestações artísticas são mal e porcamente interpretadas e tiradas de contexto para sustentar discursos ridículos. Revoltas e xingamentos caem sobre artistas, obras, museus e até os patrocinadores. Sinceramente, em um país onde nosso analfabetismo funcional é ainda tão absurdamente alto, é evidente o analfabetismo artístico, imagético, poético. Não é fácil apontar "culpados", nem é esse meu objetivo aqui. Mas não dá pra negar que o ensino em geral nunca priorizou a arte ou a possibilidade e expandir pensamentos, ideias, conceitos, valores através de uma visão mais esclarecida dela. Falta muita arte na vida das pessoas, mas mais ainda, falta conhecimento, informação, opinião formada de verdade em vez de preconceitos e memes.

Espero que esse tipo de coisa não aconteça mais, e se acontecer, que nossos colegas artistas, leitores, editores, jornalistas, pesquisadores, etc, não deixem barato. Esse tipo de coisa não pode acontecer. Não podemos deixar que voltemos Às práticas de uma época sombria, violenta e sem liberdades.

Para adquirir Castanha do Pará, acesse esse link (Ugra Press)

Você pode ler mais sobre o ocorrido:
Vitralizando, que deu a notícia.
Ramon Vitral conversou com o autor e a curadoria do shopping.
Tiago Regero, d'O Globo, entrevistou Gidalti e a curadoria da exposição.
O Grito

segunda-feira, 14 de março de 2016

Link - Não sabemos vender quadrinhos

Oi, pessoal! Tudo bem por aí?

Ando pensando muito, há muito tempo, sobre questões do mercado de quadrinhos que não envolvem a criação, produção e a figura do autor, mas sim na vendam distribuição, marketing, etc. E o texto que quero compartilhar com vocês, de autoria do grande Marcus Ramone e publicado pelo UniversoHQ na última semana, fala um pouco sobre isso e reflete várias opiniões que tenho sobre o assunto.

Confiram neste link e deixem suas opiniões nos comentários!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Matéria - Terapia em Destak

O Jornal Destak (aquele distribuído em todos os semáforos do universo) publicou na edição de hoje uma lista com 15 HQs indispensáveis para conhecer - e apreciar - as Histórias em Quadrinhos nacionais.

Entre elas está Terapia! Vocês conhecem, a webcomic premiada que eu produzo com o Rob e a Marina.

Estamos muito felizes pela indicação, e eu nem sabia. Fui informado pelo Hector Lima (que também está na lista, com o Barão Macaco). E por coincidência eu tinha pego esse mesmo jornal na rua hoje, voltando do médico. :)

Segue o link para ver a página em PDF. É só clicar!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Eventos - Fest Comix (na TV!)

O último fim de semana viu mais uma edição do Fest Comix, e eu estive lá com os amigos do Petisco e vários outros autores nacionais, e alguns internacionais.

Eu frequentava a Fest Comix desde 2004, como leitor e fã e eventualmente como autor, com o Quarto Mundo e o Petisco.

O evento evoluiu demais, de uma feira de hq a uma quase comicon. Quem foi viu que o evento agora é definitivamente considerado palco para lançamentos, palestras, autores e leitores confraternizando, etc. 

A GloboNews fez uma matéria sobre o evento, assinada pelo amigo Carlos, e eu apareço desenhando por lá, muito bem acompanhado pela Monica. Clique neste link para assistirEmoticon smile

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Matérias - Dom Casmurro

Saiu no UOL Entretenimento uma matéria bem legal sobre adaptações de obras literárias para Quadrinhos, onde Dom Casmurro é citado.

Apesar do título, que eu considero bem tendencioso e desconvidativo (sei lá, talvez um desserviço ou rebaixamento dos Quadrinhos), o texto em si é bem legal, e tanto eu quanto o Felipe (Greco, co-autor de Dom Casmurro) achamos que ele entendeu bem nossa proposta com a adaptação, especialmente n oque diz respeito a Otelo.

Leia a matéria na íntegra aqui:

Para especialistas, versões em HQ são só "trailers" de clássicos literário

 (viram por que eu acho o título tendencioso...?)





segunda-feira, 5 de maio de 2014

Matéria - Revista PAUTA

A Revista PAUTA, que traz matérias e informações obre a região do Circuito das Águas (onde se encontram minha cidade-natal Pedreira e Amparo, onde passei boa parte da adolescência), publicou em sua última edição uma matéria sobre o Dom Casmurro e os dois Jabutis que levamos.

Veja abaixo como ficou:


Lembrando que Dom Casmurro é pré-indicado ao Troféu HQMIX na categoria Adaptação para Quadrinhos, eu sou pré-indicado na categoria Desenhista Nacional.

A Revista Pauta é uma publicação bimestral de E. Dagmar R.L de Azevedo & Cia Ltda.
O email de contato é contato@maispauta.com.br

quinta-feira, 27 de março de 2014

HQ Ponto Com - Matéria sobre webcomics

Mais uma matéria do Correio Popular com minha participação!

Desta vez, o Caderno C (do qual fui capa há pouco mais de duas semanas, veja aqui) dedicou a capa ao assunto das webcomics e webtiras. Dei uma entrevista sobre meu trabalho com Terapia, como começou e o que aconteceu de bom no caminho. E, claro, sobre os desafios de se publicar nesse formato.

Também participou da matéria o Junião, autor da Dona Isaura.


Para ler a matéria no site do Correio, clique aqui.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Dos olhos de Capitu

Saiu nesta última quinta-feira, 6 de março, uma matéria super legal no Correio Popular sobre meu trabalho na adaptação de Dom Casmurro, e sobre os dois prêmios Jabuti que a obra levou.

A matéria é assinada pelo Djota Carvalho, autor da tirinha Só dando Gizada, e editor do site MundoHQ. Um baita abraço ao Djota pela matéria, ficou lindona!




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dom Casmurro na Biblioteca de Pedreira

A Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Pedreira-SP, minha cidade natal, divulgou uma matéria sobre a doação de um exemplar de Dom Casmurro que fiz para a Biblioteca Municipal, aos cuidados da bibliotecária Bianca Baccarelli.

Espero que esse livro possa abrir horizontes aos leitores: sejam eles fãs de HQs que podem descobrir que quadrinhos podem ser muito mais do que os títulos já conhecidos e mainstream; sejam leitores de literatura que não têm costume de ler HQs.

Quando era jovem, lá em Pedreira, só tinha acesso às HQs de banca, e a Biblioteca tinha poucos títulos além dos já esperados super-heróis, Turma da Mônica e Disney. Não que sejam ruins, muito pelo contrário! Mas faz muita falta um acervo mais amplo que possa mostrar todo o potencial dessa linguagem...

Histórias em Quadrinhos, não somente as adaptações de obras literárias como todas as obras nessa linguagem, são fonte inesgotável de entretenimento... Aos leitores interessados, curiosos, dedicados, desejo grandes experiências com a leitura desta e de muitas outras HQs!


Felipe Greco e Mario Cau com os dois troféus Jabuti de Dom Casmurro.


Leia a matéria toda neste link.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Terapia é SUPER!

A SUPERinteressante publicou uma matéria indicando webcomics bacanas, e Terapia está entre elas!

Eu, Rob e Marina ficamos muito felizes com a menção (eu, particularmente, pelo belo elogio ao meu trabalho, fiquei mais ainda), principalmente dividindo as indicação com webcomics tão legais quanto Puny Parker, Questionable Content e o infame White Ninja, todos meus favoritos.

Você pode ler a matéria aqui, e ler Terapia aqui!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quarto Mundo na revista NIL

Já está no ar a primeira edição da Revista NIL, que traz uma matéria sobre o Quarto Mundo!

VocÊ pode ler, na página 34, acessando este link.

E que surpresa em ver que uma das minhas páginas mais obscuras está lá ilustrando a matéria: Crônicas do Passarinho Triste, uma HQ curta numa tentativa de fazer humor do meu jeito; e que inclusive foi rejeitada do Salão de Humor de Piracicaba, ehehehe.

Também tem uma matéria sobre meu xará, o autor de Entre Quadros, Mário César!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Nota no Metrópole



Eis que apareci de novo no Correio Popular! Depois da matéria sobre o lançamento do MSP+50, publicada no domingo, 12 de setembro, ontem saiu uma nota da revista Metrópole, que acompanha o jornal todo domingo.

Segue a nota escaneada:


Obroigado de novo ao DJota Carvalho pela entrevistae matéria fantásticas, e pelo Correio pelo apoio!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Dom Casmurro no Blog dos Quadrinhos1

Dom Casmurro, obra de Machado de Assis, que adapto pra quadrinhos com roteiro de Felipe Greco, teve uma matéria show de bola no Blog dos Quadrinhos. Demos uma entrevista para o grande Paulo Ramos, e tem algumas imagens inéditas!

Aparecem lá e comentem!

Desculpem pela postagem enxuta, mas estou sem internet ainda em casa (valeu, NET) e estou usando alternadamente na Pandora.
Qualquer dúvida, podem mandar e-mails!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Hoje em Dia - FIQ 2009

Saiu a matéria no jornal Hoje em Dia sobre o 6º FIQ!

Conversei lá em BH com os reórteres gente-boa Dennis e Douglas, que não só foram muito legais, e curtem muito HQs, como também têm um projeto super legal de HQ autoral.

Aqui está a matéria!

A hora e vez das Histórias em Quadrinhos

HQs começam a fugir dos estereótipos e atingem novos tipos de leitores


DOUGLAS FERNANDES

1810quadrinhos

Apesar de obstáculos, a produção de histórias em quadrinhos no Brasi está começando a amadurecer

Comics, gibis, histórias em quadrinhos ou arte sequencial. Seja qual for a definição, a “9ª arte” é motivo de muito debate sobre sua credibilidade como meio de comunicação. A falta de disciplinas acadêmicas sobre o assunto, nas instituições de ensino em comunicação social ou mesmo no ensino médio e fundamental, gera um déficit de conhecimento difícil de ser compensado.

Apesar de obstáculos, a produção de histórias em quadrinhos no Brasil, principalmente a vertente independente, está começando a amadurecer, e o mercado interno finalmente desperta para o potencial desta mídia. Faça um teste: em uma roda de amigos, seja na mesa de bar ou em um aniversário, fale algo sobre histórias em quadrinhos.

Com certeza, o resultado que irá encontrar, em sua maioria, é a ligação de que isso “é coisa de criança” ou “gente com super-poderes que usa a cueca sobre a calça”. Realmente, o consumo de revistas no Brasil que se enquadrem nessas duas categorias (leia Turma da Mônica e Marvel/DC Comics) é muito grande, mas é de longe o mais importante.

Dificilmente, você encontrará alguém que comente sobre o trabalho de quadrinho jornalístico desenvolvido pelo italiano Joe Sacco, que esteve na Palestina e em Gorazde para relatar as guerras desses lugares.

A esse, você pode somar outros incontáveis trabalhos, casos da obra do fotógrafo Didier Lefèvre, dos relatos autobiográficos de Marjane Satrapi, Art Spielgman ou Graig Thompson e as cenas do cotidiano feitas pelos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá.
Todos esses trabalhos existem em língua portuguesa e podem ser facilmente encontrados em livrarias, bibliotecas ou bancas de revistas.

No Brasil, por um lado há aqueles que desconhecem o universo dos quadrinhos e, por outro, os que só consomem o básico, mantendo o estigma do produto infanto-juvenil masculino de super-heróis.

Mas essa realidade vem se modificando. Desde a década de 1980, trabalhos como “Watchmen”, de Alan Moore, ou “O Cavaleiro das Trevas”, de Frank Miller, vêm mudando a maneira de ver os quadrinhos.

Com Will Eisner, que o conceito de quadrinhos adquire o status de produção literária. Foi ele quem cunhou o termo graphic novel, que nada mais é do que livro em quadrinhos. E Eisner foi além, escrevendo livros estudando a linguagem específica do que ele denomina arte sequencial.

Ele gostava da vida cotidiana das pessoas e foi isso o que produziu em toda sua vida. Seu trabalho foi tão importante que uma premiação dos melhores quadrinhos do ano foi batizada com seu nome, o Eisner Awards, considerado o Oscar dos Quadrinhos.
Na corrente do mercado, entre os dias seis e 12 deste mês, Belo Horizonte foi a capital internacional dos quadrinhos, sediando o 6º Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), realizado no Palácio das Artes.

O programa, maior da América Latina, reuniu mais de 70 mil pessoas durante os seis dias, conforme registra o diretor geral do FIQ e fã de quadrinhos Afonso Andrade. “Essa edição apresenta um balanço excelente, tanto pela participação dos artistas de renome quanto pela população que veio prestigiar o evento. Batemos nosso recorde de público, com certeza”, afiança Andrade.

“O mercado interno de HQs está sofrendo mudanças: o Governo Federal está investindo em quadrinhos como meio didático, livrarias disponibilizam lançamentos direcionados para um público específico e grandes editoras estão investindo nesse mercado”. “Este é um momento de novos rumos, quando novas estradas estão sendo abertas”, festeja.

O público significativo, as palestras e bate-papos lotados durante todo o evento e os lançamentos que aconteceram durante o FIQ denotam, de maneira visível, como o mercado brasileiro está se modificando para abarcar tanto a produção nacional e também importar a produção internacional.

Hoje é possível dizer que existe um público maduro que é capaz de ler quadrinhos sem preconceitos. E é nisso que as grandes editoras estão apostando. Uma das maiores editoras do Brasil, a Companhia das Letras tem um selo específico só para a publicação de HQs: “Quadrinhos na Cia”. Quatro obras internacionais aclamadas pela crítica foram lançadas em solo brasileiro: “O Umbigo sem Fundo”, de Dash Shaw; “O Chinês Americano”, de Gene Luen Yang; a coletânea “Nova York”, de Eisner, e “Retalhos”, de Graig Thompson, que esteve presente ao FIQ, arrebatando legião de fãs. “Jubiabá”, obra de Jorge Amado, também foi adaptada pela editora.

Outras editoras investem pesado e estão lançando produções brasileiras. A Agir oferece a adaptação de “O Alienista” e a publicação da série “10 Pãezinhos”, de autoria de Moon e Bá.

Mas esse investimento ainda é pequeno, e só publicar não basta. É preciso mostrar o que está sendo publicado e formar um público leitor. Eis o calcanhar de Aquiles das editoras nacionais.

O jornalista Sidney Gusman, formado pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo, é um dos grandes especialistas em quadrinhos no Brasil, sendo sete vezes vencedor do Troféu HQ Mix (de 2000 a 2006), maior premiação de quadrinhos no País. Atualmente, é editor-chefe do site Universo HQ e responsável também pela área de Planejamento Editorial da Maurício de Sousa Produções. Para Gusman, é preciso que as editoras “tirem suas bundas das cadeiras e façam acontecer”, critica.

“Não houve um aumento na venda de quadrinhos. Na verdade, o que está acontecendo é um pulverização de público. Este mês, por exemplo, as editoras anunciaram 130 lançamentos para todos os gostos. Está acontecendo um crescimento horizontal, com o surgimento de um público segmentado para cada tipo de quadrinho”, analisa.

Nesse cenário, quem ganha, na opinião de Gusman, são os independentes. “Publicando e distribuindo fora do circuito convencional, a criação dos ‘coletivos’ leva à força da união e possibilita que os trabalhos sejam mais conhecidos”.
Apesar de tantos títulos sendo publicados, o descaso e a má vontade são os vilões das grandes editoras. “Faço uma crítica que já fiz em outras edições (se referindo ao FIQ): as grandes editoras ignoram esse tipo de festival de maneira absurda e ridícula.

É uma vergonha o que as editoras fazem. Em qualquer lugar do planeta, esses eventos servem como ponto de encontro para lançamentos de peso. Aqui, as editoras não aparecem, os editores não vêm, com raras exceções como o Cláudio Martini, da Zarabatana e, o André Conti, do Quadrinhos na Cia. Das outras, simplesmente, não há ninguém”.

Sidney Gusman acredita que o problema seja o foco dado pelas editoras, que buscam somente as vendas, ignorando o trabalho para a formação de leitores.

O jornalista, publicitário, mestre em Ciências da Comunicação, professor universitário e fã de quadrinhos Érico Assis tem a mesma opinião de Gusman. Há mais ou menos dez anos trabalhando para o site Omelete, o “cozinheiro” critica a falta de presença das editoras. “Falta a iniciativa das grandes, mas, apesar dessa ausência, o mercado brasileiro está acontecendo agora, e justamente essas grandes editoras estão investindo”, considera.

“Hoje é possível dizer que algumas delas fornecem um adiantamento digno para que um quadrinista brasileiro possa produzir seu trabalho”.
Assis compara a situação do mercado brasileiro de quadrinhos com o que acontece na Alemanha ou na Espanha. “Há uma expansão mundial na definição de quadrinhos como literatura de qualidade e opção como cultura pop. É como comparar uma HQ a um filme”.

O professor e quadrinista Mário Vitor Gouveia Cau, de 25 anos, produtor independente, autor dos dois volumes de “Pieces”, HQ autoral que narra experiências cotidianas da vida, diz fazer o que gosta e, apesar de tudo, não abre mão disso. “Sempre tive o apoio da minha família. Colocaram uma caneta na minha mão quando tinha dois anos de idade; não parei até hoje”, brinca ele.

“Quando comecei, queria desenhar super-heróis, mas depois desisti desse ramo. Queria algo próprio, algo meu. O quadrinho independente é a escolha perfeita para quem quer fazer e não quer esperar uma grande editora para bancar o trabalho”.
Na corrente dos que querem incrementar o interesse pelo gênero, Cau sabe o que fazer. “Ninguém vai conhecer meu trabalho se eu não mostrá-lo. Quadrinhos são uma forma de comunicação; faço quadrinhos porque quero falar com as pessoas”.


Um Grande abraço para o Dennis e o Douglas, e sucesso!!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Quadrinhos Independentes

Saiu no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, uma matéria sobre Quadrinhos Independentes. Além dos já necessários Rafael Albuquerque, Mateus Santolouco e Edu Medeiros, mais os já carimbados Fabio Moon, Gabriel Bá, com extra de Vasilis Lolos e Becky Cloonan, temos também depoimentos meu e da Ana Recalde, autora de Patre Primordium.

Aqui está um jotapégui em alta pra quem quiser ler!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Quadrinhos na Mídia

Retirei esse texto do blog da Pandora, postado originalmente pelo meu amigo Caio Yo. Vale a pena ler e pensar...


Quadrinhos na Mídia

8 de Junho de 2009 @ 15:53 por Caio Yo

Tudo que é polêmico e escandaloso é reprisado e reprisado e reprisado mais uma vez. Não podia ser diferente, no atual problema enfrentado por artistas dos quadrinhos e pela editora Via Lettera no caso de “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”. O livro foi comprado pelo Governo do Estado de São Paulo e distribuído a estudantes da terceira série. O governador José Serra assumiu a culpa, num primeiro momento. Ao vivo, no telejornal da Rede Globo, o “SPTV”, o disse que tudo na obra era “de muito mau gosto, um horror”. governador José Serra classificou a obra de muito mau gosto, um horror. Os apresentadores do jornal botaram ainda mais lenha na fogueira, se mostrando chocados com o fato.

O problema é o que a mídia insistiu em fazer, depois do acontecido: ao invés de culpar o governo do Estado pela péssima idéia de distribuir um quadrinho feito para o público adulto para crianças do ensino fundamental, insistiram em pôr em dúvida a qualidade dos desenhos e do conteúdo. O livro “Dez na Área” conta com a participação de ícones talentosos do quadrinho nacional, e não foi criado visando o público infanto-juvenil. A má distribuição deveria ser o único problema em questão.

Ainda que, depois de baixada a poeira, algo de interessante possa ser retirado da situação - como a volta dos quadrinhos para o foco da mídia e o considerável aumento das vendas do livro da editora Via Lettera -, nem tudo é positivo…




A matéria acima pertence também ao “SPTV”, o mesmo telejornal culpado pela condenação brutal do conteúdo do “Dez na Área” resolveu colocar em pauta o mesmíssimo problema - mas agora o foco era uma obra de ninguém menos do que o mestre Will Eisner. Ainda que tenham, no final da matéria, uma pequena nota dizendo que o problema em questão não era a qualidade da obra e sim o público que deveria lê-la, o mal já estava feito. Como disse Paulo Ramos - autor de “A Literatura dos Quadrinhos” - em seu blog - de onde esse post foi inspirado -, ‘valia a matéria’?

Disse Paulo Ramos, no seu blog:
“É de uma obviedade absurda dizer que uma obra direcionada a adolescentes e adultos esteja numa biblioteca. Mesmo sendo um espaço frequentado por crianças.
O óbvio é que isso ocorre em qualquer biblioteca escolar. Há livros para diferentes públicos. Inclusive o infantil. Cabe a uma bibliotecária controlar o acervo e o empréstimo. O alarde da diretora evidencia um claro despreparo dela. Essa, talvez, seria a matéria.

Mais um fato poria a pauta à prova: o ministério da Educação está correto. A obra foi selecionada para o ensino médio, de modo a compor bibliotecas escolares. A lista do PNBE inclui para o mesmo público outras duas obras de Eisner - “O Sonhador” e “A Força da Vida” - e duas nacionais - “Domínio Público - Literatura em Quadrinhos” e “O Alienista”, vencedora de um Prêmio Jabuti em 2008.”

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Pieces aparecendo na mídia!

Esse começode semana me reservou duas ótimas surpresas!

Ontem à noite, enquanto eu e a Poli despreocupadamente comíamos uma ótima pizza, o Fantástico mostrou uma matéria sobre o Dia do Orgulho Nerd (que é hoje! Yay!). Entre os nerds mostrados, geeks, cosplayers, maníacos por rpg e Star Wars... e a minha amiga Ana Recalde, representando nós nerds de Quadrinhos!

E não é que ela mostra as mãos cheias de HQs e bem na frente, está a capa da Pieces?

Eu não vi a matéria na hora, e ironicamente a TV da pizzaria estava na Globo. Hoje cedo, recebi recados e ligações falando da matéria. O Vinicião, baixista da nova banda, mandou um link com a MATÉRIA NO FANTÁSTICO, que você pode assisitir na íntegra!

Claro que não foi exclusivamente sobre a minha HQ, mas eu queria agradecer a Aninha por mostrá-la! A Ana é roteirista, repórter nerd, e representante do Quarto Mundo lá no Rio de Janeiro. Você pode ler o blog dela aqui!


E hoje passei pela Fnac para ver se tinham finalmente chegado as novas graphic novels da Cia. Das Letras, e dei uma folheada na Revista Mundo dos Super-Heróis.

E não é que Pieces apareceu lá também? Olha só, uma nota sobre a HQ:


Também queria agradecer aos pessoal super competente da Mundo pela menção e pela nota dada!

Bom, é isso. Apesar de tudo ainda é segunda... Tem muita semana ainda pela frente, vamos ver se o tempo vai passar voando ou não...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Resenha de Pieces no UHQ!

O grande Universo HQ publicou hoje uma resenha de Pieces!

Para ler, é só clicar aqui.

Queria agradecer ao Eduardo Nasi pela resenha, pelas opiniões sinceras e pela nota (3 balões!)
Estou muito satisfeito com as opiniões que ando recebendo sobre esse primeiro trabalho!

Espero que o número dois mantenha as expectativas!

quarta-feira, 22 de abril de 2009


Caríssimos!

Fiquem de olho na TV Cultura dessa Semana.
A dica sobre o gibi Pieces vai ao ar no programa do dia 23 de abril, às 12:30 com reprise às 19:15.

Não deixem de conferir!