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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

PIECES está voltando!

Vem aí o meu novo projeto: PARTE DE MIM!



Esse novo livro é especial e traz HQs de toda a minha carreira, 2004 a 2020. 15 anos de Pieces! 10 anos da publicação das HQs independentes! Serão 160 páginas, com 33 HQs, sendo 11 delas INÉDITAS!

Em breve, no Catarse​! 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Ser Autor - Ampliando seus horizontes 1

Oi, pessoal!

Hoje é 30 de janeiro, e nesta data comemoramos o Dia do Quadrinho Nacional!

Hoje também começo uma série (espero que muito longeva!) dentro do Ser Autor: Amplie seus Horizontes! O objetivo dessa série é apresentar conteúdos diversos que visam aumentar o repertório e o networking de todos os autores/ilustradores/artistas que passam por aqui. Uma das coisas mais importantes pra nós é conhecer muita gente, acompanhar o trabalho dos outros, especialmente os que ressoam com o nosso, os que fazem mais sentido pra nós.

Para aproveitar a data, pra inaugurar a série, trago aqui uma thread (sequência de posts) feitas pelo HQ Sem Roteiro no Twitter (você pode segui-los aqui) com indicações de podcasts, perfis, sites e jornalistas importantes que tratam de Quadrinhos (e cultura pop em geral). É uma baita lista, apesar de achar que pode ter alguém faltando dela - o que é normal, visto a quantidade de perfis/canais/sites que existem - , mas é de muita qualidade.

A curadoria do HQ Sem Roteiro foi precisa e providencial. Nossa cena de Quadrinhos (ando evitando apalavra "mercado") é muito vasta e rica mas carece de crescer mais e ter mais leitores engajados. Com essa lista você vai encontrar, com certeza, pontos de vista compatíveis com os seus e ajudar a não só dar audiência pra essa gente incrível que faz conteúdo sobre Quadrinhos mas também ampliar seus horizontes.

Então, sem mais delongas, acesse a lista de indicações do HQ Sem Roteiro por este link. Caso prefira ver a lista por aqui, é só ler abaixo. Ao final da lista, tem mais informações, não deixe de ver. E fica, claro, meu agradecimento ao PJ por ter feito essa lista de indicações e por ter autorizado a publicação dela aqui no Blog'n'Roll.


Tem gente pra caramba fazendo conteúdo de qualidade sobre quadrinhos pela Internet. Então aqui vai uma listinha pra quem tá a fim de conhecer coisas novas ou se aventurar por todo um mundo de sites, podcasts, canais de Youtube e muito mais!
Segura!

VITRALIZADO
Site criado por Ramon Vitral , um dos melhores jornalistas especializados em quadrinhos do Brasil. Repleto de entrevistas com artistas de peso, do Brasil e do mundo. Site: https://t.co/V65k5il8pN


GIBIFODA
Um dos melhores (quiçá o melhor) canais de divulgação de HQs do Brasil. Quer saber mais sobre o que tá rolando no mundo da produção independente? Acompanhe esse perfil! Twitter:
Instagram:



POLÍTICAS
Quadrinhos são políticos sim, e as mulheres do Políticas mostram isso com maestria. Quadrinistas, ilustradores e chargistas de todo o Brasil reunidas em um só lugar. Tumblr:
Instagram:


LOAD COMICS
Com um canal no YouTube com mais de 100 mil inscritos, o Load é uma das vozes nacionais mais poderosas atualmente na produção de conteúdo sobre HQs. Um especialista de mão cheia! Twitter:
YouTube: https://t.co/F79CCffcuV


HQ WISHLIST
Capitaneado por Cayo Costa , brasileiro morando na Coreia do Sul, o projeto traz dicas de leituras que estão sendo lançadas lá no exterior. Um radar interessante. Instagram:

BELLE FELIX
Tradutora, jornalista, MDMana lá do . é a criadora da hashtag e do desafio . Lança sempre ótimas críticas de quadrinhos no Instagram:


PAPO ZINE
Canal do YouTube realizado pelo Carlos Neto , uma excelente forma de ver os rostos e ouvir as vozes dos maiores nomes do quadrinho nacional. Twitter:
YouTube:
Instagram:



PRETA, NERD & BURNING HELL
Site com análises da cultura pop (quadrinhos incluso) a partir de uma perspectiva feminista e negra. Cada artigo é uma aula. Twitter:
Site:
Instagram:



UNIVERSO HQ
O mais tradicional site sobre quadrinhos do Brasil. Traz críticas, notícias, informações sobre a produção de HQs daqui e do mundo. Twitter:
Site:
Instagram:
Mais 


CONFINS DO UNIVERSO
Podcast produzido pelo Universo HQ. Discussões quinzenais com alguns dos maiores conhecedores sobre quadrinhos do Brasil.
Site: https://t.co/42jeaqKVyT



FORA DO PLÁSTICO
O melhor conteúdo brasileiro sobre quadrinhos produzido no Instagram. Ponto. Entrevistas, críticas, curiosidades, um canal que se encaixa perfeitamente nas possibilidades da rede social. Instagram:


TAPIOCA MECÂNICA
Site com críticas e discussões aprofundadas sobre quadrinhos e outros produtos da cultura pop. Site:
Instagram:  



BALBÚRDIA
Espaço que reúne variada quantidade de conteúdo, entre vídeos e textos, sempre procurando se aprofundar nas discussões sobre a linguagem e a relevância social dos quadrinhos. 
Twitter: 
Site: 
Instagram: 



PAULO RAMOS
Pesquisador e jornalista, seu perfil no Facebook reúne algumas notícias interessantes sobre o mundo dos quadrinhos. Facebook:


NEBULLA
Com discussões sobre a cultura pop como um todo, o conteúdo produzido sobre quadrinhos pelo Nebulla é excepcional. Um dos sites mais completos sobre cultura pop do País. Twitter:
Site:
Instagram:



O QUADRO E O RISCO
O site coordenado por Thiago Borges traz um olhar amplo sobre o mercado nacional de quadrinhos e discussões aprofundadas sobre a linguagem das HQs. Site:
Facebook:


MOLHO SHOUJO
Podcast realizado por mulheres cearenses, aborda de forma problematizadora a produção de shoujo e de josei (mangás focados em um público feminino). Twitter:
Site:
Instagram:


QUADRINHOS ARRETADOS
Instagram com conteúdo produzido pela colecionadora de quadrinhos cearense Sarah Pontes, reúne críticas e indicações. Instagram:


RAIO LASER
Críticas, resenhas, listas, reflexões, teoria. Um baita site para quem quer se aprofundar mais na linguagem dos quadrinhos. Twitter:
Site:


QUADRINHOS E NARRATIVA
Podcast produzido por Hamilton Kabuna , com entrevistas e bate-papos com produtores de quadrinhos independentes brasileiros. Twitter:
Site: https://t.co/M6LoUe3p2u



STRIPPERS
Podcast produzido pelo quadrinista Digo Freitas , procura explorar os meandros da produção de histórias em quadrinhos. Twitter:
Site: https://t.co/cYYrbbOUBp


AO QUADRADO
Tradicional podcast sobre mangás, tem mais de 200 programas já lançados. Twitter:
Site: https://t.co/eFx299jxf3


BICHAS NERDS
Podcast de discussão sobre a cultura pop, incluindo quadrinhos, sob uma perspectiva LGBTQI+. Twitter:
Site:
Instagram:


MINA DE HQ
Canal de divulgação e discussão sobre HQs feitas por mulheres. Coordenado pela jornalista Gabriela Borges. Twitter:
Instagram:
YouTube: https://t.co/Qcqt04YQDT


TERRA ZERO
Desde 2008 no ar, o site nasceu como espaço de discussão sobre o universo da DC Comics mas hoje fala de quadrinhos como um todo. Lar do podcast ComicPod. Twitter: e
Site: https://t.co/ZfDMtC3eeC



O HQ Sem Roteiro é um podcast do grupo Iradex de conteúdo. Ele é produzido pelo PJ Brandão. Você pode acompanhá-los pelo seu agregados de podcasts favoritos (eu uso o CastBox), pelo site e também pode contribuir com o projeto através do Padrim, um sistema de financiamento recorrente. Conheça essa opção aqui.



terça-feira, 21 de agosto de 2018

Os selecionados do Proac 2018

Nos últimos dias foram revelados os projetos selecionados pelo edital ProAC da Secretaria de Cultura do Estado e São Paulo., mesmo edital que viabilizou a produção e publicação de Monstruário Vol.1 em 2017 (compre aqui!). 
Dessa vez, não fomos selecionados, mas ficamos na lista de suplentes! O projeto da sequência de Monstruário, com o título proviusõrio de "Eterno Retorno", fcou em 5º lugar entre os suplentes. Considerando que foram mais de 100 projetos incritos, é muito satisfatório saber que ficamos tão alto na lista. 
O ProAC premia os projetos com uma verba e $ 40.000,00, em duas parcelas, para a produção da HQ. Metade dos projetos são, obrigatoriamente, de fora da capital do estado.
Confira na lista abaixo (retirada do UniversoHQ, veja a a original aqui) os projetos premiados e a lista de suplentes:

Projetos vencedores da capital
Roseira, Medalha, Engenho e Outras Histórias, de Jefferson Ferreira Costa;
O Elísio, de Renato Dal Maso Rodrigues;
8 Pi, de Daniel Zonaro Lopes;
Fujie e Mikito, de Yuri Andrey Cardoso;
Viola vermelha – Modas de viola em quadrinhos, de Yuri Carlos Garfunkel;
Homem pássaro, de Antonio Carlos Tironi Galhardo;
O legado do mau azar, de Augusto Cezar Barbosa Figliaggi .
Projetos vencedores de outras cidades do Estado
Tuhú e o andarilho do tempo, de André Luiz da Silva Pereira (Santo André);
Tsulama, de Davi Ferreira da Silva Junior (Campinas);
O cramulhão e o trapaceiro, de Gilmar Machado Barbosa (Santo André);
Kuro, de Felipe Watanabe de Oliveira (Guarulhos);
Aquarela, de André Bernardino (Santos);
Devem ter sido as rosas, de Célio Antonio Cecare (Sorocaba);
Os olhos de Barthô, de Walmir Américo Orlandeli (São José do Rio Preto).
.
Vale frisar que os projetos selecionados só receberão a verba após a análise da documentação que também foi enviada no momento da inscrição. Caso haja algum impedimento, o candidato perde a vaga, que é herdada por um dos suplentes. Neste ano, foram indicados 14 suplentes (descritos abaixo por ordem de classificação), para o caso de algum titular ser desclassificado.
A nova Califórnia, de Daniel de Araújo Pinto (São Paulo);
Sobre trilhos, de Talessa Kuguimiya (São Paulo);
Espetaculare Meneghetti, de Oskar Dimitry Rizzo Arêas (Mauá);
Punchline, de Fabio Roberto Vitor (Itapevi);
Monstruário – Eterno retorno, de Lucas Kiyoharu Sanches Oda (Campinas);
Salseirada, de Alberto de Stefano (São Paulo);
Ele morre no final, de Marcos Leandro de Oliveira (São Carlos);
Os bons tempos das piores ideias, de Rafael de Oliveira (São Paulo):
O fundo do poço, de Magno José Costa (Santo André);
Voadores – Realidade distorcida, de Alexandre de Maio (São Paulo);
A ilógica tarde de prazeres do animal em fuga, de Guilherme Oliveira Santos (Itararé);
Maria Quitéria – Cavaleira do Império, de Felipe de França (Campinas);
Virginia merece, de Tainan Rocha de Lima (São Paulo);
O boxe de Sofia, de Carlos Antunes Siqueira Júnior (Sorocaba).
A comissão deste ano foi presidida pelo escritor e roteirista Fabio Tucci Farah e teve como demais integrantes: Antonio D’ Agostino Filho, Gustavo Fernandes Fernochi e Worney Almeida de Souza.

Ficam os parabéns para os selecionados e suplentes! E também, uma crítica ao edital: nenhuma mulher foi premiada. Apesar de que os projetos premiados podem ter coautoras, como proponentes, o mais próximo foi o projeto da Talessa Kuguimyia nos suplentes. Além disso, não tinha nenhuma mulher no júri. Fica a dica para que a Secretaria repense essa questão para dar mais espaço às mulheres na próxima edição do edital.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Opinião - Troféu HQMIX 2018

Está chegando um dos momentos mais especiais da vida de quadrinista no Brasil: a votação e subsequente premiação dos melhores do ano de 2017, no Troféu HQMIX!

O prêmio (considerado "o Oscar do quadrinho brasileiro", pra facilitar, apesar de eu concordar que esse termo tá bem equivocado, e uso aqui o argumento do HQ sem Roteiro pra defender nosso ponto de vista) chega em 2018 a sua 30ª edição, sempre feito de forma heróica pelos criadores Jal e Gual, mais uma comissão de pessoas incríveis e altruístas com praticamente zero orçamento. O objetivo é que os votantes (que devem ser cadastrados previamente e ter ligação com nosso mercado/meio/cena) votam virtualmente numa lista de finalistas, que é definida por uma comissão avaliadora.

Esse ano continuou com uma inovação importante: é precisa se inscrever para concorrer, e pagar uma taxa (R$ 15 por inscrição, que dá direito a 3 categorias). Isso melhorou muito o processo, ao meu ver. Antes, concorria tudo (sim, absolutamente tudo) que tenha sido lançado no ano em questão. Obviamente, nem tudo chega a todos lugares e nem tudo tem marketing satisfatório, então muita coisa boa de verdade passava batido, enquanto os mesmos títulos e autores eram premiados novamente.

Claro, não sou contra premiar autores e títulos bons de verdade, a questão maior é que, quando tudo concorre, não se tem parâmetro. Com a criação da comissão avaliadora e as inscrições, o processo me parece mais correto e direcionado.

Enfim, o Blog do HQMIX divulgou ontem a cédula para votação (novamente, só para quem se cadastrou pra votar. Se você perdeu a chance esse ano, fique de olho pra poder votar no do ano que vem) e conhecemos quem são os finalistas (ou seja, quem foi selecionado pra cédula depois da avaliação das comissões).

Infelizmente, Monstruário Vol. 1 não é finalista de nenhuma das categorias onde foi inscrito (Desenhista nacional, Roteirista revelação, colorista, publicação de aventura/terror/suspense). É uma pena, pois tínhamos muita confiança no livro. Apesar de certas discrepâncias (todo ano acontecem, é quase tradição...) que eu e muitos outros viram nas cédulas, entendo que essa é a decisão tomada pela comissão e fico feliz por todos que foram indicados. Prometo votar com consciência.

Mas tem boa notícia! Terapia foi indicada, pelo sétimo ano consecutivo, na categoria "Melhor Web Quadrinho"! É uma indicação muito especial pra nós, porque é o último ano em que podemos concorrer. Pelo que sei do prêmio, a webcomic precisa ter sido publicada com regularidade por pelo menos 6 meses naquele ano, e como em 2018 concluímos a HQ em março, é capaz que não concorramos em 2019. Ah, sim, lembrando que levamos o troféu em 2012 e 2014 e somos muito gratos por isso!

Ficam aqui meus parabéns e desejo de boa sorte a todos meus amigos e colegas pelas indicações!

Veja aqui neste link o post do HQMIX com todos os finalistas de todas as categorias!

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30º TROFÉU HQMIX
Horário: 17 horas
Local: SESC POMPEIA (Comedoria).
Endereço: Rua Clélia, 93 – São Paulo – SP.
Data: Dia 16 de setembro de 2018. 
Entrada franca com distribuição de convites a partir das 17h na bilheteria do SESC Pompeia.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Opinião - Propostas absurdas

O que chamamos de "mercado de trabalho para desenhistas, ilustradores, designer, quadrinistas e afins" (chamaremos só de "mercado" pra facilitar, mas já adianto que esse termo vai render uma outra coluna mais pra frente) é um tanto peculiar. Entre projetos incríveis, oportunidades imperdíveis e a infinidade da internet para mostrar e consumir, sempre existem as propostas absurdas, clientes mal-informados (e, às vezes, mal-intencionados mesmo) e armadilhas. É comum entre nós, nas conversas e aulas, compartilharmos essas histórias. Acho inclusive importante, não como combustível de mimimi entre gente rancorosa, mas sim como um tipo de alerta bem-humorado (o desabafo está implícito, sempre) que pode render conselhos e soluções interessantes dos colegas. E, mais importante, pode render aprendizado e autoconhecimento como profissional para saber lidar com essas situações ao longo do trajeto (porque, você sabe, elas vão continuar acontecendo).

Feita essa introdução meio longa, vamos ao fato que me levou a escrever mais esta coluna. Essa semana, minha amiga Mariana Guerra me marcou em um post da página "Vagas Arrombadas" do Facebook. Fui lá, curioso para ver, e encontrei a imagem abaixo:


A incrível proposta em pauta.

Hmm.

O nome de quem fez essa postagem foi apagado pela própria página, obviamente. Mas esse é um tipo de proposta que encontramos e encontraremos pelo nosso trajeto como artistas. Nesse caso, mais especificamente e foco do meu texto, quadrinistas (e aí vale todo mundo no processo criativo, desde o roteirista até o editor). Nada muito novo, mas como a coisa foi recente e eu compartilhei, gerando uma interação bacana com meus amigos e alimentando o post original, vale a reflexão.

A proposta já chega com uma sinopse pronta, e vou supor aqui, que o artista "contratado" não teria muito o que contribuir nessa etapa. O autor proponente parece já ter "tudo resolvido", e precisa de um artista mais como "mão-de-obra" pra produzir as páginas do que como coautor. Se fosse assim, com um pagamento acertado, justo e coerente, e o artista topasse, manda ver. Mas eu sou, sempre fui, muito a favor da coautoria. Isso é, criar junto, elaborar tudo do começo para que o projeto seja não só de uma pessoa, mas de uma equipe toda. Quanto mais definida estiver a ideia e o roteiro originais, e também quanto menos maleável for o projeto, menos espaço um artista tem para se colocar. A ideia da coautoria cai por terra, fazendo do artista "apenas" um tipo de "mão-de-obra contratada".

A proposta também deixa claro que o artista não será pago. Isso acontecerá quando - e se - o projeto gerar lucro. 50% para cada autor (considerando que seriam só roteirista e artista) não é tão absurdo assim, se formos pensar justamente, tanto na esfera financeira quanto artística - a autoria de fato. Agora, qual é a vantagem disso para qualquer artista? Sinceramente, já produzi muito quadrinho nos meus mais de 10 anos de carreira. Já fiz projetos solo, em parceria, como contratado. Em todas eu sempre tentei fazer junto, de forma horizontal. A ideia de mergulhar num projeto de outras pessoas envolve um comprometimento grande... E o que há em troca?

Quero dividir esse pensamento em duas frentes: o trabalho em si, e o pagamento por ele.

Primeiramente (fora Temer), a produção. Roteiro também é difícil, leva tempo e exige criativamente. A gente pode pensar que, para sentar e escrever um texto no Word ou num caderno, é coisa simples. E comparar com o desenho e todas suas etapas, material e tempo, faria parecer que ilustrar é muito mais trabalhoso - e portanto, merece mais pagamento - que o texto. Isso não é bem verdade, pois depende de diversos fatores. Não quero entrar no mérito de comparar essas duas etapas, e estou considerando que o artista nessa proposta fará o desenho, cores e balões. Durante a produção de Terapia, eu cuidei sozinho de toda a produção visual: lápis, nanquim, cores, balões; e também dos posts no site e a maioria dos textos de apoio nos posts. A partir do capítulo 8, eu comecei a ajudar mais ativamente no roteiro. Isso tudo leva um tempo considerável, ainda mais se pensarmos que produzir Terapia nunca rendeu nenhum ganho financeiro (exceto, obviamente, os livros que vendo nos eventos, mas isso fica pra outro texto).

Nunca devemos desmerecer o trabalho do roteirista pela parte mecânica da coisa (escrever de fato), pois há processos intelectuais imensos por trás de tudo isso. E considerar o tempo dedicado como fator de comparação de valor é injusto, visto que tem gente que, para produzir textos, leva dias e dias enquanto existem desenhistas que, em 2 horas, resolvem uma página inteira. Tudo é relativo, e, se no final das contas, os autores (veja, AUTORES e não AUTOR E DESENHISTA QUE TOPOU O ROLÊ) decidem que 50% dos ganhos para cada um é justo, então é justo para eles e ponto final. O que não podemos fazer é decidir de forma injusta para a equipe presumindo valores equivocados para as etapas de produção.

Além disso, pode-se refletir sobre as vantagens artísticas do projeto. Uma ideia de benefício mútuo, evolução artística e profissional, pode fazer com que uma equipe se amigos ou mesmo de desconhecidos se una para gerar um projeto bacana. A ideia é crescer juntos, criar juntos. Todas as etapas têm seu valor no projeto, artisticamente falando. Se o projeto não te parece tão interessante, se não te puxa pelo coração, não te instiga tecnicamente... Enfim, oque tem de realmente relevante para que você se envolva, dadas as circunstâncias (não só nessa proposta em pauta,quando em qualquer outra)?



Segundo, agora sobre pagamento. Tempo é dinheiro. Ponto final. Quem TRABALHA com arte em geral o faz por gostar disso, muito provavelmente, mas porque é um trabalho que gera dinheiro que é usado para pagar contas, como qualquer outro trabalho. A proposta sugere que não haverá pagamento nenhum pro artista. No texto original, consta a pérola: "Você, quadrinista, trabalhará de graça até que a obra seja publicada". E fecha com outra: "Terá que ter disponibilidade para fazer uma página por dia". Ai, ai. Olha, veja bem, eu já fiz MUITO quadrinho de graça. Em certos casos, eu até "paguei para fazer quadrinho", no sentido de que além de não ganhar dinheiro, eu ainda gastei dinheiro (com material, reuniões, contas da casa, compra de exemplares, etc.). Fazer um projeto de quadrinhos sem ser pago por isso é, na real, muito mais comum que o contrário, especialmente no Brasil. Não temos um mercado sólido e gigante que permita esse tipo de trabalho nos moldes dos mercados internacionais. Então, quem faz está realmente dedicando seu tempo e talento para produzir algo no que acredita de verdade. Não critico isso. A minha crítica maior nessa proposta é justamente COMO se propôs o trabalho. A construção da frase  "Você, quadrinista, trabalhará de graça até que a obra seja publicada" beira a arrogância. Não é assim que se busca um parceiro para um projeto autoral sem garantias. Talvez, se a frase fosse melhor construída, não gerasse tanto incômodo.

A ideia de produzir uma página por dia também é um pouco complicada. Isso depende de muitos fatores. Sei que existem roteiristas com exigências imensas em relação à arte, seja em questão de realismo ou estilização, de referências, de detalhezinhos. Quanto mais a produção da página for atender minuciosamente todos os desejos mirabolantes do roteirista (supondo que seja assim), mais tempo leva pra finalizar. E tempo, jovens, é dinheiro. Tempo é a única coisa que você nunca vai conseguir ganhar ou comprar de volta. E nem todo artista consegue, de fato, produzir uma página por dia: ou seu método é elaborado, ou desenha devagar, ou tem afazeres diversos (estudar, cuidar da casa, trabalhar em algo que realmente pague as contas, etc). A questão é de prioridades, também, pois nem todo artist pode ou vai dar prioridade para um projeto destes. Na balança, pesa sempre o que vai pagar contas ou é mais relevante pro artista.

Usando o exemplo de Terapia mais uma vez: no começo, publicávamos uma página por semana, toda quarta-feira. Essa página era feita na mesma semana e costumava levar um dia de trabalho (do layout à publicação, sem contar o roteiro que já estava pronto). Enquanto eu produzia semanalmente Terapia, eu também dava aulas, fazia freelas e produzia o Dom Casmurro. Terapia não dava dinheiro, mas eu tinha como me dar o luxo de focar um dia nesse projeto. Com o passar do tempo, não só eu como Rob e Marina passamos a ter muitos outros projetos, compromissos e problemas, o que fez com que Terapia virasse quinzenal. Houveram vários atrasos na publicação das páginas, o que me comia por dentro. Mas era o que dava para fazer: nunca paramos de produzir, mas desaceleramos. E n~]ao tinha como um exigir do outro mais foco se aquilo não era a prioridade financeira, e em certos momentos, nem artística. Hoje, estou desenhando o segundo volume de Monstruário, totalmente sem financiamento. Ou seja, faço porque quero, mas principalmente porque é um projeto meu (e do Lucas, claro) no qual acredito muito e pelo qual eu sou um dos responsáveis. Enfim, o nível de dedicação exigido não é compatível com a proposta de pagamento, mesmo considerando que possa gerar lucro com vendas mais pra frente.

No caso, o meu conselho é simples: fazer parceria em projetos de quadrinhos (visto que a maioria não envolve dinheiro garantido e/ou rápido), envolve afinidade, comprometimento e crescimento mútuo. Não é para não fazer. É para, se for fazer, entrar sabendo das condições e com pé no chão.

Esse nível de exigência da proposta pode até mostrar que o autor (e, provavelmente, o projeto inteiro), não são profissionais, e sim a coisa toda é um projeto de início de carreira, uma aposta, um sonho. E não dá pra exigir do parceiro de trabalho prioridade e dedicação total em troca "de nada - ou pouco". E é muito provável que os artistas que se interessem pela proposta tenham, de fato, tempo e vontade de se dedicar, mas é provável também que sejam artistas iniciantes, sem muita vivência (note que isso não tem a ver com a qualidade do trabalho). Veja só, pela proposta, eu imagino que o roteirista não aceitaria fácil um artista novato com trabalho ainda cru; e artistas, profissionais ou não, com um trabalho bem desenvolvido e vivência na área, dificilmente embarcariam num projeto com essa proposta. Temos aí, então, um problema.

Vamos comentar rapidamente o tipo de "venda" desse projeto, proposto pelo autor: Amazon, Social Comics e, quem sabe, editora tradicional". Talvez o autor que fez a proposta não conheça direito o mercado de quadrinhos brasileiro. Talvez conheça muito bem. Eu não faço ideia, não sei quem é a pessoa. Mas deduzo que não conheça bem, pela proposta. Enfim, vendas de e-books na Amazon são muito, muito pequenas. Ainda temos a cultura do impresso muito forte, e muitos leitores preferem pagar mais pelo liro do que menos pelo e-book. Sucessos de vendas em e-books são, invariavelmente, produções de muito apelo popular, e nem sabemos como isso seria no caso da proposta em pauta.

Social Comics é complicado, não sei dizer se tem sido lucrativo para os autores. Para mim, não é muito. Mas é bom ter seu material lá. Segue a mesma lógica da Amazon, misturada ao Netflix. Se for muito, muito lido, rende mais dinheiro. Para ser muito lido, precisa ser muito popular e/ou muito bom, e precisa de usuários na plataforma para ler. Uma vez que os usuários que se interessam pelo seu título já o leram, dificilmente vão ler de novo. Então, se não há qualidade suficiente e aumento constante de leitores na plataforma, não adianta que não vai render muito dinheiro.



E sobre editoras, a conversa é longa, mas resumindo: a editora precisa ter interesse na obra, porque vai produzir um produto que precisa ser vendido. Pra vender, tem que ser popular e muito bom,e quase sempre, feito por autores que já têm uma experiência e um nome mais ou menos formado. Nada garante que seu projeto vai ser interessante o suficiente para uma editora publicar, e se o fizer, vai lidar com tiragens provavelmente muito pequenas, que vendem a longo prazo, e que rendem aos autores cerca de 10% do preço de capa (para dividir entre eles, não para cada um). Ou seja, tem que vender muito, muito mesmo para gerar muito dinheiro. E o ciclo continua.

(Em tempo: eu não sou contra publicar por editoras, mas é preciso conhecer o mercado e como isso funciona para não criar ilusões de um mundo ideal, não compatível com nossa realidade. Gostei muito de trabalhar com a Balão e a Jupati, por exemplo).

Enfim, não quero que esse texto seja totalmente definitivo, e não estou dizendo que os quadrinistas não devem entrar em projetos (como este, principalmente, não deveriam, mas cada um sabe o que faz). O mais importante é não se envolver com armadilhas ou projetos que não te considerem como coautor, e vão usar o que você produz de forma injusta. No final das contas, o que você decidir deve ser bom para você. Na dúvida entre um projeto maluco, com cliente/parceiro exigente demais e sem possibilidade de criar junto, e um projeto pessoal, prefira sempre o segundo.

O post original, com muitos comentários (a maioria criticando a proposta, ainda bem), está no Facebook. Clique aqui pra ir direto lá.

Espero ter sido útil! Apesar disso ser totalmente old school, podem deixar comentários aqui, e agradeço demais se compartilharem esse conteúdo pelas redes com seus amigos, desde que, claro, coloquem os créditos do texto e o link pro post original. Abração procêis.