Mostrando postagens com marcador proac. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador proac. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

VLAD - Conheça e apoie o projeto

A dica de hoje é o projeto VLAD, do João Gabriel, que está no Catarse!

O João é autor de Definhar e de Nobre/Lobo (este, com roteiro de Gustavo Tortoleone e cores de Danilo Freitas, lançado pela SESI-SP e ganhadora do edital PROAC). ele foi, também, meu aluno na Pandora Escola de Artes e é uma das promessas dessa geração de autores.

Fui convidado para colaborar com o livro e a campanha criando uma arte exclusiva para apoiadores, que será entregue em forma de um print super classudo. A arte você confere a seguir:



E, por que não, veja algumas etapas do processo!

Rascunho original

Lápis

Arte-final (pincel e nanquim em papel Bristol)


======
Vlad é uma história em quadrinhos de fantasia sombria/humor ácido, influenciada por obras como Berserk (Kentaro Miura), os contos de Conan - O Bárbaro (Robert E. Howard), The Boys (Garth Ennis e Darick Robertson), Preacher (Garth Ennis e Steve Dillon) além de séries como Ash vs. The Evil Dead.
Nesta aventura, Vlad, é um dos melhores mercenários (e uma das piores pessoas) existentes e se vê obrigado a aceitar o contrato para ajudar seu odioso pai a chegar em segurança ao único bruxo capaz de protegê-lo de um culto autodenominado Os Filhos de Deus.
Entre batalhas na neve e entidades cósmicas, nada os prepara para o que está por vir.
É bom que o serviço pague bem.
====

Para conhecer e apoiar o projeto VLAD, acesse o link a seguir!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Os selecionados do Proac 2018

Nos últimos dias foram revelados os projetos selecionados pelo edital ProAC da Secretaria de Cultura do Estado e São Paulo., mesmo edital que viabilizou a produção e publicação de Monstruário Vol.1 em 2017 (compre aqui!). 
Dessa vez, não fomos selecionados, mas ficamos na lista de suplentes! O projeto da sequência de Monstruário, com o título proviusõrio de "Eterno Retorno", fcou em 5º lugar entre os suplentes. Considerando que foram mais de 100 projetos incritos, é muito satisfatório saber que ficamos tão alto na lista. 
O ProAC premia os projetos com uma verba e $ 40.000,00, em duas parcelas, para a produção da HQ. Metade dos projetos são, obrigatoriamente, de fora da capital do estado.
Confira na lista abaixo (retirada do UniversoHQ, veja a a original aqui) os projetos premiados e a lista de suplentes:

Projetos vencedores da capital
Roseira, Medalha, Engenho e Outras Histórias, de Jefferson Ferreira Costa;
O Elísio, de Renato Dal Maso Rodrigues;
8 Pi, de Daniel Zonaro Lopes;
Fujie e Mikito, de Yuri Andrey Cardoso;
Viola vermelha – Modas de viola em quadrinhos, de Yuri Carlos Garfunkel;
Homem pássaro, de Antonio Carlos Tironi Galhardo;
O legado do mau azar, de Augusto Cezar Barbosa Figliaggi .
Projetos vencedores de outras cidades do Estado
Tuhú e o andarilho do tempo, de André Luiz da Silva Pereira (Santo André);
Tsulama, de Davi Ferreira da Silva Junior (Campinas);
O cramulhão e o trapaceiro, de Gilmar Machado Barbosa (Santo André);
Kuro, de Felipe Watanabe de Oliveira (Guarulhos);
Aquarela, de André Bernardino (Santos);
Devem ter sido as rosas, de Célio Antonio Cecare (Sorocaba);
Os olhos de Barthô, de Walmir Américo Orlandeli (São José do Rio Preto).
.
Vale frisar que os projetos selecionados só receberão a verba após a análise da documentação que também foi enviada no momento da inscrição. Caso haja algum impedimento, o candidato perde a vaga, que é herdada por um dos suplentes. Neste ano, foram indicados 14 suplentes (descritos abaixo por ordem de classificação), para o caso de algum titular ser desclassificado.
A nova Califórnia, de Daniel de Araújo Pinto (São Paulo);
Sobre trilhos, de Talessa Kuguimiya (São Paulo);
Espetaculare Meneghetti, de Oskar Dimitry Rizzo Arêas (Mauá);
Punchline, de Fabio Roberto Vitor (Itapevi);
Monstruário – Eterno retorno, de Lucas Kiyoharu Sanches Oda (Campinas);
Salseirada, de Alberto de Stefano (São Paulo);
Ele morre no final, de Marcos Leandro de Oliveira (São Carlos);
Os bons tempos das piores ideias, de Rafael de Oliveira (São Paulo):
O fundo do poço, de Magno José Costa (Santo André);
Voadores – Realidade distorcida, de Alexandre de Maio (São Paulo);
A ilógica tarde de prazeres do animal em fuga, de Guilherme Oliveira Santos (Itararé);
Maria Quitéria – Cavaleira do Império, de Felipe de França (Campinas);
Virginia merece, de Tainan Rocha de Lima (São Paulo);
O boxe de Sofia, de Carlos Antunes Siqueira Júnior (Sorocaba).
A comissão deste ano foi presidida pelo escritor e roteirista Fabio Tucci Farah e teve como demais integrantes: Antonio D’ Agostino Filho, Gustavo Fernandes Fernochi e Worney Almeida de Souza.

Ficam os parabéns para os selecionados e suplentes! E também, uma crítica ao edital: nenhuma mulher foi premiada. Apesar de que os projetos premiados podem ter coautoras, como proponentes, o mais próximo foi o projeto da Talessa Kuguimyia nos suplentes. Além disso, não tinha nenhuma mulher no júri. Fica a dica para que a Secretaria repense essa questão para dar mais espaço às mulheres na próxima edição do edital.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Palestra - ProAC: tire sua ideia do papel!

Oi, pessoal! Tudo bem?

Você já pensou se aquela sua ideia de HQ, livro ilustrado, ou até mesmo exposição tivesse uma verba de financiamento que proporcionasse uma produção de alto nível? Seria massa, né? Pois então, o Brasil é cheio de editais culturais e artísticos, sejam do governo ou de entidades privadas. O objetivo deles é fomentar a produção artística e cultural dos artistas brazucas, pois todos sabemos (e sabemos bem) que uma das coisas mais complicadas para conseguir viabilizar nossas ideias é grana. Sim, dinheiro é complicado. De onde tirar? E, tendo ele, como melhor empregá-lo?



Um dos editais mais bacanas é o ProAC, Programa de Ação Cultural, da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Eles vêm há mais de 10 anos incentivando a produção artística, especialmente voltada para os autores mais jovens e independentes, em várias áreas. Uma delas é a de Histórias em Quadrinhos. A mesma na qual fui contemplado em 2012 com Dom Casmurro e em 2016 com Monstruário. E digo sem medo que, sem esse edital, os livros iam sair de alguma forma mas levando muito mais tempo e com menos recursos pra bancar a empreitada.



Enfim, o que acontece é que o ProAC abre inscrições todo ano, por volta de junho ou julho (estão aberta agora, até dia 5 de julho), e muitos alunos e leitores, além de colegas autores, me perguntam sobre o edital pois têm muitas dúvidas e inseguranças. Por isso, eu e a Pandora vamos fazer um bate-papo sobre o edital, para tira todas as dúvidas. Vai ser na próxima segunda, dia 18, das 19h às 21h. A entrada é gratuita, mas eu recomendo entrar em contato pra reservar uma vaga (www.escolapandora.com.br).




Na palestra vamos analisar pontos importantes do edital, destrinchar o regulamento e vou mostrar um pouco do meu processo de produção do Monstruário, mais focado na parte de gerência do projeto e finanças do que na produção da HQ de fato.

Recomendamos ler o edital completo antes da palestra. E, mesmo que você não possa ver apalestra, segue o link para ler mesmo assim. A maioria das respostas pras suas dúvidas estará lá de qualquer forma.

PS: Pode ser que consigamos colocar a palestra no YouTube, aí divulgo aqui e nas minhas redes.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Evento - CCXP 2017

Está chegando a hora! O maior evento de cultura pop do país começa no dia 6 de dezembro (com a Spoiler Night), e vai até o dia 10, no São Paulo Expo, na capital paulista.

Estarei lá no Artist Alley (completando a minha 4ª participação no evento, veterano!) na mesa C02, acompanhado da minha querida esposa e parceirona de eventos Monica, e do Lucas Oda, roteirista incrível do novo lançamento, Monstruário - Volume 1!


Como já falei antes no Blog'n'Roll, nosso novo livro será lançado pela Jupati Books, selo da Marsupial Editora, na CCXP. A pré-venda já está rolando na Amazon. Mas para garantir seu autógrafo e conhecer meus outros trabalhos, é só correr pra mesa C02 e bater um papo com a gente.

Além de Monstruário, claro, teremos mais HQs de minha autoria, como Terapia, Morphine, Quando a Noite fehca os olhos e, claro, Pieces - Partes do Todo.

Esperamos vocês lá!







quarta-feira, 3 de maio de 2017

Prêmio Jabuti e os Quadrinhos

Hoje os quadrinistas, editores, leitores e entusiastas de Quadrinhos em geral receberam uma excelente notícia! 

O Prêmio Jabuti, mais importante prêmio literário do Brasil, ganhou uma nova categoria para contemplar produções na nossa tão amada linguagem. Isso aí, agora o Jabuti vai premiar HQs! 

Isso foi resultado de uma campanha muito bacana, encabeçada pelo Wagner William:
"No início deste ano, um movimento que reuniu autores, editores, jornalistas e fãs pediu ao Prêmio Jabuti (o mais importante prêmio literário do Brasil) a criação de uma categoria para Histórias em Quadrinhos. Inclusive, um abaixo-assinado on-line foi realizado (veja aqui), e contou com o apoio de mais de duas mil pessoas. (UniversoHQ)"

Do comunicado oficial do Jabuti: "A Câmara Brasileira do Livro (CBL), realizadora do Prêmio Jabuti - o mais tradicional e prestigiado do livro brasileiro, anunciou no mês passado Luiz Armando Bagolin como novo curador da premiação. Consagrado acadêmico da Universidade de São Paulo e responsável pela direção da Biblioteca Mário de Andrade entre 2013 e 2016, Bagolin chega para trazer uma visão atual e assumir novos desafios com o Jabuti.

Nesta edição de 2017, duas novas categorias se juntam às vinte e sete já existentes: “História em Quadrinhos” e “Livro Brasileiro Publicado no Exterior”. Segundo o curador, a criação dessas categorias demonstra esse novo momento que o prêmio e a literatura estão vivendo: “Existem várias formas de contar uma mesma história. Ela pode vir por desenhos, por palavras, em português, em outras línguas. O importante é valorizarmos todas essas formas de contar. Criar essas novas categorias era essencial para mostrarmos a força de nossa produção editorial, representada pela riqueza que o brasileiro produz”.

A “História em Quadrinhos”, que anteriormente era contemplada pela “Adaptação”, passa a ter uma categoria dedicada exclusivamente para ela. Poderão ser premiados livros compostos por histórias originais ou adaptadas, contadas por meio de desenhos sequenciais, definidas pela união de cor, mensagem e imagem. Por conta de sua criação, a categoria “Adaptação” deixa de aceitar história em quadrinhos. "


Fora da categoria "Adaptação", as obras em Quadrinhos competiam em outras categorias, claro, e acredito que continuem competindo igualmente, como "Ilustração".


É uma vitória para o mercado nacional de Quadrinhos. Um prêmio do porte do Jabuti abraçar nossa linguagem é um aval importante da indústria editorial inteira. Obviamente, Quadrinhos não são Literatura: são uma linguagem própria. Mas termos uma categoria própria no Jabuti mostra quanto nossa produção está madura, efusiva, profissional, mesmo quando é independente.

O espaço das HQs no Jabuti só cresceu nos últimos anos. Eu e o Felipe Greco tivemos a honra de ter nossa adaptação de Dom Casmurro (publicada em 2013 pela Devir) premiada no Jabuti em duas categorias: 2º lugar em "Ilustração" e 3º lugar em "Didático e Paradidático", onde competimos com obras literárias tradicionais e também outras HQs. 

Prêmio Jabuti é o mais importante prêmio literário do Brasil. Lançado em 1959, foi idealizado por Edgard Cavalheiro quando presidia a Câmara Brasileira do Livro.

As inscrições para o 59º Prêmio Jabuti começam no próximo dia 18 de maio, e poderão ser realizadas diretamente pelo http://premiojabuti.com.br/.



Veja a notícia e as informações completas no UniversoHQ e também no PublishNews.

terça-feira, 23 de julho de 2013

ProAC 2013

O ProAC (Programa de Ação Cultural) é um edital da Secretaria de Estado de Cultura, que premia projetos de várias vertentes artísticas em São Paulo. Esse ano, 2013, eles mexeram um pouco no regulamento, e aumentaram para 15 projetos contemplados (ao contrário de 5 do ano passado e 10 dos anteriores) com o valor de R$ 40.000,00 (ao contrário dos R$ 25.000,00 de 2011 pra trás).



É uma oportunidade importante para autores, especialmente os novos, que querem condições e espaço para trazer à luz seus projetos e ideias. Para os autores já conhecidos, também não deixa de ser uma boa oportunidade, visto que, ao meu ver, nenhuma experiência com editora no Brasil proporcionaria uma verba de R$40.000,00 ao autor, para produzir sua obra, num prazo decente e sem se preocupar tanto com as contas.

Claro, é bom dizer, existem contra-partidas que devem ser seguidas, o que acho justo. E também, a dificuldade da publicação se deve muito mais à distribuição do material do que À produção do mesmo. Então, vários autores contemplados, se não todos, optam por fazer parcerias com editoras para viabilizar uma distribuição mais ampla de seus livros.

Foi o que aconteceu com o Dom Casmurro, adaptação de Machado de Assis que fiz com o Felipe Greco nos roteiros. Não fomos selecionados em 2009, mas depois, em 2011, ganhamos um dos prêmios do edital. Assinamos com a Devir Livraria, que hoje distribui nosso livro.



Sobre o ProAC, só posso agradecer. A experiência foi muito boa, fomos bem atendidos pela Secretaria, e a verba possibilitou a produção do livro do jeito que queríamos.

Acho excepcional ver tanto dinheiro direcionado para produção cultural e artística, abrindo portas e possibilidades a novos e atuantes artistas.

Você pode ler e baixar o edital NESSE LINK.

Boa sorte a quem for se inscrever!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Lançamento - Dom Casmurro - São Paulo

A grande noticia da semana é que finalmente Dom Casmurro ganha seu aguardado lançamento e sessão de autógrafos na cidade de São Paulo!

Vai ser nesse sábado, à partir das 15h30, na Livraria Martins Fontes. Fica na Avenida Paulista, 509. Fácil acesso de qualquer meio de transporte que escolher, e tem estacionamento perto também.

Esperamos por vocês lá, para um brinde muito merecido, e autógrafos machadianos.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Entrevista - Dom Casmurro

A revista O Grito! publicou uma entrevista comigo e com o Felipe Greco, sobre nossa adaptação de Dom Casmurro para quadrinhos.



Você pode ler acessando esse link!


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Dom Casmurro!


DOM CASMURRO

Enfim, oficialmente mesmo, a divulgação de Dom Casmurro começou a pegar fogo! A adaptação da obra máximo de Machado de Assis tem roteiro do ficcionista Felipe Greco, e arte minha.

Uma jornada longa de produção, cheia de idas e vindas, crises criativas, debates, estudo e pesquisas... Cheio de emoções e evolução, do traço e dos personagens.

São 232 páginas. Prefácio do mestre Paulo Ramos, e texto de orelha do machadiano Nailor Marques Jr.

A caligrafia artística é assinada pela querida Lili Detoni, e o letreiramento e diagramação são da Pandora Escola de Arte.

Projeto gráfico meu e do Felipe.
Publicado pela Devir!

Ficou lindo demais. Espero que gostem, e não deixem de comentar quando lerem!

Logo teremos lançamentos, aguardem informações!

Segue o release:
DOM CASMURRO

Release

Como adaptar para outra linguagem não apenas um grande clássico, mas aquela que é considerada uma das mais emblemáticas obras da nossa literatura? Este foi o desafio feito ao ficcionista Felipe Greco no início de 2007, por uma amiga editora. Assim, numa bem-sucedida parceria com o jovem desenhista Mario Cau (bravo remanescente de um grupo inicial de ilustradores que, por motivos diversos, acabou desistindo do projeto), pôde levar adiante essa grande empreitada: transcrever para quadrinhos o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Seis anos depois, aqui está o resultado desse trabalho que, nas palavras do prof. Paulo Ramos, prefaciador do livro, “se diferencia pelo detalhamento que procurou dar em relação ao texto original, algo facilmente percebido na leitura das 232 páginas do livro, construídas na linguagem dos quadrinhos – em outros trabalhos do gênero, o número de páginas costuma não passar de cem”.

Lançada em duas versões, capa dura e brochura, nesta graphic novel, segundo o prof. Nailor Marques Jr., autor do texto de orelha, “na forma como foi transcriada para um misto de desenho e texto, é possível viver com as personagens os mesmos dilemas entre o que quer nosso coração e o que nos obriga a razão. Ou a falsa e trapaceira razão.

Cada fragmento de fala direta ou de narrador é potencializado pela força das expressões das personagens e, mais ainda, pelo tom noir de cenas belíssimas, como as do enterro de Escobar e, sobretudo, a da decisão de Bentinho entre suicidar-se ou dar o café envenenado ao filho não filho, Ezequiel. As cenas assim nos engolem, nos sequestram para dentro do texto e nos remetem às nossas próprias dores”.



terça-feira, 17 de abril de 2012

Sobre metas, barbas e tabelas.

Oi, pessoal!

Hoje, logo após acordar, enquanto lavava o rosto, pensei em escrever esse texto antes de ir pra prancheta e continuar a arte-final do Dom Casmurro. O que disparou o gatilho foi, acreditem, o tamanho da minha barba.

Eu explico.

Eu não faço a barba há 4 meses. Na verdade, sejamos justos. Eu não faço a barba 100% há pelo menos 8 ou 9 anos. Sempre teve uma barba rala, um cavanhaque. Salvo uma vez em 2008, quando fui numa festa à fantasia de Coringa (aquele, o palhaço, o bobo, o Jóker) que eu tirei toda a barba, e logo ela voltou. Só que eu mantinha a coisa toda com cuidado. Porém, no final do ano passado, mais especificamente durante o FIQ, pensei em deixar crescer. Sem dó. Consegui estabelecer isso assim que passou o Natal, última data do ano em que se passa com família e precisa estar bem apresentável.

E por qual motivo? Bom, eu defini que só ia fazer a barba de verdade quando terminasse toda a arte do Dom Casmurro.



Todo mundo com quem eu converso sobre isso vem com a mesma pergunta: "É promessa?" Ao que eu respondo, prontamente, "Não".

É preciso explicar, eu acho, que eu tenho às vezes uns problemas com certas palavras. A sonoridade delas, ou mesmo a interpretação que elas trazem, não funcionam com o que eu quero dizer. Meus amigos e alunos já sabem da minha teoria sobre a diferença entre "trabalho", "serviço" e "trampo". Nesse caso da barba, é a diferença entre "promessa" e "meta". O que eu fiz foi estabelecer uma META para mim mesmo, para meu trabalho.

Quando você faz uma promessa, geralmente mistura com seu objetivo um tanto de religião. A sensação que eu tenho é que vira algo como "pedir a Deus que faça acontecer algo que você quer, enquanto você abre mão de alguma coisa que goste, ou que faça falta, como um tipo de sacrifício, em troca de ter seu pedido atendido". Nada contra. Acho que o Chefe está aí pra muita gente e que se ele é bom como dizem, ele ajuda quem merece, de alguma forma. Agora, é muito fácil, eu acho, essa troca, essa confiança em algo maior que você para resolver alguma coisa. Muita gente faz a promessa, por exemplo, para de beber por X tempo, e fica "esperando" que "seu desejo se realize". (Eu sei que nem todo mundo tem essa postura e não quero debater religião aqui, por favor). É fácil demais assim.

Agora, a META é diferente. Você estabelece pra SI MESMO onde quer chegar, como quer chegar, e estabelece que até chegar lá, você vai deixar de fazer algo. Nesse caso me parece que a responsabilidade fica só com você mesmo, o que é muito mais do que muita gente consegue. Quando se trabalha sozinho, na prancheta, que fica num quarto da sua própria casa (ou às vezes, do lado da cama, da TV, da geladeira...), é muito difícil  estabelecer uma disciplina decente de trabalho. As distrações são grandes e constantes. A tentação de ver Game of Thrones no sofá comendo chocolate é grande.



E é aí que você vê quem consegue ter a disciplina, e vê o quanto isso é importante, o quanto isso te faz evoluir como artista - e isso fica nítido no seu trabalho - e como profissional - que fica nítido nas suas relações e atitudes.

Agora, enquanto numa promessa geralmente se abre mão de algo em troca de um "favor" do Chefe, numa meta você abre mão de algo que só o seu trabalho e dedicação podem "trazer de volta". É bem satisfatório.

Aliás, veja bem, quando você promete algo a alguém, só existem dois resultados possíveis: cumprir a promessa ou falhar. Ou você ganha ou você perde. Simples assim. Prometeu não cortar o cabelo por 1 ano? Se você cortar, você perdeu, não importa o quanto você aguentou, o quanto foi difícil ou o que o mundo fez pra conspirar contra.

Uma meta é um objetivo. Você mira, direciona e vai em frente. Cada passo dado é uma vitória particular, saboreada. Por não haver necessidade, muitas vezes, de estabelecer um prazo, você pode se perder nas distrações, mas isso deveria dar uma maleabilidade para o que você quer fazer. É só se manter fiel e voltar a ele depois, e guardar aquela abstenção pro final, onde ela vai funcionar como uma recompensa de verdade.

Se você não consegue alcançar sua meta, não é um problema tão grande. Não é vencer ou perder. Você só perde se não fizer absolutamente nada a respeito. Se você não alcançou a meta, olhe pra trás e veja o quanto você caminhou, o trajeto feito até onde você conseguiu chegar é composto das suas vitórias particulares, como eu disse, cada passo te leva mais perto do objetivo. Chegar até onde chegou já é uma vitória por si só, e você pode se sentir um tanto satisfeito porque você tentou chegar lá, fez seu melhor e apesar de não chegar lá, chegou perto. Você só vence, desde que se mexa e trabalhe por isso.

Para deixar isso evidente pra mim mesmo, fiz uma tabela com as páginas da graphic novel inteira, mais os extras. Ou seja, tudo que precisava ser desenhado. Essa tabela conta com (na ordem, esquerda pra direita)
Número da Página - Layout - Diagramação - Lápis - Arte-final - Scan.



Cada etapa completada ganhava uma marca vermelha, e isso me fazia "ver" de uma forma mais direta, que sim, eu estava caminhando, as coisas estavam acontecendo e eu estava uma marca mais perto de completar o meu trabalho.

Como nosso trabalho às vezes é caótico (eu sei que o meu é, mas é um texto que fica pra próxima), às vezes com vários projetos ao mesmo tempo, é essencial que você tenha um sistema de disciplina, um sistema de divisão de atenção, e um sistema decente de recompensas.

Se você quer fazer Quadrinhos mas é desorganizado, não sabe bem onde quer chegar, e tem uma certa preguiça que te impede de desenhar mesmo quando você não tá muito inspirado... Sinto dizer, mas você vai ter muita dificuldade.

Eu sei que insisto demais no termo "disciplina" em relação a um trabalho que deveria ser mais diversão, certo? Bom, sem disciplina as coisas ficam num âmbito de "quando der eu faço", e isso não leva ninguém a lugar algum.  Eu estabeleço minhas metas, e faço meu melhor pra cumpri-las.

Então, a minha meta foi a barba.

Sejamos justos, também. Eu aparo a parte de cima da boca no bigode pra poder comer como um ser humano normal. Eu aparo a lateral da barba, nas bochechas, pra ficar mais evidente ainda o queixo e as costeletas, essas sim, intocadas desde Dezembro de 2011. Causo comoção em certas pessoas, espanto em outras, e meu pai quer muito mesmo que eu tire logo essa barba bizarra, ahahaha. Tenho que explicar pra quase todo mundo o "por quê" disso.

E sabe, eu gostei do visual. Capaz que eu volte a deixar crescer no futuro.


Auto-retrato, circa favereiro 2012.


Durante o fim de semana, na tarde de sábado, enquanto José Dias morria em nanquim na minha prancheta, percebi que faltavam 12 páginas pra terminar tudo. Pensei, "cara, em uma semana eu consigo". E é isso que eu estou fazendo essa semana. Foco total no Dom Casmurro. Ontem, foram 4 páginas. Agora, faltam 8. Hoje, com certeza, pelo menos 3.

Estou postando algumas imagens e comentários, sempre com a hashtag #DomCasmurro. Procurem pelo Twitter e Facebook.

E até sexta eu terei terminado tudo (com sorte, até termino a arte da capa!). Vou pra QuantaCon no sábado, e quem for, terá a última chance de conferir essa meta maluca barbuda que eu estabeleci. Segunda que vem a barba já era.

E aí, vou cumprir uma promessa que fiz aos meus amigos do Quarto Mundo, durante o FIQ ano passado, e ficarei só de bigode. Aguardem.

Meta estabelecida, conclusão próxima.





quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dom Casmurro no ProAC!

Estou tão feliz com o resultado do ProAC, que se fosse escrever um texto sobre isso, não daria muito certo, ehehe.

Então tomei a liberdade de copiar a notícia veiculada pelo Paulo Ramos no Blog dos Quadrinhos, ontem:


A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo divulgou os nomes dos dez projetos selecionados no edital de incentivo à produção de histórias em quadrinhos.

Os autores e os títulos das obras foram publicados na edição desta quarta-feira do "Diário Oficial" do estado. Cada proponente irá receber R$ 25 mil para produzir a obra.

A lista deste ano trouxe uma novidade em relação às edições anteriores, uma proposta de adaptação literária do romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis (imagem acima).

Veja a seguir os dez autores e projetos selecionados:

  • Mario Cau - Dom Casmurro
  • Céu D´Ellia - Zu Kinkajú
  • Luiz Carlos Fernandes - Alma: A História da Praça Esportiva Mais Antiga do País
  • Roberto Skubs Sobrinho - Fade Out: Suicídio sem Dor
  • Marcelo Shun Izumi - A Jornada de Gugu e Leo
  • Pablo Carranza - Se a Vida Fosse como na Internet
  • Éder Gil de Souza - Seu Turno
  • Leandro Melite Moraes - A Desistência do Azul
  • George Victor Schall - Sabor Brasilis
  • Daniel Esteves - Quilômetros Blues

É a quarta vez que o governo estadual reprisa o edital do ProAC (Programa de Ação Cultural). Na edição deste ano, houve 136 projetos inscritos, como o blog noticiou em 10.07.

Da seleção passada, só um dos dez trabalhos selecionados foi publicado até o momento: "A Chave do Universo - As Nove Máscaras e o Eneagrama", de Alexandre Montandon.

Outro está na gráfica: "Histórias do Clube da Esquina", de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole. A obra será publicada pela editora Devir.

O edital paulista tem se tornado um dos principais estímulos recentes à produção de quadrinhos no país. Em 2010, recebeu um Troféu HQMix pela contribuição dada à área.


===

Quero deixar aqui registrados os meus parabéns aos amigos Daniel Esteves, Wanderson de Souza, Wagner de Souza, Hector Lima, Felipe Cunha e Pablo Casado, e mais ao George Schaal, Pablo Carranza, Maiolo, (que eu não conheço pessoalmente) por estrarem entre os selecionados! E, claro aos outros, que eu não conheço ainda.


E um abração para o Felipe Greco, roteirista de Dom Casmurro, pela parceria e paciência!


Agora sim, a coisa vai acontecer. Provavelmente vou sumir um pouco da internet, mas é por uma boa causa. 8- )