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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Sobre minha saída da Pandora Escola de Arte

Texto originalmente publicado na Newsletter Quebra-Cabeça (assine!) 

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Nada dura para sempre, a não ser que o seu "pra sempre" seja maleável como a percepção do tempo desassociada de ponteiros e marcadores digitais. Diria o poeta "que seja eterno enquanto dure" e isso é lindo, e quando é real, significa que independente de finais, o durante foi construído com dedicação e carinho. Também tem o clássico "o que importa é a jornada, não o destino", e também gosto dessa, mesmo se pensar que o fim sempre é o fim. Por fim, o fim também tem essa característica de morte, todo término é uma pequena (ou grande) morte de uma coisa que, espera-se, tenha sido especial. Esse conceito da psicologia também foi usado na HQ Terapia, veja só, e faz muito sentido. O fim nunca é o fim, até ser o fim definitivo, e esse teria que ser o fim de tudo, tudo mesmo, do ar que respira, da luz do olhar, da continuidade da existência física, e mesmo esse ponto final não pode existir, porque algo continua existindo: memória, legado, obras, influências. Vai até que se chegue num ponto onde não se remete mais ao que ficou de alguém, mas olha, até isso é inverdade: se fica algum tipo de presença, eventualmente ela se mescla a outras coisas e continua em frente.


É, eu sei que esse parágrafo todo tem uma interpretação possível um pouco sombria, fala-se de fim, de término, de morte, mas nada disso aconteceu de forma tão intensa ou definitiva. O que não quer dizer que não houve um fim, mas foi desses que não terminam em corte brusco perpétuo (como disse, isso é até meio impossível). É só mudança. E mudança, geralmente, é bom (eu não gosto de mudanças grandes ou bruscas, mas no final a gente acaba entendendo e fluindo com isso).

Bom, todo esse preâmbulo para falar sobre minha saída da Pandora Escola de Arte. 



Eu sou dramático, gosto de escrever coisas poéticas, melancólicas e que possam instigar qualquer reflexão, qualquer uma que seja, e aí a mensagem pode acabar com esse caráter mais tenso e denso, mais do que precisava, hehe. Mas não resisti. Quando comecei a pensar sobre o assunto, me vieram à mente essas formas de pensar em fins e saiu o texto. Agora que acabou o drama (será que algum dia ele acaba?), vamos falar das coisas.

Hoje, primeiro de fevereiro de 2022, é o primeiro dia em que eu oficialmente não sou mais professor da Pandora Escola de Artes. A Pandora, que fica em Campinas, onde eu moro há metade da minha vida, é uma escola muito bacana que tem uma longa história de formação de artistas na região. Fundada pelo Ricardo e pelo Amilcar, oferece cursos em diversas áreas das artes e artes aplicadas e participa da vida cultural da cidade e região ativamente. 

Conheci a Pandora antes de ser escola, quando ainda era "só" uma comic shop, cheia de HQs diferentes, camisetas e colecionáveis, quando ouvi na rádio, no ônibus indo pra escola em 1998, que ia inaugurar. Entendi errado o endereço e foi uma dificuldade encontrar o lugar certo, mas finalmente conheci a loja em algum momento depois de uma aula de desenho em Campinas.

Uns anos depois, vim morar em Campinas e passei a frequentar semanalmente a Pandora pra comprar meus quadrinhos. Já era uma escola, também. Meu primeiro trabalho de verdade com quadrinhos tinha como parceiro um dos professores da escola na época, o Bruno Bull. Eu ia lá levar páginas para ele continuar o projeto. Depois, já mais inserido no mercado de ilustração, conheci o Ricardo pela lista de email de ilustradores da época, a Ilustrasite, e a partir da ideia de criar eventos regionais para ilustradores, eu, ele e a Aline Bottcher organizamos o Sandubão Ilustrado, que rolou em 2006 ou 2007. Contatos feitos, não demorou para que eu fosse convidado pelo Ricks a dar aulas na Pandora.

Pra mim, foi uma honra. E já fazia meus quadrinhos há anos, tinha começado a publicar em antologias (Front) e a conhecer o mundo da HQ independente e autoral. Estudava quadrinhos como a arte incrível que são e encarava o olho torto acadêmico sobre essa linguagem na faculdade. Ser convidado pra dar aulas na Pandora era um tipo de validação, afinal era a escola mais importante desse tipo na cidade. Claro que topei. Comecei a dar aulas de Desenho Artístico, Ilustração e, claro, Quadrinhos em 2007. 

Nesse tempo, evoluí absurdamente como professor, artista e autor. Não tem como não evoluir se você está realmente dedicado ao que faz, buscando melhorar em todos os aspectos. Pra mim, dar aula é uma coisa muito especial e desenvolvi, ao longo desses anos, uma relação muito bacana com meus alunos. Não é só ensinar fundamentos de desenho, técnicas, truques. A minha própria vivência como autor e ilustrador atuante torna essa experiência maior, porque sempre levei pra aula essa vivência. Dos eventos, das publicações e todo o processo criativo delas, as exposições, tudo sempre fez parte da experiência expandida da aula. Meu estilo de aula mistura o que tem que ser visto do programa do curso com reflexões diversas sobre tudo.

Os conteúdos se misturam a visão de mundo, analogias e metáforas, filosofadas e piadinhas. E isso, eu sei, era importante e valioso para muitos alunos, porque a gente pode trabalhar não só habilidades técnicas e artísticas, mas também o interior do artista, com acolhimento, respeito e seriedade. Eu não tenho formação em psicologia, claro, mas acabei me tornando o "professor terapeuta filósofo" da escola, e com isso vários alunos eram direcionados para minhas aulas. A experiência foi muito especial para mim. Saber que eu pude ser relevante não só para ajudar as pessoas a serem melhores artistas e profissionais, mas também a se entenderem, respeitar o próprio lance, compreender melhor o mundo maior que a arte propicia. Não tem preço.

E nesses 14 anos, ajudei a formar uma série de artistas. Eu nem consigo contar, tenho medo de esquecer de alguém, mas vale dizer que tem muita gente boa produzindo quadrinhos, ilustração animação, tatuagem, design, que foram meus alunos. Na última CCXP presencial (2019), contei uns 8 autor@s no Artista Alley que tinham sido meus alunos. Que orgulho, bicho. Fora os alunos que visitaram o evento dedicando um tempo enorme aos autores e seus trabalhos (pra mim é assim: gosta de quadrinhos, estuda quadrinhos, tem que conhecer quadrinho brasileiro!). 

Aí, veio a pandemia e mexeu em muita coisa. A Pandora teve que fechar as portas por um tempo, e esse tempo foi muito mais longo do que todo mundo esperava (muito obrigado, governo, seus lixos). As aulas passaram a ser online. Começamos esses atendimentos pelo Slack, mas era só texto e imagem, não tinha vídeo nem voz. Chegou um momento em que decidi dar as aulas pelo Meet, pra poder ver e ouvir meus alunos e também compartilhar a tela e dar aula numa lousa em tmepo real. Foi ótimo, apesar de não ser a mesma coisa que a aula na sala de aula, mas me ofereceu uumas possibilidades maravilhosas em termos de didática, porque eu podia usar os softwares e suas camadas e efeitos. Tirar o melhor proveito possível do que temos à mão. Sai a lousa de vidro com marcadores e eventuais impressões em laser de referência, entra o photoshop, o clip studio, os links, camadas e sobreposições, etc. Investi no meu set up (que não era só pra escola, claro, era pra todo meu trabalho): cadeira, microfone, webcam, SSD, ring light, tablet nova. Tudo pra subir o nível do que eu poderia oferecer nas aulas, no canal e no meu trabalho offline.

A gente aguentou o tranco. Aí, no meio de 2020, com todas as dificuldades já regentes, vem a bomba: a Pandora precisou entregar a casa onde era sediada, a casa antiga de vó, super gostosa, que ficava a 2 quadras da minha casa, porque o lugar foi vendido pra uma construtora. Que caos. Eu não participei do movimento de desmontar tudo. Outro dia passei lá na frente e já não tem mais casa, só detrito. Foi triste. Ficamos naquela casa desde 2009. Mas, como todo fim pode levar a algo novo e muito bom, a Pandora encontrou nova sede numa casa super moderna e bem localizada. Só era muito longe da minha casa. 

Quando as aulas presenciais voltaram, no começo de 2021, eu decidi não voltar ao presencial. Foi uma decisão minha por causa da falta de vacina e a insegurança que a pandemia coloca na gente. Vai saber até quando a tranquilidade dura. E durou pouco, a escola fechou de novo, levou meses pra reabrir, e eu não voltei de novo. Nesse tempo todo, estava esperando estar imunizado com a segunda dose da vacina, antes disso não voltaria. Quando tomei a segunda dose era quase novembro. E novembro logo vira dezembro, o ano acaba e as aulas param no recesso, então decidi não voltar até 2021. Tudo de acordo com a escola e os alunos, muitos preferiam ficar online mesmo. Mas era cada vez menos alunos nas aulas.

No final de 2021, depois de muito, mas muito pensar no assunto, chegou ao fim minha parceria com a Pandora. Tomar essas decisões não é fácil pra mim. Eu tenho a tendência de continuar como está, torcendo e colaborando pra que as coisas melhorem, mas nem sempre as coisas mudam. Eu já aprendi há tempos com relacionamentos e emprego que pras coisas mudarem, é preciso agir, e a ação tem que vir dos dois lados. Nem sempre dá pra fazer, porque as coisas são como elas são. Talvez em algum momento isso signifique que é melhor não continuar juntos, e acho que foi isso que aconteceu. Durante a pandemia eu pude me recolher em mim, pensar muito mais no que eu quero e como eu quero fazer as coisas. Novas possibilidades apareceram (mentorias, aulas particulares, freelas e projetos de HQ). Refleti muito sobre todas as minhas relações durante esse tempo, e só consegui fazer isso porque estive isolado em casa por muitos meses. E me fez bem. Uma dessas reflexões foi justamente se eu queria mesmo continuar como professor da Pandora. 

E eu percebi que, como as coisas eram antes da pandemia, não estava 100% do meu agrado, e percebi que não era só eu, de forma egoísta, mas uma percepção honesta do que poderia acontecer, mudar, evoluir. Mas estávamos conversando, haviam planos e ideias o tempo todo. A pandemia colocou tudo em stand by. E aí depois de tanta mudança, a reflexão passou a ser, já que o que existia não existiria mais (mudou a casa, mudou a equipe, mudou o local, mudei eu), será que eu quero continuar como professor da Pandora nesse novo modelo?

A conclusão foi até mais fácil do que eu previa, tentando ficar isento de emoções (a amizade, a lealdade e o respeito por todos sempre ficou presente nas minhas reflexões sobre isso, falo mais das emoções minhas, síndrome do impostor, medo de fracasso, de ser interpretado mal). Minhas conclusões foram as seguintes:

A Pandora, que antes ficava do lado de casa, agora está mais longe. Pra chegar lá e dar as aulas, preciso ir de carro. Só que o carro é usado pela Monica pra ela ir dar aula, num lugar mais longe ainda e num horário fixo todo dia da semana. Pra eu ficar com o caro, teria que levá-la até sua escola e voltar e depois ir buscar, o que interfere no horário das minhas aulas. Exige que organizemos o cronograma de almoço e tal. Se eu for de ônibus, leva muito tempo e fico à mercê dos horários. Se for de Uber, sai caro e eu teria que arcar com esse custo. A pé, não rola. Então esse problema logístico já atrapalhava tudo. Tudo bem, eu dou aula um dia da semana, mas se eu quisesse abrir mais turmas? Ou, como eu queria, mudar os horários e dias das aulas?

Com a pandemia, a escola perdeu muitos alunos. A procura por curso online é baixíssima na escola, o que significa que se eu tive poucos novos alunos. Com a saída de alguns deles, minhas turmas ficaram pequenas. Menos alunos significa também menos dindim, e o tempo dedicado às aulas vale muito a pena se tenho salas cheias, mas nem tanto se tenho um ou dois alunos (vira praticamente uma mentoria ou aula particular, sendo pago como aula normal). 

E eu mesmo fui ficando desanimado do formato virtual, de estar sempre na mesma sala com o mesmo PC, mas respeitando minhas decisões sobre a pandemia, era isso ou voltar ao mundo exterior, e eu não queria voltar a não ser que estivesse seguro. Eu já vinha há anos sentindo que não gostava mais tanto de dar as aulas mais básicas, do começo do curso, e essas são as aulas que a gente mais dá, porque sempre tem mais alunos no começo do que no final do curso. Eu queria dar aulas avançadas, de projetos de quadrinhos, narrativa, roteiro e criação de personagens, ilustração avançada... E era mais raro ter essas aulas. Com a abertura das minhas mentorias fora da Pandora, comecei a desenvolver projetos super bacanas e ver minhas vivências e experiências serem mais úteis em aulas mais focadas com alunos mais avançados.

Também percebi que, de todos os alunos que tinha no segundo semestre, pelo menos metade deles poderiam concluir o curso e seus projetos até dezembro, o que faria o começo de janeiro ser mais "vazio". Coloque isso no ciclo de deslocamento até lá, menos alunos, menos dindim e não ver uma perspectiva de melhora nessas questões, pelo menos a médio prazo (afinal, ainda estamos na pandemia e a procura por cursos não aumentou o suficiente, os cursos novos e mudanças de programas dos cursos existentes não vão sair tão cedo)... Me pareceu que era um fim mesmo, ou pelo menos, o momento propício para tanto.

Em cima de tudo isso, também pensei muito sobre como meu trabalho floresceu durante a pandemia (quem diria, eu achei que podia ir à falência) com projetos bem legais de ilustração, mentorias, vídeos para o canal, commissions, o projeto de Pieces - Parte de Mim, o projeto de Terapia vol.2, as HQs que produzi sendo pago, os contatos se desenvolvendo com a cena independente internacional... E pensei que, poxa, eu dediquei minha vida toda a ser um profissional e viver do que eu amo. E eu sempre fiz isso, mas também sempre sendo professor. Sempre lidei com tudo ao mesmo tempo, e sempre deu certo, mas se tinha um momento que eu poderia me dar a chance de tentar dar o próximo salto em minha carreira, esse momento estava chegando e continuar na Pandora, do jeito que as coisas estavam ou estariam, não estaria nos planos. E eu devia isso a mim mesmo, essa chance de saltar e investir em mim.

Conversei muito com a Mo, muito na terapia, refleti muito mesmo, e decidi que, se tinha um momento certo para concluir minha jornada com a Pandora, era na transição de 20 pra 21. Concluir o ano amarrando as pontas com os alunos que estavam concluindo, de forma online ainda, e assim fizemos, durante janeiro. Os alunos que estavam ainda no meio do curso foram transferidos para ouros professores, a galera nova, jovem e cheia de energia, como eu era em 2007 (alguns até foram meus alunos!), que vai com certeza fazer um ótimo trabalho. 

A Pandora como eu vivenciei não existe mais. A nova Pandora é promissora e desejo tudo de melhor para todos eles, mas eu não me encaixo muito bem. Saí amigavelmente, conversei muito com o pessoal lá, Erika, Flavinha, Amilcar e Ricardo e eles entenderam. Claro que todo fim é um novo começo, mas fim é ruim, né? Impõe mudança, recalibrar as coisas, lidar com a ausência de algo que sempre esteve lá. Meu respeito e gratidão são imensos e eternos, afinal, eles me deram a oportunidade de ser professor, ensinar as coisas que mais amo e crescer com isso. A confiança que sempre tiveram em mim, na minha didática, estilo, propostas e empenho é muito importante, validação que ajuda a solidificar as estruturas internas. 

Saí da Pandora como professor dos cursos regulares, mas continuo parceiro da escola para desenvolver possibilidades pro futuro. Cursos avançados, pontuais podem vir. Aulas de Ilustração Avançada podem se retomadas e eu adoraria dar algumas aulas desse curso. E obviamente, continuo amigo de todo mundo e quero estar presente nos eventos, nas confraternizações e exposições. Assim como já rolou com outros colegas que também saíram da escola em momentos que julgaram ser corretos e hoje estão surfando suas próprias ondas e voltam de vez em quando pra confraternizar. 

É um momento muito especial pra mim, de evolução pessoal, de concentrar minha energia mais em mim mesmo e no que eu quero pra minha carreira. É um movimento importante de voar sozinho, mesmo que eu já soubesse voar e tivesse voado bem longe. É crescer, sair de casa, encarar o mundo. E vai ar certo. 2022 é promissor. Estou cheio de ideias, energia e medo. Não sei bem oque vai acontecer, e isso me incomoda um tanto, mas se eu não tentar, nada acontece. E pra tentar, eu preciso de mais foco em mim.

E é isso.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Um ano de canal!

Perdi a data exata para comemorar isso, e nem fiz um vídeo sobre, mas HEY, HEEEY, meu canal no YouTube completou um ano!!!

No dia 29 de março de 2019, pouco depois da volta da viagem ao Japão (e pouco antes desse nosso país dar aquela degringolada bizarra), eu postei meu primeiro vídeo oficial pro canal. Já existia um vídeo lá, há muitos anos, com um processo de pintura de uma ilustração de Terapia, mas o canal em si nunca teve atividade além disso.

Com o vídeo de 29 de março, uma apresentação do autor e dos objetivos do canal, foi inaugurado mais um espaço pra me comunicar com vocês e numa plataforma muito mais ampla do que o Blog'n'Roll é (pelo menos, nos últimos anos, os blogs tiveram uma gigantesca queda enquanto Instagram e YouTube cresceram demais). Esse alcance é super importante para mim como AUTOR. Mas não só: como professor, também. Sou um autor, ilustrador, claro, e sempre serei. Mas junto disso também sou um comunicador! Quero levar minhas ideias e colaborar com o meu conhecimento das áreas em que atuo. Quero desmistificar o desenho, ajudar novos artistas e orientar autores e profissionais.


Nesse um ano inteirinho, com cerca de 37 vídeos, comemoro uma vitória pessoal. Adoro fazer vídeos, adoro comunicar, adoro ensinar. E não importa que meu canal cresça de boas, com calma: o conteúdo é honesto, é feito com carinho e vou continuar produzindo. Vamos crescendo com o tempo, da forma que tiver que ser.

Continuo produzindo Quadrinhos e ilustrando, e o último vídeo que publiquei (ontem, um Vlog de Quarentena) tem novidades muito bacanas sobre meus próximos projetos. Corre lá pra ver!



Se você já me acompanha no YouTube, fica o meu grande abraço e agrdecimento pela audiência e confiança. E claro, pelo carinho. O Blog'n'Roll continua no ar, mas os caneias mais indicados pra me acompanhar atualmente são:
YouTube, no canal já mencionado.
Instagram, com posts, stories e lives frequentes.
Twitter
e n'A Newsletter Homeopática, meu cana do Telegram.
É só clicar aí nos links!

Vamos em frente! Se cuidem, fiquem em casa, protejam quem vocês amam.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Opinião - Sobre a vida de artista...

Um tempo atrás, recebi um email do Rodrigo, me perguntando sobre vários aspectos da vida de quadrinista, professor, artista, ilustrador... Enfim, tudo o que eu faço, meu trabalho.

Não é a primeira vez (e, com certeza, não será a última) que alguém me pergunta sobre isso, e as respostas são sempre tão longas e precisam de tanta elaboração, são tão relativas, que a cada vez que respondo penso que deveria ter salvo tudo aquilo para disponibilizar aqui no Blog. Isso pode ser útil de verdade para alguém, que como o Rodrigo, tem interesse em se aprofundar nas áreas em que eu atuo, assim como para novatos que têm interesse no funcionamento do nosso mercado (esse termo é meio complicado, mas vamos deixar a discussão sobre existir ou não um "mercado" pra próximos textos...).

Seguindo o conselho da minha esposa, vou começar a reunir essas respostas aqui no Blog, com a esperança de que elas possam ser úteis a mais pessoas. Meu tempo é cada vez mais escasso para poder me dedicar a falar por um longo tempo sobre isso para uma pessoa de cada vez. E tem muitas informações que são específicas para cada caso, mas também tem muita coisa que serve pra muita gente. Pretendo, em breve, fazer mais compilados desse tipo de informação.

Abaixo, segue um resumo, editado, da pergunta do Rodrigo, e a minha resposta na íntegra. Ah, em tempo, o Rodrigo me autorizou a publicar a resposta. Valeu, Rodrigo! Espero que tenha sido útil de verdade.

P: Conversei com você na Comic Con, do ano retrasado. Falei que tinha lido suas histórias, uma que falava que você tinha aprendido muita coisa sobre arte na Unicamp, mas de uma outra maneira.(...)
Temos afinidades, gosto do seu trabalho, e acho que é proveitoso trocar experiências com você.
Num fórum que você participa, voce comentava sobre como viver dos quadrinhos, ou da arte de desenhar. 
Bem, queria saber sobre isso com você. Como você faz para viver dessa arte, do desenho? Você disse que dava aulas também. Onde? Que sugestão dá para alguém que queira viver do desenho? (...)
Tenho tentado viver do design gráfico. Estudei Artes Visuais e atualmente faço Produção Editoria, mas é um mercado difícil. Queria saber que sugestão daria? (...)

R: Oi, Rodrigo. Tudo bem?

Bom, cara, vou começar sendo bem sincero: muito do que você está me pedindo só daria pra te ensinar/passar/instruir em um curso ou num longo papo, e eu infelizmente não posso fazer isso via e-mail. Eu já conversei com muuuitas pessoas pela internet (e ao vivo também) e sempre fico com a impressão de que não consegui passar tudo oque é preciso, tudo que apessoa quer... E isso é porque não tem como, mesmo, hehe. Não por email, chat, etc.

Tem muito conteúdo  importante que um artista precisa ter para ser um bom profissional. Não é só técnica de desenho, tem todo um lance de gerenciar o próprio trabalho e projetos, negociar, saber lidar com clientes, saber o valor do seu trabalho... Você já tem uma graduação boa, tá fazendo mais um curso, e nosso lance é estar em constante evolução. A gente nunca está pronto, porque nunca deveria deixar de buscar novas soluções, aprender técnicas e estudar referências. Enquanto estiver vivo e curioso você vai evoluir como artista, designer, editor... 

De qualquer forma, veja só, eu me formei em Artes Visuais. Nada na minha graduação foi direcionado para HQ ou ilustração. (Nem minhas aulas na faculdade de educação e pedagogia foram realmente decisivas pra meu trabalho como professor.) Mas, no que diz respeito a ser artista, a graduação me forneceu uma experiência incrível e eu evoluí muito como artista, mas porque estava disposto a conhecer mais, a explorar mais. Antes da faculdade, fiz uns 4 anos de curso de desenho com dois professores. Um deles é um gênio, um artista múltiplo e que ensinou muuuuito, mas que não tinha conteúdo para HQ, não do jeito que eu buscava. O segundo era um veterano datado e que não entendia o mercado atual, mas que me ensinou bastante mesmo assim. Fiz outros vários cursos livres, workshops, palestras, etc. Estava sempre em busca de mais, queria conhecer mais, me inteirar melhor, estar no meio, no mercado, inserido. Participei e participo de coletivos, grupos de autores, listas de discussão. 

Mas além de tudo que eu estudei ao longo da vida, o que mais me fez evoluir como artista profissional foi produzir. Produzir muuuito. Outra coisa que ajudou foram as parcerias que fiz com outros autores que assim como eu estavam começando, e não ganhei nisso só experiência e contatos, mas tbm fiz grandes amigos. Não importa se oque vc fizer vai dar grana ou prêmios ou fama. Isso não importa. O que importa é vc investir no que ama.

Mas tem a parte financeira que é um dilema. Bom, eu ganho a vida e pago minhas contas, ainda que sem imensos luxos, com arte. Já fui professor de ensino médio e fundamental, de Artes, em colégios. Hoje dou aulas de desenho, HQ, ilustração, cartum, etc, na Pandora Escola de Artes, em Campinas, onde moro. Dar aula de desenho (ou outras coisas que vc domina) é mto bom pq te faz sempre revisitar as raízes e os fundamentos, e claro, colaborar com o crescimento de novos artistas. Mas, pra dar aulas, vc não precisa de graduação necessariamente, depende do lugar. O que importa mais é ser um bom desenhista, um bom professor e um cara bacana, hehe

Além de dar aulas, eu faço freelas de ilustração e HQ para diversos clientes, grandes e pequenos, através de agências, produtoras, editoras, etc. Tudo que veio de trabalho nesse sentido foi por indicação de outros artistas e profissionais, por ter protfolios online em diversas plataformas e por ter corrido atrás de conexões e networking.

Quadrinhos é o que eu mais amo mas é o que menos dá dinheiro. Eu faço e sempre fiz por amor e como investimento na minha carreira, no meu trabalho, no mercado nacional, etc. Eu vendo os livros, produzo material independente, estou nos eventos, mas não posso nunca contar só com o que vem do meu trabalho em HQs pra sobreviver.

Meu conselho seria vc buscar  empregos fixos e que te paguem de forma justa nas áreas que vc domina e gosta. E gradualmente ir fazendo seu nome, criando um bom portfolio, fazendo contatos, evoluindo. Se vc tiver como pagar suas contas e ainda assim se dedicar a arte, seja em projetos pessoais ou freelas, isso é maravilhoso. Tira um peso grande das costas, hehe. E vc produz com mais tesão.

Seu trabalho é legal, vi seu portfolio. Gostei mais, na verdade, do que vc faz em diagramação,desigm, tipografia. Os desenhos e pinturas digitais são legais mas ainda precisam de muito estudo em anatomia, perspectiva, luz e sombra, estilização... Ou seja, vc precisa estudar mto mto mto desenho. São os fundamentos, aquelas coisas meio chatas e repetitivas, mas que vão solidificar seu estilo e te encher de repertório, técnicas e soluções pra que seu trabalho fique cada vez melhor e mais seu. Tem potencial, sempre, mas precisa evoluir mais e mais pra que o mercado te veja como o profissional que vc almeja ser.

Bom, empolguei e escrevi muito mas espero ter ajudado. Não é fácil, cara, ser atista e viver disso. Mas tbm não é impossível. Depende muito das escolhas que vc faz e de como vc entende o mercado, e do que espera dele. Mas lembre que não é sobre ser famoso, rico e fodão. É sobre fazer o que ama, conseguir pagar as contas de forma honesta e ser eternamente curioso e focado em melhorar. 

Abração e boa sorte!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Relembrando o começo - um thread

Oi, pessoal! Hoje escrevi no meu perfil do Twitter (não me segue lá ainda? Ma como!? Clica aqui já!) algumas lembranças dos meus primeiros projetos de trabalhos de Quadrinhos.

Estou trabalhando atualmente em um livro ilustrado que é sequência da HQ desenvolvida com a ASPE lá em 2004, com a personagem Cris. Esse projeto foi publicado pela ASPE e era um material institucional e educativo, sobre epilepsia. Foi uma honra participar, e como em todos meus projetos desde o começo da carreira, levei a sério como o profissional que sempre almejei me tornar.

13 anos depois, retomamos a Cris, e o livro deve sair em setembro. Logo postarei novidades disso. Masm por enquanto, fiquem com a recapitulação (thread) que escrevi hoje:

"Revisitando um antigo projeto de HQ (o meu segundo feito de forma profissional, primeiro publicado, de 2004-5).

Geralmente considero minha "estreia" nas HQs pela minha 1ª publicação, na Front, em 2007. Mas a real é q esse projeto foi o 1º de fato. Era um projeto educativo/institucional, mas feito com muito carinho e dedicação. Meu 1º trabalho de HQ/ilustra pago.

Eu já vinha produzindo as HQs de #Pieces desde 2004 e publicando nos sites da época (DevArt, Fotolog, Orkut). Isso faz com que #Pieces já tenha aí seus 13 anos de idade. As 1ª e 2ª edições impressas, porém, saíram em 2009. A 1ª HQ de Pieces impressa estreou na @CafeEspacial #2, de 2008.

Em 2007, eu "estreava" de verdade, no Brasil, na Front 18 - Ódio, com uma HQ escrita pelo hugo. E nos EUA, na Negative Burn 15. Aliás, a HQ que saiu na Negative Burn 15 foi a mesma que saiu na @CafeEspacial 2, no ano seguinte: Pieces - A Chuva Pieces - A Chuva vc encontra pra ler na reedição digital de Pieces 1, no @SocialComicsBR ;) É uma das minhas favoritas até hoje.

Voltando lá atrás, em 2002-3 eu fiz meu primeiro trabalho profissional de verdade de HQ. Era super-heróis, nacional, super bacana. Desenhei as 20 e poucas páginas, fiz o design do vilão, agentes, laboratórios. Meio que deu o tom de quase todo o universo da história. No final esse projeto morreu por, acredito, falta de adesão e resultados da equipe enorme. Mas foi um baita aprendizado.

Um dia, quem sabe, vou republicar esse material pra vcs verem como era. Tenho uns planos aí pra essas HQs antigonas... ;)

Então, minha 1ª HQ profissionalmente foi em 2002. 1ª publicação HQ freela, 04. 1ª autoral 07. Minhas 1ªs HQs independentes, 09. Então, 15 anos de carreira. 13 da criação de Pieces e produzindo sem parar. 8 anos publicando sem pausa aqui e fora. 6 anos de @TerapiaHQ <3 span="">

Com o tempo, vieram mais publicações solo, parcerias, coletivos, eventos, freelas, editais, aulas, palestras e até uns prêmios bem legais. Nada mal pra um garoto inseguro e quietinho, mas muito sonhador do interior de SP (eu morava em Pedreira até os 18). Tudo isso, obviamente, não seria possível sem o colossal apoio dos meus pais, o networking ao longo dos anos e a paixão louca por HQs.

Apesar da facilidade hoje pra ser autor de HQ, nd importa se vc não amar de coração a linguagem e estiver disposto a lutar por isso. Não se chega a lugar algum sozinho, mto menos sendo babaca. Mergulhe e acredite. É uma jornada e isso importa mais que o destino final. Agora chega de thread/flood. Tem muita coisa pra desenhar (e roupas pra lavar) hoje! Vamooooo!!!"



quinta-feira, 28 de abril de 2016

Entrevista - Super Libris!

O programa Super Libris, produzido pela SESC TV, me entrevistou um tempinho atrás sobre minha profissão de ilustrador e quadrinista. O resultado, que também tem o depoimento do ilustrador Manu Maltez, você confere abaixo:



Conheça também o canal do SESC TV no YouTube, e o site do programa, que tem quadros muito legais, neste link.